::: A ISS CRUZOU O DISCO LUNAR :::

spaceweather.com
 
Destalhe da ISS passando na frente da Lua (clique para ampliar)

Na última quarta-feira, dia 1 de abril, a ISS - Estação Espacial Internacional cruzou o disco lunar. A foto acima registra o evento e foi feita pelo astrônomo Oscar Martin Mesonero da OSAE - Organización Salmantina de la Astronáutica y el Espacio, uma assiciação de Astronomia de Salamanca, Espanha.

Ele usou um telescópio Celestron Nextar 8SE acoplado a uma câmera digital para fazer a belíssima foto.  O Celestron Nextar 8SE com "go to" (acompanhamento motorizado) é meu sonho de consumo. Ainda chego lá!

Vale lembrar que a ISS, que é um satélite artificial da Terra e que aparece na foto acima muito mais brilhante do que a superfície lunar de fundo, está a pouco menos de 400 km da superfície terrestre enquanto que a Lua, nosso satélite natural, está a cerca de 384.000 km do nosso planeta (medida feita do centro da Terra até o centro da Lua.  A superfície lunar, portanto, está a pouco mais de 940 vezes mais distante do "olho do telescópio" do que a ISS.


Para ver mais


Já publicado aqui no Física na Veia





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 12h25)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  ::: A REVOLUÇÃO DOS Q-BITS :::

O CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e a Editora Jorge Zahar vão lançar na próxima terça-feira, dia 7 de abril, o livro A Revolução do Q-Bits(*) - O Admirável Mundo da Computação Quântica.

Segundo informações dos editores, "nesse livro, o físico Ivan S. Oliveira e o jornalista científico Cássio Leite Vieira explicam a história e os conceitos da computação quântica – cujos resultados já se fazem sentir hoje, por exemplo, nos sistemas de segurança usados na internet. Tudo através de um relato ficcional, que nos leva para o futuro, para uma época em que os computadores quânticos já estão em plena atividade. Somos transportados para a segunda metade do século XXI e o sr. Lao, numa série de cinco palestras, apresenta as noções fundamentais desse campo, a história de conceitos e ideias que deram origem à física quântica e as grandes conquistas realizadas na área da computação."

A computação quântica é um tema instigante e atualíssimo. Fica aqui a dica de mais um lançamento com o selo de qualidade do CBPF que recentemente também lançou o Um Olhar Para o Futuro - Desafios da Física para o século 21, outra obra para quem tem Física na veia! (link para post sobre sobre este outro lançamento: aqui).


(*) Q-bit é a abreviação de bit quântico, a unidade básica de informação da computação quântica assim como o bit da computação tradicional.
Para saber mais


Serviço 

Onde: CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - Rua Dr. Xavier Sigaud, 150 - Urca - Rio de Janeiro/RJ
Quando: 7 de abril, às 17h30min
Informações: com Dayse Lima pelo telefone (21) 21417291 ou e-mail dayse@cbpf.br
Página do livro na editora: link





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 22h20)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  ::: SETE MENTIRAS DISFARÇADAS DE CIÊNCIA :::

Hoje, primeiro de abril, tradicional Dia da Mentira, quero mostrar para você como muitas supostas verdades científicas podem não passar de mentiras disfarçadas.

Muita gente, sem maldade, apenas mal informada, acaba mentindo e propagando conceitos errados em nome da boa Ciência.

E, já que “sete é conta de mentiroso”(*), escolhi sete exemplos destas mentirinhas (quase) ingênuas.

Mentira 1:

O Sol nasce sempre no Leste

O correto é dizer que Sol nasce “do lado leste”. Mas não exatamente no ponto cardeal leste.

Isso se deve ao fato de que o eixo de rotação da Terra tem uma inclinação em relação ao plano orbital. A percorrer a trajetória elíptica ao redor do Sol, sem mudar esta inclinação, a região do planeta mais iluminada pelo Sol vai mudando para cada época do ano.  E é por isso que temos as estações do ano que são alternadas em cada hemisfério da Terra. 

