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::: NOVIDADES SOBRE O COMETA TEMPEL 1 :::
NASA
 Foto do cometa Tempel 1 obtida
pela composição de diversas imagens coletadas pela sonda Deep
Impact
Em 4 julho de 2005 a sonda Deep Impact chocou-se contra o
cometa Tempel 1. Foi um experimento asronômico histórico, um
verdadeiro show de tecnologia e ciência. A idéia era fazer um buraco no cometa
para "espiar" lá dentro, além de levantar poeira do astro para coletar dados
inéditos sobre a sua composição. Foi um sucesso.
::: IMAGENS :::
Câmeras localizadas no nariz do projétil que atingiu o astro fizeram
fotografias até o último momento antes do impacto. Outras câmeras a bordo da
sonda também fotografaram o experimento.
A foto acima foi obtida pela composição de diversas imagens obtidas durante o
experimento e tem resolução de 5 metros por pixel (clique aqui para abrir uma versão maior desta
imagem). Ela nos mostra detalhes incríveis do Tempel 1, desde
duas áreas mais lisas (regiões marcadas com "a" e "b") até crateras feitas por
prováveis impactos de corpos menores (asteróides) contra o cometa. A região
indicada pela seta "a" tem um contorno iluminado que sugere uma elevação. A
terceira seta no cometa, mais abaixo, mostra o ponto exato de impacto. Note que
ao redor deste ponto a resolução da imagem é maior e, portanto, mais rica
em detalhes. Isso se deve ao fato de que na aproximação do projétil esta região
foi contemplada com uma coleção maior de imagens em close. Acima e à
direita vemos duas setas, uma mostrando a direção do Sol (Sun) e outra indicando
a direção do pólo norte celeste (N). Abaixo e à direita vemos uma barra branca
de escala que corresponde a 1 km.
::: COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DO COMETA :::
A velha imagem de que cometas são blocos de rocha congelada pode estar caindo
por terra. O astrônomo Michael
A'Hearn da Universidade de Maryland, Estados
Unidos, chefe da equipe que comandou a missão, afirma que
o cometa Tempel 1 tem densidade muito baixa e que
algo entre 75% e 80% do núcleo parece ser vazio. O cometa está mais para um
aglomerado poroso de poeira do que para um bloco de rocha
sólida e congelada, pelo menos em suas camadas mais superficiais.
Análises espectroscópicas do material desprendido do cometa na colisão
ainda estão sendo feitas e o grupo de Michal A'Hearn
já notou grande presença de material orgânico, como já era esperado. Isso é
confirmado por outra pesquisa chefiada pela astrofísica espanhola
Luiza Maria Lara do IAA - Instituto de
Astrofísica de Andaluzia, na Espanha, que afirma que o impacto do
projétil contra o cometa provocou o aparecimento de gases sublimados de
H20, CO e NH3.
Medidas feitas na faixa do infravermelho mostraram que o cometa esfriou
"rapidamente" após a colisão com o projétil. Isso leva os cientistas a
acreditarem que o cometa tem uma blindagem térmica natural que
preserva no seu interior material intacto de 4,5 bilhões de anos atrás quando da
formação do Sistema Solar. Foi a primeira vez na história da ciência que um mapa
tão detalhado da temperatura na superfície de um cometa foi feito.
::: É SÓ O COMEÇO :::
Sim, é apenas o começo de um trabalho muito maior. Um experimento
como o Deep Impact produz uma grande quantidade de dados para
serem trabalhados por muito tempo e por muitas cabeças. E estas pesquisas
derivadas deste experimento vão, como já havíamos previsto, trazer muitas
novidades acerca dos cometas e, consequentemente, da formação do nosso Sistema
Solar.
