A nossa galáxia, a Via-Láctea, tem formato espiral. Como estamos dentro dela, não conseguimos vê-la por completo. É como estar dentro de uma casa, espiar pela janela, e tentar ver a casa toda. Não dá! Conseguiremos ver algumas paredes, talvez um pedaço do telhado, mas não passa disso.
Daqui da Terra, de dentro da galáxia, só vemos uma parte de um dos braços espirais. E, como a olho nu este braço galáctico tem a aparência de uma faixa esbranquiçada, leitosa, nossa galáxia ficou conhecida como Via -Láctea (Via = caminho, Láctea = de leite).
O Sol fica a cerca de 30 mil anos-luz(1) do centro da Via-Láctea que tem 100 mil anos-luz de diâmetro e é apenas uma dentre dezenas de galáxias de um grupo local de galáxias chamado de aglomerado de Virgem.
Você já deve ter visto a Via-Láctea (na verdade um braço dela). Dependendo do local da observação, viu muitas estrelas e comprovou o verdadeiro sentido do termo Via-Láctea. Ou só viu algumas poucas estrelas e não achou muita graça. É exatamente o que nos mostra o gif animado logo acima criado pelo projetoMaratona da Via Láctea que nasceu dentro das comemorações do Ano Internacional da Astronomia aqui no Brasil. Em diversas cidades do país, entre os meses de junho e setembro de 2009, acontecerão sessões de observação do céu monitoradas por astrônomos profissionais ou amadores para tentar medir o efeito local da poluição luminosa que pode, literalmente, tirar o brilho das observações astronômicas.
A ideia básica do projeto é tentar conscientizar as pessoas sobre a poluição luminosa causada pelo sistema de iluminação pública (ou até mesmo privada) que:
Atrapalha muito as observações astronômicas, seja a olho nu ou com instrumentos;
Representa um desperdício de energia pois, em vez de iluminar o que interessa, ou seja, só para baixo, lança luz para cima, o que não serve para nada.
:: O Problema
A iluminação noturna deveria ser direcional, para baixo. Mas quase sempre não é. A imagem abaixo compara quatro níveis de iluminação desde o péssimo (não direcional), aberto em todas as direções, até o ótimo (bem direcional e para baixo).
space.gc.ca
Com iluminação direcional podemos diminuir a potência das lâmpadas e, portanto, gastar menos energia. E deixamos de jogar luz para cima o que, na prática, não altera em nada a sensação de claridade que desejamos obter e ainda dificulta bastante a observação do céu noturno.
Infelizmente, quase ninguém pensa nisso. E assim temos cada vez mais zonas iluminadas na Terra sem o menor critério, seja ele ecológico ou astronômico. Desperdiçamos dinheiro e atrapalhamos a visão do céu noturno.
:: A Degradação da Qualidade do Céu Observável
Quantas estrelas você consegue ver? Em condições ótimas, ou seja, longe das luzes da cidade, em noite bem limpa e de Lua Nova, aqui no Brasil dá para ver estrelas até a magnitude(2) 6. Isso significa cerca de 4.900 estrelas visíveis a olho nu! Já no norte do Chile, onde o clima é bem seco, é possível ver a olho nu estrelas até a magnitude 7! E não é por acaso que lá ficam enormes e poderosos telescópios cobiçados por astrônomos do mundo todo.
Mas, quanto maior a poluição luminosa local, pior a qualidade do céu observável e, portanto, menos estrelas visíveis. Veja abaixo um comparativo do número de estrelas observáveis em todo o céu e a magnitude correspondente. Na primeira figura temos uma situação de elevadíssima poluição luminosa que vai decrescendo até a sexta e sétima figuras que mostram situações ideais, ou seja, de ausência de poluição luminosa. Foi usada a região ao redor da constelação de Escorpião que tem a Via-Láctea de fundo e não é difícil de ser observada até porque o seu formato é bem característico. É exatamente para onde vão olhar os participantes da Maratona da Via Láctea.
