::: HÁ MUITA BELEZA NO UNIVERSO... OU NÃO? :::
Reuters
 Zuleyka R. Mendoza, de Porto Rico, é a Miss Universo 2006
Desde criança acho estranho esse negócio de Miss Universo. Não estou falando do concurso em si e muito menos das garotas que são lindas e representam muito bem a beleza típica dos seus países. Aliás, Zuleyka Mendoza (foto), só ratifica essa obviedade visual!
Acho estranho é que apenas representantes da beleza feminina do nosso planeta, um ínfimo pontinho azul num imenso Universo, possam receber o título de beleza universal. Afinal, o Universo é muito, mas muito maior do que o nosso planetinha.
Antes que você diga que estou "viajando", lembro que:
- "Viajar", soltar a imaginação, é um experimento delicioso e fundamental para a atividade de um físico. Einstein já dizia: "a imaginação é mais importante que o conhecimento".
- Há por trás dessa "viagem" pelo menos duas questões fundamentais na ciência:
2.a - Qual o tamanho/estrutura do Universo? 2.b - Somente aqui na Terra há vida?
:: Espiando Pelo Buraco da Fechadura
O HST - Hubble Space Telescope tem sido um instrumento de funtamental importância em pesquisas para começarmos a entender a estrutura do Universo. A incrível foto abaixo que mostra objetos a cerca de 13 bilhões de anos-luz da Terra é um bom exemplo.
S. Beckwith & the HUDF Working Group (STScl)/HST/ESA/NASA
 HUDF (clique para abrir versão maior - 750 X 553 pixels)
Acumulando dados entre o final de 2003 e o começo de 2004, o HST fez a foto acima, conhecida como Hubble Ultra Deep Field. É a mais profunda imagem do Universo (na região visível do espectro eletromagnético) já obtida até hoje. Trata-se de uma região do espaço localizada a sudoeste de Orion, na constelação Fornax, e que corresponde a uma faixa menor do que a de um grão de areia mantido à distância do comprimento de um braço! Apesar de tão pequena, revela-nos cerca de 10.000 galáxias, 10.000 mundos distantes, cada qual forrado de algumas centenas de bilhões de estrelas ao redor das quais, prossivelmente, podem existem planetas, como no nosso Sistema Solar! E só estamos olhando pelo buraco da fechadura!
:: A Estrutura do Universo
Os objetos que constituem o Universo estão distribuídos em uma estrutura hierárquica. Planetas giram ao redor de estrelas. Estrelas e seus possíveis sistema planetários formam aglomerados estelares. Aglomerados estelares, por sua vez, juntam-se para formar galáxias. As galáxias, num outro nível, formam aglomerados de galáxias. E estes aglomerados de galáxias formam estruturas maiores conhecidas como superaglomerados, separados entre si por regiões vazias chamadas de Voids.
No final dos anos 80, os astrofísicos Margaret Geller e John Huchra descobriram uma gigantesca distribuição de galáxias com mais de 500 milhões de anos-luz de comprimento, 200 milhões de anos-luz de largura e espessura de "apenas" 15 milhões de anos-luz. Esta estrutura tem uma espessura muito menor que o seu comprimento e a sua largura. Sendo assim, é semelhante a uma enorme "folha" de galáxias e que, por isso mesmo, ficou conhecida como Great Wall, ou seja, Grande Parede.
Acredita-se, pelas observações, que o Universo seja formado em larga escala por "folhas" e "filamentos" de galáxias separados por imensas bolhas de vazio, os Voids, como mostra a figura abaixo que é na verdade uma simulação computacional.
Virgo Consortium
 Simulação computacional mostrando filamentos e voids (clique para abrir versão maior 750 X 750 pixels)
:: Vida Em Outros Pontos do Universo
Lembrando Carl Sagan, no livro/filme Contato, "Se não houver vida em outros lugares do Universo, será um grande desperdício de espaço". A quantidade de estrelas no Universo é gigantesca. Se algumas delas tiverem sistemas planetários, pode haver uma boa quantidade de planetas. Mesmo que a probabilidade de vida nestes planetas seja pequena, tal pequenez pode ser compensada pela grande quantidade de possíveis planetas candidatos a abrigar vida. E, mesmo que a vida inteligente tenha probabilidade ainda menor, ainda assim a chance de haver vida longe daqui pode não ser tão desprezível quanto parece.
É exatamente este o raciocínio de Frank Drake (1930-), astrônomo que imaginou uma equação para calcular o número N de possíveis planetas (somente na nossa Galáxia) capazes de abrigar civilizações inteligentes com tecnologia para enviar sinais eletromagnéticos para o espaço e, portanto, fazer contato conosco aqui na Terra. A Equação de Drake é:
N = R X fP X n X fV X fi X fC X T
onde R é a taxa de criação de estrelas por ano na Via-Láctea, fP é a porcentagem destas estrelas criadas na Via-Láctea que têm sistema planetário, n é o número médio de planetas semelhantes à Terra nestes sistemas planetários, fV é a porcentagem destes planetas com vida, fi é a porcentagem destes planetas nos quais há vida inteligente, fC é a porcentagem destes planetas nos quais há tecnologia para comunicação e, finalmente, T é o tempo médio de existência de uma civilização com estas características.
Clique aqui para abrir uma Calculadora de Drake On Line e fazer as suas próprias estimativas. Quem sabe você descobre outras Zuleykas neste Universo gigante ou se convence de vez de que ela é realmente única?
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h10)
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