Para saber mais
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h25)
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::: MÚSICA NA VEIA! :::
 a cantora Consuelo de Paula e a pianista Guiomar Novaes, ambas "em ação"
Acabei de chegar do show da cantora Consuelo de Paula que aconteceu na XXVIII Semana Guiomar Novaes. Foi um belíssimo espetáculo, muito sensível, com música brasileira da melhor qualidade. No palco o mínimo para fazer o máximo: a voz da Consuelo, acompanhada de piano, acordeon ou violão. E, vez ou outra, uma sutil percussão, feita pela própria cantora, sugeria uma idéia ritmica. Fantástico. Música boa se faz com pouca coisa, desde que haja muito talento.
Para quem não sabe, sou de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, terra de Guiomar Novaes, considerada a melhor pianista do século XX. Em homenagem a ela, há 28 anos acontece aqui nesta terrinha a Semana Guiomar Novaes, uma semana inteira de espetáculos sob o comando da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo em parceria com a o Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São João.
E, também para quem não ainda sabe, além de Física, sou maluco por Música! Estudei violão erudito de 1974 até 1982 com o caríssimo professor Sérgio N. Belluco da Escola de Música de Piracicaba. Só parei quando ingressei na graduação em Física na Unicamp. Parei de estudar oficialmente. Mas, de fato, nunca parei de estudar música. Aliás, por muito tempo, Música e Física conviveram pacificamente num nível praticamente profissional. Fui concertista erudito e, como também compunha, participei de vários festivais, dentre os quais o II Festival Universitário da Canção promovido pela Rádio e Televisão Cultura de São Paulo em 1984. Cheguei até a ter um estúdio onde eu compunha, arrranjava e gravava em computador e sintetizadores trilhas para rádio, TV e teatro no início dos anos 90. Paralelamente, trabalhava em pesquisa científica e já lecionava Física.
Quando resolvi cursar Física, em 1982, uma das minhas maiores motivações, dentre inúmeras, era estudar acústica e entender melhor o som que eu já sabia muito bem como funcionava na prática e na teoria musical mas queria entender à luz da Física e da Matemática. Acabei aprofundando-me nesta área e fiz iniciação científica com outro grande mestre, o prof. Dr. José Inácio C. Vasconcelos do DEQ-IFGW-Unicamp, reavaliando o trabalho de J. Kepler (1571-1630) conhecido como A Música das Esferas e que associava música às órbitas planetárias do Sistema Solar. Kepler havia escrito sobre os seis primeiros planetas do sistema conhecidos na sua época (Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno). Ampliei o trabalho deste fantástico astrônomo alemão até Plutão, acrescentando os três planetas que faltavam. Mas isso é um papo para um outro oportuno post.
Este post aqui e agora é para compartilhar com você, visitante do Física na Veia!, a minha alegria de chegar em casa depois de um lindo espetáculo musical e aproveitar a oportunidade para revelar este meu outro lado ainda mal explorado neste blog.
Aproveito ainda para anunciar oficialmente que em breve farei um post sobre como funcionam os sintentizadores. Será uma maneira divertida e didática (espero!) de introduzir alguns conceitos sobre a Física da Música. A idéia surgiu no mês passado quando faleceu Robert Moog (1934-2005), engenheiro eletrônico americano que inventou o Sintetizador Moog que marcou época na música pop e eletrônica.
Estou preparando um material multimídia em Flash para ilustrar o post. É quase um laboratório sobre as propriedades acústicas e musicais do som, síntese sonora aditiva (série de Fourier) e o sampler. Acho que vai dar o maior pé. Está dando um trabalhão mas devo confessar que estou me divertindo muito revendo conceitos e idéias com os quais já convivi intensamente em outras épocas! E, para melhorar as coisas, toda vez que a gente prepara uma aula, acaba fazendo um upgrade no conhecimento. Isso é fantástico e uma das melhores coisas de ser professor. Aguarde o material que entra no ar em breve!
Física na Veia! E Música na Veia também, sempre!
Para saber mais
- Site oficial da cantora e compositora Consuelo de Paula.
- Site sobre a pianista Guiomar Novaes feito por mim mesmo em meados dos anos 90 quando eu tinha uma empresa de multimídia.
- Biografia de Robert Moog (inglês)
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 23h07)
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