::: COMO OBSERVAR UM ECLIPSE SOLAR COM SEGURANÇA :::
 Fotografias digitais do disco solar usando "filtros caseiros"
Amanhã, terça-feira, 11 de setembro, acontece um eclipse solar parcial que poderá ser visto em boa parte do território nacional, exceto a região norte e uma parte da região nordeste. O fenômeno começa por volta das 7h40min e vai até mais ou menos 9h30min (horário de Brasília).
Muita gente vai querer ver. Muitos pais não vão perder a chance de mostrar o fenômeno pros filhos. Eclipse é sempre uma festa!
Mas é preciso ficar esperto: olhar para o Sol sem proteção pode fazer mal para os olhos. Isso não tem nada a ver com o eclipse mas com o fato de que o Sol irradia continuamente ondas eletromagnéticas visíveis (do vermelho ao violeta) e não visíveis (infravermelho e ultravioleta) em grande quantidade, suficiente para ferir o interior do globo ocular. Se a observação se der através de binóculos, lunetas ou telescópios, aí é fatal: dano irreversível para células do fundo do olho, ou seja, ferimentos que evoluem quase sempre para pontos de irreversível cegueira.
Não dá para perder um eclipse. Mas perder a visão tentando ver um eclipse seria burrice demais, certo? Portanto, preparei quatro dicas simples de como ver o eclipse sem colocar em risco a sua integridade física e com custo zero ou muito baixo. Todas as dicas já foram testadas por mim, várias vezes, inclusive desta vez para fazer as fotos que ilustram a matéria.
:: Dica 1: Projeção com espelho plano (custo mínimo ou nulo)
 Espelhos cobertos com cartão opaco com furo central redondo ou quadrado
Praticamente todo mundo tem um pequeno espelho de mão em casa. Mulheres costumam ter espelhinhos para retocar a maquiagem na bolsa. Basta cobrir um desses espelhos com uma folha opaca (cartolina, papelão, papel cartão, etc.), preferencialmente de cor escura, e com um orifício central cuja forma não importa (pode ser circular, oval, quadrado, ...). A foto acima mostra a idéia em duas versões: uma com um furo redondo e outra com um furo quadrado.
É importante, para uma boa resolução da imagem projetada, que o furo tenha mais ou menos uns 2 cm2 de área. Se for um furo quadrado, por exemplo, ele deve ter aproximadamente 1,5 cm de lado.
Prenda o cartão no espelho com fita adesiva, como na foto acima. Aí é só apontar o espelho para o Sol durante o eclipse e tentar projetar a imagem (reflexo) numa parede clara que servirá como tela. É importante, para dar bastante contraste, que a parede esteja em local de sombra, ou seja, sem a luz solar direta. Na foto abaixo mostro o resultado da projeção numa folha branca de sulfite contra uma parede. O espelhinho, apontado para o Sol, foi apoiado para manter-se fixo e facilitar a projeção.
 Imagem do Sol projetada pelo espelhinho numa folha de sulfite
Este método é simples e simula o princípio da câmara escura já tratado aqui em duas ocasiões: confira post 1 e post 2.
:: Dica 2: Observação através da sombra de uma árvore ou arbusto (custo zero)
bernabauer.com
 Imagens do Sol criadas pela luz que atravessa a copa de uma árvore
Durante o eclipse, se você estiver perto de uma árvore ou arbusto, procure olhar para a sombra que se forma no chão ou numa parede. Quando a luz solar consegue atravessar pequenas brechas entre folhas e galhos, é como se estivesse passando por orifícios de múltiplas câmaras escuras. Os pontos luminosos projetados são, na verdade, imagens do Sol. Se olhar bem, durante o eclipse, vai ver a silhueta da Lua sobrepondo-se ao disco luminoso solar em cada uma das inúmeras imagens.
:: Dica 3: Observação do Sol através de um vidro de soldador (custo baixo)
 Vidros de máscara de soldador de número 14, bons filtros de baixo custo< P>
Usando um vidro de máscara de soldador número 14, comprado em lojas de ferragens por um custo bem baixo (no máximo uns R$ 3), você consegue ver o disco solar com boa segurança. Basta fechar um dos olhos e olhar com o outro olho através do vidro voltado diretamente para o Sol. O vidro parece preto mas, na verdade, é verde bem escuro. Por isso mesmo você vai ver um Sol verde. Durante o eclipse o disco escuro da Lua vai cobrir uma parte do disco solar esverdeado.
