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::: A FÍSICA, A ARTE, E OS SEGREDOS DA INVISIBILIDADE :::
icarros.uol.com.br
 Incríivel ilusão de transparência criada com tinta e imaginação Ontem, na home do UOL, a foto acima estava em destaque. Ela vem da curiosa matéria Artista Britânica Cria Carro Invisível publicada no site iCarros e que focaliza um carro "invisível" tratado com tinta spray pela jovem artista Sara Watson que recriou sobre a lataria do veículo os detalhes do cenário que estão por trás do carro gerando a incrível ilusão de transparência quando se olha de certo ângulo. Sensacional, não? Um belo truque de camuflagem que confunde o nosso cérebro fazendo o carro parecer transparente! De outro ângulo a ilusão simplesmente inexiste pois os detalhes sobre a lataria não mais coincidem com o cenário de fundo (veja a foto abaixo).  De outro ângulo, sob outra perspectiva, a ilusão desaparece.
A obra de arte "verde" faz parte de uma campanha ambiental que incentiva a reciclagem na Inglaterra. Então é duplamente genial! Concorda? :: A Garrafinha Invisível  A garrafinha "invisível" que você também pode fazer em casa
Ao ver a foto da obra da Sara Watson lembrei-me imediatamente da "garrafinha invisível", um "truque óptico" que sempre levo em sala de aula para os alunos quando vou falar sobre o fenômeno da Refração, a passagem da luz de um meio material para outro. Os alunos adoram o efeito que, embora seja diferente daquele que a Sara usou, também provoca a sensação de que algo sumiu! Você mesmo pode fazer este experimento em casa a custo bem baixo. Antes de começar, lembre-se sempre de sempre ter cuidado na manipulação de ferramentas. E crianças só devem fazer experimentos auxiliadas por adultos! Vamos à receita. Você vai precisar apenas de: - Um recipiente largo de vidro de tampa plástica (eu usei um de café solúvel)
- Uma garrafinha de vidro fina e comprida (eu usei uma de molho de pimenta)
- Glicerina (que se compra em qualquer farmácia e custa pouco)
É preciso furar a tampa plástica (2) do recipiente largo de vidro para transpassar o gargalo e a tampa (1) da garrafinha como mostra a imagem abaixo. Eu usei uma faca aquecida na chama do fogão e fui furando a tampa plástica aos poucos para que o gargalo da garrafinha passasse bem justo pelo furo. Este é o ideal. Dica: tire a tampinha da garrafinha e faça o gargalo de vidro passar justo pelo furo. Depois recoloque a tampinha.  (1) Gargalo da garrafinha e (2) tampa plastica do recipinte largo de vidro
Agora é só colocar a glicerina dentro da garrafinha, completando-a quase até a boca. Coloque também glicerina dentro do recipiente largo de vidro. Aí é só mergulhar a garrafinha (cheia de glicerina) na glicerina dentro do recipiente largo, atravessar a tampa plástica furada com o gargalo da garrafinha e rosquear a tampa no recipiente. Pronto! 
Você vai notar que a garrafinha, visível antes de ser mergulhada na glicerina, simplesmente vai desaparecendo na media em que é mergulhada na porção líquida! Se emerge, reaparece. O efeito visual é muto bacana! Dica: não coloque muita glicerina dentro do recipiente largo para que parte da garrafinha fique para fora do líquido. Assim, uma porção da garrafinha fica visível e a outra desaparece. O efeito será mais convincente.
:: Como é possível fazer a garrafinha sumir? A Física explica... Quando a luz passa do ar para o vidro (Refração) sofre um desvio. É esse desvio que nos permite, através do mecanismo da visão, perceber que existe uma fronteira entre o vidro e o ar, ou seja, ar e vidro são coisas diferentes. Sem este desvio não teríamos como saber onde termina o ar e onde começa o vidro. Cada material transparente (o ar, o vidro, ou qualquer outro) é caracterizado pelo seu índice de refração (n), número que mede a dificuldade que o meio oferece à passagem da luz e que também está relacionado ao desvio sofrido pela luz ao passar de um meio para outro. Só existe desvio e, portanto, a percepção de diferentes meios transparentes quando os indices de refração dos materiais têm valores diferentes. Vale lembrar ainda que o desvio sofrido pela luz será tanto maior quanto mais diferentes forem os valores dos índices de refração dos materiais. O indice de refração do ar é, por aproximação, nar = 1,00. Já o indice de refração do vidro é maior e mede nvidro = 1,56. Então, ao passar do ar para o vidro, a diferença de índices de refração (1,56 > 1,00) faz com que o desvio da luz seja acentuado. Assim vemos ar e vidro separados. O "truque" que faz a garrafinha desaparecer está no fato de que o índice de refração da glicerina, coincidentemente, tem valor muito parecido ao do índice de refração do vidro (nvidro = nglicerina = 1,56). Assim, ao passar do ar para o vidro do recipiente largo a luz sofre desvio. Vemos ar e vidro separados e conseguimos distinguir que alí há uma fronteira entre dois meios transparentes distintos. No entanto, quando a luz continua seu caminho e passa do vidro para a glicerina (e depois da glicerina para o vidro) não acontece mais desvio algum porque os índices de refração coincidem. Como a luz "passa reto", não conseguimos ver onde termina o vidro e onde começa a glicerina! Desta forma, vidro e glicerina confundem-se e parecem ser um meio único, homogêneo. Em outras palavras, a garrafinha some! Faça em casa! É divertido! 
