::: IMAGINA SÓ COMO SERIA ... :::

NASA

A Terra vista da Lua, nosso satélite, numa das missões Apollo

No post anterior citei a técnica para calcular a massa M de um planeta (corpo central) a partir dos valores do período orbital T e do semi-eixo maior da órbita de um satélite natural do próprio planeta. Não é por acaso que sempre que um planeta é descoberto os astrônomos ficam malucos para descobrir também um satélite do planeta. Medindo Tdo satélite consegue-se "pesar" o planeta, ou seja, encontrar o valor da sua massa M.

Imagina só como seria ... se, exatamente no momento em que você lê este texto, uma equipe de astrônomos de outro planeta distante e fora do Sistema Solar estivesse observando a Terra pela primeira vez através de um telescópio de boa resolução que permitisse também observar a Lua, nosso satélite natural. Se tais cientistas ETs conhecessem bem as leis da Mecânica Celeste e conseguissem fazer boas medidas do valor do período orbital TL e do semi-eixo maior aL da órbita da Lua ao redor da Terra, poderiam, mesmo à distância, encontrar a massa MT do nosso planeta!

Suponha que, através de observações cuidadosas, os ETs astrônomos medissem TL e aL, valores que nós conhecemos bem e que valem aproximadamente:

  • TL = 27,3 dias = 27,3 X 24 X 3.600 s = 2.358.720 s
  • aL = 384.000 km = 384.000.000 m

Pergunto: e agora, como eles (ETs) podem, de posse destas medidas, encontrar o valor da massa MT da Terra e publicar um texto científico sobre a descoberta de uma planetinha azul que orbita uma estrela amarelada...?

Se você leu o post anterior e entendeu o "espírito da coisa", facilmente já imaginou que é a partir do seguinte cálculo:

Este é o valor aproximado da massa MT do nosso planeta que nós terrestres já conhecemos e que, a partir de agora, seria também do conhecimento dos astrônomos de um outro mundo hipotético.

Bacana, não? E um exemplo de que as Leis da Física são universais e valem tanto lá quanto cá e também acolá...


(*) Na verdade, esta versão apresentada da Terceira Lei de Kepler só foi obtida pós publicação da Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton. Na versão original de Kepler não havia expressão explícita da constante K em função da massa do corpo central, K era tratada apenas como uma constante que dependia somente do corpo central.
Para saber mais

NASA/ESA/M. Brown
Clique para abrir versão maior
Imagem de Éris e seu satélite (clique para abrir versão maior)

Este post complementa o anterior sobre a determinação da massa de Éris, planeta anão, a partir de observações do seu satélite Dysnomia. Então:

  • Visite o site oficial do Dr. Michael E. Brown, um dos três descobridores de Éris e um grande descobridor de objetos do Sistema Solar 
  • Leia o artigo original (em PDF) quando da descoberta de Éris


Já publicado aqui no Física na Veia!



Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 20h20)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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