::: MARTE ATACA :::

Science@Nasa

Foto feita por Mark Vorhusen na Alemanha, no dia 02/11/2005

 

"While my eyes go looking for flying saucers in the sky"
Caetano Veloso, in "London, London"

 

Imagine a cena: você está observando Marte, o planeta vermelho, que por estes dias está em aproximação com a Terra (veja post Marte 'Encostadinho' na Terra do dia 28/10 rolando a página para baixo). Marte está na constelação de Touro, visualmente próximo às Plêiades, um belo aglomerado aberto de estrelas. Do nada, começam a aparecer pontos luminosos movendo-se no céu. Frio na barriga! Será que é um ataque alienígena? Seriam os tais marcianos que há mais de um século rondam o imaginário dos humanos e que agora resolveram aproveitar a proximidade Terra-Marte para uma visitinha? 

Nada disso. São apenas fragmentos do cometa Encke que, atraídos pela gravidade da Terra, caem na atmosfera. Por atrito, sofrem superaquecimento e queimam, deixando um rastro brilhante no céu. É um fenômeno conhecido pelos astrônomos como Meteoro e vulgarmente chamado de Estrela Cadente. Mas que fique bem claro, nada tem a ver com estrelas!

É exatamente o que mostra a foto acima, feita no primeiro dia deste mês pelo alemão Mark Vorhusen, divulgada hoje no site do UOL mas que já está no site Science@NASA desde ontem, dia 3. Uma "bola de fogo" explode no céu noturno entre as nuvens, provavelmente mais um fragmento do cometa e, desta vez, não muito pequeno.

Todo ano, entre o final de outubro e começo de novembro, temos muitos meteoros oriundos do cometa Encke e que formam uma verdadeira Chuva de Meteoros chamada de Taurídeos pois pode ser vista na direção aparente da constelação de Touro (Taurus). E sabemos a origem dos fragmentos porque nesta época do ano a Terra está sempre passando por uma certa região de sua órbita onde ficam vagando pelo espaço fragmentos deixados pelo cometa Encke em sua última aproximação do Sol e da Terra.

Existem outras épocas do ano em que teremos outras famosas Chuvas de Meteoros, em outras constelações. Clique aqui para conferir uma tabela com várias Chuvas de Meteoros previstas ao longo do ano.

Na verdade, qualquer objeto que entre na atmosfera em alta velocidade pode superaquecer e queimar por completo. Foi exatamente o que aconteceu com a nave Columbia (veja foto ao lado), em fevereiro de 2003, que teve problemas nas placas de isolamento térmico na reentrada na atmosfera. Por conta disso, incendiou-se e explodiu matando todos os sete tripulantes. Os diversos pedaços que restaram da explosão foram vistos  queimando no céu, deixando um rastro luminoso mesmo durante o dia. A noite, em contraste com o fundo escuro do céu, qualquer pequeno fragmento, mesmo tão pequeno quanto um grão de arroz, pode emitir brilho suficiente para atrair a nossa atenção e estimular a imaginação da maioria das pessoas que desconhece o fenômeno. Fragmentos maiores, de alguns centímetros de diâmetro, dão show, como este fotografado na Alemanha e observado em outras partes do mundo por estes dias. Para tingir o solo antes de queimar por completo, o fragmento deve ser grande o suficiente para que ainda reste material sólido. A maioria dos fragmentos vindos do espaço não chega a atingir a superfície do planeta e evapora-se. A atmosfera, além de nos fornecer oxigênio e filtrar certos raios nocivos à nossa saúde, também serve de escudo contra a colisão de material sólido.

Se fizer tempo bom, uma boa pedida é observar Marte. Com um pouco de sorte tavez dê para pegar carona num taurídeo! Até o próximo dia 7 de novembro a taxa de meteoros taurídeos ainda será alta, ou seja, boa probabilidade de observação, desde que o céu esteja limpo e você procure um local bem escuro, longe da poluição luminosa das grandes cidades. Boa sorte! E boas observações!  


Confira abaixo outra incrível foto de um recente meteoro taurídeo fotografado no Japão.

