::: GRANDE OU PEQUENO? :::
Tudo o que vemos de perto nos parece grande. Ao contrário, de longe, tudo parece ser pequeno.
Um carro ao longe parece ser tão pequeno que poderia caber na palma da nossa mão, não é mesmo? É claro que quem está perto do carro o vê grande, em tamanho real. Logo, o que vemos é apenas uma ilusão de óptica que depende da nossa percepção visual.
Todo o trabalho de enxergar é feito numa parceria olhos e cérebro. Os olhos são os responsáveis diretos em captar a luz. O cérebro é o responsável em interpretar as informações visuais trazidas pela luz que os olhos captaram e enviaram para ele via nervo óptico, por impulsos nervosos.
Uma idéia bastante simples e que nos ajuda a entender este fenômeno óptico é pensar no cone de luz que provém do objeto e penetra nos nossos olhos. Veja na figura abaixo um exemplo prático. Do prédio, visto ao longe, chega aos nossos olhos um cone de luz que tem um ângulo de abertura q1.

Se virmos o mesmo prédio mais de perto, o cone de luz que chega aos nossos olhos ficará mais aberto, ou seja, com um ângulo maior. Confira na figura a seguinte.

Note que mais de perto teremos q2 > q1. O ângulo maior do cone de luz provoca a sensação visual de o objeto ser maior.
É simples. Resumindo:
- Cone mais fechado (ou ângulo q menor) cria a sensação de "pequeno"
- Cone mais aberto (ou ângulo q maior) cria a sensação de "grande"
Entendeu?
Com uma lupa, que é uma lente convergente, podemos fazer um belo "truque óptico" que "engana" a nossa percepção. Para entender como é isso, veja na figura abaixo o olho tentando visualizar uma foto do ônibus espacial Discovery da NASA. Um cone de luz proveniente da foto entra nos olhos com uma abertura q1 e este valor angular causa uma sensação de tamanho para a foto.

Na próxima figura vemos a lupa em ação. Note que a lupa, por ser lente convergente, concentra o cone de luz que fica com uma abertura q maior.
Com a lupa, nossos olhos captam um cone de luz mais aberto (q2 > q1) e o nosso cérebro "pensa" que o objeto é maior! A foto pequena nos parecerá grande e os detalhes, antes muito sutis, agora saltam aos olhos!
Viu só como a óptica é bacana?
Esta nossa maneira de ver as coisas influencia bastante como vemos os astros. O tamanho aparente do Sol, da Lua e de todos os objetos celestes depende da distância que este objeto se encontra dos nossos olhos ou, em outras palavras, do ângulo de abertura do cone de luz que chega aos nossos olhos. Uma coisa interessante e que tem tudo a ver com esta idéia óptica é tentar descobrir qual o tamanho aparente do Sol visto de outros planetas do Sistema Solar. Outra questão bem bacana é com a Lua, bem menor que o Sol, pode obstruí-lo por completo durante um eclipse solar total. Pense!
Mas vou deixar essa discussão para o próximo post, para criar um suspense e aguçar a sua imaginação. Aguarde!
Este post é dedicado ao Maestro Billy e à sua enteadinha lindinha de apenas 9 anos de idade e lindos olhos azuis (que vi no Orkut) e que, com a imensa curiosidade que todas as crianças têm, fez para ele a desconsertante pergunta: "Billy, por que eu consigo colocar um carro na palma da minha mão quando ele está longe?". Billy contou-me esta história por e-mail. Eu adorei e foi a inspiração para o post. Crianças são um grande barato! Que pena que a gente fica velho e passa a ter vergonha de fazer as perguntas mais legais sobre o Universo que nos rodeia, não é mesmo?!
Já publicado aqui no Física na Veia!
Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h35)
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