::: I FEIRA DE FÍSICA DA UNICAMP :::

 foto do celular

Acabamos de chegar de Campinas, SP. Prof. Ronaldo "Joule" Marin e eu fomos acompanhar nossos alunos que, sob nossa orientação, participaram com dois projetos da I Feira de Física do IFGW - Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp.

Nossos trabalhos foram:

  • I - O Princípio da Equivalência de Einstein ou Quem "Entortou" O Universo?
    Orientador: prof. Dulcidio Braz Jr
    Alunos: Andrés Mantecon Ribeiro Martano, Guilherme Mesquita de Almeida e Marcos Medeiros Raimundo
     
  • II - O Olho Humano
    Orientador: prof. Ronaldo Marin
    Alunos: Aristides Tranquilini Neto, Talles Augusto Teixeira Tassone e Tiago Gaspar

Voltamos campeões. Julgados por professores e doutorandos do IFGW, o trabalho sobre a Relatividade Geral de Einstein foi o primeiro colocado da feira.

E o projeto sobre o olho humano também ficou bem bacana e foi bem avaliado pelos visitantes e juízes oficiais do evento. Os alunos fizeram um filme digital sobre o tema para rodar no computador durante a feira. Uma das professoras presentes pediu uma cópia para rodar em suas futuras aulas de Óptica na sua escola. Prontamente os alunos Aristides, Talles e Tiago, no verdadeiro espírito de compartilhar idéias, "queimaram" um CD para ela na hora aproveitando o fato de que micro que estavam usando tinha gravador de CD.

Mais do que vencer, o que é obviamente a consagração de todo um trabalho, todos os participantes da feira ganharam com a oportunidade de serem avaliados por profissionais da Física que foram a fundo nas perguntas sem poupar nenhum detalhe. Segundo o prof. Franscisco Rouxinol, doutorando de Física e principal organizador da feira, "a idéia era testar se os alunos estavam sabendo e dominando bem a Física por trás dos seus projetos ou se era apenas um roteiro decorado".  

Foi sensacional. Após o evento, já bem mai descontraídos, nossos alunos revelaram que já sabiam bastante sobre a teoria base dos seus respectivos projetos pois estudaram muito para apresentar bem o tema escolhido. Mas foi unânime a opinião entre eles de que aprenderam ainda mais com as perguntas dos avaliadores durante a feira e perceberam que, por mais que se saiba bem uma matéria, sempre há algo a mais para se aprender. Este é o verdadeiro espírito de uma pesquisa científica e, ao meu ver, foi o melhor prêmio que todos receberam. Creio que este seja o principal diferencial entre uma feira de ciências apresentada no âmbito da escola e uma feira de ciências dentro da universidade. 

Para mim, a grande prova de que a participação na feira foi muito proveitosa para os nossos alunos é que na viagem de volta já estavam discutindo de maneira bastante empolgada prováveis projetos para a II Feira que todos esperamos aconteça em 2006! 

Esta I Feira de Física foi organizada pelo Capítulo de Estudantes OSA - Sociedade Americana de Óptica com apoio do CePOF - Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica.  

Em breve publicarei aqui no blog mais fotos e informações sobre este evento e mais detalhes sobre os nossos projetos.


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 20h38





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  ::: UM CHIFRINHO QUÂNTICO DE 300 MIL DÓLARES :::

 AP
O físico alemão Theodor W. Häensch, um dos três ganhadores do Nobel de Física de 2005, brindando com alunos e coloboradores e levando um chifrinho pelo prêmio de pouco mais de 300 mil dólares em dinheiro (1/4 do prêmio integral) e o seu nome e trabalho na história da Física.

Em 2005, Ano Mundial da Física, a Real Academia Sueca de Ciências concedeu o Nobel de Física para a Óptica Quântica, uma área da Física Moderna, a Física do século XX, e que teve o seu início em 14 de dezembro de 1900 com a publicação do trabalho de Max Planck (1858-1947) sobre a Quantização da Energia. Depois que Planck postulou que a energia eletromagnética era sempre emitida em "pacotes" discretos, nunca mais a Física foi a mesma.

