::: CADA UM VÊ O CÉU QUE 'MERECE' :::


Como você vê a Via-Láctea?

A nossa galáxia, a Via-Láctea, tem formato espiral. Como estamos dentro dela, não conseguimos vê-la por completo. É como estar dentro de uma casa, espiar pela janela, e tentar ver a casa toda. Não dá! Conseguiremos ver algumas paredes, talvez um pedaço do telhado, mas não passa disso.

Daqui da Terra, de dentro da galáxia, só vemos uma parte de um dos braços espirais. E, como a olho nu este braço galáctico tem a aparência de uma faixa esbranquiçada, leitosa, nossa galáxia ficou conhecida como Via -Láctea (Via = caminho, Láctea = de leite). 

ilustração do livro Tópicos de Física Moderna
O Sol fica a cerca de 30 mil anos-luz(1) do centro da Via-Láctea que tem 100 mil anos-luz de diâmetro e é apenas uma dentre dezenas de galáxias de um grupo local de galáxias chamado de aglomerado de Virgem.

Você já deve ter visto a Via-Láctea (na verdade um braço dela). Dependendo do local da observação, viu muitas estrelas e comprovou o verdadeiro sentido do termo Via-Láctea. Ou só viu algumas poucas estrelas e não achou muita graça. É exatamente o que nos mostra o gif animado logo acima criado pelo projeto Maratona da Via Láctea que nasceu dentro das comemorações do Ano Internacional da Astronomia aqui no Brasil.  Em diversas cidades do país, entre os meses de junho e setembro de 2009, acontecerão sessões de observação do céu monitoradas por astrônomos profissionais ou amadores para tentar medir o efeito local da poluição luminosa que pode, literalmente, tirar o brilho das observações astronômicas.

A ideia básica do projeto é tentar conscientizar as pessoas sobre a poluição luminosa causada pelo sistema de iluminação pública (ou até mesmo privada) que:

  1. Atrapalha muito as observações astronômicas, seja a olho nu ou com instrumentos;
  2. Representa um desperdício de energia pois, em vez de iluminar o que interessa, ou seja, só para baixo, lança luz para cima, o que não serve para nada. 

 

:: O Problema

A iluminação noturna deveria ser direcional, para baixo. Mas quase sempre não é. A imagem abaixo compara quatro níveis de iluminação desde o péssimo (não direcional), aberto em todas as direções, até o ótimo (bem direcional e para baixo).

space.gc.ca

Com iluminação direcional podemos diminuir a potência das lâmpadas e, portanto, gastar menos energia. E deixamos de jogar luz para cima o que, na prática, não altera em nada a sensação de claridade que desejamos obter e ainda dificulta bastante a observação do céu noturno.

Infelizmente, quase ninguém pensa nisso. E assim temos cada vez mais zonas iluminadas na Terra sem o menor critério, seja ele ecológico ou astronômico. Desperdiçamos dinheiro e atrapalhamos a visão do céu noturno.

 

:: A Degradação da Qualidade do Céu Observável

Quantas estrelas você consegue ver? Em condições ótimas, ou seja, longe das luzes da cidade, em noite bem limpa e de Lua Nova, aqui no Brasil  dá para ver estrelas até a magnitude(2) 6. Isso significa cerca de 4.900 estrelas visíveis a olho nu! Já no norte do Chile, onde o clima é bem seco, é possível ver a olho nu estrelas até a magnitude 7! E não é por acaso que lá ficam enormes e poderosos telescópios cobiçados por astrônomos do mundo todo.

Mas, quanto maior a poluição luminosa local, pior a qualidade do céu observável e, portanto, menos estrelas visíveis. Veja abaixo um comparativo do número de estrelas observáveis em todo o céu e a magnitude correspondente. Na primeira figura temos uma situação de elevadíssima poluição luminosa que vai decrescendo até a sexta e sétima figuras que mostram situações ideais, ou seja, de ausência de poluição luminosa. Foi usada a região ao redor da constelação de Escorpião que tem a Via-Láctea de fundo e não é difícil de ser observada até porque o seu formato é bem característico. É exatamente para onde vão olhar os participantes da Maratona da Via Láctea.

  • Magnitude 1 [6 estrelas]
  • Magnitude 2 [45 estrelas]
  • Magnitude 3 [150 estrelas]
  • Magnitude 4 [540 estrelas]
  • Magnitude 5 [1700 estrelas]
  • Magnitude 6 [4900 estrelas] - limite do céu brasileiro
  • Magnitude 7 [14400 estrelas] - limite do céu chileno

Para que não pairem dúvidas, deve ficar bem claro que o número total de estrelas apontado acima entre colchetes refere-se à quantidade de estrelas visíveis em todo o céu noturno e não somente ao redor da constelação de Escorpião, a região mostrada nas figuras. Na primeira imagem, por exemplo, vemos uma única estrela: Antares, a supergigante vermelha(3) que é o "coração do escorpião". Mas em todo o nosso céu podem ser vistas 6 estrelas neste alto nível de poluição luminosa.