Na prática o Sol faz um bamboleio ao redor do ponto cardeal leste. A rigor o Sol nasce exatamente a leste nos dois equinócios (21 de março e 23 de setembro). Em 21 de março o Sol está "caminhando" para o norte e estamos indo para o inverno. Em 22 de junho temos a noite mais longa do ano no hemisfério sul e o Sol encontra-se mais afastado do ponto cardeal leste, a noroeste. Em 23 de setembro o Sol "caminha" para o sul e estamos indo para o verão no nosso hemisfério. Em 22 de dezembro o Sol estará mas afastado do ponto cardeal leste, agora a sudeste e teremos a noite mais curta do ano. Para melhor visualizar a ideia, veja a simulação abaixo para a minha latitude de 23 graus sul. A linha vermelha marca o ponto cardeal leste.

 

 Mentira 2:

O Cruzeiro do Sul sempre aponta para o Sul

A Constelação do Cruzeiro do Sul fica próxima ao pólo sul celeste, ponto imaginário onde o eixo (também imaginário) de rotação da Terra “toca a esfera celeste” (esfera também imaginária onde as estrelas e os planetas parecem estar grudados). E haja imaginação! A figura abaixo ajuda um pouco nesta arte de ver com o cérebro!

astro.if.ufrgs.br
 

Logo, enquanto a Terra gira ao redor de si mesma, a uma taxa de 1 volta (360 graus) por dia (24h), vemos toda a Constelação do Cruzeiro do Sul (e todo o resto dos objetos no céu) girar ao redor do pólo sul celeste a uma taxa de 15 graus/h (360 graus/24 h). Para o Cruzeiro do Sul e qualquer outra constelação circumpolar o efeito é bem notável! Numa foto de longa exposição (como esta logo abaixo) registramos o movimento de rotação da esfera celeste ao redor do pólo sul celeste. 

astro.if.ufrgs.br
 

Por causa desta rotação a “cruz” pode aparecer “em pé”, “deitada” ou “inclinada”. Pode, enfim, estar em qualquer posição dependendo do dia do ano e da hora e, portanto, apontar para qualquer lugar, até mesmo para cima (ou para o espaço no referencial da Terra)! Quando está de "ponta-cabeça" normalmente está abaixo do horizonte. Veja nas simulações abaixo a posição do Cruzeiro do Sul para hoje às 18h, "deitado", e às 24h, "em pé".


Cruzeiro "deitado" às 18h de hoje


Cruzeiro "em pé" às 24h de hoje

Então , por que falam tanto que o Cruzeiro do Sul serve para nos mostrar o sul? Isso fica para um outro post, tá? Mas é mentira das boas que o Cruzeiro do Sul sempre aponta para o sul! Na simulação acima, para às 18 h, fica bem claro que o Cruzeiro não está apontando para o sul (S)!

 

 Mentira 3:

A Lua Cheia nasce enorme no horizonte

Quando vemos a Lua Cheia no horizonte sempre ficamos com a sensação de que ela é enorme. Assim aparece nos filmes. Da mesma forma nos desenhos. Mas trata-se apenas de uma ilusão de óptica!
A Lua Cheia, no horizonte, numa comparação visual simples com casas, edifícios, montanhas e outros elementos da paisagem, parece ser realmente enorme.  Mas não é.

Daqui da Terra vemos o disco lunar com apenas 0,5 grau aproximadamente. Muito pouco comparado a um círculo completo que tem 360 graus!

astro.if.ufrgs.br

 
Quer fazer uma experiência simples, porém bastante conclusiva? Estique o braço, com o dedo indicador para cima. A largura do dedo indicador, para seus olhos, será em torno de 1 grau. Claro que isso pode variar de pessoa para pessoa mas, em média, dá bem próximo de 1 grau.

Assim, o dedo indicador na posição descrita deverá cobrir o equivalente a duas Luas Cheias! Espere a próxima Lua Cheia e faça você mesmo o teste. E verá como Lua Cheia aparentemente enorme some atrás do seu dedo indicador. Lua Cheia enorme no horizonte é outra mentira! 
 

[Quer saber mais sobre este assunto? Confira aqui!]

 

 Mentira 4:

No espaço a gravidade é zero

NASA
 

Na ISS, a Estação Espacial Internacional, por exemplo, os astronautas ficam “flutuando”. Toda vez que vemos cenas dos astronautas eles parecem ser tão leves quanto plumas. Logo a conclusão (erradíssima!) é de que a gravidade no espaço é zero.
Mas pense comigo: quem é que prende a ISS na Terra? É a gravidade terrestre, não é? Então por que esta gravidade mantém a ISS presa na sua órbita ao redor do planeta mas deixa de atrair os astronautas? Seria a gravidade seletiva? Ela só atrai “quem ela quer”?

