::: PROFESSORES, A EDUCAÇÃO E AS VASSOURAS :::


Gravado durante a Escola do CBPF, no Rio de Janeiro, em julho/2010

Hoje é mais um Dia do Professor!

E, como sempre digo, o único dia do ano que é do professor. Todos os outros dias são dos alunos. E é isso mesmo, está certo! Trabalhamos pesado por essa molecada, querendo vê-los crescer não só por fora (porque isso a natureza biológica já faz bem), mas principalmente por dentro.

Infelizmente, neste processo de ensino/aprendizagem, temos que gastar muita energia remando forte contra a maré(*). E, apesar de termos no Brasil escolas que são verdadeiras ilhas de excelência, o oceano, o que sobra quando tiramos as ilhas, nos envergolha mundialmente. O Brasil quase sempre ocupa os últimos lugares nos diversos índices que tentam avaliar a qualidade da educação mundial.

Aproveito este clima de eleições, que 'deveria' significar mudanças e, com o vídeo acima, de uma entrevista que dei para a Revista Ciência Hoje em julho deste ano, levanto uma discussão: será que as soluções para a educação são sempre caras e sofisticadas? Ou é possível encontrar soluções simples e economicamente viáveis para melhorar significativamente a qualidade da educação no nosso país?

Infelizmente, as discussões sobre educação na propaganda política não passam das repetições automáticas de frases feitas do tipo"a educação é a coisa mais importante para a sociedade", "um país não se desenvolve sem educação", "boa educação é o sonho dos pais e dos filhos",... Na verdade, discussões, de fato, não existem! Só frases de efeito com pouco (para não dizer nada) de prático!

Estou muito decepcionado com as campanhas eleitorais que tivemos e ainda estamos tendo. Um show rarefeito dos marqueteiros que tentam vender políticos como se fossem um produto qualquer. É triste essa realidade de políticos que se deixam vender e assumem. Assumem sim! Só produtos vendáveis precisam dos marqueteiros. Logo, os nossos políticos estão, de certa forma, assumindo que são produtos vendáveis quando contratam os marqueteiros! Uma pena. Enquanto isso, as grandes discussões, dentre elas a da educação, que não vendem nem rendem nada, ficam de fora. 

Hoje é dia de comemorarmos a existência dos professores. E a melhor maneira de comemorarmos é a discussão. Que tal discutirmos mais a educação para podermos fazer ainda muito mais por ela? Este é meu recado para os políticos mas, principalmente para a sociedade que precisa vencer a inércia, levantar da cadeira, e parar de esperar sentada as atitudes do poder público.

Deixo o meu forte abraço a todos os colegas professores/educadores deste enorme país de tantas diferenças! Vamos em frente, fazendo a nossa parte, fazendo a diferença, sempre!


(*) Maré aqui sintetiza metaforicamente um conjunto de coisas e atitudes por parte dos políticos e da sociedade em geral (e aqui entram os pais, e os alunos também) que fazem do sistema educacional no nosso país um "sistema não conservativo", ou seja, que dissipa energia de forma imbecil sem se preocupar com o seu melhor aproveitamento. 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 09h29





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  ::: A MECÂNICA POR TRÁS DO RESGATE DOS MINEIROS NO CHILE :::


Guindaste montado para transportar a Fênix, a cápsula de resgate

 

Todos estivemos ligados no resgate dos 33 mineiros que ficaram presos na Mina San Jose, no norte do Chile, desde 5 de agosto, a quase 700 m de profundidade. O resgate terminou com sucesso nesta noite de quarta-feira, 13 de outubro.

O transporte dos mineiros até a superfície foi feito pela cápsula Fênix especialmente desenhada pela Marinha Chilena. Confira abaixo os esquemas originais fornecidos pelos projetistas.


