::: ASTRONOMIA E ASTROFÍSICA NO IFGW :::

Google Maps - foto de satélite

Coração da Unicamp onde fica o IFGW (via satélite - veja link)  

Não faz muito tempo que cheguei de Campinas onde participei da XXIII Oficina de Física '"Cesar Lattes" do IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas. E estive muito bem acompanhado pelo prof. Ronaldo Marin e nossos alunos Elisabeth, Leandro e Thiago, do curso de licenciatura em Física.

O evento foi muito bacana, bastante didático, e repleto de informações "quentes" sobre Astronomia e Astrofísica, assuntos pelos quais sou apaixonado. Apesar de um inesperada crise de enxaqueca que apareceu do nada e bem no meio do evento, resisti e pude aproveitar os competentes trabalhos do dia.

Confira abaixo mais detalhes e imagens da oficina que contou com a participação de muitos professores e, para a minha grata surpresa, também de muitos jovens estudantes do nível médio e superior. Muito animador ver a juventude querendo aprender sempre mais! Alguns deles receberam (por sorteio) exemplares do meu livro Tópicos de Física Moderna gentilmente cedidos pela Editora Companhia da Escola.

 

:: A COMPRENSÃO SOBRE A ESTRUTURA DO UNIVERSO NO INÍCIO DO SÉCULO XX
[prof. Roberto de Andrade Martins - IFGW]

Prof. Martins, parecerista do meu livro Tópicos de Física Moderna, sempre muito preciso, fez uma introdução ao tema da oficina e, de forma didática, falou sobre os diversos objetos celestes e de como a visão organizacional do Universo evoluiu ao longo do século XX a partir do trabalho de diversos cientistas, especialmente dos americanos Henrietta Leavitt e Edwin Hubble. Até hoje a Astrofísica trabalha no entendimento de um Universo em expansão, legado dos trabalhos pioneiros de Leavitt e Hubble.  

:: FÍSICA DE ASTROPARTÍCULAS
[prof. Ernesto Kemp - IFGW]

Tudo o que acontece no Cosmos e é estudado pela Astrofísica faz parte do conjunto de eventos do maior laboratório de Física de partículas que se pode imaginar: o próprio Universo! Prof. Kemp, de forma brilhante, nos levou a uma viagem através desta intrigante área, passando pelo comportamento das estrelas, sua estabilidade e evolução, dentre outros objetos astronômicos. E procurou focar a Física dos neutrinos(1), sua área mais específica de trabalho e especialidade. Vale dizer, como bem lembrou o prof. Kemp, que uma partícula sempre carrega informações de sua origem. Ao capturá-la (e esta imagem é minha) é como se estivéssemos "recebendo um e-mail" da fonte emissora contendo informações sobre a origem da partícula e o evento que a gerou. Um fóton(2) ejetado do interior solar, por exemplo, demora 100.000 anos para escapar de lá. Até que isso aconteça, ele perde a memória da sua origem. Já um neutrino solar escapa da nossa estrela muito mais rapidamente e, portanto, tem memória recente do interior solar. Do ponto de vista do estudo do interior solar um neutrino é muito mais importante do que um fóton. 

:: O MODELO COSMOLÓGICO PADRÃO
[prof. Pedro Cunha de Holanda - IFGW]

Ampliando o tema expansão do Universo que o prof. Martins introduziu logo no começo da oficina, o jovem prof. Holanda falou de forma muito entusiasmada sobre a atual concepção de Universo, o Modelo Padrão Cosmológico e os diversos constituintes de um Universo em expansão acelerada a partir de uma singularidade(3). Temas instigantes (e ainda em aberto) como a Matéria Escura(4) e a Energia Escura(5) foram tratados com muita propriedade utilizando coneceitos de Relatividade Geral e também de Física Quântica.  

:: CONTRIBUIÇÃO DOS AMADORES NA ASTRONOMIA - DA CONSTRUÇÃO DO TELESCÓPIO À ESPECTROSCOPIA
[Rogério Marcon - Astrônomo Amador]

Rogério Marcon nos apresentou de forma ampla o que os astrônomos amadores de todo o mundo têm feito em cooperação com os astrônomos profissionais. Há um verdadeiro batalhão de pessoas que "correm por fora", não pertencem à instituições oficiais de pesquisa, mas são capazes de fazer coisas incríveis que ajudam a Astronomia e Astrofísica de ponta. Na segunda parte Rogério nos surpreendeu com seu incrível trabalho pessoal. Muito criativo, ele mesmo constrói os seus equipamentos, muitas vezes feitos de sucata, e faz verdadeiros milagres na área observacional, desde a astroimagem de altíssima qualidade até a espectroscopia(5). Confira o impressionante trabalho do Marcon no seu site oficial.


