::: VIAGEM AO MUNDO DA NANOTECNOLOGIA :::

Acabo de chegar de duas viagens. Uma delas, bastante comum, foi pelo mundo macroscópico. Fui à Campinas participar da Oficina de Física "Novos Materiais". A outra viagem foi bem diferente, no mundo da Nanotecnologia(*), e promovida pelo IFGW - Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas através das atividades da Oficina de Física.

Confira abaixo mais detalhes e imagens deste sábado divertido e proveitoso.

:: A REVOLUÇÃO DOS NANOMATERIAIS
[Douglas Soares Galvão - IFGW/UNICAMP]

A humanidade já passou pela idade da pedra, pela idade do bronze, do ferro... E hoje? Qual seria o melhor nome para a nossa época? Provavelmente idade do nano. Através da Nanotecnologia já vivemos uma grande revolução na área dos materiais. E ainda tem muito mais por vir. O prof. Douglas mostrou o que são esses materiais e como eles prometem alterar o nosso cotidiano. Vale lembrar que o prof. Douglas atua na área de modelagem matemática e simulações aplicadas à Nanotecnologia e tem trabalhos publicados na mais importantes revistas científicas internacionais.

 

:: CRISTAIS FOTÔNICOS E METAMATERIAIS
[Lucila Helena D. Cescato - IFGW/UNICAMP]

A natureza já sabe fazer cristais fotônicos, materiais micro ou nanoestruturados de forma periódica o que permite que suas propriedades ópticas possam ser moldadas e passem a não depender mais da composição mas da estrutura. A profa. Lucila mostrou que é possível, por exemplo, construir um material que transmita luz numa faixa específica do espectro. Com a Nanotecnologia nós também estamos aprendendo a fabricar cristais fotônicos (isolantes) e metamateriais (metais) com propriedades ópticas novas e que não são encontradas nos materiais naturais, tal como índice de refração negativo. São novas portas se abrindo na área de pesquisa e também de aplicações como o surgimento das fibras fotônicas, superlentes e super-prismas, materiais com transmissão sintonizável e camuflagem, dentre outras. 

 

:: SEMICONDUTORES
[Mônica Alonso Cotta - IFGW/UNICAMP]

Materiais semicondutores já são estudados e trabalhados há mais de meio século desde o início da era da microeletrônica. Mas, segundo a profa. Mônica, a Nanotecnologia já permite a manipulação destes materiais em escalas menores, o que abre novas possibilidades de moldarmos estes "velhos" materiais que ressurgem como novos materiais através de novas propriedades físicas e novíssimas aplicações.  
 

:: PLÁSTICOS, NOVOS OU VELHOS MATERIAIS?
[Marco-Aurelio De Paoli - IQ/UNICAMP]

Assim como os semicondutores, os polímeros e os plásticos em geral já fazem parte das nossas vidas e não é de hoje. Prof. Marco-Aurélio fez um caminho histórico e nos mostrou a evolução dos materiais desde a idade da pedra até chegarmos aos polímeros e aos plásticos no século passado. Mostrou ainda que já é póssível manipular materiais em escalas menores e fabricar, por exemplo, implantes cirúrgicos bio-absorvíveis, materiais inteligentes, plásticos resistentes à altas temperaturas e polímeros bio-degradáveis, dentre outros.  

 

:: Visita aos Laboratórios do IFGW/Unicamp

Visitamos os seguintes laboratórios: 1.  Técnicas de Espectroscopia Óptica para caracterização de materiais2. Estruturas Semicondutoras: Crescimento e Microscopia de Força Atômica, e 3. Tecnologia de Plasma e fabricação de filmes finos e nanopartículas.

São grupos de pesquisa do IFGW envolvidos com Nanotecnologia e dotados de know how à altura dos países mais desenvolvidos. Fantástico!  

:: Feynman: Cientista ou Profeta?

fonte: www.nobelprize.org
Talvez a melhor resposta para a pergunta acima seja "os dois!".  O físico americano Richard P. Feynman (1918-1988) foi sem dúvida um super cientista. E, como todo gênio, estava adiante do seu tempo a ponto de antever o futuro de forma quase profética. Um exemplo que ratifica essa minha afirmação é a histórica palestra "There's plenty of room at the bottom" ("Há mais espaços lá embaixo") que Feynman proferiu em 29 de dezembro de 1959 durante Reunião Anual da American Physical Society no CalTech, Califórnia, EUA. Na sua explanação Feynman afirmou ser possível condensar na cabeça de um alfinete as páginas dos 24 volumes da Enciclopédia Britânica, o que despertou o interesse de toda a comunidade científica em novas tecnologias para a manipulação de materiais em escala atômica e molecular. Era uma previsão de que dentro de algumas décadas seria possível manipular átomos e moléculas, ou seja, "brincar" com o mundo na escala do nanométrica.

