::: THE BOBs 2012 :::

 

Carlos Albuquerque da Deutche Welle avisou-me ontem por e-mail: o The BOBs - The Best of Blogs está de volta em sua oitava edição! Em 2012 o tema é Blogando pelo direito À educação.

Desde ontem, e até 13 de março, internautas de todo o mundo poderão sugerir websites de excelente qualidade em seis categorias internacionais e 11 categorias por idioma.

Quem quiser participar poderá obter todas as informações necessárias em www.thebobs.com.

O "Prêmio Tópico Especial" deste ano dá destaque à cultura e educação, que também são os tópicos de destaque do Deutsche Welle Global Media Forum, a se realizar no final de junho em Bonn. Na ocasião, os vencedores das categorias internacionais do The BOBs irão receber seus prêmios.

Para o "Prêmio Tópico Especial", a DW está procurando blogs, portais e formatos de vídeo que tratam do direito à educação, de projetos educativos e do diálogo intercultural. Pela segunda vez, procura-se a Melhor Campanha de "Ativismo Social". E o "Prêmio Repórteres Sem Fronteiras" irá novamente para um blog que transmita de maneira particular para o público os temas da liberdade de imprensa, democracia e direitos humanos.

Além disso, serão indicados os melhores blogs da atualidade nas 11 línguas do concurso – essa parte da competição não é ligada a um tema específico.

O concurso da DW The BOBs conseguiu se estabelecer como o mais importante prêmio internacional de weblogs. Trata-se da única competição do gênero a ser realizada em 11 línguas. "O prêmio se destina a incentivar todos aqueles que, apesar das restrições e intimidações, se engajam na web pela liberdade de expressão e pelo acesso livre à educação – e isso no mundo todo", diz a editora-chefe Ute Schaeffer. "A internet oferece uma riqueza de oportunidades, tornando acessíveis programas educativos e promovendo o intercâmbio."

 

:: Votação através das redes sociais

Internautas poderão enviar suas sugestões de candidatos através do Facebook e do Twitter.

Além disso, é possível participar do concurso através de redes sociais como a chinesa Sina Weibo ou a russa VKontakte. Assim poderão participar do The BOBs pessoas em cujos países outras redes sociais são mais comuns.

 

:: Juri internacional de altíssimo nível

Neste ano, entre os membros do júri internacional está o renomado fotógrafo Shahidul Alam, de Bangladesh. Alam já recebeu vários prêmios pelo seu trabalho. Entre outros, ele é um dos cofundadores da "Learn Foundation", que oferece treinamentos baseados na internet para comunidades rurais.

Entre os jurados também está o conhecido blogueiro e jornalista russo Alexander Pushev, como também Isaac Mao, um dos organizadores da "Chinese Blogger Conference".

A representante brasileira, jurada para a língua portuguesa, é a blogueira e jornalista brasileira Rosana Hermann do blog Querido Leitor.

 

:: As categorias principais (Prêmio do público e Prêmio do Júri)

  • Melhor Blog
  • Melhor Uso da Tecnologia para o Bem Social
  • Melhor Campanha de Ativismo Social
  • Prêmio Repórteres Sem Fronteiras
  • Prêmio Tópico Especial
  • Melhor Canal de Vídeo 

 

:: As 11 categorias por idioma (Prêmio do Público):

  • Melhor Blog / Árabe
  • Melhor Blog / Bengali
  • Melhor Blog / Chinês
  • Melhor Blog / Alemão
  • Melhor Blog / Inglês
  • Melhor Blog / Francês
  • Melhor Blog / Indonésio
  • Melhor Blog / Persa
  • Melhor Blog / Português
  • Melhor Blog / Russo
  • Melhor Blog / Espanhol 

 

:: As datas

  • A fase de inscrições termina em 13 de março. Então os finalistas serão escolhidos pelo júri internacional.  
  • Os vencedores serão escolhidos entre 2 de abril e 2 de maio. Por um lado, há o voto do júri, pelo outro – em resultado independente – a votação online.  
  • Todos os vencedores serão anunciados em 2 de maio. No dia 30 de abril, alguns jurados irão falar, em coletiva de imprensa em Berlim, sobre blogs e mídia social em seus países.  
  • Os vencedores do júri nas categorias internacionais irão receber seus prêmios no Deutsche Welle Global Media Forum, no dia 26 de junho em Bonn. O tema da conferência de três dias será: "Cultura. Educação. Mídia – Construindo um futuro digno" 

 

:: Os parceiros

Parceiros especiais são Repórteres Sem Fronteiras e a conferência re:publica. Parceiros da mídia são: Jetzt.de, Arabic Media Internet Network, Somewhere in…, Bdnews.com, iSUN TV, Global Voices, Categorynet, TV5 Monde, Gooya, Terra e Lenta.ru.


