::: COMETA VISÍVEL NO CÉU DO BRASIL EM FEVEREIRO :::

fonte da foto: astronomia2009.org.br (autor: Wilton Costa)

Foto do C/2007 Lulin feita por Wilton Costa em 31/jan/2009

O cometa C/2007 N3 Lulin foi descoberto em 11 de julho de 2007 pelos astrônomos chineses Quanzhi Ye (Guangzhou) e Chi Sheng Lin (Lulin Sky Survey). Em princípio o aspecto do astro levava a crer que tratava-se de um asteróide. Somente uma semana depois, em 18 de julho, traços típicos de um cometa foram detectados. 

Em 10 de janeiro de 2009 o C/2007 Lulin ficou a cerca de 182 milhões de quilômetros do Sol (máxima aproximação ou periélio) e a 236 milhões de quilômetros da Terra.


Simulação: Sol, Terra e Lulin em 10 de janeiro de 2009

Depois dessa data o Lulin afasta-se gradativamente do Sol mas fica mais perto da Terra. Sua máxima aproximação com o nosso planeta será no dia 24 de fevereiro de 2009 quando estará a cerca de 61 milhões de quilômetros da Terra e a 209 milhões de quilômetros do Sol.


Simulação: Sol, Terra e Lulin em 24 de fevereiro de 2009

O mais legal desta história é que o cometa Lulin poderá ser visto daqui do Brasil, passando pelas constelações zodiacais de Libra, Virgem e Leão ao longo do mês de fevereiro a partir da 1h da manhã (aproximadamente) e durante toda a madrugada. A imagem abaixo (simulação) mostra a posição do cometa na madrugada de 8 de fevereiro. A proximidade com a constelação de Escorpião, "fácil" de encontrar por causa da cauda do escorpião, e onde se encontra Antares, uma estrela gigante vermelha que a olho nu se destaca contra o céu negro e tem aparência real bem vermelha, vai ajudar na localização.   


Simulação: Sol, Terra e Lulin em 24 de fevereiro de 2009

Na verdade, na próxima madrugada a constelação de Libra vai nascer por volta de 1h (horário de Brasília) aqui no Brasil. No decorrer dos dias, enquanto o cometa for viajando para Virgem e Leão, ele vai aparecendo cada vez mais cedo e se afastando de Escorpião. Em locais bem escuros e com céu limpo o cometa poderá ser visto até mesmo a olho nu. O ideal é usar um binóculo capaz de concentrar a luz para deixar a imagem do cometa mais nítida mas sem fechar demais o campo de visão. E é bom lembrar que as constelações zodiacais nascem, como o Sol, do lado leste. É no horizonte leste que o cometa vai surgir. Depois, com a rotação da Terra, vai "subindo" no céu decorrer do tempo. 

O post Olhar o Céu I (role a página para baixo e confira em 03/02/3009) dá boas dicas sobre como encontrar e reconhecer objetos no céu noturno. Para localizar o cometa, que não é um objeto tão luminoso, você vai precisar saber bem para onde olhar, ou seja, deverá saber como encontrar a contelação pela qual o cometa estará passando no dia da observação. Planisférios, descritos no Olhar o Céu I, podem ajudar bastante. Softwares astronômicos (sobre os quais falarei no post Olhar o Céu II que vai ao ar em breve) também são muito úteis para quem não tem intimidade com o céu.

Para ajudar nas observações você pode fazer download de uma Carta Celeste do hemisfério sul para o mês de fevereiro de 2009  (procure por Southern Edition, February 2009, português brasileiro) disponibilizada no site SkyMaps. Nesta carta as posições do cometa estão anotadas a partir de 18 de fevereiro.

Também estou simulando no computador as posições do C/2007 Lulin para o mês de feveiro (em breve no ar).

Tomara que pare de chover e faça céu limpo! Por aqui saiu sol ontem no final da tarde mas já está tudo nublado outra vez. Boas observações! Eu vou tentar observar por aqui também e se obtiver resultado positivo conto como foi.



Post comemorativo do Ano Internacional da Astronomia no Brasil.

 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h04)



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  ::: IYA BRASIL 2009 :::

O Física na Veia! agora é blog oficial nas comemorações do IYA - International Year of Astronomy no Brasil.

Confira aqui. E aí, vamos fazer uma grande festa para o Galileu? Conto com você!

O post anterior é só o começo...