Vista lateral da cápsula, aberta e fechada


Vista superior da cápsula

Nas figuras acima vemos apenas o habitáculo, parte da cápsula feita para acomodar com segurança um a um dos mineiros a serem resgatados bem como os socorristas que desceram na mina. A cápsula inteira tinha 4,5 m de comprimento, 53 cm de diâmetro interno (58 cm de diâmetro externo) e massa de 460 kg. Ela foi projetada para subir e descer por um túnel de 66 centímetros de diâmetro e 622 metros de extensão. Os primeiros 100 metros do túnel foram revestidos com tubos de metal para evitar desmoronamento e garantir maior segurança na operação. A cápsula tinha rodinhas encaixadas nas laterais externas com amortecedores (molas) para minimizar o impacto e o atrito com as paredes do túnel evitando movimentos bruscos que pudessem ferir os ocupantes. Havia ainda reservas de oxigênio caso a cápsula ficasse parada no meio do caminho por algum problema. Tinha ainda comunicação por rádio, monitoramento das funções vitais dos resgatados, e câmera interna. É bom que se diga que o projeto foi muito bem pensado e executado, tanto que o resgate, apesar de extenso, ocorreu com muito tranquilidade.

Acompanhando pela TV, com repórteres e âncoras que ficavam narrando tudo o tempo todo, deu para "pegar" muitas falhas de conceitos fundamentais de Física que, mal tratados, nos remetem às ideias aristotélicas equivocadas a respeito de como o mundo funciona, coisa de muito antes de Isaac Newton e Galileu Galilei! Incrível!

Para citar apenas um exemplo, uma apresentadora comparou a velocidade da descida da cápsula sem ninguém dentro, ainda na fase de testes, com a velocidade de descida com o primeiro socorrista a bordo. Ela achou, sem ter como fazer medidas rigorosas, apenas no "olhômetro", que a velocidade de descida com o socorrista dentro estava maior. E disse "... claro que agora está mais rápido pois está mais pesado com o homem lá dentro".

Mesmo que fosse numa queda livre, com velocidades baixas, ou seja, em situação em que o atrito com o ar é desprezível, a aceleração (taxa de aumento da velocidade no tempo) não dependeria da massa (ou peso) do corpo. Portanto, o aumento de velocidade da cápsula com ou sem ocupante seria idêntico. No caso, para piorar o equívoco da jornalista, a cápsula estava amarrada num cabo que passava por polias (roldanas) e estava preso a um guindaste, com motor próprio, que assim controlava a velocidade de descida. Infelizmente, a comentarista/apresentadora, sem querer, judiou da Física. E mostrou que é aristotélica de carteirinha! Infelizmente, em pleno século 21, ela não está sozinha!

E foi por isso que resolvi escrever este post. A ideia é tentar criar um modelo fisicamente aceitável com base nos conceitos da boa mecânica newtoniana para o que observamos durante o resgate no Chile. Então vamos lá.

 

:: Velocidade Média da Cápsula

Os 622 m do túnel foram percorridos, em média, a cada 15 minutos. Às vezes um pouco mais, noutras um pouco menos. Mas sempre nesta média. Assim podemos estimar a velocidade média da cápsula em:

Note que, por segurança, a velocidade era bem baixa. Uma pessoa caminhando desenvolve, tranquilamente, pelo menos o dobro desta velocidade.

 

:: Forças envolvidas (na subida)

O equipamento (guindaste), mostrado na foto real logo acima, apesar de robusto, era relativamente simples, e está esquematizado abaixo (fora de escala). 


Esquema do guindaste que controlava a subida e a descida da cápsula

Note que um cabo passava por uma polia (roldana) bem grande e descia preso à cápsula. A polia, fixa, só altera a direção/sentido da força de tração T no cabo. A intensidade de T não muda com a ação da polia fixa e supostamente bem lubrificada.

O túnel tinha uma inclinação de pouco mais de 10o. Nestas condições, podemos dizer que sobre a cápsula atuavam as seguintes forças:

  • T: tração no cabo de aço ligado ao guindaste (sempre na direção do fio, que acompanha a inclinação do túnel)
  • P: peso da cápsula, ou seja, a atração gravitacional que a Terra exerce sobre a cápsula (sempre na direção vertical)
  • N: componente normal da força de contato entre a cápsula e a parede (sempre na direção perpendicular às paredes do túnel)
  • A: componente paralelo das força de contato entre a cápsula e a parede e que costumamos chamar de atrito (sempre na direção paralela às paredes do túnel)

A figura abaixo mostra os vetores que correspondem às forças acima citadas.