(1) Neutrino é uma patícula elementar da família dos leptóns e que acreditava-se inicialmente ter massa de repouso nula. Sabe-se hoje que sua massa de repouso é minúscula, mas não é zero. É uma partícula neutra e "estranha" que interage muito pouco com a matéria.
(2) Fóton é quantum da luz que, segundo a Teoria de Planck, é um "pacote de energia luminosa".
(3) Singularidade é um ponto exótico, extremamente denso e quente, a partir do qual todo o Universo (espaço, tempo e matéria) tem origem. 
(4) Matéria Escura é a matéria detectada pelos efeitos gravitacionais que produz mas que nunca foi vista ou detectada senão desta forma indireta. Estima-se que 23% do Universo seja feito desta matéria não ordinária.
(5) Energia Escura é a energia nunca detectada mas que acredita seja capaz de gerar uma "pressão negativa" capaz de acelerar a expansão do Universo. Estima-se que 73% do Universo seja composto de Energia Escura.
(5) Espectroscopia é o conjunto de técnicas e métodos que, a partir da análise espectral (ou análise de cada faixa de freqüências ou comprimentos de onda) de uma radiação eletromagnética consegue obter informações sobre um sistema físico que, de alguma forma, interagiu com esta radiação.

:: Outras imagens do evento


Um abraço no meu amigo prof. Kemp depois da brilhante apresentação 


Eu, prof. Holanda e prof. Monteiro conversando sobre o meu livro 


Prof. Monteiro sorteando dez exemplares do Tópicos de Física Moderna


Beth, Leandro, Thiago, eu e o prof. Ronaldo Marin no IFGW  


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 21h06)



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  ::: HODÔMETRO PARA TERRÁQUEOS :::

Desde o dia em que nascemos estamos viajando de carona com o planeta Terra ao redor do Sol. A rigor, desde o momento em que os nossos pais nos "fabricaram" (você sabe bem do que estou falando!) isso já acontece! Mas, para simplificar as coisas, vamos considerar que o instante inicial desta viagem seja o momento do nascimento, aquele momento especial, um pouco traumático mas especial, em que botamos a cara no mundo, literalmente!

A cada volta da Terra no Sol passam-se aproximadamente 365 dias X 24 h X 60 min X 60 s = 31.536.000 s. Como a distância média Terra-Sol é de cerca de 149,6 milhões de km, aproximando a órbita terrestre para uma circunferência (na verdade ela é elíptica(*), mas quase circular), viajamos uma distância aproximada d = 2p@ 2 x 3,14 x 149,6 @ 939,5 milhões de km neste período que convencionamos chamar de ano! E comemoramos mais um aniversário ou mais um ano de vida!

Com os valores de tempo e distância encontrados acima, calcular a velocidade média Vm do movimento de translação da Terra ao redor do Sol ficou fácil: basta dividir a distância percorrida pelo período de tempo, ou seja, Vm = 939,5 milhões de km / 31.536.000 s. Isso dá cerca de 29,79 km/s. Para ficar fácil de guardar na memória, arredondamos para Vm= 30 km/s. E é isso mesmo! Enquanto os seus olhos pulam de uma palavra para outra neste texto, o relógio marca mais um segundo e a Terra avança mais 30 km em sua jornada ao redor do Sol! Incrível, não? Estamos sobre uma nave bem veloz, pelo menos para os padrões humanos!

E assim, de segundo em segundo, vamos ficando mais velhos. E, depois de mais uma volta no Sol, quando acumulamos 365 dias, ou 8760 h, ou 525.600 min, ou 31.536.000 s, contamos um ano a mais de vida e, se tivéssemos um Hodômetro para Terráqueos, para medir que distância já percorremos ao redor do Sol, ele acusaria mais 939,5 milhões de km enquanto o velocímetro estaria firme e forte marcando praticamente 30 km/s (30 x 3600 = 108.000 km/h)!

Eu sempre penso nisso quando faço aniversário! Não tem jeito! É um pensamento recorrente. Fico imaginando que a Terra está passando pelo mesmo ponto em que estava quando eu nasci! Veja, por exemplo, na figura abaixo, os pontos P1 e P(a figura está propositalmente fora de escala, com a órbita circular e com o Sol ligeiramente excêntrico). Digamos que P1 seja a posição da Terra no dia 05/11/1963, o dia em que resolvi espiar as coisas pelo lado de fora da barriga de minha mãe. Hoje, 05/11/2008, a Terra está passando exatamente pelo mesmo ponto da órbita em que estava naquele dia! Não é incrível? Minha irmã, que nasceu em 02/05 (ponto P2) veio ao mundo numa posição terrestre diametralmente oposta à do meu nascimento, praticamente a seis meses (ou cerca de 470 milhões de km) de Pmedidos sobre a órbita da Terra.  