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h39)



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  ::: OLHAR O CÉU I :::

MrEclipse.com

Região do Cruzeiro do Sul (clique para abrir versão maior)

Adoro olhar o céu noturno. Sempre que chego em casa, mesmo depois de um dia de muitas aulas, cansado, tarde da noite e já com o carro devidamente estacionado na garagem coberta do condomínio, não resisto e tenho que dar uns passos para trás nem que seja só para uma espiada rápida no céu. E o que vejo, de frente para a garagem, é a região do pólo Sul celeste onde está o Cruzeiro do Sul, exatamente o que é mostrado na foto acima repleta de detalhes pois foi feita com longa exposição(1).

Infelizmente não tenho tido tanto tempo para este deleite astronômico. O bacana é poder ficar horas observando o céu, especialmente em boa companhia. Para piorar, com o tempo chuvoso há dias, já perdi a conta de qual foi a última vez que olhei o céu noturno e vi alguma coisa que não fosse uma nuvem carregada. Mas não vejo a hora de poder ver as estrelas e os planetas novamente, nem que seja a olho nu. Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, temos um céu privilegiado! 

Mas este post não é apenas para contar para você este meu gosto (ou mania?) pessoal. É, principalmente, para incentivar pessoas para que olhem para o céu. Mesmo sem um binóculo, uma luneta ou telescópio(2), a experiência tem tudo para ser marcante. Mas você tem que saber alguns "truques" básicos para tirar melhor proveito da experiência. Confira a seguir.

 

:: O Mecanismo da Visão

pt.wikipedia.org

Dilatação da pupila (clique para abrir gif animado ~ 4,8Mb)

Em primeiro lugar é preciso lembrar que os nossos olhos se adaptam às condições de luminosidade ambiente. Quando tem luz sobrando as pupilas se fecham para limitar a luminosidade captada pelos olhos. Ao contrário, quando está mais escuro, as pupilas se dilatam aumentando o orifício para captar mais luz que agora é escassa. A quantidade de luz que entra nos olhos é proporcional à área A do orificio praticamente circular. Esta área depende do quadrado do raio () do orifício. Assim, se o diâmetro da pupila dobrar, a quantidade de luz captada será multiplicada por 4 (2² = 4) compensando a falta de luminosidade.   

E, se ainda assim houver pouca luz a ser captada no ambiente, nosso organismo ainda tem um "plano B": a Rodopsina. Trata-se de uma substância proveniente da vitamina A e que é capaz de "dopar" os bastonetes, células nervosas da retina(3) responsáveis pela diferenciação da quantidade de luz, aumentando a sua sensibilidade. Os bastontes ficam"turbinados", mais eficientes, e passamos a ter um ganho extra na luminosidade da imagem final conjugada pelo olho. É mais ou menos o mesmo efeito de quando aumentamos o brilho de uma tela de TV ou computador.  E, para tomar um exemplo bem prático, é o que acontece se você chega atrasado na sala de cinema e o filme já começou. Ao deixar o saguão (onde é bem iluminado) e entrar na sala de projeção (com pouquíssima luz ambiente), a sensação de "cegueira" imediata é bem desconfortável. Geramente não se vê nada a princípio e a escolha de uma poltrona vazia para sentar é quase impossível. Mas, se esperar alguns segundos, as pupilas dilatam e o problema é minimizado. Em alguns minutos já dá para ver um ambiente penumbral e distiguir silhuetas de pessoas, poltronas e outros obstáculos. Aí já é a Rodopsina entrando em ação.

Portanto, para ver bem o céu noturno é preciso "preparar os olhos", ou seja, buscar um local bem escuro. E quanto mais longe da poluição atmosférica e luminosa dos grandes centros, melhor. Em condições de pouca luz as pupilas ficarão dilatadas ao máximo e a Rodopsina vai começar a atuar. Se o céu estiver bem limpo, dez minutos de escuridão já são suficientes para fazer brotar um céu noturno cravejado de estrelas. Em meia hora a sua visão estará sensibilizada e adaptada ao máximo. Já presenciei muitos alunos em cursos de Astronomia comentando surpresos "Eu não sabia que tinha tantas estrelas assim! E muito menos que dava para vê-las". Tem sim! Um monte delas. Mas a maioria não vemos por causa das poluições atmosférica e luminosa e também porque nossos olhos quase sempre não estão "preparados" para este nível de percepção.