Coincidência ou não, são redondos 100 anos passados da publicação do artigo em que Albert Einstein (1879-1955) propunha um modelo quântico, com base na idéia da quantização de Planck, para explicar a emissão de elétrons por uma placa metálica bombardeada com luz, o que conhecemos como Efeito Fotoelétrico.

Em 1905 o trabalho do jovem e desconhecido Einstein, então com 26 anos, era tão revolucionário que não foi levado a sério e chegou até mesmo a ser considerado "estranho" por alguns críticos. Mas o tempo se encarregou de mostrar que a idéias quânticas eram realmente promissoras. Em 1921 Einstein foi laureado com o Nobel de Física, um reconhecimento da importância do seu trabalho sobre o Efeito Fotoelétrico e a validação definitiva da sua idéia que ratificava a importância da Física Quântica.

LASER(1) é um dos filhos pródigos da Mecânica Quântica. Quando você vai ouvir música em CD ou assistir a um filme em DVD, lá está o LASER varrendo o disquinho para recuperar as informações digitais armazenadas. Em cirurgias modernas, o LASER é capaz de cortes perfeitos com pouco sangramento. Nas telecomunicações o LASER leva sons e imagens digitalizadas através de fibras ópticas à velocidades incríveis de um feixe de luz.   

E este mesmo LASER, pelas propriedades(2) ópticas da sua luz especial, pode ser empregado em técnicas de espectrometria de alta precisão. E foi pela construção de um espectroscópio baseado em LASER que os pesquisadores John L. Hall e Theodor W. Hänsch dividiram a metade do Nobel deste ano. O terceiro laureado, Roy J. Glauber, levou sozinho a outra metade do prêmio pelos seus importantes estudos na teoria quântica da coerência óptica, especialmente nos anos 1960 e 1970, que também tem tudo a ver com o LASER e a Óptica Quântica

No ano passado Theodor Häensch visitou o Brasil e foi recebido pelo Prof. Dr Vanderlei Bagnato,  do CePOF - Centro De Pesquisas Em Óptica Fotônica da USP, Campus de São Carlos, SP. 


Prêmio Nobel de Física 2005

Roy J. Glauber

  • Estados Unidos
    Harvard University
    Cambridge, MA, USA
    80 anos
    1/2 do prêmio

John L. Hall

  • Estados Unidos
    University of Colorado, JILA; National Institute of Standards and Technology
    Boulder, CO, USA
    71 anos
    1/4 do prêmio
     

Theodor W. Häensch

  • Alemanha
    Max-Planck-Institut für Quantenoptik
    Garching, Germany; Ludwig-Maximilians-Universität
    Munich, Germany
    63 anos
    1/4 do prêmio
     

 


(1) LASER é uma sigla: Light Amplification by Stimulated Energy Radiation.
(2) A luz LASER possui as seguintes propriedades notáveis: 1) Monocromática: possui uma única cor (freqüência); 2) Colimada: se propaga numa direção bem definida; 3) Coerência: todos os fótons (pacotes de luz) são emitidos em fase. 


 Já publicado aqui no Física na Veia!


Para saber mais





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h54





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  ::: 'OS FÍSICOS': LEITURA DRAMÁTICA :::

O Grupo Arte Ciência no Palco, em parceria com a Casa do Saber, realizará no próximo sábado, dia 8 de outubro, às 16h, a leitura dramática da peça Os Físicos, de autoria de Friedrich Dürrenmatt e tradução de João Marchner.

