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::: UM COMETA NOVINHO PRA COMEÇAR 2007 :::
M. Toft
 Cometa fotografado em 10/jan/2007 no hemisfério norte
Antigamente diziam que cometas poderiam trazer má sorte. Se isso fosse verdade, estaríamos com sérios problemas neste começo de ano novo pois temos um cometa novinho em folha se aproximando do Sol e que já pode ser visto daqui da Terra. Penso que poder assistir a qualquer evento astronômico já é um golpe de muita sorte. Um cometa, que é algo raro e diferente, "pode" ser marcante! Então, feliz ano (e cometa) novo para todos nós!
Refiro-me ao cometa C/2006 P1 McNaught que entrou hoje no restrito campo de visão do SOHO - Solar and Helispheric Observatory (foto abaixo).
SOHO
 Uma das primeiras imagens do cometa feita pelo SOHO. Note que o telescópio tem um "tapa sol" central que produz artificialmente uma espécie de eclipse.
Até o próximo dia 16 você poderá acompanhar o cometa através das fotos mais recentes do SOHO clicando aqui (atualização a cada 1h). Depois ele sai do campo de visão do telescópio (a previsão da trajetória do astro para os "olhos" do SOHO você confere aqui).
Como nos revela o nome do novo astro, ele foi descoberto em 2006, em 7 de agosto, pelo astrônomo australiano Robert McNaught, pesquisador da RSAA - Research School of Astronomy and Astrophysics na ANU - Australian National University.
É a primeira visita deste cometa ao interior do Sistema Solar que hoje, dia 12 de janeiro, passará pelo periélio(1) da sua órbita e ficará a somente 0,17 UA(2) de distância do Sol. No próximo dia 15 o cometa terá máxima aproximação com a Terra ficando a somente 0,82 UA(2) do nosso planeta.
:: Se Ele Resistir...
A força F de atração gravitacional entre dois corpos dotados de massas M e m e separados pela distância r, segundo Isaac Newton (1643-1727), varia com o inverso do quadrado da distância (F depende de 1/r²).
Assim, quando o cometa se aproxima do Sol, esta força F cresce bastante. E, como o cometa não é um ponto mas um corpo extenso, sofre forças diferenciais em lados opostos que estão mais perto e mais longe do Sol. Portanto, há uma razoável probabilidade do cometa não resistir a tanto esforço mecânico e ter o seu núcleo fragmentado, o que poderia dificultar bastante a sua observação sem instrumentos. Se isso vier a acontecer, o SOHO com certeza vai registrar.
Mas, se o C/2006 P1 McNaught resistir à intensa atração solar, nos próximos dias poderá ser visto no hemisfério sul, inclusive no céu do Brasil, logo depois que o Sol se esconder por trás do horizonte do lado oeste. Vamos ficar de olho nas fotos do SOHO e torcer para que o cometa permaneça íntegro e sobreviva!
:: "Onde" e "Quando" Olhar Para Ver o Cometa
A melhor maneira de tentar observar o C/2006 P1 McNaught é aguardar o finalzinho da tarde nos próximos dias. Assim que o Sol se esconder por trás do horizonte e o céu começar a escurecer, se não houver poluição luminosa ou atmosféria nem nuvens, teremos boas condições de observar o cometa. Nós o veremos como uma bolinha esfumaçada, brilhante, mas bem mais apagada do que uma estrela, e com uma cauda ligeiramente voltada para cima (do lado oposto ao do Sol). Em boas condições, dá para ver a olho nu, sem o uso de instrumentos. Mas um bom binóculo ajudará bastante pois não tem um campo visual muito fechado e consegue captar boa quantidade de luz.