Esta oficina do IFGW provou que Feynman há quase 50 anos atrás estava certíssimo: a Nanotecnologia já é realidade! Mas ainda há muito o que se fazer e o futuro é ainda mais promissor. Ouviremos falar muito de Nanotecnologia. E, cada vez mais, teremos em nossas casas e nas nossas vidas equipamentos, dispositivos, substâncias, remédios,..., todos nascidos da manipulação dos objeto do mundo nanoscópico.


(*) Nanotecnologia - aplicação da ciência na manipulação de objetos na escala molecular, ou seja, nanométrica, da ordem de 1 nm = 1.10-9 m (lê-se 1 "nanômetro"). Um nanômetro (1.10-9 m) corresponde à 1/1.000.000.000 do metro, ou seja, à bilionésima parte do metro. O prefixo "nano", de origem grega, significa "anão" e tem a mesma raiz de "nanico".

Já publicado aqui no Física na Veia!





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 19h50)



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  ::: HOJE TIVEMOS A 'X OBA' EM TODO O BRASIL :::


Os alunos da minha escola em ação nesta tarde olímpica

Aconteceu hoje aqui na minha escola e em todo o território nacional a prova oficial da OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, evento promovido pela SAB - Sociedade Astronômica Brasileira em parceria com a AEB - Agência Espacial Brasileira. Cerca de 450.000 estudantes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio realizaram a prova. 

Prof. Ronaldo "Joule" Marin e eu acompanhamos nossos estudantes que botaram o cérebro para trabalhar. Tivemos a participação de alunos do Curso de Astronomia & Astrofísica e também de outros alunos que, por questão de agenda, não podem participar das tividades didáticas mas estão interessados em estudar e aprender mais sobre este assunto tão empolgante que é a Astronomia. Tivemos ainda a participação de alunos do Ensino Fundamental de uma escola parceira aqui na cidade e com os quais trabalhei algumas aulas preparatórias para esta olimpíada.

Foi bacana ver todo mundo esticando a semana letiva e aproveitando a tarde de sexta-feira para participar deste evento nacional que em 2007 comemora 10 anos de existência.

Parabéns a todos os participantes da OBA 2007! E parabéns também aos organizadores do evento por esta década de carinhosa dedicação à divulgação e ao ensino da Astronomia!

Em breve teremos o gabarito oficial com link neste post. Aguardem! Por enquanto, vejam algumas imagens do evento aqui em São João da Boa Vista, SP.

Fotos da OBA 2007 em São João da Boa Vista/SP
 


:: Upgrade [7/maio/2007 ~ 14h] Clique aqui para ter acesso ao gabarito oficial da X OBA publicado no site do evento desde hoje de manhã.
Já publicado aqui no Física na Veia!





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 19h39)



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  ::: 'STAR PARTY' COM OS ALUNOS :::


Lua Cheia, um verdadeiro farol por trás da cúpula do Astrógrafo

Ontem fui visitar o Observatório Jean Nicolini com meus alunos do curso de Astronomia & Astrofísica do Ensino Médio e também do Ensino Fundamental. O observatório fica a pouco mais de 1.000 m de altitude, no Monte Urânia, Serra das Cabras, em Joaquim Egídio, distrito de Campinas, SP.

Chegamos ao local no final da tarde, por volta das 17h. E já na chegada um monte de coisa para se ver na exposição permanente.


Exposição permanente: instrumentos, fotos, maquetes...

A primeira atividade didática, comandada pelo astrônomo Julio César Penereiro, abordou os aspectos básicos da astronomia de posição.


Julio ensinando astronomia de posição

Aproveitando o embalo, Julio mostrou para os alunos o funcionamento dos diversos tipos de relógio solar, dispositivo que aproveita o movimento aparente do Sol para projetar uma sombra que funciona como o ponteiro de um relógio e serve para medir tempo. Eram mais ou menos 17h30min como podemos conferir no mostrador (sombra) do relógio solar equatorial em destaque abaixo.