Escrito em 1961 e editado pela Brasiliense, com prefácio do grande físico brasileiro Mario Schenberg, Os Físicos é uma comédia que questiona a responsabilidade política dos cientistas e a manipulação econômica e social da pesquisa científica, fazendo uma alegoria de personagens como Isaac Newton e Albert Einstein. Com direção e adaptação de Oswaldo Mendes, a peça será lida pelos atores Miriam Mehler, Luiz Serra, Marco Antonio Pâmio, Javert Monteiro, Riba Carlovich, Graça Berman, Selma Luchesi, Carlos Palma e Monika Plöger.   

O evento abre o ciclo de leituras em comemoração ao Ano Mundial da Física.


Casa do Saber

Rua Dr. Mário Ferraz, 414 - Jd. Paulistano - São Paulo - SP

08/10/2005 - 16h

É necessário confirmar a presença pelo telefone (11) 3707.8900.


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h13





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  ::: CANAL ESCOLA E O ANO MUNDIAL DA FÍSICA :::

Acabo de ver pela internet uma aula sobre Einstein e suas idéias no Canal Escola, um canal de Web TV do Sistema Anglo de Ensino.

A aula-palestra, muito descontraída e repleta de informações de qualidade, especialmente para jovens estudantes de diversas unidades do Sistema Anglo plugados no programa via internet, foi proferida pelo prof. Dr. José Roberto Castilho Piqueira, o "Sorocaba", professor da Poli-USP e coordenador geral de Física do Sistema Anglo.

Nada como um Ano Mundial da Física para que ações como esta colaborem para a disseminação da ciência e, em especial, da Física.

E, no embalo deste Ano Mundial da Física, informo que estou preparando uma página especial com links sobre Einstein aproveitando o vasto material gratuito e de qualidade disponível na internet. Muita coisa eu já publiquei aqui no blog mas quero juntar tudo num único lugar para facilitar as pesquisas dos visitantes do Física na Veia!. Em breve disponibilizo este material.


Para saber mais

  • Clique aqui para ver esta aula-palestra diretamente do site do Sistema Anglo.
    Uma nova janela vai se abrir e nela o filme vai rodar automaticamente em streaming na janelinha da esquerda pré-configurado para banda larga. Se você acessa internet por conexão discada, escolha nesta nova janela a aba "dial-up". Fique de olhio que na janelinha da direita vão aparecer slides com imagens e informações citadas pelo palestrante.
    Dependendo do seu navegador ou configurações deste o sistema pode não funcionar. Com as versões mais recentes do MS Internet Explorer funciona 100%.


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 16h27





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  ECLIPSE ANELAR :::

Simulação: Dulcidio Braz Jr

Simulação do eclipse solar anelar de 3/10/2005 como será visto em Madrid

Logo mais, nas primeiras horas desta segunda-feira, 3 de outubro, habitantes de países da Europa e da África terão o privilégio de observar um eclipse total anelar do Sol. Nestes casos a Lua não chega a cobrir o disco solar por completo e uma borda brilhante do Sol fica aparecendo contornando o disco escuro da Lua, formando um anel, daí o nome de eclipse anelar.

Normalmente o disco lunar cobre o Sol integramente num eclipse solar total. Mas, como a órbita da Lua ao redor da Terra bem como a órbita da Terra ao redor do Sol não são circunferência perfeitas e sim elipses, tanto a distância Terra-Lua quanto a distância Sol-Terra podem variar. Em alguns casos, acontecem combinações destas distâncias em que o disco lunar aparece ligeiramente menor do que o disco solar e a Lua não dá conta de tapar totalmente o Sol.

Eclipses totais são raros e belos. Deste tipo anelar são ainda mais raros e intrigantes. Para quem vai assistir de camarote, será um belíssimo espetáculo. Teremos que nos contentar aqui do Brasil com as fotos.

 

::: POR QUE NÃO TEMOS ECLIPSES TODO MÊS?