Segundo a Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton, a gravidade decresce com o inverso do quadrado da distância ao centro do corpo que a provoca. Logo, será de fato nula somente a distâncias infinitas do corpo central. A ISS está a apenas uns 400 km afastada da superfície da Terra e, portanto, um pouco menos do que 7.000 km do centro da Terra. Muito pouco para a gravidade ser nula. Na verdade a gravidade terrestre lá na ISS vale mais ou menos uns 8,5 m/s². Bem diferente de zero e só um pouco menor do que o valor aqui na superfície que é de 9,8 m/s².!

Então por que os astronautas flutuam? Lamento dizer mas, na verdade, não flutuam. Eles estão em órbita o redor da Terra o que na prática é como estar em um elevador cujo cabo arrebentou e está caindo em queda livre. Como a nave e todo o seu conteúdo "caem" com a mesma aceleração, existe uma sensação de flutuação. Mas é só uma sensação de gravidade zero, uma ilusão mecânica capaz de enganar até mesmo os nossos sentidos. Por isso dizer que a gravidade no espaço é zero é outra mentira que assassina a boa Física!

[Quer saber mais sobre este assunto? Confira aqui!]

 

 Mentira 5:

O atrito sempre atrapalha

E é por isso mesmo que o atrito deve ser eliminado ou pelo menos minimizado. Certo?

Errado! Outra bobagem. É fato que muitas vezes o atrito dificulta as coisas. Todos sabemos que temos que colocar óleo lubrificante no motor de um automóvel para diminuir o atrito entre as suas partes internas móveis e evitar superaquecimento, o que poderia até fundir o motor (derreter e grudar as suas partes internas). Neste exemplo o atrito é mesmo prejudicial.

Quando vamos fazer faxina e temos que arrastar móveis pela casa sabemos que o atrito não é parceiro. Ele joga contra e dificulta as coisas. Aqui também temos um outro exemplo de atrito que atrapalha.

No entanto, quando andamos, empurramos o chão para trás por atrito com a superfície de contato com a sola do sapato. E o chão, por sua vez, nos empurra para frente, novamente por atrito. É o que chamamos de Ação/Reação, outra herança das fantásticas ideias de Sir Isaac Newton.



Um automóvel também precisa empurrar o chão para trás para ser empurrado de volta para frente e conseguir se mover. Com pouco atrito entre o pneu e o solo o carro pode simplesmente patinar e não sai do lugar. É exatamente o que acontece quando um carro atola na lama.

Entendeu como nesses dois casos (uma pessoa ou um automóvel andando) o atrito ajuda o movimento? Logo, dizer que o atrito sempre atrapalha é outra mentira descarada!

[Quer saber mais sobre este assunto? Confira aqui!]

 

 Mentira 6:

Quando um ônibus freia, um passageiro em pé é empurrado para frente

Quem já pegou “busão” lotado e teve que ficar em pé sabe que a qualquer mudança de velocidade, seja no seu valor (em aceleradas ou freadas) ou na sua direção/sentido (nas curvas), nos sentimos empurrados para frente, para trás ou para os lados. 

Mas nestes casos não há forças nos empurrando. Na Física explicamos essa sensação falando sobre inércia, a “tendência que um corpo tem de permanecer em repouso ou em movimento retilíneo e uniforme” a não ser que forças externas modifiquem esta tendência.

Se o ônibus em movimento freia, temos a tendência de continuarmos nos movendo para frente, em linhas reta. A sensação é de fomos arremessados para frente. Mas é pura ilusão mecânica. Não há força alguma nos empurrando. Seguimos "no embalo", ou tecnicamente falando, por inércia.

Ao contrário, se estamos parados dentro de um ônbus que por sua vez está parado em relação ao solo, temos a tendência a continuar parados. Se o ônibus arranca, continuamos parados em relação ao solo mas em relação ao ônibus ficamos para trás. O ônibus vai para frente e nós continuamos parados em relação ao chão, a não ser que seguremos em alguma parte do veículo para seguirmos solidários a ele. Isso provoca uma ilusão de sermos empurrados para trás. Mais uma vez não existe tal força!

