::: RELATIVIDADE NÁO MUITO RELATIVA :::

Basta atribuir uma bobagem qualquer a um grande cientista que ela terá grande chance de virar "verdade". Pelo menos "na boca do povo". Para piorar, vivemos num mundo onde o camarada mal recebe um e-mail de conteúdo duvidoso e, sem nem pensar em confirmar a fonte, já mandou cópia para todos da sua lista de amigos! Grande amigo este que abre um caminho fácil para a pseudo-ciência se propagar à velocidade dos mais rápidos meios de comunicação de massa! 

Quer um exemplo? Alguém diz "Segundo Einstein, tudo é relativo". Quem ouve, é leigo e tem preguiça de checar a fonte, logo pensa "relativo,..., Relatividade! Claro, segundo Einstein, tudo é relativo!". E acha, por uma conexão mental simplista, que essa é a essência da Teoria da Relatividade de Einstein! Pronto! Já era! Imagina essa bobagem numa simples twittada! Em menos de 140 caracteres a boa e legítima ciência foi pro espaço! Praticamente em tempo real a pseudo-ciência estará estampada na tela de computadores espalhados pelo planeta. E, como um vírus, vai contaminando de forma exponencial um monte de desavisados que vão retuitar e dar prosseguimento ao processo epidêmico.

Claro que, muito antes da internet, isso já acontecia. De boca em boca. Muito mais lentamente. Mas igualmente destruidor dos bons conceitos científicos.

Exatamente sobre este tema, recebi hoje por e-mail, diretamente do prof. Dr. José Roberto Castilho Piqueira, o seu belíssimo texto "Relatividade não muito relativa" e que inspirou este post. Prof. Piqueira é também chamado carinhosamente de "Sorocaba" dentro do Sistema Anglo de Ensino onde é coordenador geral de Física. Prof. "Sorocaba" é titular da Poli/USP e um educador nato que vibra quando fala da Física que tanto adoramos. Trabalho como ele no TOF - Treinamento para as Olimpíadas de Fìsica onde sou responsável  pela Física Moderna (Einstein, Planck, de Broglie, Bohr...).

Reproduzo, logo abaixo, com a devida autorização do "Sorocaba", o seu texto que fica aqui como uma sugestão de reflexão para todos os meus caros leitores que gostam da boa Física e da boa Ciência! Repassem! De certa forma, serve como antídoto para o vírus que citei acima.

Relatividade não muito relativa

        É comum, em nosso cotidiano, que conceitos de teorias científicas passem ao vocabulário usual, com sentido distorcido e aplicado de maneira irresponsável, com apoio pressuposto do argumento de autoridade.

      O caso mais gritante é o do “Darwinismo Social” que, ao se valer de teoria científica, procura legitimar preconceitos e mecanismos de dominação entre grupos étnicos e sociais. Felizmente, caiu em merecido descrédito, de modo que sua relevância atual é nula, sendo digna de repúdio.

            Entretanto, parece que Darwin hoje incomoda tanto quanto Galileu à sua época. Alguns pretendem dar ao “Criacionismo” status de ciência, colocando-o como teoria alternativa ao “Darwinismo”. Nada mais pobre, do ponto de vista espiritual e intelectual do que confundir a ciência com a fé.

            A fé é foro íntimo, e de cada um. As diversas religiões devem ser respeitadas, cada uma com seus dogmas. A ciência não é uma alternativa à religião, porém conhecimento de outro tipo.

            Ciências mudam todos os dias, podem questionar-se, aprimorar-se continuamente. A ciência busca o entendimento da natureza e não há nesse ato, qualquer atitude de crença ou descrença em dogmas religiosos.

Assim, Darwin é vítima do obscurantismo, pois suas idéias tendem a ser negadas pelo público, digamos, leigo ou pseudo-científico, como se pertencessem a um lado diabólico da humanidade. Há, entretanto, uma vítima positiva do obscurantismo: Albert Einstein.

Lido por poucos, virou lenda e com isso a ele se atribuem idéias estapafúrdias, com frases repetidas à exaustão, em livros de auto-ajuda. Vamos lá, quer ganhar uma pendenga? Diga sério uma besteira atribuindo-a a Einstein. Quase todos vão acreditar, porque só poucos verificam.