Toda a vez que a Lua se coloca entre a Terra e o Sol temos eclipse solar. E, se a Terra fica entre o Sol e a Lua, a Lua mergulha na sombra da Terra e temos eclipse lunar. Como a Lua demora quase um mês para dar uma volta na Terra, não deveríamos ter eclipses solares e lunares em todos os meses? Aparentemente sim. Mas há um sutil e revelador detalhe que impede que isso aconteça, tornando os eclipses fenômenos raros. Esta é uma idéia  fundamental em Astronomia e requer raciocínio espacial. Confira na figura abaixo.

Note que o plano orbital da Lua ao redor da Terra não coincide com o plano orbital da Terra ao redor do Sol (há uma inclinação aproximada de 5,2 graus entre eles). Se houvesse coincidência dos planos orbitais, teríamos eclipses solares e lunares alternados a mais ou menos cada 15 dias, sempre que Sol-Terra-Lua estivessem perfeitamente alinhados. Como os planos orbitais citados são distintos, não é com freqüência que temos alinhamento perfeito dos três astros e, consequentemente, eclipse. Os eclipses acontecem somente quando os três astros estão na linha dos nodos, situação rara em que Terra, Sol e Lua podem estar no mesmo plano e na mesma reta (veja na figura). Entendeu de onde vem a raridade do fenômeno?


::: UPGRADE (03/10 - 23h58min)

Veja galeria de fotos deste eclipse solar total anelar no site SpaceWeather.com.


::: UPGRADE (06/10 - 17h44min)

Edgard Costa, meu amigo brasileiro e podcasteiro radicado em Portugal teve o privilégio de ver o eclipse ao vivo e em cores. E mandou-me duas fotos bem legais que fez do raro evento astronômico. A primeira foi obtida pelo método da projeção do Sol através de uma folha com um furinho e a segunda usando um filtro. Confiram:

Edgard indicou ainda um link com mais fotos do eclipse. Veja.

Aproveito o embalo e publico o endereço do site do Edgard (www.gavezdois.com) onde tem muita música de qualidade em podcast para baixar e ouvir além de informações "quentes" sobre música. Recomendo!


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 00h39





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  ::: É FANTÁSTICO, AGORA COM CÁLCULOS! :::

NASA

O astronauta Leroy Chiao "flutuando" dentro da ISS, a 400 km da Terra

Ratificando as idéias discutidas no post anterior com um exemplo prático, vamos calcular o valor da gravidade na ISS - Estação Espacial Internacional. Você verá que não dá zero e, mesmo assim, os astronautas dentro da estação flutuam (veja foto acima do astronauta Leroy Chiao dentro da ISS)! Esse papo de gravidade zero é mesmo furadíssimo!

Antes, para não termos que usar fórmulas prontas, vamos aproveitar o embalo para deduzir uma expressão para a gravidade de qualquer planeta ou astro. O ponto de partida é a Lei da Gravitação Univesal de Isaac Newton que diz que dois corpos de massa M e m separados pela distância r atraem-se mutuamente com uma força gravitacional F que "é proporcional ao produto das massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os corpos". Traduzindo do português para o "matematiquês", teremos:

 

onde G = 6,67.10-11 N.m²/kg² é a constante universal da gravitação, uma constante de valor muito pequeno.

Assim, um planeta de massa M atrai um corpo de massa m que está a uma distância
r = R + h do seu centro. Note pela figura que R é o raio do planeta e h é a altura do corpo medida em relação à superfície do planeta.

A força de atração planeta-corpo é normalmente chamada de peso e usamos a expressão P = m.g para obter seu valor. Mas só podemos calcular o valor do peso pelo produto m.g se já tivermos conhecimento do valor da gravidade g no local onde está o corpo. A grande pergunta neste ponto do nosso raciocínio é: como podemos calcular o valor de g? Que parâmetros físicos são relevantes neste cálculo?

