::: ONDE FOI PARAR A PRIMEIRA LEI DE KEPLER? :::


A imagem que gerou dúvidas

"O que aconteceu com a Primeira Lei de kepler na foto explicativa do fenômeno?".

Esta pergunta foi feita no comentário 32 do post anterior pelo visitante Maxpiu. E a pergunta, sobre a figura repetida acima, é tão legal que vale um outro post!

Antes de mais nada, e especialmente para quem não se lembra, a Primeira Lei de Kepler diz que "Os planetas do Sistema Solar descrevem órbitas elípticas nas quais o Sol ocupa o foco da elípse". Esta descoberta do alemão Johannes Kepler (1571-1630), usando dados observacionais do dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601), joga pela janela a idéia de órbitas circulares e bem comportadas!

E, quando se fala em elípse, logo vem à mente a idéia de uma bela oval, mais ou menos como a que mostro na ilustração abaixo.

Nesta figura temos:

  • a - semi-eixo maior da órbita
  • b - semi-eixo menor da órbita
  • P - qualquer planeta do Sistema Solar, ou seja, que orbita o Sol 
  • F e F' - focos da elípse (o Sol foi colocado arbitrariamente em F)

Note que se a for igual a b então a elípse se torna uma circunferência.  Nesse caso os dois focos (F e F') fundem-se num só ponto que é o centro da circunferência. Mas basta que a seja ligeiramente maior do que b para voltarmos a ter uma elípse. Só que com a pouco maior do que b não notaremos (sem medidas mais rigorosas) que trata-se de uma elípse em vez de uma circunferência. E aí é que mora o perigo! Nem toda elípse é uma oval evidente!

Quem mede quâo oval é uma elípse é um parâmetro matemático e chamado de excentricidade e definido por:

e = c/a

No caso dos oito planetas do Sistema Solar (e também do anão Plutão que não é mais classificado como planeta desde agosto de 2006) os valores das excentricidades são:

A figura abaixo, retirada de uma prova da OBA - Olimpíada Brasileira de Física,  mostra algumas possíveis elípses e os valores corespondentes de excentricidade.

 A primeira figura na primeira linha na ilustração acima é uma circunferência (e = 0 pois a = b, ou seja, c = 0). Todas as outras são elípses onde um dos pontinhos internos é o centro e o outro um dos focos. Mas é bem difícil perceber nas possíveis órbitas da linha de cima da figura que elas são elípses (ou ovais). Concorda?

Veja novamente (na tabela logo acima) os valores das excentricidades das órbitas dos astros representados na figura que eu fiz e que gerou a dúvida do leitor: Vênus (e = 0,0068), Terra (e = 0,0167) e Júpiter (e = 0,048). Com quais elípses da figura acima estas órbitas concordam? Note que, pelos valores bem baixos de excentricidade, as órbitas dos planetas citados estão entre a circunferência e a primeira elípse (e = 0,1)! Impossível notar qualquer diferença entre uma circunferência e ovais com excentricidade e < 0,1. Certo?  

A Lua também tem órbita elíptica, só que ao redor da Terra que neste caso se encontra num dos focos. Sim, a Primeira Lei de Kepler pode ser gerenalizada para qualquer órbita moldada por uma gravidade inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os corpos(1).  E a excentricidade da órbita lunar vale e = 0,0549, valor também bem pequeno e que ratifica a idéia de que as órbitas dos astros citados, embora elípticas, não se distanciam demais de uma bem comportada circunferência!

Eu avisei no post anterior que a figura estava fora de escala, certo? Nesta representação, com erro proposital de escala, é ainda mais difícil (para não dizer impossível) distinguir o caráter oval da órbita! Concorda?

Mas a pergunta do Maxpiu me dá a oportunidade  de abordar este assunto geralmente mal ensinado nas escolas. Infelizmente, na maioria dos livros didáticos, até mesmo naqueles de boa qualidade, as órbitas planetárias vêm desenhadas fora de escala (sem nenhum aviso ao leitor) e em perspectiva, o que acentua, por ilusão, o caráter excêntrico destas órbitas. É o que acontece na imagem abaixo (distâncias e tamanhos fora de escala mais ao efeito d perspectiva geram uma informação errada ou, pelo menos, que induz ao erro).

 

Sem aviso prévio a figura acima é um perigo didático! Muita gente "fotografa" a situação e passa o resto da vida acreditando que as órbitas dos planetas são ovais bem exageradas quando, na verdade, não são! Pior ainda é acreditar que, de tão oval seria a órbita da Terra que o Sol (num dos  focos) estaria tão afastado do centro que a distância Terra-Sol poderia variar tanto durante um ano a ponto de justificar mudanças de temperatura e, portanto, as estações do ano(2)! Infelizmente muita gente aprendeu assim, da forma mais errada possível, e até professores ainda propagam esta idéia furadíssima!     