Recordando momentos incríveis

O Física na Veia! recebeu o prêmio de Melhor Blog em Português 2009/2010 pelo The BOBs (veja selo lá no topo do blog).

Confira abaixo os vídeos da divulgação dos vencedores e da premiação em Bonn, Alemanha, durante o Global Media Forum 2010


Divulgação oficial dos vencedores do The BOBs 2009/2010 pela web



Pequeno trecho em vídeo da premiação do Física na Veia

 

Abaixo três posts quando da minha ida à premiação do The BOBs.


E ainda:

  • Entrevista concedida para Carlos Albuquerque (da Deutsche Welle), durante minha ida a Bonn, Alemanha, sobre o meu trabalho de professor/blogueiro

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h34





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  ::: CURIOSIDADE SOBRE OS RAIOS SOLARES :::

UOL Ciência/Stephen Alvarez/National Geographic Stock/Caters News

Majlis al Jin, no Omã

A bela foto acima, publicada hoje no UOL - Ciência e Saúde (clique aqui para vê-la em seu local e tamanho originais) nos revela uma incrível curiosidade sobre os raios solares que atingem a Terra: eles são praticamente paralelos! Em outras palavras, caminham lado a lado e, com muito boa aproximação, não convergem nem divergem. É exatamente o que vemos através das partículas em suspensão no ar dentro da caverna que, ao serem atingidas pelos raios solares, brilham e nos revelam o formato praticamente cilíndrico do feixe de luz solar que atravessou o buraco na superfície da Terra e mergulhou para dentro da cavidade. Para ajudar no entendimento desta ideia, veja a figura abaixo onde desenhei três (dos infinitos) raios de luz que penetram na caverna.

 
Raios solares praticamente paralelos entram na caverna

Se você medir com cuidado na figura acima, verá que os raios desenhados sobre a foto não estão perfeitamente paralelos. Mas isso é um efeito de perspectiva porque o fotógrafo está no fundo da caverna, um tanto quanto distante do buraco no topo da cavidade. A perspectiva atrapalha um pouco e mascara a nossa percepção do paralelismo aproximado dos raios. Mas, mesmo assim, é notável que feixe de luz é muito mais cilíndrico (raios paralelos) do que cônico (raios divergentes). Se os raios  fossem divergentes, veríamos algo mais ou menos como está na imagem abaixo onde, notavelmente, os raios não "batem" com o feixe de luz que está entrando pelo buraco.


Como seria o feixe de luz solar se os raios não fossem paralelos

 

:: Aprofundando um pouco o nosso raciocínio para entender bem o fenômeno

É fato que os raios de luz solar, quando deixam a nossa estrela, espalham-se de forma homogênea, em todas as direções, ao redor da esfera solar. Logo, é bem razoável consideramos que os raios solares que deixam o Sol divergem e, portanto, não são paralelos.

Mas apenas uma minúscula porção de toda esta energia luminosa que deixou o Sol chega a atingir o nosso planeta. A maior parte desta luz espalha-se pelo espaço e não passa nem perto da Terra. A imagem abaixo nos dá uma ideia do fato.

Raios solares que deixam o Sol e atingem a Terra (fora de escala)

Na imagem acima podemos ver dois raios de luz que, partindo de pontos quase diametralmente opostos do Sol, atingem a Terra. Na prática, apenas a porção de luz delimitada por estes dois raios (marcada em azul) chega na Terra. Todo o resto vai pro espaço. Note que estes raios estão inclinados em θ graus, ou seja, temos um cone de luz de abertura θ graus.

Esta figura está propositalmente fora de escala. O Sol, na prática, não está assim tão perto da Terra. Quanto mais distantes estiverem Sol e Terra, menor será o ângulo θ. Confira na imagem abaixo. 