IMPORTANTE:

  • I) O atrito A foi representado para baixo pois a figura acima ilustra a situação de subida da cápsula. Na descida o atrito A deve ser representado para cima pois é sempre contra a esfregação das duas superfícies (no caso das rodinhas laterais da cápsula e das paredes do túnel). O ângulo θ mostrado na figura corresponde à inclinação do túnel.
  • II) Podemos dizer que a cápsula subia (e descia) ligeiramente apoiada na parede inferior do túnel pois este era inclinado. Isso justifica o aparecimento do componente N da força de contato e também do componente de atrito A. Se o tubo fosse perfeitamente vertical, a cápsula poderia subir e descer apenas pela ação das forças de tração (T) e do peso (P) supondo, idealmente, que não tocasse nas paredes do túnel em momento algum.

 

 

 

Para encontrarmos a força resultante R (soma vetorial de todas as forças que atuam na cápsula), fica mais fácil fazermos antes a decomposição (ou projeção ortogonal) do peso (P):

A figura acima mostra P' e P'', componentes ortogonais de P. P' é o componente normal da força P enquanto que P'' é o componente paralelo. Note que P, P' e P'' formam um triângulo retângulo. Isso está mostrado na figura abaixo e facilita bastante o tratamento geométrico do problema.

Podemos facilmente encontrar P' e P'' em função de P:

Sobre a cápsula, resumindo, temos os seguintes vetores força atuando (já com a decomposição do peso que não mais será representado):

Na direção perpendicular à parede, N e P' se equilibram, ou seja, anulam-se. Assim:

A força resultante R, pelo Princípio Fundamental da Dinâmica (também conhecido como segunda Lei de Newton), é R = m.a (onde m é a massa do corpo e a a sua aceleração). A resultante R deve estar na direção do eixo central do túnel, que é a direção do movimento. Nesta direção a tração T compete com o componente P'' mais o atrito A. Assim:

Sabemos que o atrito A depende do componente normal N tal que A = μ.N onde μ é o coeficiente de atrito e N = P' encontrado acima em função de P e do ângulo θ. O componente P'' também foi explicitado acima em função de P e de θ. Ficamos com a seguinte equação:

onde P = mg.

Logo, para tirar a cápsula do repouso, com um mineiro dentro, o guindaste deve fazer uma força T para produzir uma aceleração a para cima, , dada por:

Note que a massa m "do corpo" acima citada deve levar em conta a massa total do sistema, ou seja, a massa da cápsula (mC) mais a massa (mH) do homem que vai dentro dela. Assim:

Depois que a cápsula atinge uma velocidade desejada, a aceleração a passa a ser zero.

Achou estranho? Mas não é. Pense comigo: a cápsula deve subir acelerando o tempo todo? Claro que não, não é mesmo! Como num elevador, a cápsula acelera só até atingir a velocidade desejada para a subida. Quando chega nesta velocidade, a resultante R das forças se anula (R = 0). Neste caso teremos:

Neste ponto, muita gente acha mais estranho ainda que a cápsula possa subir com força resultante nula! Mas não há nada de estranho nisso. E é exatamente aí que Aristóteles tropeça! Precisamos de força resultante não nula apenas para tirar a cápsula do repouso. Depois que ela "pega embalo", adquire velocidade, continua a subir por inércia, ou seja, mantém MRU (movimento retilíneo e uniforme) com R = 0. Dá para entender a ideia?

Se a resultante para cima for diferente de zero, a cápsula sobe, mas ganhando cada vez mais velocidade, o que seria perigoso para a segurança do resgate, concorda? Então deve ficar bem claro que foi necessária uma força resultante não nula só no começo da subida, para vencer a inércia e tirar a cápsula (com o mineiro dentro) do repouso. A maior parte da subida é feita com velocidade constante. Certo?

E no finalzinho da subida, para parar a cápsula na superfície do planeta, o truque é invertido, ou seja, a força resultante tem que ser diferente de zero e para baixo, contra o movimento, para desacelerar a cápsula. O guindaste diminui a força de tração T que fica menor do que a soma A + P''. Assim a velocidade da cápsula cai gradativamente para zero.