Assim, sempre que eu faço aniversário, volto de carona com o nosso planeta para o ponto P1 da órbita, o marco zero da minha vida! Entendeu?

E isso, objetivamente, quer dizer que a "paisagem" do Universo, vista daqui da Terra, a cada aniversário, é praticamente a mesma do dia em que nasci. Em outras palavras, o céu noturno é o mesmo. Na verdade, o céu profundo das estrelas é o mesmo. Os planetas, que são astros "errantes", têm movimentos próprios ao redor do Sol e mudam de lugar na paisagem dia após dia. Mas o fundo fixo de estrelas, as constelações, estão lá, exatamente como estavam, no mesmo arranjo celeste do dia em que nasci! Não é uma bela imagem?! O mesmo acontece com a minha irmã, no ponto P2, e com você, no seu próprio ponto Px de nascimento, o seu ponto de comemorar aniversário!

Hoje, só para comemorar mais 31.536.000 s de vida ou mais 939,5 milhões de km desta dura porém divertida viagem de carona com o planetinha azul, fiz em Javascript um programinha que, a partir da data/hora de nascimento de qualquer pessoa, calcula o tempo de vida em várias unidades e cumpre a função de Hodômetro de Terráqueo. Na verdade, peguei na própria internet vários scripts, testei-os, juntei-os num só, e coloquei a função Hodômetro, essa sim original e exlcusiva daqui do Física na Veia!. Clique na imagem abaixo e divirta-se na janela que vai se abrir. O programa usa o relógio do seu computador que deve estar certo (data e hora). Espero que funcione perfeitamente no seu sistema. Aqui funcionou, nos diversos navegadores que testei.

Clique para abrir o Hodômetro de Terráqueos

É isso. Aqui termina este post de aniversário que chamei de Hodômetro para Terráqueos mas que também poderia ser chamado de Reflexões de um Físico Sobre o Aniversário, Mais Uma Etapa Nesta Viagem Através do Espaço-Tempo! Mas Hodômetro para Terráqueos é mais objetivo e mais divertido, tanto quanto deve ser a vida, seja o dia do seu/meu aniversário ou não!


(*) A órbita da Terra ao redor do Sol, bem como a órbita de cada um dos demais planetas do Sistema Solar, é elíptica. Mas, como a excentriciade é baixa, ou seja, é pouco "ovalada", representar a órbita circular com o Sol ligeiramente excêntrico é uma boa aproximação, pelo menos para o propósito deste post. Assim a Terra, orbitando o Sol, passará ligeiramente mais perto dele (periélio) a cada ano em janeiro e ligeiramente mais longe dele (afélio) em julho.
Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 00h04)



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  ::: ESSE CARA É MASSA! :::

UOL Esporte

Massa tranqüilo, confiante, momentos antes da largada

Como sempre digo para os meus alunos, vestibular e Fórmula 1 são sempre decididos no detalhe. Foi o que acabamos de ver no GP Brasil de  Fórmula 1. Felipe Massa cruzou a linha de chegada em primeiro lugar em Interlagos e no campeonato e, segundos depois, não era mais o campeão mundial! E tudo por um pequeno detalhe: choveu um pouco acima do que tanto queríamos no finalzinho da corrida!

O que importa é que Massa é um grande piloto. Cresceu dentro da Ferrari e amadureceu bastante em 2008. Importa também que, depois de algumas temporadas sem sal nem açúcar, a emoção voltou com tudo na Fórmula 1. Ou você não concorda comigo que esta temporada foi bastante competitiva? Só os segundos finais do GP Brasil 2008 já valeram o campeonato todo, não?

E, por favor, nada de cabeça baixa amanhã, segunda-feira. Nada de lamentações verde-amarelas. Nada daquela velha síndrome de brasileiro que sempre acha que nasceu perdedor e tal... Ser vice-campeão numa temporada disputada como esta é no mínimo sensacional! E por um único pontinho. E por um mísero detalhe.

Prepare-se. A próxima temporada promete ser também das boas. Temos pelo menos dois jovens pilotos talentosos: Massa e Hamilton. E um deles veste a nossa camisa! Definitivamente não há motivo para reclamarmos, muito menos motivo para ficarmos tristes! Certo? 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h03)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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