Uma boa referência para encontrar o cometa é usar a sua posição relativa ao planeta Vênus que é facilmente encontrado pois se apresenta como um ponto bastante luminoso, bem destacado dos outros astros na vizinhança, logo acima do horizonte, perto do local onde o Sol se escondeu, assim que o céu começa a escurecer. Para facilitar as observações dos leitores aqui do Física na Veia!, simulei no micro as posições do cometa nos próximos dias e montei em Flash. Clique aqui para ver e usar como guia de observação.
Mais para o final de janeiro talvez seja possível obervar o cometa um pouco antes do Sol nascer. Mas ele provavelmente estará menor, bem menos brilhante, e com a cauda mais curta. Por isso, aproveite bem o período de 15 a 25 de janeiro, o melhor para tentar ver o que promete ser um belo show astronômico abrindo 2007.
Eu vou tentar observar e fotografar o C/2006 P1 McNaught. Se conseguir algum resultado positivo, publico por aqui. Boas observações para todos nós!
(1) Periélio é o ponto da órbita do cometa de maior aproximação do Sol. A órbita de um cometa é uma elipse bastante alongada (excêntrica). Como o Sol está num dos focos desta elípse, a distância cometa-Sol varia no decorrer do tempo. (2) UA é a abreviação de Unidade Astronômica, unidade de medida de distâncias bastante usada dentro do Sistema Solar e que corresponde à distância média Sol-Terra, ou seja, 1 UA = 149 milhões de km aproximadamente.
Para saber mais
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 13h44)
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::: FUVEST 2007: PLUTÃO REBAIXADO, MAS NÃO ESQUECIDO :::
nasa.gov
 Concepção artística de Plutão e Caronte, um dos seus três satélites
No final de outubro de 2006 organizei um índice de posts publicados aqui no blog e cujos temas centrais tinham grande probabilidade de serem cobrados nos principais vestibulares do país. O público-alvo eram os vestibulandos, meus próprios alunos, ou leitores estudantes espalhados por este Brasilzão afora. E a idéia era dar um "gás a mais" na preparação para as duríssimas provas de vestibular.
Muitos destes temas realmente foram cobrados nas diversas provas já realizadas. Em alguns casos, os assuntos foram abordados de forma muito parecida com o tratamento que dei nos posts. Foi o caso da questão 05 (prova tipo V) da primeira fase da Fuvest 2007 e que abordou o tema "tamanho aparente dos astros" (veja o post) e também da questão 11 da prova de conhecimentos específicos (exatas) da Vunesp 2007 que tratou do 'lançamento oblíquo de uma bola de futebol" (veja o post).
E ontem, na prova de Física da segunda fase da Fuvest 2007, a questão 10 aproveitou o "rebaixamento" de Plutão para cobrar dois assuntos "quentes": Gravitação e Lançamento Vertical. No caso da Gravitação foi cobrado o cálculo da gravidade (superficial) num planeta, assunto já tratado explicitamente por aqui algumas vezes.
Confira abaixo o enunciado e a resolução desta questão.
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:: Enunciado Recentemente Plutão foi “rebaixado”, perdendo sua classificação como planeta. Para avaliar os efeitos da gravidade em Plutão, considere suas características físicas, comparadas com as da Terra, que estão apresentadas, com valores aproximados, no quadro abaixo.

a) Determine o peso, na superfície de Plutão (PP), de uma massa que na superfície da Terra pesa 40N (PT = 40N). b) Estime a altura máxima H, em metros, que uma bola, lançada verticalmente com velocidade V, atingiria em Plutão. Na Terra, essa mesma bola, lançada com a mesma velocidade, atinge uma altura hT = 1,5m.

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:: Resolução
a) Foram dadas as expressões de F e P das quais tiramos a expressão da gravidade superficial num planeta:

Com a expressão acima podemos comparar as gravidades supeficiais na Terra (gT) e em Plutão (gP):

Concluímos que a gravidade superficial na Terra é vinte vezes maios do que a gravidade superficial em Plutão. Logo:

Resposta: O peso em Plutão será de 2N
b) Despreando efeitos da atmosfera sobre a bola lançada tanto na Terra quanto em Plutão, teremos conservação da energia mecânica, ou seja, a energia cinética inicial da bola será convertida em energia potencial gravitacional. Assim:
A
A expressão acima pode ser escrita para o lançamento da bola com velocidade V:
I) Na Terra

II) Em Plutão

Finalmente, podemos igualar as duas últimas expressões acima:

Resposta: A bola lançada em Plutão com a mesma velocidade V que é lançada aqui na Terra atinge lá, em Plutão, altura máxima de 30m. |
Para você que é vestibulando e ainda vai prestar outros vestibulares (como a Unicamp 2007 segunda fase na semana que vem), desejo-lhe boa prova e sucesso! E, se ainda quiser dar uma recordadinha (sem neuras!) em assuntos "quentes", não deixe de conferir o índice de posts publicados por aqui repleto de dicas.
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h22)
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::: MAPEANDO O QUE NÃO SE PODE VER :::