Um gráfico de velocidade em função do tempo compatível com o resgate dos mineiros pode ser visto na figura abaixo, propositalmente fora de escala porque os períodos de aceleração (início do movimento) e desaceleração (fim do movimento) são muito menores do que o período de MRU (com velocidade constante). A velocidade cresce de zero até um valor máximo V, se mantém constante, e depois se anula. Outro gráfico interessante é o da intensidade da força de tração T durante a subida em função do tempo. Para iniciar o movimento a tração será máxima (Tmáx > P'' + A). Para manter o movimento uniforme ela é constante (T = P'' + A). E para desacelerar a cápsula, ao final da subida, a tração será mínima (Tmin < P'' + A). Confira os dois gráficos logo abaixo.

 

 

:: Modelo ideal

Num caso ideal você poderia desprezar o atrito, o que equivale a dizer que as rodinhas laterais da cápsula são bem lubrificadas e há uma folga razoável entre a cápsula e as paredes do túnel com diâmetro suposto homogêneo o tempo todo. Aí basta repetir o raciocínio acima eliminando o componente A dos cálculos ou, nas equações já obtidas, colocar μ = 0

Sem atrito, a aceleração inicial na subida seria:

E a força de tração (constante) no cabo capaz de manter a subida em MRU:

Bem mais simples, não é mesmo? Mas considerar o atrito dá ao nosso modelo maior confiabilidade. Concorda? E não chega a ser um fator muito complicador.

 

:: Cálculos numéricos

Deixo para você os cálculos. Construí o modelo. O resto agora é fácil, são somente as continhas. Use mC = 460 kg (massa real da cápsula), mH = 70 kg (massa de um homem adulto médio), g = 9,8 m/s² (valor aproximado da gravidade superficial na Terra), cos10o =  0,98 e sen 10o = 0,17 (10o é a inclinação do túnel, lembra?). Divirta-se!

 

:: Atenção vestibulandos

Para terminar, aviso aos vestibulandos: os vestibulares atuais estão cada vez mais contextualizados, ou seja, cada vez mais exploram situações do cotidiano. Não é por acaso que aqui no Física na Veia! já "matei" muitas questões de vestibular importante. É que eu escrevo sempre pensando na Física contextualizada.

Logo, o tema resgate dos mineiros no Chile, atualíssimo, pode ser explorado em questões nos próximos vestibulares, em especial na segunda fase (imagino que as provas de primeira fase já estejam prontas, finalizadas, a caminho da gráfica).

Fique atento(a)! Estude. Sem "decoreba", sempre entendendo a Física ligada ao seu mundo, à sua vida, aos acontecimentos mais corriqueiros. Afinal, Física tem a ver com tudo!  Certo?


Já publicado aqui no Física na Veia





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 22h16





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  ::: VIRGIN GALACTIC: TURISMO ESPACIAL CADA VEZ MAIS PRÓXIMO :::

O vídeo acima mostra o voo inaugural da nave Enterprise da empresa Virgin Galactic que promete turismo espacial em escala comercial para muito em breve. O teste foi realizado ontem, dia 10/10/10, sobre o deserto de Mojave nos Estados Unidos.

Se você tiver 200 mil dólares (cerca de R$ 330.000) "sobrando" pode entrar na onda do "Book your place in Space" divulgado no site da empresa e reservar um lugar num desses voos panorâmicos espaciais que devem acontecer muito em breve inaugurando a era do turismo espacial. É só clicar aqui e preencher um formulário rapidinho. Simples! Se eu tivesse dinheiro, iria. Deve ser sensacional!

Segundo a empresa, já existem muitas reservas (inclusive de pelo menos um brasileiro) para um voo suborbital no qual se pode ver o planeta Terra e experimentar a sensação de gravidade zero. Na verdade, a nave entrará numa trajetória parabólica controlada que atingirá pouco mais de 100 km de altitude, acima da atmosfera e, portanto, já considerado espaço. Nesta trajetória os ocupantes da Enterprise estarão numa situação semelhante a uma queda livre. É quase como estar dentro de um elevador cujo cabo de aço arrebentou. Só que em vez de cair na vertical, a nave estará "caindo" numa parábola, primeiro para cima e depois para baixo. A trajetória parabólica produz o mesmo efeito da queda vertical mas prolonga o passeio e a sensação de gravidade zero que em Física chamamos de imponderabilidade. Durante a imponderabilidade parece mesmo que a gravidade foi anulada. Mas a gravidade continua lá, firme e forte, puxando-nos para o centro do planeta.