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h32)
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::: RAIO X DE UM GOL 'FENOMENAL' :::
UOL Esporte
 No domingo passado (26/abril), na Vila Belmiro, Santos e Corinthians jogaram a primeira partida decisiva. O Corinthians bateu o Santos em casa pelo placar de 3 X 1 com dois gols do Ronaldo fenomenalmente ressuscitado depois de mais uma cirurgia que parecia ter encerrado de vez a carreira do craque. Ficou na minha cabeça e, imagino, na cabeça de muita gente que gosta de futebol, o genial lance do terceiro gol feito pelo Ronaldo “F.” de Fênix, de Fenômeno ou de Futebol, como queira. É este lance que vou “radiografar” fisicamente neste artigo por solicitação da jornalista Valéria Corbucci, editora de esportes do Portal Vírgula (virgula.uol.com.br). 0 - Fenômenos físicos Antes de mais nada, fenômenos físicos são sempre previsíveis. Uma vez observados e entendidos podemos criar leis que sempre serão por ele obedecidas. Estas leis, as famosas leis da Física, nos mostram a regularidade do fenômeno físico e são capazes de prever sempre, dentro das condições de contorno para as quais foram criadas, como o fenômeno vai se comportar. Já um fenômeno do futebol, como o Ronaldo, é imprevisível. Mesmo submetido às mesmas leis da Física como qualquer outro corpo – afinal é somente mais um corpo no Universo – não há como prever o que pode fazer a ponto de às vezes parecer que é capaz de burlar as leis físicas. Incrível! Na verdade, grandes esportistas não ferem as leis da Física. Ao contrário, sabem muito bem como usá-las na prática em seu favor. 1 – O tempo de reação Sempre que tomamos uma decisão há um tempo de reação. Em outras palavras, se pensamos fazer alguma coisa, entre o momento em que o cérebro dá o comando para a ação e o momento em que a ação acontece, passa-se um período de tempo, curto, mas não desprezível. Este período é o tempo de reação. Grandes atletas, fenômenos do esporte, têm sempre um tempo de reação minimizado e, por isso, são capazes de tomar atitudes e realizar movimentos com muita agilidade. Eles parecem pensar na frente de todo mundo. Na verdade eles reagem antes do que se poderia esperar. Esta é uma característica marcante que confere a um fenômeno do futebol, como o Ronaldo, imprevisibilidade. Não dá tempo de prever o que ele vai fazer e já foi, ele já fez! 2 - As Leis de Newton A segunda lei de Newton prevê que a “Força resultante é igual à massa vezes a aceleração”. Matematicamente ela pode ser escrita como: 
Traduzindo para uma linguagem menos técnica, esta lei prevê que todo corpo de massa m, submetido a uma força resultante F, adquire aceleração a. E, se acelera, ganha velocidade. Quanto maior é a sua aceleração a, mais rapidamente atinge a velocidade máxima. Ronaldo sempre teve uma explosão muscular invejável, ou seja, sempre foi capaz de trocar com o gramado uma força F bastante intensa. E, pela Terceira Lei de Newton, a Lei da Ação e Reação, “se empurra o chão para trás com uma força F (Ação), recebe dele outra força F (Reação) de mesmo valor, na mesma direção, mas em sentido contrário”, ou seja, para frente. Esta força, aplicada à sua massa m, provoca alteração da sua velocidade, ou seja, produz uma aceleração a para frente dada por: 
Note pela expressão acima que, quanto menor é a massa m (denominador), maior é a aceleração a, ou seja, mais rapidamente a velocidade máxima é atingida. E, chegando antes à velocidade máxima, Ronaldo ganha tempo e espaço, deixando os marcadores para trás. Ronaldo treinou, fez dieta, malhou, e já perdeu bastante massa. Atualmente, com uma massa m visivelmente menor, para a mesma explosão muscular F, consegue uma aceleração a significativamente maior, ou seja, dá seus típicos piques com arrancadas muito rápidas e fortes. Até parece um carro de F1 acionando o KERS(1) - Kinetic Energy Recovery System - e ganhando alguns cavalos a mais de potência. No caso do Ronaldo não é a força F que cresceu e sim a massa m que diminuiu. Mas o efeito é análogo. 3 – Quatro segundos, reação rápida, a Inércia, e Gooooool No lance do terceiro gol do Corinthians Ronaldo já recebe o passe em pleno pique. Já deu sua famosa arrancada e se posiciona bem para receber a bola. Triguinho, que fez o único gol do Santos, corre atrás do Ronaldo a toda velocidade que pode e pretende encontrá-lo lá na frente e barrá-lo antes que chute a gol. Pela Lei da Inércia, mais uma das Leis de Newton, “todo corpo em movimento tende a continuar em movimento retilíneo e uniforme”. Mais uma vez procurando ser um pouco menos técnico e mais prático, isso quer dizer que Triguinho (ou qualquer corpo) correndo não consegue parar instantaneamente pois tende a continuar se movendo em linha reta. Forças têm que se opor ao movimento e produzir a freada. E para isso tem que haver um tempo de desaceleração. Aí vem mais um golpe de genialidade do Ronaldo que, com o pé direito dá um toque sutil e inesperado na bola que muda a sua trajetória em quase 90 graus. Vamos marcar o tempo. Disparamos o cronômetro quando acontece o toque genial, instante t0 = 0s.  O momento do toque sutil, porém matador