Julio mostrando os diferentes tipos de relógio solar e como funcionam 

Aos poucos a tarde ia caindo. E ganhamos um belíssimo crepúsculo!


Silhueta da cúpula do Astrógrafo "desenhada" pela luz do Sol (em destaque)
contrastando com o "Galo", dispositivo que indica a direção Norte-Sul

E, tão logo o Sol se escondeu por trás do horizonte, já foi possível avistar Vênus a olho nu. Vênus é sempre um espetáculo, especialmente num local bem escuro.


Vênus, um ponto luminoso em contraste com o céu escurecendo

Fizemos uma pausa para o lanche. E, logo em seguida, os alunos assistiram a uma palestra sobre diversos aspectos da Astronomia como ciência e como profissão. Era só o aquecimento para o que ainda viria.


Olhos e ouvidos atentos à palestra do astrônomo Julio Penereiro 

E chegou a grande hora de observar! Primeiro, a olho nu. Julio, com um laser pointer verde, com comprimento de onda que garante maior espalhamento na atmosfera e, portanto, pode ser facilmente visto, ia apontando as principais estrelas e mostrando aos alunos as diversas constelações típicas do outono do hesmifério sul.


Observação guiada pelo green laser do astrônomo Julio Penereiro

A região do Cruzeiro do Sul, importante para nós no hemisfério sul do planeta, estava bem visível, como pode ser visto na foto abaixo onde aparece a silhueta da cúpula do Astrógrafo agora "desenhada" pela luz do luar (clique na foto para abrir versão em resolução 800 X 600 pixels legendada).


A cúpula do Astrógrafo e as constelações vizinhas do Cruzeiro do Sul ao fundo 

Dentre outras, a importante constelação de Órion, também foi reconhecida no céu. Nela encontramos as Três Marias (Mintaka, Alnilam e Alnitak), a famosa Nebulosa de Órion (M42) e Betelgeuse, uma estrela gigante vermelha. Confira na foto abaixo em que as luzes de Campinas aparecem próximas ao horizonte bem ao longe. (Clique na foto para abrir versão em resolução 800 X 600 pixels legendada)


A constelação de Órion, o Caçador, com as Três Marias no cinturão

A Lua Cheia ilumina demais o céu e atrapalha as observações. Mesmo assim, não tem como dizer que não estava linda!


Lua Cheia, linda e indesejável quando se trata de observações astronômicas

E chegou a grande hora de observar pelo principal telescópio do observatório que oferece excelente resolução óptica. Todo mundo entrou na fila pra espiar o Universo pelo buraco da fechadura! Até eu!


Ninguém queria perder a oportunidade de observar o céu

Mesmo com a forte luz do luar, Saturno, o Senhor do Anéis, deu show! Foi possível obervá-lo, rodeado de satélites, mais ou menos como na simulação abaixo que fiz em computador só para dar uma idéia do que vimos.


Saturno e seus satélites: 1 - Titã, 2 - Japeto, 3 - Mimas , 4 - Réia, 5 - Dione,
6 - Encelado, 7 - Tetis

E encerramos a noite visitanto o interior da grande cúpula que abriga o Astrógrafo, uma luneta gigante. Nesta etapa quem deu as coordenadas foi Júlio Lobo (em destaque na foto abaixo), outro astrônomo do observatório.


A cúpula do Astrógrafo, por dentro e por fora. Destaque: Julio Lobo 

Sentimos a falta do nosso amigo músico e astrônomo Valter Maluf, que sempre nos atende. Ele estava de folga. Mas aproveitamos para reencontrar Julio Lobo com quem não nos encontrávamos há bastante tempo.

Já fui para o Observatório Jean Nicolini com turmas de alunos pelo menos umas 15 vezes. E, como sempre, foi divertido, inspirador e didático.  


:: Você também pode visitar o Observatório Jean Nicolini

Ele fica em Joaquim Egídio, distrito de Campinas, SP.
Escolas e grupos de pessoas podem agendar visita monitorada.
Aos domingos o observatório fica aberto das 17 às 21 para visitação pública.
Agendamentos e outras informações como preços para escolas ou ingressos individuais podem ser obtidas pelo telefone (19) 3298.6566 [a partir das 16h]. 
Clique aqui para visitar o site oficial do observatório onde você também encontra inúmeras informações.





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h46)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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