::: PARÁBOLAS DESENHADAS PELA GRAVIDADE :::
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 Trajetórias parabólicas das gotas de água numa fonte luminosa
Diego Hypólito, ginasta brasileiro, conquistou hoje medalha de ouro no solo no Mundial de Ginástica Artística em Stuttgart, na Alemanha. Veja aqui a galeria de fotos do evento no UOL Esporte e os verdadeiros vôos que Diego, nosso jovem campeão, consegue realizar em parceria com a gravidade terrestre.
Aproveito esta oportunidade literalmente de ouro para falar sobre a mecânica dos lançamentos próximos à superfície da Terra e comparar a trajetória entre corpos puntiformes e corpos extensos.
:: Corpos Puntiformes (Tamanho Desprezível)

Quando lançamos um corpo de tamanho desprezível (uma bolinha, por exemplo) nas proximidades da superfície da Terra com velocidade vetorial V0 que forma um ângulo q com a horizontal, a gravidade g do planeta modela a trajetória que o corpo terá desde o lançamento até a colisão de volta com o chão.
Escrevendo as funções horárias das coordenadas x e y em função do tempo para um corpo lançado obliquamente de uma altura nula (supondo desprezíveis efeitos de resistência do ar) teremos:
- Na direção horizontal (eixo x) - Movimento Uniforme MU (sem aceleração):
- Na direção vertical (eixo y) - Movimento Uniformemente Variado MUV (com aceleração igual à da gravidade local g):

Isolando o tempo t na função x e substituindo-o na função y encontraremos uma função y = f(x) que nos revela a forma exata da trajetória. Veja:
A função y = f(x) com C = 0 obtida acima é do segundo grau (tem x²), ou seja, é característica de uma parábola, o que comprova que a gravidade g do planeta modela a trajetória do corpo puntiforme forçando-a a ser um arco de parábola, como pode ser visto na ilustração a seguir.

E é exatamente o que pode ser visto na foto lá do alto do post que mostra gotas d´água (corpos puntiformes) numa fonte luminosa descrevendo parábolas quando lançadas obliquamente ao sabor da gravidade.
:: Corpos Extensos (Tamanho Não Desprezível)
Se em vez de lançar uma bolinha (de tamanho desprezível), lançarmos um bastão em rotação próximo da superfície da Terra, o que acontece? Você mesmo pode fazer o experimento, lançando com cuidado uma régua ou uma haste de madeira ou plástico. É fácil verificar que o movimento será exatamente o que pode ser visto na próxima figura.

Note que centro de massa do bastão, indicado pelo ponto vermelho na ilustração acima, descreve um arco de parábola, comportando-se exatamente como um corpo puntiforme. Mas o bastão como um todo, que é um corpo extenso, gira ao redor do centro de massa. Temos aqui dois movimentos: 1. Parabólico, de translação do centro de massa, e outro 2. Rotação do bastão ao redor do seu centro de massa.
Para determinados valores fixos de velocidade V0, ângulo q e gravidade g, o intervalo de tempo Dt para realizar a trajetória parabólica será sempre o mesmo. Se você imprimir maior ou menor rotação no bastão verá que ele dará mais ou menos voltas enquanto faz a mesma parábola, moldada pela gravidade. Em outras palavras, o movimento de translação não depende do movimento de rotação. Um acontece independente do outro.
Agora imagine Diego Hypólito saltando. Seu corpo extenso, gira no ar enquanto o seu centro de massa (ponto vermelho na ilustração abaixo), que fica mais ou menos na altura do umbigo, realiza uma trajetória parabólica.

Uma vez que Diego deu um impulso e saltou, com uma velocidade inicial V0 que forma um ângulo q com a horizontal num local onde a gravidade é g, a parábola está irremediavelmente definida. Em outras palavras, o tempo de vôo Dt não pode mais mudar. E é justamente neste tempo de vôo Dt que o ginasta tem que executar os movimentos rotacionais do salto. Ele tem que ter perfeito controle do seu corpo, para modificar as rotações no ar, enquanto o seu centro de massa executa a parábola definida e desenhada pela gravidade g frente aos parâmetro do salto (V0 e q).
Para conseguir girar mais com maior ou menor velocidade angular w, dentro do tempo fixo Dt, o ginasta altera a forma do próprio corpo, buscando:
- Esticar-se, o que faz os diversos pontos do corpo se afastarem do centro de massa, ou
- Encolher-se, juntando braços e pernas, buscando uma forma quase esférica, fazendo os pontos do seu corpo extenso aproximarem-se do centro de massa.
Como esse expediente o ginasta consegue evoluções variadas e controla o seu corpo para que, no final da parábola, seus pés toquem o chão em posição de estabilidade, garantindo uma aterrisagem perfeita.
A alteraração da velocidade angular w da rotação do corpo baseia-se no princípio físico da Conservação do Momento Angular L dado por L = m.r2.w onde m é a massa do corpo que dista r do centro de massa (centro de rotação) e gira com velocidade angular w. Esticando-se ou encolhendo-se, o ginasta altera o parâmetro r. Para m fixo, para que L se conserve, w tem que mudar, o que altera a velocidade da rotação do corpo no ar.
Entendeu fisicamente o que um ginasta tem que fazer? (veja na galeria de fotos do UOL Esporte as várias posições de braços e pernas do Diego em pleno vôo parabólico)
Parabéns ao Diego Hypólito, nosso jovem campeão, que treinou bastante, com enorme dedicação, para adquirir "intimidade" com a gravidade da Terra, parceira nos saltos mas que não negocia nada, apenas define a trajetória do centro de massa e dispara o cronômetro para o atleta executar o seu serviço com perfeição enquanto a parábola vai sendo caprichosamente desenhada no ar!
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 19h23)
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