Magnitude 1 [6 estrelas]
Magnitude 2 [45 estrelas]
Magnitude 3 [150 estrelas]
Magnitude 4 [540 estrelas]
Magnitude 5 [1700 estrelas]
Magnitude 6 [4900 estrelas] - limite do céu brasileiro
Magnitude 7 [14400 estrelas] - limite do céu chileno
Para que não pairem dúvidas, deve ficar bem claro que o número total de estrelas apontado acima entre colchetes refere-se à quantidade de estrelas visíveis em todo o céu noturno e não somente ao redor da constelação de Escorpião, a região mostrada nas figuras. Na primeira imagem, por exemplo, vemos uma única estrela: Antares, a supergigante vermelha(3) que é o "coração do escorpião". Mas em todo o nosso céu podem ser vistas 6 estrelas neste alto nível de poluição luminosa.
:: Participe da Maratona da Via Láctea
Vivo em São João da Boa Vista, SP. O céu que vemos aqui no interior é lindo. Morar no interior tem seus privilégios!
E você? Onde mora? Daí dá para ver bem o céu noturno? Você consegue ver estrelas até qual magnitude?
Você pode tentar observar a Via-Láctea e a constelação de Escorpião do quintal da sua casa. Se puder ir para um lugar mais afastado das luzes da cidade, melhor! Você também pode procurar um nó local na rede de comemorações do Ano Internacional da Astronomia e ver se estarão realizando a Maratona da Via-Láctea.
Logo abaixo você tem um link para um post que fiz sobre observação do céu. Pode ajudar aos menos experientes. E daqui você baixa um arquivo (em PDF) com dicas e cartas celestes do próprio projeto Maratona da Via Láctea.
Boas observações por aí! E, quanto menos poluição luminosa, melhor! Afinal, conforme o bom uso (ou não) da iluminação artificial, cada região vislumbra o céu que merece!
(1) Um ano -luz pé a distância que a luz percorre em 1 ano viajando com a incrível velocidade de cerca de 3000.000 km/s no vácuo. (2) O termo magnitude aqui usado refere-se à magnitude visual de tal forma que, quanto maior é a magnitude do astro, menor é o seu brilho aparente, e vice-versa. (3) Gigante vermelha é uma estrela que, tendo gasto boa parte do seu combustível, "esfriou", ficando vermelha, e cresceu em tamanho, tornando-se "gigante". Antares, centenas de vezes maior do que o Sol, é uma gigante entre as gigantes e por isso é chamada de supergigante.
Post comemorativo do Ano Internacional da Astronomia no Brasil.
Clique aqui e veja uma belíssima foto colorida de longa exposição (750 pixels X 500 pixels) do site Mr. Eclipse mostrando a Via-Láctea e a constelação de Escorpião, a região alvo do projeto Maratona da Via Láctea. Note como fica difícil encontrar a supergigante vermelha Antares, o "coração do escorpião", dentre tantas estrelas.
Bem antes de Galileu Galilei (1564-1642) e de Isaac Newton (1643-1727), lá no tempo de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C), a coisa era mais ou menos assim:
"Uma pedra cai porque o seu lugar natural é o chão"
"A fumaça sobe porque o seu lugar natural é o céu"
Resumindo: as coisas seguem a sua natureza e pronto!
Depois de Galileu tudo mudou. Nasceu a Física Clássica. Galileu, o grande homenageado de 2009 - Ano Internacional da Astronomia, valorizava a experimentação e acreditava que a matemática era a linguagem do Universo. Newton embarcou na onda de Galileu e começou uma grande revolução no pensamento científico.
Grande passo adiante! Upgrade cerebral em toda a humanidade! Assim nasceu a Física: ancorada na ideia de modelos para entender e descrever fenômenos que podem ser reproduzidos experimentalmente.
Mas o que isso tem a ver com o vídeo logo acima? Tudo! Ontem o repórter/humorista Danilo Gentili do CQC da TV Bandeirantes foi agredido e derrubado por um segurança do Senador José Sarney. E a explicação dada para o episódio foi bem aristotélica: "(...) é um tipo de conflito que ocorre por conta da natureza do trabalho de ambos". Confira aqui a nota oficial do diretor da Polícia Legislativa.
