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::: DE NARIZ EMPINADO :::
AP Photo/Exelsior-Adrian Roque
 Avião cargueiro da Varig com o nariz empinado pela má
distribuição da carga
Acabo de ver a foto acima no blog Querido
Leitor da jornalista Rosana Hermann. O avião
cargueiro da brasileira Varig, no dia 12 de abril, ficou
de nariz empinado no aeroporto da Cidade do México. Culpa da má
distribuição de carga. É um efeito "gangorra", bem conhecido na
Estática, parte da Física que estuda o equilíbrio dos corpos de dimensões
não desprezíveis.
Para entender o que houve com o avião,veja a próxima figura, que mostra uma
gangorra.

Numa ponta da gangorra, a força F1, aplicada a uma distância
b1 do ponto de rotação O, tende a fazê-la girar no sentido
anti-horário. Na ponta oposta, a força F2, aplicada a uma
distância b2 do ponto de rotação O, tende a produzir
rotação da gangorra no sentido horário. Para simplificar, desconsiderei o
peso da própria gangorra.
As condições de equilíbrio da gangorra são:
- SF = 0 (Todas as forças aplicadas
na gangorra devem se anular)
Esta condição garante que não haja
translação da gangorra.
- SM = 0 (Os momentos de todas as
forças se anulam)
Esta condição garante que não haja rotação da
gangorra.
Na condição "2" chamamos de momento M de uma força ao
produto da intensidade F (ou módulo) da força pela distância
b ao centro de rotação O. A distância
b também é conhecida como braço de alavanca e ponto
O como pólo. Assim, o momento da força F em
relação ao pólo O será:
MF,O = ± F x b
Os sinais "+" ou "-" na fórmula servem para diferenciar rotação anti-horária
(+) de rotação horária (-).
Na gangorra, a força de apoio, para cima, deve anular as forças F1
e F2, para baixo (condição de equilíbrio "1"). E, para que a gangorra
não gire, os momentos das forças F1, F2 e Fapoio
devem se anular (condição de equilíbrio "2"). Pela figura, percebemos que
F1 tende a fazer a gangorra girar no sentido anti-horário (momento
positivo). Já a força F2 tende a fazer a gangorra girar no sentido
horário (momento negativo). A força de apoio Fapoio tem braço de
alavanca nulo, já que está aplicada no pólo (momento zero). Notamos ainda que a
força F1 está aplicada mais perto do ponto de rotação O do que
a força F2. Em outras palavras, os braços de alavanca são
diferentes (b1 < b2). Neste caso, para
compensar as diferenças de braços, a força F2, de braço maior,
pode ser menor que a força F1, de braço menor. E
haverá equilíbrio se SMO = 0, ou
seja, +F1X b1 - F2X
b2 + Fapoio x 0 = 0. Assim, teremos equilíbrio se
F1X b1 = F2X b2 e, como já
dissemos, a força de braço maior pode ser menor e vice-versa. Os braços
compensam as forças!
O avião é um corpo extenso e funciona mais ou menos como uma gangorra,
só que de peso não desprezível, daí a atenção que se deve ter para a
distribuição de massas no seu interior. Se a carga interna está bem distribuída,
terá o seu centro de massa bem no seu centro geométrico. Assim, deve ficar em
equilíbrio, com o seu corpo na horizontal, tanto em solo quanto em
vôo. Tanto a força de sustentação aerodinâmica
Fsust feita pelas asas como o peso
P do avião devem estar aplicados no centro do avião, com braço
de alavanca nulo. Assim, anulam-se e não exercem momento (ou torque) algum. O
avião fica em perfeito equilíbrio.

Imagine, no entanto, se o que aconteceu com o avião da
Varig em solo ocorresse em pleno vôo! A carga PT
maior na traseira contra a carga PD menor na dianteira não
dariam mais um momento nulo e provocariam um torque que faria o corpo do avião
girar em vôo, alterando a posição das asas e, consequentemente, prejudicando a
aerodinâmica que permite ao avião ter sustentação para anular o peso e manter-se
no ar. O avião, com certeza, cairia!

