::: FILHA DE MANCHA MANCHINHA É :::

Christopher Go

(1) A grande mancha vermelha de Júpiter; (2) A Red Jr

Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, é um gigante gasoso.

Sua atmosfera é bastante dinâmica e já sabemos que ali existem muitas turbulências e tempestades permanentes. Dentre elas, a mais famosa e exuberante é vista aqui da Terra como uma mancha vermelha oval e gigante, uma espécie de ciclone sem fim. Para se ter uma idéia do seu real tamanho, caberiam dentro dela 2 planetas Terra enfileirados ao longo do seu eixo maior! E dentro dela há correntes de matéria que chegam a 500 km/h! Realmente algo enorme e violento!

Mas a foto acima, feita em 27 de fevereiro deste ano pelo astrônomo amador Christopher Go, nas Filipinas, mostra nitidamente duas manchas vermelhas! Ele usou um telescópio de 11 polegadas de diâmetro (aproximadamente 28 cm) acoplado a uma câmera digital (CCD(1)).

De onde apareceu esta outra mancha vermelha? A reposta vem de 1997, época em que três manchas pequenas e esbranquiçadas começaram a ser observadas na atmosfera de Júpiter. Entre 1997 e 2000 elas entraram em rota de colisão, uniram-se, e deram origem a uma mancha branca maior que foi ficando marrom até tornar-se vermelha, exatamente da mesma cor da grande e conhecida mancha vermelha de Júpiter. 

Por ter a mesma cor da mancha gigante mas ser menor, com cerca da metade do tamanho da primeira, a pequena mancha mais parece um "filhote" da outra. Por isso mesmo foi apelidada de Red Jr, apesar de ser oficialmente catalogada como Oval BA. Eu prefiro Red Jr, bem mais simpático, não?

As fotos abaixo, feitas pelo HST - Hubble Space Telescope, mostram como nasceu a Red Jr.

As três manchas brancas FA, DE e BC uniram-se para formar a Oval BA ou Red Jr.

É fantástico como os astrônomos podem acompanhar daqui da Terra a evolução de um planeta distante ao longo do tempo, não?

Neste exato momento eu estou bastante empolgado com Astrofotografia e estou trabalhando para adaptar minha câmera digital Sony DSC-H1 (com CCD de 5.1 megapixels) no telescópio Dobsoniano(2) 180 mm da escola onde trabalho para, junto com os alunos, entrarmos numa nova etapa do nosso Curso Anual de Astronomia e Astrofísica que está para começar com nova turma em 2006. Quem está me ajudando nesta tarefa é o genial amigo Dario Pires, de Araraquara/SP, uma figura generosa e que sempre me dá suporte nesta área quando preciso de uma consultoria eficiente e rápida. Ele é é um exímio construtor de telescópios. O fantástico telescópio da escola acima citado e que tem qualidade óptica digna dos melhores fabricantes de telescópio de mundo foi projetado e executado pelo Dario Pires.

Aguardem novidades sobre Astrofotografia aqui no Física na Veia!
 

:: Você também pode observar Júpiter

Não é tão difícil quanto parece. Basta ter um telescópio e saber para onde apontá-lo. Galileu Galilei (1564-1642), astrônomo e físico italiano, usando uma pequena luneta feita por ele mesmo, foi quem observou Júpiter com um instrumento pela primeira vez. De lá para cá, a Óptica evoluiu muito e um bom telescópio é algo razoavelmente acessível. Não é por acaso que no mundo de hoje existem muitos astrônomos amadores que, com muito menos recursos que os astrônomos profissionais dos grandes centros de pesquisa, conseguem feitos incríveis, como a maravilhosa foto lá do topo deste post.

Para encontrar Júpiter, aqui vai uma dica: no Brasil, ao longo de março, ele pode ser visto nascendo do lado leste, pouco antes das 23h, na constelação de Libra (simulação abaixo). A olho nu ele é visto como um ponto esbranquiçado e bem brilhante.

Com um bom binóculo já dá para ver Io, Europa, Ganimedes e Calisto, as quatro maiores luas de Júpiter, pontinhos luminosos que se movem ao redor do planeta. Dá para notar bem o movimento das luas galileanas de um dia para outro, como observou Galileu com a sua lunetinha! Com um pequeno telescópio você já pode ver detalhes da atmosfera e a grande mancha vermelha. Com equipamento um pouco melhor, dá para arriscar observações da Red Jr.  


(1) CCD (do inglês Charged Coupled Device, ou Dispositivo de Carga Acoplada) é um conjunto de sensores fotoelétricos (pixels), sensíveis à luz, responsáveis pela captura dos fótons e pela formação da imagem digital. Eles se baseiam no Efeito Fotoelétrico, brilhantemente explicado por Albert Einstein num dos seus marcantes artigos de 1905, o segundo Ano Miraculoso da Física.
(2) Telescópio Dobsoniano usa um tipo de montagem desenvolvida pelo astrônomo chinês/americano John Dobson.

Já publicado aqui no Física na Veia!



Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h59)



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  ::: UM PÉ NA ARTE, OUTRO NA CIÊNCIA :::

 
Ronaldo Marin e a sua tese de mestrado no IA - Unicamp

A Unicamp - Universidade Estadual de Campinas acaba de publicar em sua Biblioteca Digital o trabalho "As Bases Fisiologicas da Estrutura Triádica da Semiotica : Análise dos Processos Perceptivos e Cognitivos da Criação Artística", tese de mestrado de Ronaldo Marin, defendida no IA - Instituto de Artes, em 23 de fevereiro de 2005.

Um pé na arte, outro na ciência. E o coração nas duas coisas! Assim é o grande amigo Ronaldo Marin, professor de Física, artista multimídia e parceiro de muitas empreitadas pedagógicas na escola onde lecionamos.