Sciense@Nasa

Foto feita por Hiroyuki Iida, em Toyama, Japão, no dia 28/10/2005


Observação: Este post já estava na ponta da agulha quando chegou o comentário do Maestro Billy (veja post anterior), amigo podcasteiro e DJ oficial do Caldeirão do Huck (Rede Globo), pedindo para falar sobre as fireballs fotografadas nos céus da Alemanha. Aproveito o embalo para indicar para os visitantes do Física na Veia! o Blog do Maestro Billy, lugar ideal para baixar e ouvir podcasts diários. Vale a pena, tanto quanto observar Marte e uma bela Chuva de Meteoros! Eu sou freguês. E garanto!


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 20h54





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  ::: NICOLAU COPÉRNICO :::


retrato do astrônomo polonês Nicolau Copérnico 

Arqueólogos anunciaram hoje a descoberta na cidade de Frombork, Polônia, de restos mortais que podem ser do importantíssimo astrônomo Nicolau Copérnico (1473-1543).

Copérnico nasceu em Torun e morreu em Frombork, ambas cidades polonesas. Ele era sacerdote da Catedral de Frombork quando morreu. E, segundo costumes da época, era comum enterrar os sacerdotes próximos ao altar onde a ossada foi encontrada.

O material encontrado foi submetido a exames em Varsóvia e a forma do rosto foi reconstituída virtualmente por técnicas modernas capazes de recriar a face de uma pessoa a partir do seu crânio. Uma marca no crânio encontrado nas escavações coincide com uma cicatriz na altura do supercílio bem visível num retrato pintado do astrônomo. As evidências de que trata-se realmente dos restos mortais de Copérnico deixaram os arqueólogos bastante animados.

Copérnico é o pai da Teoria Heliocêntrica que tirou a Terra do centro do Universo e colocou em seu lugar o Sol. Estava começando aí um processo de despejo cósmico e, de lá para cá, a Terra e toda a humanidade foram sendo empurrados cada vez mais para a periferia espacial.

Hoje sabemos que não estamos no centro do Universo. Muito longe disso, somos o terceiro planeta de um humilde sistema planetário ligado a apenas uma das centenas de bilhões de estrelas que compõem apenas uma das centenas de bilhões de galáxias do Universo. Estamos na periferia da periferia... 

Muito provavelmente Copérnico não tinha noção dessa complexidade toda. Mas já havia percebido que no centro de tudo nós não poderíamos estar. Apesar de seus fortes laços religiosos, Copérnico teve a coragem de romper com um modelo imposto pela Igreja. Ele percebeu que a realidade observada não podia ser perfeitamente explicada por um modelo geocêntrico e tratou logo, no melhor espírito científico, de arrumar as coisas. Suas idéias estão condensadas na obra De Revolutionibus Orbium Caelestium (Sobre As Revoluções dos Orbes Celestes), concluída em 1530 mas só publicada dez anos depois.


ilustração do livro Tópicos de Física Moderna
O Sol fica a cerca de 30 mil anos-luz(*) do centro da Via-Láctea que tem 100 mil anos-luz de diâmetro e é apenas uma dentre dezenas de galáxias de um grupo local de galáxias chamado de aglomerado de Virgem. 


(*) 1 ano-luz é a distância que luz percorre em 1 ano, ou seja, em 365 x 24 x 3600 s = 31.536 s = 3,15.107 s. Viajando à velocidade de 300.000 km/s, ou seja, 300.000.000 m/s = 3.108 m/s, a luz percorre em 1 ano uma distância aproximada d = 3.108 m/s x 3,15.107 s = 9,45.1015 m = 9,45.1012 km, cerca de 9 trilhões e meio de quilômetros.


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prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 22h48





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  ::: 48 ANOS DO VÔO ESPACIAL DA CADELA LAIKA :::


Laika, ajustada no compartimento interno onde viajou a bordo do Sputink II e, 
em destaque, em imagem de TV preto e branco transmitida diretamente do
satélite já no espaço.