Você vai encontrar vidros de soldador retangulares e também redondos. Isso não faz diferença. O que realmente importa é que você deve comprar o viddro de número 14 que filtra bastante a radiação solar, inclusive na faixa do ultravioleta (para sua segurança, confira se realmente está impresso "número 14", como na foto ao lado).
Existem vidros escurecidos, como lentes de óculos escuros, ou mesmo filme fotográfico velado, chapas radiográficas, dentre outros, que parecem filtrar bastante a radiação solar. Na verdade, filtram boa parte da radiação visível e por isso parecem ser bem escuros. Mas não se iluda. Esse falsos filtros não filtram as perigosas ondas de ultravioleta. Aí está o perigo. O olho detecta baixa luminosidade e a pupila se dilata, deixando entrar justamente uma dose maior da radiação mais nociva. Insisto: compre e use apenas o vidro com menor índice de transmissão, ou seja, o de número 14.
Eu usei chapa radiográfica para fazer a foto da esquerda lá de cima do post em que o disco solar aparece alaranjado. Mas veja bem: é uma foto! Eu não olhei através da chapa fotográfica! Quem "olhou" foi a câmera digital que possui olhos eletrônicos, certo? Apesar de muita gente achar que todo cientista é maluco, eu não sou! E a foto da direita, com o disco solar esverdeado, a câmera fotografou através do vidro de soldador.
:: Dica 4: Projeção usando um binóculo ou uma luneta
Antes de mais nada, NUNCA OLHE O SOL ATRAVÉS DE BINÓCULOS, LUNETAS OU TELESCÓPIOS! Tais instrumentos concentram a luz solar e potencializam qualquer efeito nocivo da radiação emitida pelo Sol. Mesmo a inocente luz visível, uma vez concentrada, pode fritar células da retina! E isso é cegueira na certa!
Portanto, MUITA ATENÇÃO E CUIDADO! A idéia é usar uma luneta, como na foto abaixo, para projetar uma imagem bem nítida do Sol num anteparo. VOCÊ DEVE OLHAR SOMENTE PARA A IMAGEM DO SOL PROJETADA NO ANTEPARO E JAMAIS NA OCULAR DA LUNETA!
 Projeção da imagem nítida do disco solar sobre um anteparo branco< P>
Para melhorar o contraste, é bom que o anteparo branco esteja na sombra. Na foto acima a luz solar ilumina o anteparo e diminui o contraste.
Eu adaptei na luneta uma forma de papelão (destas que a gente usa em aniversário para servir salgadinhos). A idéia é que a forma faça sombra no anteparo, como mostra a próxima foto.
 Forma de papelão, 'gambiarra' para fazer sombra no anteparo< P>
O corpo da luneta atravessa a forma de papelão por um furo circular bem justo que eu fiz com o exato diâmetro da luneta. É importante um ajuste bem feito para não passar luz solar por nenhuma brecha, o que garante uma sombra perfeita. Veja na foto abaixo o resultado final desta "gambiarra" simples mas que alterara bastante a qualidade final do experimento.
 Note que, na sombra, o disco solar fica muito mais nítido
Esta última dica é a mais cara de todas pois é preciso ter um binóculo ou uma luneta. Para quem já tem, o custo é praticamente zero.
Cuidado se for fazer projeção usando telescópios refletores, aqueles que usam espelhos esféricos ou parabólicos para concentrar a luz. É muito comum, sem o uso de filtros profissionais adequados, o instrumento superaquecer e acabar sendo danificado. Já ouvi muitas histórias de espelhos de telescópio que literalmente explodiram. Note que eu usei uma luneta refratora, que trabalha somente com lentes.
Portanto, com o Sol não se brinca e todo o cuidado é pouco! Seguindo as dicas acima, não tem erro. Como eu disse, elas já foram testadas por mim várias vezes.
Espero que as dicas sejam úteis para você e que as suas observações do eclipse solar parcial deste 11 de setembro sejam inesquecíveis. Depois passa por aqui pra comentar como foi, tá?!
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 23h25)
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