Vale a pena baixar o trabalho para dar uma olhada e, além de conhecer as idéias originais do "Joule", como ele é carinhosamente tratado pelos alunos, conferir como funciona o cérebro de quem não tem preconceitos com esta ou aquela área do conhecimento humano. Clique aqui para fazer download da tese disponível em PDF (2.820 kb) diretamente da Biblioteca Digital da Unicamp. Para acessar o arquivo você precisa se cadastrar no sistema, o que é simples e gratuito. Basta fornecer nome, e-mail e senha.

Também fiquei contente em saber que o Ronaldo retomou o seu trabalho de autoria teatral e está em fase de finalização de uma peça em homenagem ao professor César Lattes, grande físico brasileiro falecido em março de 2005.

Pela conquista, pelas idéias, pelo pique, pela vontade de realizar sempre, ..., parabéns Ronaldo!


Já publicado aqui no Física na Veia!


Para saber mais

  • Visite o site do grupo teatral Cena IV, fundado por Ronaldo Marin em 1975 e que, trinta anos depois, continua produzindo arte a todo o vapor!




Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h37)



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  ::: FOTOS DO C/2006 A1 POJMANSKI :::

John Drummond

Cometa fotografado em 12 de fevereiro na Nova Zelândia

Ainda não consegui observar o cometa C/2006 A1 Pojmanski. Eduardo Okuda, de Guarulhos, e Carlos, de Jundiaí, visitantes aqui do blog, também deixaram recados contando que também tentaram mas sem sucesso.

E você, já tentou? Conseguiu? Deixe um recado relatando as suas experiências.

Para minimizar a minha frustração pela falta de sucesso momentânea, estou publicando uma bela foto do cometa feita por John Drummond, na Nova Zelândia. E vou criar aqui uma galeria com as fotos que for descobrindo pela internet. 


    Galeria de fotos do C/2006 A1 Pojmanski    

  • Outras fotos feitas por J. Drummond - Nova Zelândia
  • Foto feita em Wallarro - Austrália, por M. Mattiazzo 
  • Foto feita em Brisbane - Austrália
  • Foto feita em Rosário - Argentina


Já publicado aqui no Física na Veia!



Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h43)



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  ::: 'A DANÇA DO UNIVERSO' NOVAMENTE EM CARTAZ :::

www.arteciencianopalco.com.br

Cena do espetáculo "A Dança Do Universo"

O espetáculo "A Dança do Universo", montagem especial do genial grupo Arte Ciência No Palco criada para celebrar o Ano Mundial da Física em 2005,  está volta no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis, São Paulo.

A curta temporada começa na quarta-feira de cinzas, dia primeiro de março, e vai até o dia 6 de abril, sempre às quartas e quintas, às 21h.

E no dia 8 de abril, na Sala Dina Sfat do Teatro Ruth Escobar, estréia o novo espetáculo "Oxigênio". Maiores informações no site do grupo Arte Ciência No Palco.


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 14h38)



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  ::: SIGA O COMETA C/2006 A1 POJMANSKI :::

Dulcidio Braz Jr

A trajetória aparente (em verde ) do cometa para os próximos dias

Complementando o post anterior, e ajudando aos visitantes do Física na Veia! que vêm tentando observar o cometa C/2006 A Pojamanski, fiz uma pequena carta celeste com a trajetória aparente do astro nos próximos 14 dias.

Note que ele sempre estará mais baixo do que Vênus, principal referência visual, e cada vez mais para a esquerda deste com o passar dos dias.

É importante notar ainda que:

  1. O cometa não vai "passar" numa dada hora. Numa única noite de observação, veremos o cometa praticamente parado em relação ao fundo fixo de estrelas. O movimento do cometa ao redor do Sol só é notado como um pequeno deslocamento de um dia para o outro, conforme pode ser visto na carta acima;
  2. O cometa estará visível sempre cerca de 90 minutos antes do nascer do sol (mais ou menos a partir das 4h30min);
  3. Você deve procurar um ponto brilhante mas esfumaçado, bem mais tênue do que Vênus. E deste ponto deve partir um suave e esfumaçado risco, ligeiramente inclinado para a esquerda. É a cauda do cometa, que pode se estender por centenas de milhões de quilômetros mas, vista aqui da Terra, é apenas um risquinho.

A cauda do cometa é formada por poeira e gases ionizados que dele se desprenderam. E vale destacar que esta caudanão é como a fumaça de uma locomotiva que vai ficando para trás na medida em que o trem anda. Note na carta que o cometa move-se numa órbita o redor do Sol (linha verde) mas a cauda não é tangente à trajetória do cometa. Ao contrário, a cauda está sempre inclinada em relação à órbita do cometa. A cauda de íons do cometa sempre está na linha imaginária que une o cometa ao Sol mas aponta para longe deste. Isso ocorre porque o Sol "sopra" as partículas da cauda do cometa para longe através da sua radiação e do seu campo magnético.


:: UPGRADE [01/março/2006 - 17h34min]
Finalmente consegui observar o cometa. Foi nesta madrugada, em torno de 4h, quando o céu nublado abriu uma brecha e, entre as nuvens, lá estavam Vênus e o C/2006 A1 Pojmanski. Mas está bem difícil observar o cometa, um pontinho pálido logo abaixo de Vênus. Procurar um lugar bem escuro, longe das luzes da cidade, é fundamental. E um binóculo para ajudar a concentrar a fraca luz do astro também pode ajudar bastante. Eu fiz uma foto digital de longa exposição (~30s), sem telescópico, captando a luz diretamente na câmera. Embora não tenha ficado nítida, foi a prova de que aquele pontinho era mesmo cometa. Vou tentar outras fotos e, se conseguir algo "mostrável", publico por aqui.


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h47)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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