Da mesma forma, numa curva, tendemos a continuar em linha reta e, com o ônibus dobrando a esquina, teremos a impressão de sermos jogados para fora das curva. Novamente é a inércia, seguimos "no embalo", na tendência natural de continuarmos em movimento em linha reta enquanto apenas o ônibus faz a curva. A sensação de empurrão lateral é convincente. Mas é apenas uma sensação, sem forças de fato!

[Quer saber mais sobre este assunto? Confira aqui!]

Mentira 7:

Cobertor esquenta, ainda mais se for bem grosso

Cobertor não esquenta. Nem fino, nem grosso!

Se fosse verdade que cobertor esquenta, então você poderia cozinhar com cobertor. Sim! Qualquer alimento numa panela envolta por um bom e espesso cobertor de lã deveria esquentar e permitir o cozimento de alimentos. Mas não é o que acontece!

O cobertor não é uma fonte de calor. Ele é apenas uma camada de material termicamente isolante, ou seja, que dificulta a condução da energia térmica (calor). Se for espesso vai provocar maior isolamento pois, quanto mas grossa a parede, mais difícil para o calor atravessá-la.

Mas não é o cobertor quem esquenta. Somos nós mesmos quem nos aquecemos!

Pense bem: num dia frio, como estamos muito mais quentes do que o ambiente ao nosso redor,  perdemos muito calor para ele. E é isso que nos dá a sensação de frio intenso. Um cobertor isola termicamente o corpo humano do resto do ambiente frio  evitando a perda excessiva de calor. Isso provoca uma sensação de conforto térmico. Mas note que quem esquenta é o próprio corpo que, através do seu metabolismo regula nossa temperatura em torno de 36,5 oC.

Dizer que cobertor esquenta é outra mentira científica bastante conhecida! A não ser que sejam aqueles cobertores elétricos vendidos em países muito frios. Mas aí a conversa é outra pois a energia elétrica é convertida em calor por Efeito Joule em elementeos resitivos. Truquezinho bem conhecido na eletrodinâmica.

[Quer saber mais sobre este assunto. Confira aqui!]

______________

Passe adiante este post e ajude a terminar com o ciclo vicioso das mentiras científicas. Mas só a partir de amanhã. Hoje é dia de mentir e de se divertir pregando peças nos amigos!   


(*) “Sete é conta de mentiroso”. Ouvi muitas vezes meus avós dizerem isso. É que, segundo o dito popular, toda conta de mentiroso termina em sete.  

 

 





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 00h48)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  ::: O POLÊMICO DIFUSOR DOS CARROS DA F1 :::

 
Traseira do carro da Brawn GP (difusor destacado em amarelo)

Às 3h desta madrugada de domingo (horário de Brasília) começou o Campenonato Mundial de Fórmula 1 de 2009 com o Grande Prêmio da Austrália. Rubinho Barrichello (quem diria?) esteve de volta no pódio com o segundo lugar logo atrás de Jenson Button, seu companheiro na equipe Brawn GP (ex Honda).

E a polêmica do momento são os difusores, um artifício aerodinâmico para "grudar" o carro na pista e compensar a perda de pressão aerodinâmica causada pelas recentes mudanças nas asas traseiras e dianteiras feitas pelo regulamento do campeonato (veja imagem comparativa 2008/2009 abaixo).

autosport.com

Tudo indica que os engenheiros de três equipes (Brawn GP - a do Rubinho, Toyota e Williams) projetaram difusores "no limite da legalidade", ou seja, jogaram com o regulamento do campeonato e, aproveitando uma "brecha" no texto, criaram difusores mais volumosos e eficientes atraindo as atenções de todos desde jornalistas até engenheiros da F1 passando pelos próprios pilotos.

No entanto, os projetos foram aprovados pela FIA e os carros correram normalmente em Melbourne, Austrália. Mas o caso parece que ainda vai dar o que falar, especialmente porque a Brawn GP surpreendeu a todos com um carro bem acima do esperado em 2009, deixando a Ferrari e a McLaren, os maiorais de 2008, para trás.  Muita gente está especulando que o diferencial do novo carro é justamente o difusor supostamente ilegal, apesar de ter sido oficialmente aprovado.

 

:: Entenda a Física do Difusor

Imagine um fluxo contínuo de um líquido (ou um gás, se preferir) através de uma tubulação. O volume de fluido (líquido ou gás) que atravessa uma secção transversal qualquer da tubulação em qualquer ponto da mesma e em qualquer instante deve ser sempre constante. Certo? Isso se deve a uma idéia ainda mais básica: a conservação da massa. A massa que escoa pelo fluxo contínuo do fluido deve ser sempre a mesma pois se conserva, ou seja, não é criada nem destruída ap longo de todo o deslocamento. Assim, em partes mais estreitas da tubulação o fluido deve escoar mais rápido, da mesma forma que em partes mais largas o fluido deve escoar com velocidade menor. Concorda?   