Para encontrar uma expressão capaz de calcular g, basta igualarmos P = m.g com a força F da Lei da Gravitação Universal de Newton, ou seja:

 

Encontramos a expressão acima para o valor da gravidade g de um planeta (ou astro) qualquer que pode ser particularizada para duas situações distintas:

  1. Na superfície do planeta (onde r = R já que h = 0)


  2. Num ponto de altura h acima da superfície do planeta (onde r = R + h)

A massa da terra vale aproximadamente M = 6.1024 kg. O raio terrestre tem cerca de R = 6.400 km = 6,4.106 m. A ISS - Estação Espacial Internacional orbita a Terra a uma altitude de aproximadamente h = 400 km = 400.000 m = 4.105 m

Então podemos calcular:

  1. A gravidade superficial na Terra (h = 0)

  2. A gravidade da Terra no ponto orbital onde se encontra a ISS (h = 4.105 m = 0,4.106 m)

Note que a gravidade terrestre na altitude h onde está a ISS é de cerca de 8,6 m/s², pouco menor do que o valor na superfície da Terra. Não é zero nem que a gente queira forçar uma aproximação! E qualquer astronauta dentro da ISS flutua, sem gravidade zero! A foto acima é uma prova disso.

Para que não fique nenhuma dúvida, dentro de uma nave astronautas têm a "sensação" de ausência de peso e "flutuam" porque a órbita é, segundo Isaac Newton, uma queda infinita(*). É algo semelhante ao que aconteceria dentro de um elevador em queda-livre e que nós chamamos de impoderabilidade. Certo?


(*) Uma outra maneira mais técnica de dizer isso seria afirmar que a aceleração centrípeta da nave na órbita (aC = V²/r) tem o exato valor da aceleração da gravidade naquele ponto (gh = GM/r²), ou seja, ambas valem 8,6 m/s².


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 23h32





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  ::: É FANTÁSTICO! :::

 

É fantástico como pouquíssimas pessoas conseguem explicar da forma correta a razão pela qual os astronautas dentro de uma nave em órbita ao redor da Terra flutuam. A maioria esmagadora erra feio e sempre atribui o efeito à ausência de gravidade! Já vi esse erro inúmeras vezes em telejornais, rádios, revistas, ...

Só para ratificar a observação acima, acabo de ver no Fantástico, programa dominical da Rede Globo, uma matéria com boas intenções de questionar a sensação de ausência de gravidade e o equilíbrio do corpo humano mas que cometeu o mesmo erro. A matéria, pertecente à divertida série Os Cinco Sentidos, apresentada pelo competente ator Lázaro Ramos, é continuação de uma outra da semana passada e que abordou o interessantíssimo mecanismo de equilíbrio do corpo humano(*).

Ramos passou pela experiência de "flutuar" dentro de um avião em queda, o que simula a situação chamada de gravidade zero mas que, de fato, não tem nada a ver com gravidade nula. E disse para todo mundo ouvir: "o que será que acontece com o equilíbrio quando a gente vai para um lugar onde a Lei da Gravidade não existe, como no espaço? "! E a página na matéria no site do Fantástico tem o título "Sem gravidade" e mostra um texto cheio de contradições e erros físicos grosseiros.

É uma pena. Uma matéria bacana, bem produzida, mas com conteúdo cientificamente condenado. Fico me perguntando: quando é que os meios de comunicação vão divulgar de uma vez por todas verdadeira razão física para a sensação de ausência de peso conhecida na Física como impoderabilidade? Será que os grandes redatores faltaram desta aula de Física no colégio?

Aproveito a oportunidade para tentar explicar o que acontece de fato, do ponto de vista da boa e velha Física Clássica de Sir Isaac Newton. E vou tentar tudo na base do raciocínio e da imaginação, sem cálculos. Começo a pensar junto com você propondo algumas perguntinhas básicas sobre as situações apresentadas na matéria do Fantástico:

  1. Se no espaço não tem gravidade, então o que mantém a nave dos astronautas girando ao redor da Terra? Por que a nave não sai da sua órbita fechada e bem comportada e escapa para longe do planeta?  
  2. Se a gravidade é realmente nula no avião em queda onde os passageiros experimentam a chamada "gravidade zero", então o que é que faz o avião cair? Não é a própria gravidade que puxa o avião e todo o seu conteúdo para baixo? A gravidade não pode ser zero de verdade, pode?!