No entanto, é bastante comum as pessoas afirmarem que no espaço a gravidade é zero. E ainda justificam que dentro da nave os objetos flutuam por causa disso! E o pior é que este erro físico sempre aparece na mídia. Quer mais um exemplo bem recente? Clique aqui e veja um vídeo (traduzido) da BBC mostrando o voo inaugural da Enterprise. Aos 54s a voz em off vai dizer "... tudo para experimentar alguns minutos de voo suborbital com gravidade perto de zero". Como você já sabe, nesta situação, a gravidade não é zero nem estará perto de zero. Muito pelo contrário, nesta baixa altitude a gravidade encontra-se com valor bem próximo do valor superficial que na Terra é em torno de 9,8 m/s² (ou N/kg).

A Enterprise (ou Space Ship Two) é uma evolução da nave Space Ship One que conseguiu atingir o espaço (cerca de 100 km de altitude) em 21 de junho de 2004. Foi a primeira nave de uma empresa privada a conseguir este feito e com custos bem inferiores aos dos diversos projetos espaciais governamentais. Confira aqui.


Já publicado aqui no Física na Veia

Sobre a Virgin Galactic

Sobre "gravidade zero"





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 21h52





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  ::: 6 ANOS DE MUITO TRABALHO, SONHOS E CONQUISTAS :::

Arquivo pessoal

Quando eu tinha (quase) seis anos...

 

Este post conta hoje, um dia muito importante para o Física na Veia!, um pouco da história deste blog...

 

:: 2003

Em 2003 adquiri o domínio www.fisicamoderna.com.br com a ideia de criar um site para divulgar o meu livro Tópicos de Física Moderna, um projeto pioneiro de ensino de Relatividade, Física Quântica e Cosmologia para jovens estudantes do final do ensino médio e início do ensino superior.  O livro, editado pela Companhia da Escola, que nasceu dentro da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, em parceria com o prof. Dr. Roberto de Andrade Martins, havia sido lançado na feira Educar 2002, em São Paulo, e mostrava poder de fogo no mercado ainda inexplorado. 

Mas, tão logo o domínio estava liberado para mim, percebi o óbvio: manter um site sozinho seria complicado. Como acumular os papéis de uma grande equipe e sem verba? Eu teria que ser autor, webmaster, webdesigner, e tudo o mais. Apesar de dominar ferramentas e linguagens web (nos anos 90 eu tive uma empresa de mídia digital), entendi que o passo seria maior do que a minha perna. Não desisti. Mas a ideia foi engavetada e ficou hibernando, esperando o momento certo para despertar.

 

:: 2004

No início deste ano o UOL havia liberado o seu sistema próprio de blogs. Pelas facilidades de blogar frente às complicações bem maiores de manter um site e toda a sua estrutura, resolvi encarar o desafio e criei o blog Física Moderna (www.fisicamoderna.blog.uol.com.br), já pensando em 2005 que seria (e foi) o Ano Mundial da Física em comemoração aos 100 anos dos principais trabalhos de Albert Einstein em 1905. Passei uns meses desde o início de 2004 definindo uma linha editorial que pudesse ser viável. E foi então que percebi que falar apenas de Física Moderna seria restritivo. Como eu ainda estava perdido em ideias e buscando espaço na blogosfera, resolvi abrir o leque e falar sobre toda a Física, da Clássica e da Moderna. Quando a gente não sabe para onde atirar, atira para tudo quanto é lado, não é mesmo? E foi assim que nasceu o blog Física na Veia! em 11 de outubro de 2004 (note que o URL com "fisicamoderna" preserva a história do blog até hoje).