Também houve quem alegasse que o repórter se jogou no chão, embora o contundente "experimento", registrado em vídeo, mostre outro resultado.
Conclusão: Brasília fica bem longe daqui onde eu moro, no tempo e no espaço!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 22h22)
A VII Semana da Física da Unicamp será realizada entre os dias 06 e 14 de agosto nas dependências do IFGW - Instituto de Física “Gleb Wataghin”.
O objetivo do evento deste ano é explorar áreas do mercado de trabalho dos profissionais que atuam com a Física e expor diversas pesquisas na área. Serão realizadas palestras, mini-crusos e visitas em locais em que a física é aplicada de forma a relacionar o ambiente de pesquisa e o mercado de trabalho.
Confira o cronograma completo do evento. Mais informações e inscrições aqui.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h31)
Acabo de receber e-mail. No site oficial da OPF - Olimpíada Paulista de Fìsica também há um comunicado oficial. Temos novas datas para a realização desta importante olimpíada. Confira:
Primeira fase (regional): 29 de Agosto (sábado)
Segunda fase (estadual): 25 de Outubro (domingo)
Outra informação importante: "As inscrições para a olimpíada serão reabertas a partir do dia 01 de Julho e se encerrarão no dia 20 de Agosto. Todas as escolas e alunos já inscritos permanecerão inscritos, com os mesmos números de inscrição. Caso haja necessidade de alguma alteração por parte das escolas, essas poderão ser feitas dentro do período de 01 de Julho a 20 de Agosto. Nesse período poderão ser feitas também novas inscrições, assim como troca de alunos que, por ventura, não possam participar da olimpíada".
Michael Jackson se foi, você sabe. Que ele era um grande artista também todos nós sabemos. Desnecessário ainda falar das suas loucuras, dos seus traumas de infância, insatisfações, detalhes íntimos não tão íntimos para quem tinha exposição pública internacional.
Quero neste post apenas homenagear o artista que, como todo bom fazedor de arte, é um criador de ilusões. Para tanto valho-me da gravação ao vivo de Smooth Criminal(1) em que Jackson e bailarinos desafiam a gravidade em pleno palco num truque que cria uma ilusão incrível que parece contradizer a Lei da Gravidade e deixa o público de queixo caído. Assista ao vídeo acima (e preste bastante atenção no instante 3:41s). Depois volte ao post, à teoria física.
:: Uma "Regrinha" Mecânica Simples
A estabilidade de um corpo depende da posição do seu centro de massa(2) indicado na figura ao lado como CM num corpo em forma de paralelepípedo de base quadrada que usaremos como exemplo.
Existe uma "regrinha" simples em Mecânica que diz que "Enquanto a projeção vertical CM' do centro de massa de um corpo cair em sua base o corpo não tomba". Isso acontece porque a força peso P do próprio corpo exerce um torque (ou momento) que o faz girar e voltar para a posição de estabilidade.
Ao contrário, se esta projeção CM' sair fora da base, o peso P do próprio corpo exerce um torque que o faz girar noutro sentido, "para fora". O corpo inevitavelmente tomba!
Veja nas figuras a seguir algumas posições do corpo e a projeção do centro de massa na base.
Note que na posição A o corpo está estável e a projeção CM' do seu centro de massa cai bem no centro da base. Na posição B o corpo foi empurrado para a direita e sofreu um leve giro. Mas a projeção CM' ainda está dentro da base. Se o corpo for solto nesta posição o seu peso P provocará um giro anti-horário que o fará voltar para a posição A (estável). Inclinando-o um pouco mais, na posição C a projeção CM' está no limite crítico de cair fora da base. Esta é a máxima inclinação que o corpo pode ter antes de tombar irremediavelmente.
Mas Michael Jackson em sua peculiar e genial dança parece contradizer esta "regrinha". Note, na imagem abaixo, que a projeção do centro de massa CM está completamente fora da base! Incrível!
:: Como Michael Jackson conseguiu este efeito?