"O que os olhos não vêem o coração não sente", diz o ditado popular. E eu já tive a oportunidade de comentar aqui no blog o quanto os astrônomos levam a sério esta frase e não medem esforços na tentativa de ver (detectar) tudo o que possa existir no Universo.
Nossos olhos estão limitados a captar a radiação eletromagnética que vai do vermelho (4,0.1014 Hz) ao violeta (7,5.1014 Hz). Mas o Universo está abarrotado de objetos que emitem radiação com freqüência na faixa abaixo do vermelho (infravermelho) e também acima do violeta (ultravioleta).
Pra piorar e muito as coisas, somente 4% de tudo o que parece ser o Universo emite alguma informação na forma de radiação mensurável, dentro ou fora da faixa visível. O "resto", só cogitamos existir pelos efeitos secundários que provoca e não por uma medida direta.
O gráfico abaixo nos dá uma estimativa atual aproximada da composição do Universo: 4 % de matéria bariônica, 22 % de matéria escura e 74 % de energia escura.

Trocando em miúdos, somente 4% do Universo que podemos "ver" de alguma forma é feito de coisas que sabemos bem do que se trata. 96% da composição do Universo ainda é puro enigma. Veja mais detalhes abaixo.
:: A Matéria Bariônica
Esta é a matéria "convencional" que você sabe muito bem do que se trata. Basta olhar à sua volta e tocar as coisas materiais, feitas de átomos e moléculas "convencionais" como, aliás, eu e você, que também somos feitos desta matéria que nos é bastante familiar.
:: A Energia Escura
Sabemos desde o primeiro terço do século passado que o Universo está em expansão. Medidas mais recentes desta inflação cósmica nos revelam que ela está sendo acelerada. Em outras palavras, a taxa de expansão está aumentando.
Não sabemos direito qual a razão para esta aceleração. Mas energia escura é o nome do suposto agente que provoca este efeito.
A energia escura nunca foi detectada. Só sabemos do seu efeito de acelerar o ritmo de expansão do Universo.
:: A Matéria escura
Matéria escura é um tipo de matéria que não emite nenhum tipo de radiação e, portanto, não pode ser detectada diretamente. Aliás, é daí que vem a designação de "escura", ou seja, a matéria que não emite nenhuma informação. Desta forma, só pode ser "vista" a partir dos seus efeitos gravitacionais. Só sabemos que a matéria escura existe porque medimos os seus efeitos gravitacionais na rotação de galáxias. É quase como o que seria um fantasma que, mesmo invisível para os nossos olhos, poderia provocar efeitos mensuráveis no mundo ao nosso redor.
Ainda não temos a menor idéia do que seja de fato a matéria escura. Mesmo assim, o astrofísico Richard Massey do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) liderou uma pesquisa importantíssima e que acaba de ser publicada: o primeiro mapeamento da matéria escura em larga escala no Universo (o trabalho está na mais recente edição da revista Nature).
Este mapa foi feito com base em informações obtidas pelo telescópio Hubble acerca do fenômeno conhecido como lentes gravitacionais e que consiste no desvio da luz provocado por um objeto de grande massa, seja ele feito de matéria bariônica ou de matéria escura. A luz desviada gravitacionalmente produz um efeito visual análogo ao de uma lente óptica tradicional, daí o nome lente gravitacional dado ao fenômeno previsto por Albert Einstein (1879-1955).
:: Errar Sempre, Desistir Jamais
Não existe nenhum trabalho científico perfeito. A ciência sempre se utiliza de aproximações que vão sendo gradualmente substituídas por outras cada vez menores e, assim, estamos cada vez mais perto do que acreditamos ser a realidade. O trabalho de Richard Massey e sua equipe também traz erros, ainda mais por ser o primeiro passo no sentido de mapear a matéria escura. Mas é um marco histórico e nos dá uma bússola para começarmos a saber para onde olharmos na tentativa de detectar a matéria escura, o primeiro passo para entendê-la, saber o que ela é, como se organiza e até mesmo como interage e coexiste com a matéria bariônica, moldando as nossas galáxias e decidindo sobre o futuro do Universo que ainda não sabemos se vai expandir para sempre ou não.
Às vezes é difícil acreditar no que vemos. Acreditar no que não vemos é ainda mais complicado. Mas o Universo é assim. E é desta forma que ele é lindo e instigante.
Para Saber Mais
- site oficial de Richard Massey
- Clique aqui para ver uma animação interativa em Flash que faz a superposição das imagens de um objeto astronômico visto na faixa dos Raios X e também na faixa de Rádio
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 20h20)
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Dulcidio Braz Jr Físico/Professor
BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos
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