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::: GRAVIDADE ZERO E OBJETOS 'FLUTUANDO' NO ESPAÇO :::
NASA
 Pontes e a bandeira "flutuando" dentro da ISS
Enquanto aguardamos o retorno de Marcos Pontes para a Terra, que deve acontecer às 20h45min de hoje (horário de Brasília), vamos discutir a famosa questão da "gravidade zero".
:: Gravidade Zero?
Falou-se muito por estes dias que a gravidade no espaço é zero. Bobagem! A gravidade é a "cola" do Universo e se propaga por distâncias muito grandes.
A sensação que se tem a bordo de uma nave em órbita da Terra (ou de outro planeta), como a ISS, é mesmo de ausência de peso, com se a gravidade tivesse zerado. Mas é somente uma sensação, um efeito de mudança referencial.
E, cá entre nós, seria uma enorme contradição dizer que a gravidade é zero pois é ela quem mantém a ISS "presa" à Terra, certo?
Acompanhe os cálculos abaixo para ter certeza de que a gravidade na ISS não é nula.
Se considerarmos a Terra esférica de massa M = 6.1024 kg e raio R = 6.400 km = 6,4.106 m e a ISS de em órbita a uma altitude aproximada h = 400 km = 400.000 m = 4.105 m medida em relação à superfície do nosso planeta (ou a uma distância r = R + h do centro da Terra), podemos calcular a gravidade superficial terrestre e também na altura h , onde está a ISS. Teremos:
- A gravidade superficial na Terra (h = 0)
- A gravidade da Terra num ponto da órbita da ISS (h = 4.105 m = 0,4.106 m)

A gravidade no ponto onde está a estação espacial é de cerca de 8,6 m/s², pouco menor do que o valor na superfície da Terra. Não é zero! Mas todos nós vimos Marcos Pontes e seus companheiros, bem como objetos, flutuando dentro da ISS. O efeito é de gravidade zero, mas a gravidade não é nula!
:: Por que tudo flutua no espaço se há gravidade?
A situação é análoga ao que acontece com uma pessoa dentro de um elevador e que, dependendo do movimento em relação à Terra, pode sentir-se mais leve ou mais pesada. Todo mundo que já andou de elevador já experimentou na própria pele esta sensação. E, para entendê-la, basta aplicar alguns conceitos de Física. Acompanhe.
Dentro de um elevador, uma pessoa sofre a ação duas forças: 1) Normal (N) que é o componente normal da força de contato entre o piso do elevador e os pés da pessoa; e 2) Seu próprio peso (P), que é a força gravitacional com que é atraída pela Terra. Podemos dizer que o peso P puxa a pessoa para baixo, para o centro da Terra, e o piso, que exerce a normal N, por esta ação impede que a pessoa o penetre. Em outras palavras, o valor da normal N nos dá uma idéia de quanto a pessoa interage com o piso.
Pela Segunda Lei de Newton, também conhecida como Princípío Fundamental da Dinâmica, a força resultante R sobre a pessoa será igual ao produto da sua massa m pela sua aceleração a:
R = m.a
Vamos analisar algumas situações:
- Elevador parado, subindo ou descendo com velocidade constante (MRU - Movimento Retilíneo e Uniforme)
Neste caso a aceleração será nula (a = 0) e, consequentemente, a resultante também terá valor zero (R = m.0 = 0). Assim, peso e normal são vetores opostos e anulam-se (N = P). Veja a figura abaixo.

A sensação que a pessoa terá em pé dentro do elevador parado ou movendo-se em MRU será a mesma que sente em pé sobre um piso comum, horizontal e fixo. A pessoa sente-se com seu peso real, nem mais nem menos.
- Elevador subindo ou descendo com aceleração para cima
Para que a aceleração a seja para cima, a resultante R também deve ser para cima. Assim, a normal deve ser maior do que o peso (N > P).

Agora a sensação é diferente. A pessoa, no elevador, sente-se mais pesada. A sensação equivale a um aumento de gravidade, embora a gravidade não tenha mudado de valor no local. É apenas uma sensação!
- Elevador subindo ou descendo com aceleração para baixo
Para que a aceleração a seja para baixo, a resultante R também deve ser para baixo. Assim, a normal deve ser menor do que o peso (N < P).