Obviamente ele não burlou nenhuma lei física porque simplesmente leis físicas não podem ser burladas. Mas o vídeo mostra muito claramente Jackson e os dançarinos inclinando os seus corpos tal que os centros de massa (que numa pessoa fica mais ou menos na altura do umbigo) caem fora da base! E tudo feito no palco, ao vivo, em tempo real, na cara do público!
O truque está em sapatos especialmente criados para este efeito. Estes sapatos, mais parecidos com "botinhas" de cano curto, no momento do truque ficam presos ao chão. Eles são reforçados para permitir aos dançarinos e ao próprio Jackson inclinar o corpo sem tombar., permanecendo presos na base fixa ao solo.
É mais ou menos o que acontece nas competições de salto com esqui na neve. Veja na foto abaixo a posição bem inclinada do equiador preso aos esquis.
Assim foi Michael Jackson. Genial e contraditório em si mesmo!
(1) Tomei conhecimento deste vídeo pela primeira vez em 2008 através do Jardhel, meu aluno de cursinho, que agora é ex-aluno e está no curso superior. (2) Centro de Massa é o ponto de equilíbrio do corpo no qual, por abstração, imaginamos toda a massa do corpo poderia estar concentrada.
::: CONFUSÕES CONCEITUAIS COM A 'FORÇA' G NA F1 :::
F1.com Sebastian Vettel, vencedor do GP 2009 da Inglaterra
Aconteceu hoje o GP da Inglaterra (Silverstone) de Fórmula 1 vencido pelo alemão Sebastian Vettel da Red Bull. Barrichello, da Brawn GP, terminou a prova na terceira posição.
E voltou a aparecer na tela da TV o medidor de "força" G (este aí da figura ao lado). No finalzinho da corrida o medidor acompanhava J. Bunton da Brawn GP e, em dada curva, acusou o valor 3,9. Cleber Machado, locutor da Rede Globo, disse mais ou menos asssim: "uma força G de 3,9 quer dizer que o piloto tem que fazer uma força igual a 3,9 vezes o seu peso, ou seja, sente-se mais pesado". O comentarista e piloto Luciano Burti confirmou mas acrescentou "a força G é lateral, por isso o pescoço do piloto sofre muito nas curvas". Foi então que o Reginaldo Leme, comentarista veterano da F1, mais experiente, disse "na verdade a força G não é uma força, é uma aceleração". Ponto pra ele! Eu já ia comemorar que pela primeira vez alguém iria dar uma boa explicação física para a "força" G na TV mas aí Reginaldo Leme também sucumbiu dizendo "a força G é um efeito da gravidade". Confusão em cima de confusão!
Na verdade, pouca gente sabe bem o que é a "força" G. Para começar, ela não é uma força no sentido newtoniano da palavra e sim um efeito inercial provocado pela aceleração. Leme acertou neste ponto. A "força" G é uma força fictícia ou, se preferir, uma "sensação de força" percebida por um observador num dado referencial acelerado.
É mais ou menos assim: 1. Se o carro freia, o piloto "sente-se jogado para frente"; 2. Se acelera fundo, "a sensação é de ser empurrado para trás". 3. Numa curva para a direita o piloto é capaz de jurar que foi empurrado pois "sente-se jogado para a esquerda como se fosse para fora da curva"; 4. Numa curva para a esquerda ocorre o oposto do que acontece na curva para a direita. Em todos estes exemplos não existe força, existe uma "sensação " de força. E esta "sensação de força", chamada de "força" G, não é para baixo como a força peso e tal como Machado deu a entender (e parece que Burti tentou corrigir). Ela está no plano do movimento do carro, quase sempre horizontal! E pode ser para frente, para trás ou lateral! A fala de Burti deu a entender que a tal "força" G é somente lateral, mas não é. A "força" G também não é efeito direto da gravidade, como afirmou Leme. O "G" vem, de fato, de gravidade. É que comparamos o valor desta a força fictícia G com o valor do peso (ou força grvitacional) do piloto. É mais natural para um físico raciocinar assim. Aliás, em 1907 Einstein enunciou o Princípio da Equivalência em que afirma que "aceleração e gravidade são equivalentes" ou , em outras palavras, produzem efeitos equivalentes e indistinguíveis.