Entendido Maxpiu? AS órbitas são elíticas. É fato. Mas com excentricidades tão pequenas que não diferem radicalmente de uma circunferência. Viu só que "armadilha didádica" é esse assunto? Dá para ensinar errado até sem querer! Riso

Quem quiser aprofundar o tema é só clicar nos links abaixo para ir direto aos posts que já abordaram este assunto, especialmente Mais perto do Sol I e Mais perto do Sol II que aproofundam a questão da excentricidade orbital. 


(1) É de Isaac Newton (1643-1727) esta a idéia de que a ação gravitacional entre corpos varia com o inverso do quadrado da distância entre eles. Conhecemos tal idéia como Lei da Gravitação Universal, posterior às Leis de Kepler, e que permite deduzir, confirmar e generalizar o trabalho de J. Kepler (1571-1630) para outras situações.
(2) A estações do ano acontecem por causa da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano orbital. 

Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h47)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  ::: EMOTICON CELESTE :::

Simulação
 

Espie pela janela. Procure do lado em que o Sol se põe. Agora! Procure pela Lua, sempre mais fácil de encontrar. Há apenas uma "casquinha" de Lua. Mas se o céu estiver limpo não tem erro. E verá perto dela mais dois pontinhos: Júpiter, mais abaixo, e Vênus, um pouco mais acima. É um verdadeiro emoticon celeste! Praticamente este (), de ponta-cabeça. Visível até por volta de 21h (ooops...22h no horário de verão!

Estou saindo para ver e tentar fotografar. Aqui está meio nublado. Se conseguir algo, publico logo mais. Independente de resultado fotográfico, volto para explicar o fenômeno. Boa observação!

:: Algumas fotos

Clique para abrir versão em resolução maior e reload (ou F5) para novas fotos. Estou atualizando... 

Sony DSC-H1

Veja também que bela foto dos amigos Gabriel e Amanda mostrando o fenômeno sobre as luzes da nossa querida São João.

Mas... por que razão estaria o céu assim tão triste?

 

:: Entendendo o que foi observado

Para entender o que foi visto no céu esta noite basta imaginar o imenso carrossel do Sistema Solar visto de longe. Ao redor do Sol (S) giram os planetas Vênus (V), Terra (T) e Júpiter (J) escravizados pela gravidade da nossa estrela. Ao redor da Terra gira a Lua (L), nosso satélite, que também tem que obedecer ao que manda fazer o forte puxão gravitacional do nosso planeta.

Hoje as posições destes astros estão representadas com boa aproximação na figura abaixo (fora de escala, de propósito). 

 

Um obsevador na Terra (T) vê apenas uma "casquinha" de Lua (L) iluminada pelo Sol (S). E quase na mesma linha de visada da Lua (L) estão os planetas Vênus (V) e Júpiber (J). É praticamente um alinhamento de astros, o que tecnicamente chamamos de conjunção. 

Olhando para o céu os três astros parecem estar bem próximos. Mas é pura ilusão de óptica. Na prática Júpiter (J) está muito mais longe do que Vênus (V) que por sua vez está bem mais afastado do que a Lua (L). A Lua você sabe, está logo ali, no nosso quintal, a pouco mais de 384.000 km da Terra o que, em termos astronômicos, não é nada!

 

:: Você não viu?

Amanhã tem mais! Mas, como os planetas estão viajando ao redor do Sol, as posições relativas dos astros envolvidos no "emoticon celeste" vão sofrer ligeiras mudanças. Nesta terça-feira teremos um "emoticon com a boquinha torta e rosto mais alongado", mais o ou menos o que se pode ver na simulação abaixo.

Mesmo assim é bacana de se ver. Tente!

E no decorrer da semana as posições vão variando cada vez mais, com a Lua se afastando de Vênus e Júpiter cujas posições relativas também vão variar um pouco, até que o efeito "emoticon" desaparece de uma vez por todas.

Não deixe de conferir a galeria de fotos abaixo. Note que, dependendo da posição do globo terrestre e também do hemisfério planetário em que o observador viu o fenômeno o "emoticon" ficou diferente. Em Katmandu, por exemplo, o céu sorriu!


Para ver mais

  • Galeria de fotos do fenômeno (UOL Ciência e Saúde). Note bem que, ao contrário daqui, em Katmandu o céu sorriu!


Já publicado aqui no Fìsica na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 20h13)



::
:: Clique e recomende este post para um amigo
::


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
 



Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

  visitante(s) on line agora
Física na Veia!, um Blog Legal do UOL!
XML/RSS Feed

Busca aqui no Física na Veia!
 
 
Clique para conhecer meu livro de Física Moderna
Sobre Física, você diria que:
Adora
Gosta, mas tem muita dificuldade em aprender
Não gosta, mas reconhece que é importante
Não gosta e acha bobagem
Odeia
Votar Ver resultado parcial





  ESPECIAIS TEMÁTICOS







Clique aqui e dê sua nota para o Física na Veia

Clique aqui e indique o Física na Veia para os amigos!




My blog is worth $23,146.14.
How much is your blog worth?




Add to Technorati Favorites