Em boas condições dá para ver até um braço da Via-Lactea, nossa galáxia espiral. Estamos dentro dela mas podemos "espiar para fora" e ver um pedaço de um dos seus braços que aparece estendido e esbranquiçado contra o fundo negro do céu noturno. É belíssimo! E essa aparência "leitosa" justifica o termo Via-Láctea que significa "caminho de leite".   

Também é bacana de se ver as "estrelas cadentes" ou "meteoros" que são rastros de matéria incandescente deixados por corpos sólidos que vêm do espaço e penetram na nossa atmosfera. Pela alta velocidade em que viajam, sofrem aquecimento por fricção com as partículas da atmosfera e acabam se desintegrando deixando um rastro brilhante bem característico. O fenômeno é muito menos raro do que a maioria das pessoas pensa. Um pequeno grão de matéria já é capaz de produzir o efeito. Só que, para ver, tem que ser num local ideal, bem escuro, sem poluição, e com os olhos já adaptados à situação de escassez luminosa. 

Outro detalhe importante: se estiver muito escuro e precisar usar iluminação artificial para caminhar com segurança, dê preferência para a luz vermelha. É ela a que menos sensibiliza os bastonetes e mantém a Rodopsina em ação. Isso mantém as pupilas dilatadas e garante maior eficiência bioquímica do sistema. Existem lanternas que já vêm com cobertura vermelha para a lâmpada. Se não tiver uma dessas, pode improvisar cobrindo a fonte luminosa com papel celofane vermelho. Se for o caso, use duas ou mais camadas para atenuar ao máximo a luminosidade. Lembre-se de que uma fonte de luz branca na escuridão da noite joga contra a qualidade das observações. Ao mínimo aumento de luminosidade as pupilas se fecham e a Rodopsina é cortada. A qualidade da observação a olho nu cai bastante. Com luz vermelha o problema é contornado de forma muito satisfatória.

 

:: Quem é quem na imensidão do céu?

Depois que descobrir a enorme quantidade de pontinhos luminosos que podemos observar no céu noturno você vai, com certeza, querer saber "quem são eles". Quais os nomes das constelações(4)? Quais os nomes das suas principais estrelas? Dentrre estes pontinhos luminosos, alguns não são estrelas, são planetas. Como saber quem é planeta e quem é estrela?

E tem mais. Na medida em que a Terra realiza o seu movimento diário de rotação, temos a impressão de que é o céu quem gira. E esse movimento aparente, visto daqui do hemisfério sul do planeta, se dá ao redor do pólo sul celeste. É muito divertido tentar detectar esse movimento que ocorre à uma taxa de 360 graus/dia = 360 graus/24 horas = 15 graus/hora. Experimente! Falarei sobre isso em futuro post dedicado ao pólo sul celeste e ao Cruzeiro do Sul.

Para ajudar nesta tarefa de observar e reconhecer astros existem os Planisférios (ou Cartas Celestes Móveis) que são muito interessantes e fáceis de manipular. Normalmente são discos de papel que simulam o movimento de rotação aparente do céu (na verdade a projetação do movimento diário de rotação da Terra). Com as mãos você ajusta data/horário para uma determinada região (latitude) do globo terrestre e uma máscara, também de papel, delimita o céu visível naquele local e naquela data/hora. Trata-se de um simulador manual do céu com o qual é possível recriar em pequena escala um céu artificial com as principais contelações que podem ser vistas nos limites do seu horizonte e em relação aos pontos cardeais norte , sul, leste e oeste.  
Eu tenho, já faz tempo, a Carta Celeste do Brasil, um planisfério do renomado astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão editado pela Bertrand Brasil.

Carta Celeste móvel ou Planisfério do Mourão


Máscaras com janelas de papel simulam o horizonte doo observador

Já faz muito tempo que não vejo este material disponível nas livrarias. Penso que esteja esgotado.

Mas, para minha supresa, descobri o Planisfério de As Maravilhas do Céu Estrelado (foto abaixo) de autoria de João Batista Salgado Loureiro e Marco Aurélio Loureiro, pai e filho e que já devem ter observado o céu juntos muitas vezes. Eu não disse que olhar o céu em boa companhia é ainda melhor?