A coisa, de fato, não é tão simples de visualizar e entender. A Física das forças fictícias é um capítulo árduo e muito conceitual da Mecância Clássica!
O assunto delicado já causou muita polêmica na Física. Mas depois de Newton não tem mais polêmica. Se você entender bem a Mecânica Clássica de Newton, fica tudo muito bem explicado. Mas pouca gente sabe Física. Muito menos pessoas entendem bem de forças fictícias. Locutores esportivos, mesmo aqueles especializados em de automobilismo, geralmente não sabem. Até os experientes pilotos podem não saber direito. "Entendem" bem da coisa prática, é verdade. Cada vez que guiam o carro "sentem" no próprio corpo o efeito da aceleração do bólido e que é apelidado de "força" G. Mas, fisicamente, quase sempre derrapam feio nas curvas da teoria que, como eu já disse e ratifico, é mesmo difícil de entender!
Eu já escrevi outras vezes aqui no Física na Veia! sobre o assunto. Para não ser repetitivo, indico o post A força "G" e a força "M" do ano passado, tempo que Felipe Massa tinha um carro competitivo e podia mostrar a sua força, o seu talento. Se ler este post verá que o tema está bem explicado, com mais profundidade. Dá uma olhada lá e depois comenta aqui! Pode ser?
Veja também abaixo links para outros posts com temas correlatos.
Mapa mundi simulando a superfície noturna da Terra(*)
O inverno começa oficialmente às 2h45min deste domingo, 21 de junho. Teremos a noite mais longa do ano no hemisfério sul e o dia mais longo no hemisfério norte. Aqui no sul estamos entrando oficialmente no inverno e lá no outro hemisfério, acima do equador, chega o verão.
Entenda melhor como isso acontece.
:: Mudando de referencial para entender o fenômeno
Vamos sair do chão, da Terra. Do espaço olhamos o nosso planeta orbitando o Sol, como na próxima imagem.
Montagem da Terra orbitando o Sol (propositalmente fora de escala)
Note que a Terra orbita o Sol mantendo sempre uma inclinação (ou obliquidade) constante do seu eixo de rotação. Desta forma o Sol não ilumina todo o globo terrestre de forma sempre homogênea. Em certas épocas do ano o Sol incide mais no hemisfério norte (que fica naturalmente mais quente) e menos no hemisfério sul (que fica naturalmente mais frio). Seis meses depois a situação se inverte e é o hemisfério sul que recebe mais energia solar (ficando mais quente) enquanto que o hemisfério norte recebe menor quantidade de radiação solar (ficando mais frio). Assim ocorrem as estações do ano, sempre de forma alternada entre os dois hemisférios terrestres.
Observe na figura acima que entre o ponto A (início do inverno no nosso hemisfério sul) e o ponto C (início do verão aqui ao sul do equador) passam-se seis meses e a Terra dá meia volta ao redor do Sol. Neste período temos uma fase intermediária, marcada pelo ponto B. Nesta fase o Sol está deixando de banhar mais o hemisfério norte para começar a banhar mais o hemisfério sul. Analogamente, entre o pontos C e A temos mais seis meses e a situação se inverte. Há também uma fase intermediária marcada pelo ponto D, transição entre a época em que o hemisfério sul recebe mais radiação solar do que o hemisfério norte.
Que tal detalharmos um pouco mais cada etapa e seus quatro pontos A, B, C e D? Vamos lá:
Ponto A (início do inverno no hemisfério sul ou do verão no hemisfério norte) Posição da Terra chamada em Astronomia de Solstício. Note na imagem que a máxima incidência solar é no hemisfério norte. Aqui no sul estamos recebendo menos radiação solar e, portanto, para nós é estação fria. É o início oficial do inverno e teremos a noite mais longa do ano (ou o dia mais curto) com o Sol se pondo mais cedo e nascendo mais tarde.
