Conforme já postei por aqui, o astronauta Michael Massimino está twittando diretamente do ônibus espacial, em pleno espaço, durante a missão STS 125de reparo e upgrade no Telescópio Espacial Hubble.
A NASA, também no Twitter, está reportando em tempo real os detalhes do passo-a-passo desta missão.
Siga-os por aqui.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 12h09)
Aconteceu hoje, em todo o território nacional, a prova da OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.
Como não poderia deixar de ser, em pleno Ano Internacional da Astronomia, Galileu, o homenageado, foi o centro das atenções.
Meus alunos, apesar da chuva fria que está caindo por aqui e que espanta qualquer um, compareceram para encarar o desafio de frente. E aposto que saíram "mais quentes", em todos os sentidos!
Soube, por uma twittada da @Rosana (Hermann), que o astronauta Michael J. Massimino que participa da missão STS 125 do ônibus espacial Atlantis que vai reparar o Telescópio Espacial Hubble está twittando diretamente do espaço.
Não espere twittadas a todo momento porque no ônibus espacial há ocupações de sobra e cada um tem uma tarefa detalhada a cumprir com muita responsabilidade. Mas, venha o que vier, só o fato de vir lá de cima, de cerca de 600 km de altitude, do espaço, já será legal. E, convenhamos, "What are you doing?" é uma pergunta legal de se fazer a qualquer momento para um astronauta, certo?
Sou um dos quase 260.000 seguidores do Mike cujo endereço é @Astro_Mike. O meu Twitter é @Dulcidio.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h46)
NASA Dois ônibus espaciais simultaneamente preparados para decolagem
Dois ônibus espaciais simultaneamente montados e prontos para lançamento? Sim! A cena é rara. Mas é real.
É que foi lançado hoje (15h01min, horário de Brasília) o ônibus espacial Atlantis com a missão de reparar o HST - Telescópio Espacial Hubble. Como o Atlantis não vai atracar na ISS - Estação Espacial mas vai apenas encontrar o HST, ficará sem uma base. Se algo der errado, não tem para onde os astronautas irem com segurança. Por garantia, o Endeavour está pronto e, se for preciso, decola para resgatar a tripulação do Atlantis.
:: Reparos e melhorias no Hubble
O HST foi projetado em módulos justamente para poder ser reparado por missões espaciais. Mais do que isso, ele também pode receber novos equipamentos.
Lançado em 1990 pelo ônibus espacial Discovery, o HST já sofreu quatro reparos (1993, 1997, 1999 e 2002). Essa quinta missão de manutenção em 2009 será, provavelmente, a última, e dará uma sobrevida ao incrível equipamento que ajudou aos cientistas em grandes avanços na cosmologia.
As novidades a serem instaladas são:
COS - Espectrógrafo de Origens Cósmicas - aparelho capaz de separar a luz em diferentes comprimentos de onda para determinar a composição química da matéria. Este estudo vai fornecer mais informações sobre a origem e a evolução química do Universo.
WFC3 - Câmera de Campo Amplo 3 - instrumento capaz de obter imagens nos comprimentos de onda da luz visível, infravermelha e ultravioleta, aumentando a gama de análises jamais feitas pelo HST.
Sistema de Aproximação Suave e Captura - Peça que vai permitir o acoplamento do HST com uma nave que, no futuro, quando ele for desativado, deverá recolhê-lo de sua órbita para, com segurança, derrubá-lo no oceano.
Os reparos acontecem:
na ACS - Câmera Avançada de Varredura - equipamento que escaneia o céu e que deixou de funcionar.
no Sistema de Controle e Transmissão de Dados - unidade responsável pelo envio dos dados para a Terra e que tem apresentado falhas severas e comprometedoras.
Acredita-se que estes reparos mais o upgrade nos equipamentos darão ao HST um "poder de fogo" jamais conseguido no instrumento com fôlego extra para operar por pelo menos mais 10 anos. Ainda bem que o "brinquedinho" de cietista ganhou fôlego novo! Você sabia que ele quase foi desativado?
Vale lembrar ainda que está previsto para 2013, numa parceria da NASA - Agência Espacial Americana e da ESA - Agência Espacial Européia, o lançamento do Telescópio Espacial James Webb que, mais moderno e mais poderoso, deixará o Hubble para trás. Mas, pelo pionerismo da tecnologia e pelas importantes contribuições, o HST será sempre lembrado!
Para saber mais
Site interativo da missão espacial STS 125 junto ao HST - em Flash (em inglês)
::: NANOMATERIAIS: O VERDADEIRO SEGREDO DA INVISIBILIDADE :::
trekbrasilis.org Nave Klingon, da série Star Trek, capaz de tornar-se invisível
No post anterior abordei o tema invisibilidade, sempre capaz de instigar a nossa imaginação. E até ensinei como fazer uma garrafa de vidro "desaparecer".
O "truque" da garrafa, até certo ponto bem simples, envolve o conceito clássico de índice de refração de corpos transparentes e a Lei de Snell-Descartes, a lei física capaz de descrever muito bem o fenômeno da Refração, ou seja, a passagem da luz de um para outro meio transparente e homogêneo.
Se fosse possível fazer um corpo (ou uma pessoa) ficar transparente e com índice de refração igual ao do ar (nar = 1,00) ele(a) também iria desaparecer quando imerso(a) numa camada de ar. Só que a ciência não tem a menor idéia de como fazer isso! E, para pessoas, o experimento poderia ser fatal.
Muito provavelmente, fazer um corpo desaparecer será um experimento que seguirá outro caminho: os metamateriais, materiais nanoestruturados, ou seja, aqueles cujas propriedades físicas macroscópicas são alteradas a partir da manipulação da sua estrutura numa escala nanoscópica(*).
Uma das propriedades ópticas que podem ser manipuladas via nanotecnologia é o índice de refração que na natureza aparece sempre com valor positivo mas em laboratório pode ser forçado a ficar negativo. Assim é possível desviar a luz "para onde se quer" (veja animação ao lado).
Este nível de manipulação da luz permite fazer com que ela contorne objetos, ignorando-os.
A figura abaixo ilustra melhor a idéia. Um objeto num ponto O não pode ser visto pelo globo ocular G porque uma esfera opaca está entre os dois. A esfera barra luz que não consegue levar informações de O para G. Mas, envolvendo a esfera com um tecido de metamaterial é possível fazer a luz contornar a esfera.
Para o globo ocular G não importa se as informações viajam com a luz em linha reta ou não. Importa sim que elas cheguem nele pois, se chegam, uma imagem é projetada na retina. Esta imagem é interpretada pelo cérebro e, assim, o objeto O é visto, ou seja, passa a existir para o sistema nervoso responsável em captar e interpretar informações. Em outras palavras, para o globo ocular G a sensação visual é a mesma que teríamos com a luz caminhando em linha reta de O para G. Desta forma, para o cérebro, é como se a esfera opaca não estivesse ali, ou seja, ela está invisível!
A verdadeira "capa de invisibilidade" provavelmente não vai alterar as propriedades físicas do corpo a ser escondido mas vai cobrí-lo com um tecido nanoestruturado de índice de refração negativo. Parece ficção. Parece a nave Klingon da série Star Trek que tinha um interessante sistema de camuflagem espacial tornando-se invisível. Mas é realidade. É ciência pura.
(*) Nanoscópica é a escala da ordem do nanometro, 10-9 m, ou seja, 0,000000001 m, a mesma ordem de grandeza das moléculas.Para saber mais
Site do Dr. David R. Smith - Duke University (em inglês)