No começo eu era um mero desconhecido. Entrava no blog e o sistema que mede a audiência marcava 1 visitante on line, ou seja, eu mesmo! Desesperador! Um dia apareceram dois visitantes on line, eu e mais alguém! Eu já tinha um leitor! Mas era quase como falar sozinho num quartinho 2m X 2m! Coisa de maluco mesmo. Mas acreditei nas possibilidades, sempre pensando "Por que não um blog de Física? Deve ter público para isso!". Público restrito, se pensarmos em valores percentuais. Mas em valores nominais, absolutos, uma multidão de milhares e milhares de pessoas espalhadas pelo Brasil e até pelo mundo e que poderiam se interessar pela boa Ciência. Imaginei um publico desde jovens estudantes, de ensino fundamental e médio, onde ja se ensina Física, passando pelo vestibular. E também adultos e profissionais já formados em diversas áreas mas que poderiam se interessar por assuntos ligados à Ciência, especialmente a Física contextualizada, ou seja, ancorada em acontecimentos cotidianos. Apostei nisso!

 

:: 2005

Foi exatamente assim, na base da persistência, que o blog começou a crescer. Logo no começo do ano de 2005 o jornalista Luiz Gravatá do jornal "O Globo" deu uma notinha chamando a atenção sobre o blog bem do início das comemorações do Ano Mundial da Física aqui no Brasil e destacou também o meu livro de Física Moderna. Uma luz no fim do tunel, uma prova de que eu estava sendo visto! Em seguida, o Física na Veia! foi link oficial deste evento mundial pelo site da SBF - Sociedade Brasileira de Física. Fiquei muito feliz com este super reconhecimento da seriedade que sempre tentei demonstrar no meu trabalho.

Ainda em 2005 o Física na Veia! passou a ser blog convidado do UOL ao lado de gente de peso nas artes, no jornalismo, nos esportes, e tantas outras áreas de destaque. O UOL Educação também se interessou pelo meu trabalho e linkou o blog. Mais um link "quente". A coisa estava começando a ficar bem divertida! Com tantos novos links externos, 2005 foi um ano de bastante crescimento da minha audiência.

 

:: 2006

Quando do vôo do tenente-coronel Marcos Pontes para a ISS - Estação Espacial Internacional, nosso primeiro astronauta, em março de 2006, escrevi um post que foi parar na home principal do UOL e deu bastante audiência. Era o começo de uma nova fase. O UOL solicitou a minha foto e passei a figurar com bastante frequencia em outros destaques. O que estava divertido começou a ficar também sério, aumentando a minha responsabilidade.

 

:: 2007

Em março de 2007 foi oficialmente criada a Estação UOL Ciência e Saúde e passei a fazer parte do time de blogueiros desta área do portal que prometia ser bastante movimentada e, de fato, tem sido! Hoje meus posts podem aparecer na time line das notícias de Ciência e tenho destaque permanente no UOL Ciência e na sua área de blogs. Muitas vezes participo como colaborador em matérias especiais, como nesta sobre planetários, nesta com dicas sobre observação do céu e nesta outra sobre conjução planetária e chuva de meteoros.

Em inúmeras vezes fiz coberturas de eclipses lunares e solares em parceria com o UOL figurando no banner rotativo da página principal (veja um deles aqui - clique na aba 10h)

Por conta desta grande exposição, já fui convidado a fazer consultoria para matérias em revistas, como nesta bem divertida da Mundo Estranho (Editora Abril) que tenta explicar "como seriam os jogos olímpicos na Lua".

Portais de educação, como o Portal Aprendiz e o Portal da SES-SP - Secretaria de Ensino Superior do Estado de São Paulo também já se interessaram em divulgar o meu trabalho de professor que não se contentou em ficar restrito às barreiras da sala de aula e caiu no mundo através da internet.

 

:: 2008

Em dezembro de 2008 surgiu o movimento EWCLiPo - Encontro de Blogs Científicos em Língua Portuguesa, evento organizado pelo prof. Dr. Osame Kinouchi da USP - Universidade de São Paulo (campus Ribeirão Preto) e que, a partir de pesquisas na internet, deu-me o título de blogueiro científico mais antigo ( e ainda ativo) em Língua Portuguesa no Brasil. Fui convidado para particpar de uma mesa redonda e falar sobre a "Qualidade da Blogosfera Científica Brasileira". Desde então faço parte do Anel de Blogs Científicos da USP. Não sei se descobriram algum outro blogueiro científico em português mais antigo do que eu. Pode até ser. Mais persistente, duvido!