Vamos juntos às respectivas respostas:

  1. Na verdade, onde está a nave, a gravidade é menor do que na superfície do planeta pois, de acordo com a Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton, "a gravidade cai com o inverso do quadrado da distância ao centro da Terra" (ou de qualquer outro astro). Mas gravidade menor é bem diferente de gravidade zero! Aliás, é a gravidade quem mantém a órbita, quem prende a nave na sua trajetória ao redor do planeta! Se fosse zero, nem haveria órbita!
  2. Quando o avião despenca, cai com aceleração 9,8 m/s² e não com aceleração zero. Tudo que está dentro do avião cai junto com ele, com a mesma aceleração. Quem está dentro do avião, sem ter janelas para observar o que está se passando lá fora, cai junto com o chão e as paredes e perde uma referência confiável para saber se está ou não caindo. Tudo o que está dentro do avião não cai em relação a ele mas cai com ele. Percebe a diferença? Se o avião fosse transparente, um observador fora dele, parado em relação à Terra, veria tudo caindo, puxado pela gravidade não nula. Isso é chamado em Física de imponderabilidade e é a mesma sensação que experimentaríamos se estivéssemos dentro de um elevador cujo cabo arrebentasse.

E nesta altura você já deve estar se perguntando: "Por que numa órbita ao redor da Terra os passageiros da nave têm a mesma sensação de ausência de gravidade sentida pelos passageiros de um avião em queda? A nave não parece estar caindo! O que uma coisa tem a ver com a outra?"

Tem tudo a ver! E estas questões são fundamentais. Não sei se Newton sonhava com naves. Mas comparou a queda da maçã com a queda da Lua. Newton estudou a famosa questão "Por que uma maçã cai na Terra mas a Lua não?" E, para nosso espanto, argumentou que a Lua cai sim! Mas cai de um modo diferente. A maçã está inicialmente em repouso, pendurada no galho da macieira. Num dado momento, amadurece e o talo que a prende no galho enfraquece, soltando-a. Atraída pela gravidade, a maçã sai do repouso e ganha velocidade até colidir com o chão. A Lua não está em repouso, pendurada num galho ou algo assim. Ao contrário, tem uma velocidade tangencial inicial, algo que a maçã não tem. Atraída pela Terra, a Lua tende a cair. E com a velocidade tangencial, também tende a escapar da Terra na mesma direção e sentido da velocidade. Como combinação dos dois efeitos, a Lua cai enquanto também se move na direção tangencial. Assim, cai mas nunca atinge a superfície da Terra bem como nunca escapa para longe. É um ajuste perfeito entre velocidade e altitude (ou raio da órbita). Eu diria mesmo que trata-se de um belo "truque" de mecânica, um verdadeiro capricho cósmico!

Conclusão: dá para dizer sem medo de errar que uma órbita é uma queda segura e infinita, que nunca acaba numa colisão. Já uma queda vertical, a partir do repouso, terá infalivelmente um final trágico, uma colisão com o planeta. E, ao fazermos tal afirmação, temos nada menos do que Sir Isaac Newton do nosso lado!

Será que esta explicado? Entendeu que órbita e queda tem tudo a ver? E ficou claro que os astronautas flutuam com gravidade diferente de zero?


(*) O equilíbrio do corpo humano está centralizado no sistema vestibular, um conjunto de três canais semicirculares dispostos em planos ortogonais e que têm a função de detectar movimentos do nosso corpo e estabelecer o nosso equilíbrio. Este assunto foi o tema de minha monografia do curso de Física Médica, matéria eletiva da época da minha graduação na Unicamp - Universidade Estadual de Campinas. É um belo tema para um futuro post. Aguarde!


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 20h20





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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 49 anos

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