Triguinho, que vem “no embalo”, por Inércia, não consegue parar e "passa batido". Já era!  Triguinho "passa reto", por inércia
O tempo (cerca de 2s) que ele vai demorar para reagir, brecar, parar e mudar a sua própria trajetória para continuar seguindo Ronaldo é curto mas suficientemente grande para que o Fenômeno, muito ágil, reencontre a bola, agora de cara para o gol, sem nenhum marcador a frente, só o goleiro, adiantado, e chute-a como o pé esquerdo no instante t1 = 2,3s(2).  Momento do chute sobre o goleiro adiantado
O primeiro toque do Fenômeno ao receber o passe foi fisicamente mortal! E, como genialidade pouca é coisa de mortal, Ronaldo dá um tapa na bola que voa, caprichosamente, por praticamente 2,2 s.  Fábio Costa assiste ao indefensável vôo da bola sobre a sua cabeça
E a bola vai morrer na rede no instante t2 = 4,5s.  Bola na rede ao final de 4,5 s de uma jogada fenomenal
É incrível! Ronaldo resolve o lance em apenas 2,3s, praticamente a metade do tempo total de 4,5s. O vôo da bola, de pouco mais de 2,0s até parece em câmera lenta frente à agilidade do jogador e a sua jogada matadora de 2,3s! 4 – Uma parábola perfeita em direção à rede Todo corpo lançado ao sabor da gravidade, desprezando-se a resistência do ar, fará uma trajetória que é uma parábola perfeita. Esta parábola, desenhada pela gravidade, pode ser descrita pelos seus componentes ortogonais na horizontal e na vertical. Esta descrição é uma herança de Galileu Galilei(3) e obedece rigorosamente às Leis de Newton e à Lei da Gravitação Universal (também de Newton). Demonstra-se que o tempo T de vôo do corpo lançado, no caso a bola de futebol, pode ser calculado por: 
V0 é a velocidade inicial da bola logo após o chute, q é o ângulo de chute em relação à horizontal e g a gravidade local. Supondo que o ângulo q tenha sido de 45º, sabendo que g = 9,8 m/s² e tom,ando T = 2,2s como o tempo de vôo da bola, podemos substituir os dados na expressão acima para encontrar o valor da velocidade da bola no chute ao gol que dá, aproximadamente, V0 = 15 m/s (cerca de 54 km/h). Note que a velocidade é baixa, o chute não foi uma "paulada". Ronaldo, de forma brilhante, percebe o goleiro Fábio Costa adiantado, no meio da área. E só dá um "tapa" com precisão na bola para conferir à ela a velocidade correta (aproximadamente 15 m/s ou 54 km/h), num ângulo de chute perfeito (aqui estimado em 45º). Sem a menor chance de defesa o goleiro apenas assiste ao vôo bem alto da bola sobre a sua cabeça. Genial! Perfeito! Fenomenal! Alguém duvida que o imprevisível Ronaldo Fenômeno é o cara? E hoje? Será que ele apronta mais sobre o Santos? Imprevisível. Só assitindo para ver! Mas a probabilidade de mais um show do Fenômeno é grande! [Upgrade: pós segunda partida da final] Parabéns aos manos do Mano! Com empate em 1 X 1 com o Santos o Corinthians é o Campeão Paulista 2009! Esperávamos Ronaldo aprontando mais uma mas, só para ratificar a sua imprevisibilidade, ele teve uma participação "normal". Mas depois de marcar dois gols na primeira partida, em plena Vila Belmiro, e deixar o Corinthians em grande vantagem contra o Santos para esta segunda partida, Ronaldo nem precisava ter jogado esta segunda final. Precisava? (1) KERS é um dispositivo que equipa os carros de F1 atualmente e é capaz de recuperar parte da energia de movimento perdida nas freadas armazenando-a para ser usada em momentos estratégicos (ultrapassagens, por exemplo) em que se precisa de um “gás” a mais. (2) Usei o Windows Movie Maker, software do Windows XP, para analisar o vídeo. É apenas um “quebra-galho” já que, frente à baixa resolução do vídeo e a falta de recursos do software, as medidas de tempo são apenas aproximações. (3) Galileu Galilei observou o céu como uma luneta (ou telescópio refrator) em 1609. Agora em 2009, para comemorar 400 anos deste grande e inovador experimento que mudou os rumos das pesquisas relativas ao Universo, estamos no Ano Internacional da Astronomia oficializado pela Unesco. Já publicado aqui no Física na Veia!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 14h32)
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