Ponto B (início da primavera no hemisfério sul ou do outono no hemisfério norte) Posição da Terra chamada em Astronomia de Equinócio. Exatamente neste ponto dias e noites têm igual duração. Nesta posição do planeta os dois hemisférios (norte e sul) recebem praticamente a mesma quantidade de radiação solar. Teremos em torno desta posição uma estação amena, intermediária entre a fria e a quente ao sul do equador.
Ponto C (início do verão no hemisfério sul ou do inverno no hemisfério norte) Posição da Terra também chamada em Astronomia de Solstício (como o ponto A). Note que agora a máxima incidência solar é no hemisfério sul. Estamos recebendo mais radiação solar e para nós é estação quente. É o início oficial do verão e teremos o dia mais longo do ano (ou a noite mais curta) com o Sol se pondo mais tarde e nascendo mais cedo.
Ponto D (início do outono no hemisfério sul ou da primavera no hemisfério norte) Posição da Terra também chamada em Astronomia de Equinócio (como o ponto B). Nesta posição do planeta os dois hemisférios (norte e sul) também recebem praticamente a mesma quantidade de radiação solar. Exatamente nesta posição dias e noites também têm igual duração, como no outro Equinócio (em setembro). É também uma estação amena, intermediária entre a quente e a fria.
A cada ano os dias e horários exatos de Solstícios e Equinócios variam um pouco e devem ser rigorosamente calculados. Normalmente temos um Equinócio entre os dias 20 e 21 de março e outro entre 22 e 23 de setembro. Já os Solstícios acontecem sempre entre 20 e 21 de junho e 21 e 22 de dezembro. Em 2009 o início do Outono (ponto D - Equinócio) foi em 20 de março, às 8h44min. O início do inverno (ponto A - Soltício) acontece logo mais, no dia 21 de junho, às 2h45min. A primavera (ponto C - Equinócio) ) começa oficialmente às 18h18min do dia 22 de setembro. E o verão (ponto C - Solstício) chega em 21 de dezembro às 14h47min.
Vale ainda lembrar que a distância entre o Sol e a Terra varia ao longo do ano. Esta variação não é grande, mas existe. O ponto C é periélio, ponto em que a Terra está mais perto do Sol (verão no hemisfério sul e inverno no norte). O ponto A é o afélio, ponto de máximo afastamento da Terra em relação ao Sol (verão no hemisfério norte e inverno no hemisfério sul). Como as estações são sempre alternadas entre os dois hemisférios terrestres, não pode ser esta diferença de distância da Terra ao Sol que provoca as estações do ano, certo? As estações são um efeito direto da inclinação do eixo de rotação do planeta que se se mantém constante enquanto a Terra completa a sua órbita ao redor do Sol!
Deu para entender?
(*) É claro que não tem como ser noite em toda a superfície da Terra, certo? Esta imagem é uma montagem. Os pontinhos luminosos representam regiões urbanas, com bastante iluminação artifical.
Post comemorativo do Ano Internacional da Astronomia no Brasil.
Ontem recebi e-mail do prof. Dr. Luiz Roberto Marim, presidente da OPF - Olimpíada Paulista de Física, avisando que "por problemas técnicos no site as provas inicialmente acessíveis somente para as sedes ficaram visíveis para o público em geral. Por esse motivo as provas do dia 20 de Junho foram canceladas e transferidas para uma data a ser determinada brevemente". Houve, portanto, quebra de sigilo. E a organização do evento cancelou a realização da prova prevista para hoje, dia 20 de junho.
Também fui avisado pela minha sede regional, via telefonema, de que o evento estava cancelado.
Ouvi boatos de que o site havia sido hackeado. Mas a informação não é oficial.
O site da OPF ficou fora do ar ontem e somente agora de manhã voltou a funcionar. Mas, estranhamente, não há nenhuma mensagem no site que está como antes (após dia 15 de junho) avisando apenas que "as inscrições foram encerradas e a data da fase regional mudou para o dia 20 de junho".
A direção do evento mostrou muita seriedade e ratificou a credibilidade conquistada em anos de olimpíada ao cancelar a prova uma vez que houve suspeita de vazamento de informações. Mas é muito estranho que no próprio site não exista nenhuma informação oficial, não?