Nesta outra situação, a pessoa sente-se mais leve, como se o seu peso estivesse menor. A sensação equivale a uma diminuição de gravidade, embora a gravidade permaneça constante. Novamente, é apenas uma sensação! Mas, imagine agora que o cabo do elevador arrebente, na subida ou na descida, e tudo (elevador mais pessoa) comecem a mover-se livremente, apenas ao sabor da gravidade, ou seja, com aceleração a = g. Pela a equação de forças obtida acima teremos:
N = m(g - a) = m(g - g) = 0
A normal cai para zero, a pessoa não mais interage com o piso, elevador e pessoa caem, em queda-livre. A pessoa vai sentir-se "flutuando" dentro do elevador. Se estiver segurando um objeto, pode até soltá-lo e o verá também "flutuando" à sua frente. Mas somente quem está dentro do elevador, neste referencial privilegiado, verá as coisas "flutuando". Um observador fixo na Terra, fora do elevador, se pudesse ver o que acontece com o elevador e o seu conteúdo, veria tudo em queda-livre. O nome técnico desta situação é imponderabilidade, que provoca uma "sensação de gravidade zero". Apenas uma sensação, certo?
:: E o que a ISS tem a ver com um elevador caindo?
Segundo Isaac Newton (1642-1727), toda órbita é uma queda infinita, que nunca chega ao chão, porque enquanto o corpo cai (na direção radial), também se move com velocidade orbital (na direção tangencial). Por isso, dentro da ISS, os astronautas sentem-se sem peso, embora haja gravidade! Entendeu agora?!
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Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 18h17)
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::: IV FIFE :::
OSA/Unicamp
 Experimento com laser e fibras ópticas
O Física nas Férias ou FIFE é um evento organizado anualmente pelo capítulo de estudantes da Unicamp da OSA - Optical Society of America que visa a divulgação do método científico para estudantes do ensino médio.
Em 2006 o evento acontecerá no período de 10 a 14 de julho. Nesta semana, os alunos, dividos em grupos de seis, participarão de aulas teóricas e experimentos nos laboratórios de ensino do IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin".
Os problemas que serão estudados pelos alunos serão:
- Como medir a velocidade da Luz
- Espectroscopia de átomos e moléculas
- A existência do éter
- O caráter corpuscular da luz
- Física de plasmas
Este cinco problemas envolvem conceitos de Física Moderna que não são tradicionalmente abordados no ensino Médio. Além do contato com esses conceitos, o aluno tem uma introdução à análise e ao tratamento de dados experimentais.
Participantes do evento também terão a oportunidade de realizar visitas guiadas ao LNLS - Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e à alguns laboratórios de pesquisa do IFGW. São oportunidades importantíssimas para os alunos tomarem contato com instalações de pesquisa de alto nível e a realidade de um pesquisador.
No final do evento serão sorteados alguns exemplares do meu livro Tópicos de Física Moderna que aborda assuntos de Relatividade Restrita, Física Quântica e Cosmologia numa linguagem acessível para jovens estudantes do ensino médio.
Maiores informações e inscrições no site oficial do evento (http://www.ifi.unicamp.br/osa/fife4).
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h38)
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::: LANÇAMENTO DE SELO E MEDALHA NA TERRA E NO ESPAÇO :::
ECT

Hoje, segunda-feira, dia 3/abril, às 17h, a AEB - Agência Espacial Brasileira vai lançar oficialmente um selo e uma medalha, itens comemorativos da Missão Centenário que levou o tenente-coronel Marcos César Pontes, nosso primeiro astronauta, ao espaço.
O selo (foto acima) foi criado pela ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e a medalha de prata pela Casa da Moeda Brasileira.
Pontes, que se diz bastante ocupado com suas tarefas oficiais da missão, especialmente os experimentos brasileiros que levou para o espaço, também vai dedicar um pouco do seu tempo para fazer uma cerimônia de lançamento do selo e da medalha na ISS - Estação Espacial Internacional.
A jornalista Vera Canfran da assessoria de comunicação do MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia entrevistou Pontes ontem por telefone. Confira detalhes abaixo.
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:: Entrevista Exclusiva - MCT
Vera Canfran: O que passou pela sua cabeça durante a contagem regressiva e o lançamento na nave espacial? Marcos Pontes: No primeiro momento a atenção aos equipamentos é muito grande, mas depois foram vários flashes. Lembrei das pessoas que me ajudaram e principalmente na minha família. Pensei bastante na minha família.
VC: O que você sentiu ao ver a Terra do espaço? MP: É uma sensação de paz muito grande quando você vê a Terra lá de cima. Quando eu vi o Brasil pela primeira vez durante o dia tive uma sensação de muito orgulho.
VC: Dá para ver a noite? MP: Dá para ver o contorno das cidades e o contorno do litoral. Olhar para as estrelas é realmente demais.
VC: Como você está se sentindo? MP: Estou me sentindo tranqüilo, com a sensação de missão realizada. Eu prometi para o meu País que levaria a nossa Bandeira e levei. Tive a ajuda de algumas pessoas como os coordenadores da Agência Espacial Brasileira, o povo brasileiro que me apoiou, meus amigos e minha família. Com todo esse apoio, eu cumpri a missão.
VC: Qual foi o momento mais curioso e divertido do vôo? MP: Praticamente o vôo inteiro é bastante curioso. São sensações novas e o apoio da tripulação é essencial. Seria muito difícil descrever em uma frase.
VC: O que você viu ao passar por cima do Brasil pela primeira vez? MP: O Brasil é algo impressionante. Por exemplo: estou neste momento passando pela órbita do Golfo do México, quase chegando em Cancun, e consigo ver o cantinho do Brasil. Dá muito orgulho de ser brasileiro.
VC: Você conseguiu dormir essa noite? MP: Dá para dormir. Para se ter uma idéia, a cada 40 minutos você tem um dia e uma noite. Como tem muita coisa para ver, não dá vontade de dormir. Mas eu penso no Brasil e na minha família e durmo. Posso dizer que me adaptei 100% ao Espaço. |
Para saber mais
- Clique aqui para ver detalhes do selo e da medalha comemorativos da Missão Centenário (site da AEB).
- Missão Centenário (área especial do site da AEB).
- Veja fotos da Missão Centenário na galeria especial do site da BBC Brasil.
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 13h19)
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