 

:: 2009

O ano passado foi bastante produtivo. Fui incorporado ao corpo de blogueiros oficiais nas comemorações do AIA - Ano Internacional da Astronomia - Brasil, evento mundial com vários "nós" em diversos países do mundo e que comemorou os 400 anos da luneta de Galileu. Produzi muitos textos sobre Astronomia e conquistei muitos outros novos leitores.

Ao longo destes anos todos de produção de posts sobre Física alguns blogueiros de bastante importância na blogosfera brasileira também já me deram "canja". Veja estes exemplos:  Marcelo Tas, Ricardo Noblat e Rosana Hermann. A Rosana Hermann inúmeras vezes deu visibilidade aos meus posts. Este foi apenas um deles, mas de importância histórica: foi ele quem serviu de inspiração para "Aqui a Física é Pop", o novo slogan do blog que passei a usar desde novembro de 2009 quando o contador registrou a marca de um milhão de visitas. E desde então o blog "atende pelo nome", ou seja, tem domínio próprio: www.fisicanaveia.com.br.

 

:: 2010

Este está sendo um ano inesquecível para o Física na Veia! Logo em março eu estava na short list do The BOBs - The Best of Blogs, como Melhor Weblog em Língua Portuguesa.  Estar nesta lista dentre os 11 melhores blogs em Português no mundo neste prêmio internacional importantíssimo já era uma honra, especialmenten para um blog de Física. Mas, para minha surpresa, fiquei em terceiro lugar na votação popular e em primeiro pelo juri técnico internacional. Quase caí da cadeira quando vi o vídeo abaixo ao vivo na transmissão do resultado pela internet. Não me canso de vê-lo e sempre me divirto com o sotaque!

Estive em Bonn, Alemanha, participando do Global Media Forum em junho deste ano onde recebi o título de Melhor Weblog em Língua Portuguesa no The BOBs da Deutsche Welle. E pude curtir uma semana de Alemanha.

Em julho, a convite do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, estive no Rio de Janeiro para participar de uma mesa redonda sobre "divulgação científica e as novas mídias sociais". Foi muito bacana estar num lugar onde se faz Física de alto nível. No CBPF já passaram grandes nomes da Física brasileira e mundial. Estar lá como palestrante foi, de certa forma, um outro prêmio, e mais uma vez o reconhecimento pelo meu trabalho de divulgação científica.

Mas ainda tinha mais. Na semana que eu estava embarcando para Alemanha para receber o The BOBs, chegou até mim o edital da SBF - Sociedade Brasileira de Física abrindo as inscrições para a Escola de Física do CERN 2010 - Portuguese Programme, em Genebra, Suíça. Tratei logo de me inscrever, apesar da correria para a viagem internacional em período de aulas. Fiz um projeto usando o Física na Veia! como instrumento de divulgação científica e combinei com o UOL a cobertura em tempo real da Escola do CERN. E consegui uma das 20 vagas para passar uma semana dentro do CERN estudando e conhecendo tudo o que se faz por lá. Foi maravilhoso conhecer de perto o LHC - Large Hadron Collider, o maior e mais importante experimento científico de todos os tempos. E mais uma vez ter o meu trabalho de divulgação científica reconhecido. Os posts desta cobertura você encontra rolando a página para baixo ou clicando aqui.


A emoção de chegar no CERN


2010 (o que ainda resta)/2011

Hoje, seis anos depois do primeiro post, na véspera do Dia das Crianças, sinto-me exatamente como o garotinho da foto acima que havia acabado de ver o Homem chegar à Lua em 1969, numa TV preto e branco, e estava curioso e deslumbrado com a Ciência e com a Tecnologia. O corpo está mais cansado, é verdade. Mas a mente muito acesa e com muita vontade de criar.

Se você, leitor(a), me der a honra da sua companhia, continuarei por aqui por mais seis anos pelo menos. Pela história acima você já percebeu que sou persistente, não é mesmo?! Não vou desistir assim tão fácil desta deliciosa tarefa de divulgar a Ciência, em especial a Física, que tanto adoro!


Mais sobre o Física na Veia!

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 15h47





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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 49 anos

São João da Boa Vista
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