Raios solares que deixam o Sol e atingem a Terra (ainda fora de escala)

Mas a figura acima ainda está fora da realidade. Se colocarmos o Sol no seu devido lugar (cerca de 149,6 milhões de quilômetros do olho do observador), mantendo a proporção real de tamanhos (diâmetros do Sol e da Terra), ângulo θ diminui drasticamente. Dá para imaginar como seria isso?  

Não é difícil calcular o valor deste ângulo θ (abertura do cone de luz que deixou o Sol e atinge a Terra). Já fiz este cálculo aqui no Física na Veia! e obtive um valor de praticamente 0,5o (meio grau).  Confira os cálculos neste post. E meio grau é muito pouco! É praticamente zero. Portanto, podemos afirmar que na prática os raios solares que chegam na Terra são praticamente paralelos. Em outras palavras, o feixe de luz é cilíndrico. 

Muito cuidado! Entenda bem o fenômeno:

  1. Os raios de luz quando deixam o Sol não são paralelos, pois divergem.
  2. Mas os raios solares quando chegam na Terra (apenas uma pequena porção do todo) são praticamente paralelos (a rigor têm inclinação θ = 0,5o). Isso porque a Terra está suficientemente afastada do Sol para tornar o ângulo θ quase nulo. É uma questão geométrica. 
Deu para entender o espírito da coisa?

Agora pare e pense: por causa deste paralelismo aproximado dos raios solares, a sombra de uma avião que voa horizontalmente, projetada no solo (horizontal), terá sempre praticamente o mesmo tamanho do avião, independente da altitude H de voo.

Visualizou o que eu disse? As figuras abaixo ajudam a entender esta curiosidade sobre os raios solares.

 


Sombra do avião voando mais alto, por volta do meio dia


Sombra do avião voando mais baixo, por volta do meio dia


Sombra do avião voando mais alto, no meio da manhã ou da tarde


Sombra do avião voando mais baixo, no meio da manhã ou da tarde

Repare, nas quatro imagens imediatamente acima, que a sombra do avião projetada no solo horizontal tem sempre praticamente o mesmo tamanho do avião. Se os raios solares que atingem a Terra não fossem praticamente paralelos, a divergência entre eles afetaria o resultado deste experimento tal que a sombra do avião:

  1. não mais teria o mesmo tamanho do avião.
  2. teria um tamanho diferente para cada altitude de voo do avião.
As duas figuras logo abaixo ilustram os efeitos 1 e 2 apontados acima que ocorreriam caso os raios solares que chegam na Terra não fossem praticamente paralelos. 

Sombra não tem mais o tamanho do avião e depende da altura de voo


Sombra não tem mais o tamanho do avião e depende da altura de voo

Como escrevi nas duas figuras acima, para não induzir ninguém ao erro, na prática não é isso o que acontece. Com muito boa aproximação podemos considerar que os raios solares que chegam na Terra são praticamente paralelos pois estão inclinados em apenas 0,5o (meio grau).

Por fim, aproveito esta ideia descrita aqui neste post para mostrar "como funciona a cabeça de um físico". Se você fizer a mesma pergunta para aguém que não é físico e para alguém que é, poderá se surpreender com repostas diferentes, aparentemente antagônicas. Mas ambas podem estar corretas, ou pelo menos aceitáveis pelas suas justificativas lógicas. Veja:


Os raios de luz que deixam o Sol são paralelos?Os raios de luz solar que chegam na Terra são paralelos?
Não físico  Não, pois divergem bastante.Não, pois divergem em meio grau.
Físico  Não, pois divergem bastante.Sim, com muito boa aproximação, pois divergem em apenas meio grau (quase zero)

A tabela acima mostra que é prática comum do físico idealizar as situações, ou seja, assumir aproximações que são no fundo erros sob controle, minimizados, e que no final das contas não afetam de forma significativa o resultado, mas simplificam bastante o tratamento, o que chamamos de modelo. A sombra do avião no chão não tem exatamente o mesmo tamanho do avião. Mas tem quase o mesmo tamanho do avião. O erro está sob controle. E é mínimo. Nós físicos somos práticos! E quem quer aprender física precisa começar a pensar assim! 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h05





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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 47 anos

São João da Boa Vista
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