Ao ver a foto do avião da Varig com o nariz empinado,
lembrei-me imediatamente de um exercício cobrado na primeira fase do vestibular
da Fuvest 2001. Confira enunciado e resolução logo abaixo.
Eles vão ajudar você a entender melhor toda a Física que explica o nariz
empinado do avião da Varig na foto acima.
Fuvest 2001 - Primeira Fase
Um avião, com massa M = 90 toneladas, para que esteja em equilíbrio em vôo,
deve manter seu centro de gravidade sobre a linha vertical CG, que dista 16m do
eixo da roda dianteira e 4,0m do eixo das rodas traseiras, como na figura
abaixo.

Para estudar a distribuição de massas do avião, em solo, três balanças são
colocadas sob as rodas do trem de aterrissagem. A balança sob a roda dianteira
indica MD e cada uma das que estão sob as rodas traseiras indica
MT. Uma distribuição de massas, compatível com o equilíbrio do avião
em vôo, poderia resultar em indicações das balanças, em toneladas,
correspondendo aproximadamente a
a) MD = 0 MT = 45 b)
MD = 10 MT = 40 c) MD = 18
MT = 36 d) MD = 30 MT = 30 e)
MD = 72 MT = 9,0
Resolução:

A figura acima mostra as forças que atuam no avião para o qual aplicamos as
condições de equilíbrio decritas acima:

Dividindo as forças obtidas em N (newtons) por g = 10 m/s² teremos as
massas em kg, ou seja, MD = 18000 kg e MT = 36000
kg.
Os valores em toneladas, indicados pelas balanças, serão: MD =
18 ton e MT = 36 ton.
Resposta: C
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 10h41)
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::: ALBERT ' MACH 2' SCOTT CROSSFIELD (1921-2006) :::
NASA
 Crossfield, o primeiro piloto
a atingir Mach 2
Morreu em acidente de avião, no último dia 19 de abril, aos 84 anos, o piloto
da marinha americana Scott Crossfied. Em 20 de novembro de 1953
Crossfield entrou para a história da aviação mundial como o
primeiro piloto a voar com velocidade acima do dobro da velocidade do som,
velocidade esta também chamada de Mach 2(*).
NASA
Na temperatura ambiente, em torno de 15oC, a velocidade
do som no ar é de cerca de 340 m/s (ou 340 X 3,6 = 1224 km/h). quando dizemos
que um avião "quebrou a barreira do som", ou seja, atingiu Mach
1(*), significa que atingiu velocidade de cerca de
1200 km/h. Crossfield conseguiu ultrapassar o dobro desse valor
pilotando o Douglas Skyrocket D-558-2, avião-foguete que era
lançado em vôo do dorso de avião maior, o B29 (veja foto ao
lado).
Crossfield, pela sua experiência como piloto e vasto
conhecimento de engenharia aeronáutica e aerodinâmica, teve importante
participação em projetos de aviões rápidos, como o X-15, e
é reconhecido pela NASA - Agência Espacial Americana pela sua
importante participação no desenvolvimento do segundo estágio do foguete
Saturno V que foi usado nas missões Apollo que
levaram o homem para a Lua. No desenho do Space Shuttle, ônibus
espacial americano, também há muitas idéias desenvolvidas por
Crossfield.
(*) Mach é o número obtido pela razão
Vobjeto/Vsom, ou seja, nos dá uma idéia da proporção entre
a velocidade de um certo objeto e a velocidade do som no ar. O termo
Mach é uma homenagem ao físico austríaco
Ernst Mach (1838-1916) pelos seus estudos sobre a propagação do
som em fluidos bem como a determinação da velocidade do som no ar e a sua
dependência com a temperatura.
Para saber mais
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h19)
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