::: CORDAS VIBRANTES I: A VELOCIDADE DO SOM :::
foto digital: Dulcidio Braz Jr
 Ulisses Rocha durante Workshop no Theatro Municipal
Ontem foi um daqueles dias inesquecíveis. Afinal, não é todo dia que a gente encontra um ídolo. Estou falando de Ulisses Rocha, meu violonista predileto aqui no Brasil. Tive a felicidade de participar de um Workshop com ele durante à tarde e ainda assistir ao seu show solo à noite. Tudo aconteceu no Theatro Municipal aqui de São João da Boa Vista, SP.
Depois de tanta energia boa, a gente fica com mais vontade de tocar e estudar violão. E ainda sobra energia e inspiração para escrever aqui no blog sobre a Física do Violão.
::: A Velocidade do Som Numa Corda Tensa
No violão, cada corda está presa em suas duas extremidades: 1) Na mão do violão, no eixo das tarrachas que são as peças móveis, feito parafusos, que permitem tracionar a corda com forças maiores ou menores para esticar ou afrouxar a mesma, alterando a afinação do instrumento; 2) No cavalete, na parte de trás sobre o tampo do violão, onde a corda fica amarrada.
Desta forma, a corda é mantida esticada com uma força de tensão (ou tração) T em cada extremidade. Confira na figura abaixo.
 Corda tracionada na mão do violão (detalhe acima) e no cavalete (detalhe abaixo)
Se o violonista toca a corda com o seu dedo, provoca uma onda na corda que se propaga com velocidade V. Uma onda é uma sucessão de pulsos. Para simplificar, vamos nos concentrar em apenas um único pulso cujo perfil será aproximado para uma semicircunferência de raio r.

A distribuição de forças num elemento de corda de comprimento L e massa m pertencente ao pulso semicircular e mantido esticado por uma tensão T é mostrada na próxima figura.

O comprimento L do elemento de corda pode ser dado por:

(Se fosse a circunferência completa teríamos q = 2p e, portanto, L = 2p.r).
Note (ainda na figura acima) que, na prática, a propagação do pulso equivale a um movimento semicircular de raio r do elemento de corda de comprimento L e massa m ao redor do centro C, puxado por uma força resultante centrípeta RC que será a soma vetorial dos dois componentes radiais TC de cada uma das tensões T e que apontam para o centro (estamos desprezando o peso P do elemento de corda em comparação com o alto valor de T). Assim:

A próxima figura mostra que, para ângulos q pequenos, cada componente radial de tensão TC será praticamente vertical, com muito boa aproximação. Teremos um triângulo retângulo com um cateto TC e a hipotenusa T que forma um ângulo q/2 com a horizontal.

Neste triângulo retângulo:

Subtituindo TC na equação obtida para a resultante centrípeta RC teremos:

Definimos densidade linear de massa m como sendo a razão entre a massa e o comprimento da corda. Para o elemento de massa m e comprimento L = q.r teremos:

Substituindo m na equação da resultante centrípeta teremos:

Para ângulo pequenos, o valor do seno corresponde, por aproximação, ao próprio valor do ângulo. Assim, na expressão acima, podemos trocar sen(q/2) por q/2, ou seja:

Simplicando a expressão acima, encontramos a equação obtida pela primeira vez por Brook Taylor (1683-1731):

A Equação de Taylor nos mostra T e e m fazem a velocidade V do pulso (ou da onda) na corda variar. E V está ligada diretamente à freqüência f de vibração da corda, ou seja, ao número de oscilações por unidade de tempo. É a freqüência f quem determina a nota musical emitida pela corda. Veja, na Equação Fundamental da Onda, como V e f se relacionam:

l é o comprimento de onda (trataremos disso em outro post).
Conclusão: alterando a tensão T na corda, modificamos a velocidade V do som na mesma, o que provoca alteração na freqüência f do som. Desta forma, podemos afinar cada corda, ou seja, fazer com que ela tenha a freqüência desejada!
O material e a espessura da corda alteram a tração T para afiná-la. Mas isso fica para o próximo post, tá?
Conheça o trabalho de Ulisses Rocha

Veja/ouça o CD "Estudos E Outras Idéias" e outras obras de Ulisses Rocha no site oficial deste fantástico violonista. Este aí da foto já é meu, devidamente autografado e guardado a sete chaves!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 18h47)
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