Planisfério de As Maravilhas do Céu Estrelado


Neste modelo a máscara é em acetato


O usuário ajusta manualmente no disco a data e a hora 

Este material é vendido pela internet aqui. E custa muito pouco, em torno de R$ 18,00 (+ frete). É muito bem feito e durável, o que torna a sua relação custo/benefício fantástica.
Os organizadores da OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, comandados pelo dedicado prof. João Bastista Canalle da UERJ - Universidade Estadual do Rio de Janeiro, editaram no ano passado um planisfério que foi enviado para as escolas participantes do evento. Muito legal a iniciativa. 

Planisfério especial da OBA também com máscara de acetato

Se você estiver sem grana, vá juntando aos poucos e logo terá o seu planisfério em mãos. Mas, para não perder tempo, dá para baixar da internet uma versão para imprimir e montar. Funciona bem e vai servir como guia para as suas primeiras observações. Clique aqui  para fazer download (site da profa. Mária de Fátima O. Saraiva da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul). 
Vale lembrar que os Planisférios têm uma limitação: só conseguem mostrar o fundo fixo das estrelas com as constelações. Para estrelas (ou constelações) prevalece o movimento de rotação da Terra que pode ser simulado por uma simples rotação de um disco de papel. Com planisférios não há como encontrar as posições dos planetas pois estes têm movimento próprio e "errante"(5). Com treino você poderá encontrar uma constelação usando o planisfério e, se perceber uma "estrela diferente" por ali, saberá que se trata de um planeta. O ideal é usar um Anuário Astronômico, publicação onde tabelas trazem as posições dos planetas em relação às constelações ao longo dos meses do ano. Com a experiência um astrônomo amador consegue encontrar planetas e estrelas sem auxílio algum. Mas isso vem com o tempo. Também dá para usar um computador com software específico para simular o céu. Falaremos sobre isso oportunamente.     

:: Leituras indispensáveis   

Se você começar a olhar o céu noturno, da forma correta, garanto que vai se apaixonar. E vai querer mais e mais. E, se não tiver alguém experiente para orientá-lo, existem boas leituras capazes de agilizar bastante o processo. Sugiro dois livros fáceis de ler/entender e com custo bem razoável:

  • Manual do Astrônomo - Uma introdução à Astronomia Observacional e à Construção de Telescópios
    autor: Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
    editora: Jorge Zahar Editor
    páginas: 152
    ISBN: 85-7110-296-1
  • Rumo às Estrelas - Guia Prático para Observação do Céu
    autor: Alberto Delerue
    editora: Jorge Zahar Editor
    ISBN: 85-7110-526-x
    páginas: 88 

O primeiro é mais completo. Mas ambos são bem práticos e vão direto ao ponto dando boas dicas práticas sobre como observar o céu e procurar/reconhecer os objetos mais interessantes.

É isso! Boas observações! Depois vem aqui e me conta se não é mesmo maravilhoso! Combinado?


Este é o primeiro post daqui do Física na Veia! especialmente dedicado ao Ano Internacional da Astronomia cujo slogan é O Universo Para Você Descobrir. Descubra-o!

No menu da direita existe uma coleção de textos sobre Astronomia e Astrofísica já publicados ao longo da existência do blog. Veja em "especiais temáticos", banner Astronomia.  

 


(1) Fotos de longa exposição são feitas com câmeras capazes de ficar abertas por longo tempo para captar bastente luz. Com elas é possível fotografar astros bastante tênues e muitas vezes invisísveis a olho nu. Nestes caso é preciso montá-las num sistema com step motor para compensar a rotação da Terra e garantir a nitidez da foto. Caso contrário, durante o tempo de exposição prolongado a Terra gira bastante e a foto sai toda borrada.  
(2) Lunetas são instrumentos feitos apenas com lentes e também são chamadas de telescópios refratores. Telescópios que usam lentes e espelhos são conhecidos como telescópios refletores.
(3) Há dois tipos de células nervosas na retina: os cones e os bastonetes. Cones são especialistas em diferenciar cores. Já os bastonetes são responsáveis pela diferenciação de ambientes mais ou menos luminosos. Em condições de pouca luz os bastonetes têm que trabalhar mais e melhor para garantir a qualidade da visão.
(4) Constelação são agrupamentos visuais de astros. Vistos daqui da Terra parecem estar próximos entre si. Na verdade, eles podem estar a diferentes distâncias da Terra e a sensação de agrupamenteo é meramente visual.
(5) Ao longo dos meses os planetas se movem contra o fundo fixo das estrelas. Aliás, o termo planeta significa "astro errante".

 





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 21h48)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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