Daniel Bernouilli (1700-1782), um cientista suíço, estudou o fluxo contínuo de fluidos (líquidos e gases) e foi além. Ele percebeu o que é discutido logo acima e concluiu ainda que 

Onde a rapidez do fluido cresce, a pressão interna do mesmo decresce. E vice-versa.

Esta ideia é conhecida como Princípio de Bernoulli e explica o "truque aerodinâmico" em que numa asa de avião surge uma força extra para cima que "compete" com o peso da aeronave, propiciando o vôo. Esta força é justamente a que chamamos de força de sustentação FS.

Nos carros de F1 as "asas", chamadas de aerofólios, são como asas de avião, só que invertidas. Em outras palavras, há menor velocidade do ar sobre a asa em relação à parte de baixo o que provoca mais pressão em cima do que embaixo dela. Consequentemente, uma força extra de cima para baixo empurra o aerofólio contra o chão. Afinal, ninguém quer que um carro de F1 decole no sentido exato da palavra. O carro, como se costuma dizer, deve "voar baixo", ou seja, correr o máximo possível, mas sem "desgrudar" do solo para garantir da dirigibilidade do piloto sobre a máquina. Ao contrário do que acontece no avião, a força aerodinâmica no carro de corrida "ajuda" o peso do carro a mantê-lo em contato com a pista.

A idéia básica do difusor de ar ancora-se no Princípio de Bernouilli e usa, de forma inteligente, o próprio assoalho do carro como elemento aerodinâmico, como uma "asa invertida" e, conduzindo o fluxo de ar através de canaletas, produz o efeito de uma down force, uma força para baixo que ajuda a "grudar" o carro no solo. Na prática o ar é coletado em movimento e guiado por canaletas cuja saída podem ser vistas na foto logo acima do post ou nas ilustrações abaixo. 

A Ferrari e Renault, por exemplo, projetaram difusores mais "conservadores". Não abusaram do regulamento e o resultado final pode ser visto na ilustração abaixo.

f1around.wordpress.com

Já a Brawn GP, a Williams e a Toyota foram ao limite e, menos conservadoras, aproveitaram a ambiguidade do regulamento e obtiveram o polêmico resultado visto logo abaixo e que, na prática, parece ser mesmo mais eficiente.

f1around.wordpress.com

Nota-se facilmente nas ilustrações acima acima que Toyota, Wiiliams e Brawn GP fizeram difusores mais volumosos, com uma canaleta (ou tunel de ar) a mais (um difusor double-decker ou dois andares, como queira).  E é exatamente isso, um difusor mais volumoso, que permite maior eficiência aerodinâmica. Física pura!

O caso ainda vai ter desdobramentos e ainda vamos ouvir falar dos tais difusores nos próximos GPs de F1. Aguarde!  

E, para quem pensa que a idéia de usar o assoalho do carro para ter ganho aerodinâmico é nova, veja a ilustração abaixo que mostra o Lotus 78 (1977) que há mais de três décadas trazia a novidade. Veja os dutos curvados (em vermelho) por onde o ar podia escoar e produzir o "efeito solo", ajudando a "grudar" o carro no chão.

symscape.com

Os atuais difusores são resultado de 32 anos de aperfeiçoamento técnico.


Para navegar

  • Veja aqui o resultado final do GP da Austrália de F1


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 11h16)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
 



Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

  visitante(s) on line agora
Física na Veia!, um Blog Legal do UOL!
XML/RSS Feed

Busca aqui no Física na Veia!
 
 
Clique para conhecer meu livro de Física Moderna
Sobre Física, você diria que:
Adora
Gosta, mas tem muita dificuldade em aprender
Não gosta, mas reconhece que é importante
Não gosta e acha bobagem
Odeia
Votar Ver resultado parcial





  ESPECIAIS TEMÁTICOS







Clique aqui e dê sua nota para o Física na Veia

Clique aqui e indique o Física na Veia para os amigos!




My blog is worth $23,146.14.
How much is your blog worth?




Add to Technorati Favorites