Hoje, 3 de novembro, faz exatamente 48 anos que a cadela Laika fez um vôo espacial experimental a bordo do Sputink II, satélite lançado do Cosmódromo de Baikonur, na Rússia. Antes de enviar um humano para o espaço, muitos vôos com cobaias foram feitos para testar possíveis efeitos biológicos sobre um ser vivo submetido a um ambiente de imponderabilidade(*).

Laika, fêmea vira-lata, foi encontrada vagando pelas ruas de Moscou e se tornou o primeiro ser vivo a ir para o espaço, depois de selecionada em um grupo de 10 cães finalistas. Antes dela, no final dos anos 40, dois macacos americanos morreram em testes balísticos mas não chegaram a ir para o espaço.

O Sputinik II ficou em órbita 163 dias e fontes oficiais russas anunciaram que Laika foi sacrificada sem dor através de uma injeção letal no décimo dia da missão. Seus sinais vitais foram monitorados o tempo todo e já no lançamento do satélite seus batimentos cardíacos triplicaram. O alto estresse da cadela, conjugado a um defeito que provocou um problema de superaquecimento do compartimento onde ela estava, é até hoje considerado por especialistas como o real motivo da sua morte que estima-se tenha ocorrido entre o primeiro e o segundo dia da missão.

O primeiro primata a ir para o espaço foi Gordo, um macaco-esquilo americano, que morreu na volta pois a capsula naufragou no mar. Seu vôo aconteceu em 13 de dezembro de 1958, pouco mais de um ano depois do vôo de Laika.

Se hoje há humanos viajando para o espaço e já temos agendada a primeira missão espacial do primeiro astronauta brasileiro, não podemos nos esquecer de que essa história começou lá atrás, no século passado, há mais de 50 anos, e as cobaias tiveram importante papel no desenvolvimento de equipamentos seguros para a manutenção da vida no espaço.


(*) Imponderabilidade: situação na qual um objeto em órbita aparenta estar sem peso. Embora seja um efeito da aceleração centrípeta da nave, a sensação é equivalente à ausência de gravidade.


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às 20h56





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  ::: DUAS NOVAS LUAS EM PLUTÃO :::

NASA/HST ACS
Clique para ver esta imagem em alta resolução (800 X 600)
Imagens em dois dias distintos evidenciando o o movimento dos dois possíveis
satélite (clique na imagem para visualizar versão 800 X 600 pixels)

Usando o HST - Hubble Space Telescope, astrônomos encontraram dois corpos que parecem orbitar o planeta Plutão e, portanto, novos candidatos a serem catalogados como luas (ou satélites) deste planeta do Sistema Solar.

Plutão já tem um satélite conhecido, Caronte, descoberto em 1978. Segundo a mitologia romana, Caronte é "o barqueiro dos mortos", nada mais apropriado para o dia de hoje, finados. E os dois candidatos à satélite, nomeados provisoriamente como S/2005 P1 e S/2005/P2, se forem confirmados como novas luas de Plutão pela IAU - União Astronômica Internacional, receberão nomes definitivos, provavelmente também ligados à mitologia.

 

ilustração: NASA

Dados

  • Diâmetro de Plutão:
    2.350 km
  • Diâmetro de Caronte:
    1.196 km
  • Raio orbital de Caronte:
    19.118 km
  • Diâmetro estimado de P1 e P2:
    entre 40 km e 200 km
  • Raio orbital estimado de P1 e P2:
    ~ 43.000 km


Tabela atualizada do número de satélites do Sist. Solar

Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter Saturno Urano Netuno Plutão
0 0 1 2 61 33 27 11 3*
* se confirmados P1 e P2 como satélites de Plutão


Para saber mais

  • Press release oficial da NASA (01/11/2005 - em inglês) sobre esta descoberta.