 

::  Participe da Maratona da Via Láctea

Vivo em São João da Boa Vista, SP. O céu que vemos aqui no interior é lindo. Morar no interior tem seus privilégios!

E você? Onde mora? Daí dá para ver bem o céu noturno? Você consegue ver estrelas até qual magnitude?

Você pode tentar observar a Via-Láctea e a constelação de Escorpião do quintal da sua casa. Se puder ir para um lugar mais afastado das luzes da cidade, melhor! Você também pode procurar um nó local na rede de comemorações do Ano Internacional da Astronomia e ver se estarão realizando a Maratona da Via-Láctea. 

Logo abaixo você tem um link para um post que fiz sobre observação do céu. Pode ajudar aos menos experientes. E daqui você baixa um arquivo (em PDF) com dicas e cartas celestes do próprio projeto Maratona da Via Láctea.

Boas observações por aí! E, quanto menos poluição luminosa, melhor! Afinal, conforme o bom uso (ou não) da iluminação artificial, cada região vislumbra o céu que merece!


(1) Um ano -luz pé a distância que a luz percorre em 1 ano viajando com a incrível velocidade de cerca de 300.000 km/s no vácuo.
(2) O termo magnitude aqui usado refere-se à magnitude visual de tal forma que, quanto maior é a magnitude do astro, menor é o seu brilho aparente, e vice-versa.
(3) Gigante vermelha é uma estrela que, tendo gasto boa parte do seu combustível, "esfriou", ficando vermelha, e cresceu em tamanho, tornando-se "gigante". Antares, centenas de vezes maior do que o Sol,  é uma gigante entre as gigantes e por isso é chamada de supergigante. 


 

    
 Post comemorativo do Ano Internacional da Astronomia no Brasil.


Para saber mais sobre poluição luminosa

  

 

Para ver

  • Clique aqui e veja uma belíssima foto colorida de longa exposição (750 pixels X 500 pixels) do site Mr. Eclipse mostrando a Via-Láctea e a constelação de Escorpião, a região alvo do projeto Maratona da Via Láctea. Note como fica difícil encontrar a supergigante vermelha Antares, o "coração do escorpião", dentre tantas estrelas.

 


 

Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 12h34)



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  ::: ARISTOTELICAMENTE FALANDO ... :::

Bem antes de Galileu Galilei (1564-1642) e de Isaac Newton (1643-1727), lá no tempo de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C), a coisa era mais ou menos assim:

  • "Uma pedra cai porque o seu lugar natural é o chão"
  • "A fumaça sobe porque o seu lugar natural é o céu"

Resumindo: as coisas seguem  a sua natureza e pronto!

Depois de Galileu tudo mudou. Nasceu a Física Clássica. Galileu, o grande homenageado de 2009 - Ano Internacional da Astronomia,  valorizava a experimentação e acreditava que a matemática era a linguagem do Universo. Newton embarcou na onda de Galileu e começou uma grande revolução no pensamento científico.

Grande passo adiante! Upgrade cerebral em toda a humanidade! Assim nasceu a Física: ancorada na ideia de modelos para entender e descrever fenômenos que podem ser reproduzidos experimentalmente.

Mas o que isso tem a ver com o vídeo logo acima? Tudo! Ontem o repórter/humorista Danilo Gentili do CQC da TV Bandeirantes foi agredido e derrubado por um segurança do Senador José Sarney. E a explicação dada para o episódio foi bem aristotélica: "(...) é um tipo de conflito que ocorre por conta da natureza do trabalho de ambos". Confira aqui a nota oficial do diretor da Polícia Legislativa.

Também houve quem alegasse que o repórter se jogou no chão, embora o contundente "experimento", registrado em vídeo, mostre outro resultado.

Conclusão: Brasília fica bem longe daqui onde eu moro, no tempo e no espaço!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 22h22)



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  ::: VII SEMANA DA FÍSICA :::

A VII Semana da Física da Unicamp será realizada entre os dias 06 e 14 de agosto nas dependências do IFGW - Instituto de Física “Gleb Wataghin”.

O objetivo do evento deste ano é explorar áreas do mercado de trabalho dos profissionais que atuam com a Física e expor diversas pesquisas na área. Serão realizadas palestras, mini-crusos e visitas em locais em que a física é aplicada de forma a relacionar o ambiente de pesquisa e o mercado de trabalho.

Confira o cronograma completo do evento. Mais informações e inscrições aqui.





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h31)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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