[upgrade: 14h10min] No site da APROFI - Associação Paulista dos Professores de Física, entidade que organiza a OPF, o mesmo texto do prof. Marim que recebi por e-mail. Já publicado aqui no Física na Veia!
UOL - Fotos do dia Pintura no asfalto criando a ilusão de um objeto tridimensional (clique)
A foto acima está em destaque na home do UOL e mostra artistas do Studio Kobra criando no asfalto da praça do Patriarca, região central de São Paulo, a ilusão de um Ford 35 tridimensional.
Adoro ilusões de óptica! Mais ainda as que tem arte! A arte, neste caso, muito bem usada para iludir o cérebro e enganar todo o mecanismo da percepção visual. Genial!
Periga alguém distraído, dirigindo nesta rua, dar uma freada brusca achando que o carro 3D está lá de fato! Ou viajei?!
Para ver mais (sites com inúmeros exemplos de ilusão de óptica)
Já está no ar a nova versão do curso à distância Astrofísica do Sistema Solar organizado pelo ON - Observatório Nacional do Rio de Janeiro.
O curso é inteiramente gratuito e as provas serão feitas à distância. Quem obtiver média maior ou igual a 7.0 recebe certificado do ON.
Mesmo que você não queira se inscrever e fazer o curso regularmente, vale a pena dar uma olhada no material super completo e ricamente ilustrado que é oferecido on line nas versões HTML ou PDF.
Para informações completas sobre o curso clique aqui.
Imperdível!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 12h46)
Acontece entre 18 e 28 de junho a 9a. Feira do Livro de Ribeirão Preto(*), evento cultural gratuito do mais alto nível!
Em 2009, ano em que estamos homenageando Galileu Galilei, a nona versão da Feira realizará no dia 22 de junho a Mesa Temática Especial "2009 Ano Internacional da Astronomia":
"O Ano Internacional da Astronomia: 400 Anos de Descobertas" Gustavo Rojas (UFSCar)
" O Espaço Cósmico: da Terra plana a N dimensões" Augusto Damineli (USP)
" Literatura e Ciência: a Terceira Cultura para o século XXI" Sérgio Mascarenhas (USP - São Carlos) Debatedor: José Aparecido da Silva (USP-RP)
Serão 220 vagas, com inscrições gratuitas que deverão ser feitas através do e-mail:simpósio@feiradolivroribeirao.com.br, de 1 a 18 de junho. O e-mail deve conter nome, RG, CPF, endereço, telefone, e-mail para contato, formação escolar e profissão. Os primeiros 220 inscritos sgarantem a vaga e serão confirmados por e-mail.
No dia 28 de junho, às 14 h, no Salão de Idéias, nosso astronauta Marcos Pontes estará presente para conversar com o público. Haverá distribuição de senhas que deverão ser retiradas com 1 hora de antecedência no local.
Destaquei aqui somente os eventos ligados ao tema central do blog. Mas a Feira tem uma programação ampla e deliciosa. Difícil escolher do que participar! Fiquei morrendo de vontade de dar umas escapadinhas pra Ribeirão! Confira todos os detalhes nos links abaixo.
(*) Dica "quente" da Ciça, minha ex-aluna e que atualmente cursa Ciências Biológicas na USP de Ribeirão Preto.
Para saber mais
Site oficial da 9a Feira do Livro de Ribeirão Preto
Entre os dias 6 e 20 de junho o genial ACP - Arte e Ciência no Palco trás de volta o monólogo Einstein de Gabriel Emanuel encenado pelo meu amigo Carlos Palma sob direção de Sylvio Zilber.
O espetáculo é lindo, sensível, e cai muito bem num programa a dois. Por isso mesmo o o ACP está com uma super promoção para o Dia dos Namorados (12/junho, próxima sexta-feira): cada casal paga somente um ingresso, ou seja, na compra de um ingresso, inteira ou meia, o outro ingresso é cortesia!
Namorar é bom. Com Einstein é melhor ainda!
Serviço
Onde: AUDITÓRIO PUC-Consolação - Rua Marquês de Paranaguá, 111 (entre a Rua da Consolação e a Rua Augusta)