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às 12h36





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  ::: PARA QUE SERVE UM NANOCARRO? :::

Y. Shira / Rice University - imagem computacional

Nanocarro, com chassi, quatro eixos, rodas e suspensão

Cientistas da Rice University, sediada em Houston, Texas, nos Estados Unidos, criaram um nanocarro, provavelmente o menor veículo do mundo já produzido pelo homem. Ele em apenas 4nm de comprimento por 3 nm de largura e é constituído por uma unica molécula orgânica(*). O nanocarro é tão pequeno que chega a ser apenas pouco mais largo que uma molécula de DNA.

Y. Shira / Rice University  - imagem computacional
O nanoveículo tem chassi e quatro eixos independentes acoplados a quatro rodas feitas de 60 átomos de carbono cada uma e que giram de verdade. E ainda tem o requinte de uma nanosuspensão que funciona como nos veículos do mundo macroscópico. Para ter a certeza de que as rodas giram e a suspensão funciona, os cientistas usaram um STM - Scanning Tunneling Microscopy, um microscópio eletrônico muito potente capaz de varrer e tatear o mundo dos átomos formando uma imagem deste.

Curioso, não? Mas a pergunta natural é para que serve um nanocarro? E, antes que alguém comece a imaginar que serve para um nanomotorista  fazer uma nanoviagem no nanomundo das maravilhas de Alice, uma nanoloirinha, aviso que a pesquisa, apesar de muito divertida, é bastante séria! Não se trata de uma simples brincadeira de fazer objetos minúsculos em escala atômica e molecular mas sim de obter tecnologia para manipular o mundo dos átomos, o mundo do muito pequeno. 

A nanotecnologia é um dos mais promissores ramos da ciência atual e vislumbra a possibilidade de produzir, num futuro já não tão distante, novas drogas, manipuladas átomo a átomo, feitas sob medida para tratar certas doenças, ou nanomáquinas capazes de realizar nanotarefas como, por exemplo, recolher a gordura armazenada dentro de vasos sanguíneos e que poderia comprometer a boa circulação do sangue.

Depois que o físico americano Richard P. Feynman (1918-1988) proferiu a palestra "There's plenty of room at the bottom" ("Há mais espaços lá embaixo") em 29 de dezembro de 1959, no CalTech, Califórnia, EUA, durante Reunião Anual da American Physical Society, nunca mais o mundo foi o mesmo. Na sua explanação Feynman disse ser possível condensar na cabeça de um alfinete as páginas dos 24 volumes da Enciclopédia Britânica, o que despertou o interesse de toda a comunidade científica em novas tecnologias para a manipulação de materiais em escala atômica e molecular.  


(*) O prefixo "nano" corresponde a dividir algo por mil três vezes seguida, o que dá apenas 0,000000001. Assim, um nanometro corresponde a 0,000000001 m, o que costumamos escrever em potências de dez como 1.10-9 ou, de forma condensada, 1nm! Para ter uma idéia comparativa de tamanho, um fio de cabelo humano tem, em média, 80 mil nanometros.  Na nossa língua, "nano" tem  a mesma origem da palavra "nanico" que significa minúsculo.  


 Para saber mais


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às 17h11





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  ::: FINAL DA OPF 2005 :::

Fotos digitais: Ronaldo Marin / Montagem: Dulcidio Braz Jr

Andrés, Américo, Matheus, Nathália, Arthur, Paulo Victor e Thiago 

Hoje foi dia de pular cedo da cama. E tudo em nome da Física. Aconteceu neste domingão chuvoso a finalíssima da OPF - Olimpíada Paulista de Física 2005, evento promovido pela APROFI - Associação Paulista dos Professores de Física.

As provas aconteceram em duas sedes regionais: ITA - Instituto Tecnológico da Aeronáutica (em São José dos Campos, SP) e IFSC/USP - Instituto de Física da USP (em São Carlos, SP).

Nossa escola esteve representada por 7 alunos finalistas: Andrés, Américo, Matheus e Nathália (da segunda série) e Arthur, Paulo Victor e Thiago ( da terceira série). Eles fizeram a prova na sede de São Carlos.

Parabéns a todos os jovens estudantes finalistas deste importante evento estadual e que provaram que têm Física na Veia!


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às 19h36





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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 49 anos

São João da Boa Vista
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