A mais engraçada é a relatividade: “Tudo é relativo”, dizem os leitores descuidados, e um interminável rolo de enganos vai subscrever-se à glória de Einstein.

Galileu, que passou maus bocados nas mãos de obscurantistas, entre seus vários trabalhos, enunciou o “Princípio da Relatividade” que diz: “As leis físicas são as mesmas para qualquer referencial inercial.”. Ou seja, o chamado princípio da relatividade fala de invariância de leis, mesmo que os referenciais produzam medições diferentes para certas grandezas físicas.

O que Einstein procurava, quando enunciou sua “Teoria da Relatividade Especial”, era salvar o princípio de Galileu, quando aplicado às leis do eletromagnetismo, que haviam sido brilhantemente sintetizadas por Maxwell, durante o século XIX. Parecia, inicialmente, que as leis do eletromagnetismo não eram descritas da mesma maneira, quando se mudava de referencial.

Ao unificar os resultados de Michelson e Morley sobre o fato de que a luz não necessita suporte material para se propagar com as equações de Lorentz para cálculo de velocidades relativas e com o fato da velocidade da luz independer do referencial, concluiu que as leis do eletromagnetismo também são as mesmas para todos referenciais inerciais.

Sabe-se que, como todo ser humano, Einstein, ao longo de sua carreira, errou certas coisas, da mecânica quântica, sobretudo. Seu erro maior, contudo, foi ter mantido o nome de “Teoria da Relatividade” para seu trabalho e não mudá-lo para “Teoria da Invariabilidade”. O nome chamaria menos a atenção dos meios comunicativos, mas evitaria o “Einsteinismo Social”.

Todavia, há uma possível analogia entre a noção einsteiniana de “invariabilidade” e os fenômenos sociais. Realmente, há variações de valores de cultura para cultura, mas o que há de essencial para o homem – respeito à liberdade, acesso ao conhecimento e, principalmente, direito à vida com dignidade – independe de qualquer referencial social.

 

 José Roberto Castilho Piqueira

Professor titular da Poli-USP

 

 
"Time" do TOF do qual tenho a honra de fazer parte


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  ::: BRASIL CAMPEÃO DA XIV OIbF :::

Blog da OBF

Alunos brasileiros campeões: Luana, Rodrigo, Caio e Pedro

Aconteceu no Chile, entre 27 de setembro e 3 de outubro, a XIV OIbF - Olimpíada Ibero Americana de Física. E a equipe brasileira foi a campeã geral!

Rodrigo Rolim Mendes de Alencar, aluno do Ceará,  conquistou medalha de ouro. Receberam medalha de prata os alunos Caio A. Oyama, de São Paulo, Pedro Ricardo Pereira Tavora, do Ceará, e Luana Benedetto de Assis, de São Paulo, que foi também a melhor participante do sexo feminino na competição (confira aqui os resultados finais individuais nesta OIbF).

Os líderes do Brasil, responsáveis pelo acompanhamento e preparação dos alunos são os professores Dr. Carlito Lariucci (UFG) e o Dr. Euclydes Marega Jr. (USP).

Vale lembrar que em 2008 o Brasil também foi campeão na XIII OIbF realizada no México (veja aqui) o que coloca o nosso país em destaque neste evento internacional que abrange Espanha, Portugal e países da América Central e do Sul.  E dois primeiros lugares consecutivos ratificam a qualidade da OBF - Olimpíada Brasileira de Física, evento que seleciona os melhores alunos de Física no Brasil. Não podemos nos esquecer também que os cinco alunos brasileiros que participaram da IPhO 2009 - Olimpíada Internacional de Física 2009 realizadas em julho, no México, também selecionados via OBF, trouxeram duas medalhas de prata, duas de bronze e uma menção nonrosa (veja aqui).

É incrível que uma notícia desta importância quase não apareça na mídia. Mas aqui neste blog a Física é pop e a educação sempre está em primeiro plano! Com muita alegria deixo os meus parabéns a todos, desde os professores destes alunos nas respectivas escolas, passando pelos professores líderes da equipe olímpica e, especialmente, aos jovens alunos que, com certeza, estudaram muito para chegar onde chegaram e para levar o nome do nosso país à posição mais alta nesta importante competição internacional!


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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 49 anos

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