::: NOVO CANDIDATO A DÉCIMO PLANETA DO SISTEMA SOLAR :::

M. Brown (GPS/Caltech e arquivo pessoal)

À esquerda "Lila", o objeto 2003-UB313 circundado, e à direita Lilah Binney
Brown, filha do astrônomo Michael Brown
 

Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão são os nove planetas conhecidos do Sistema Solar em ordem crescente de distância ao Sol. Mas podem existir outros planetas além destes.

Um novo objeto, batizado provisoriamente de 2003-UB313 e que já vem sendo observado desde 2003 através do Samuel Ostin Telescope no Observatório Palomar é o mais novo candidato a ser catalogado como o décimo planeta do Sistema Solar. A notícia foi divulgada ontem, 29 de julho, pelo astrônomo Michael Brown, chefe do departamento de Astronomia Planetária do Caltech - California Institute of Technology, que revelou tratar-se de um astro que parece ser maior do que Plutão e, portanto, mais um possível planeta do nosso sistema. Brown sugeriu para o IAU(1) - International Astronomical Union que o novo astro seja catalogado como Lila, nome de sua filha nascida em 7 de julho deste ano.

Existem duas regiões importantes nos limites distantes do Sistema Solar: I) O Cinturão de Kuiper(2) e II) A Nuvem de Oort(3).

livro "Tópicos de Física Moderna" (DulcidioBraz Jr)

Cinturão de kuiper e Nuvem de Oort

O Cinturão de Kuiper é uma espécie de anel de objetos que orbitam o Sol além de Netuno, praticamente no mesmo plano das órbitas planetárias. Já a Nuvem de Oort corresponde a uma "casca esférica" de objetos ligados gravitacionalmente ao Sol e que envolve todo o Sistema Solar. Suspeita-se que existam inúmeros objetos pequenos e de difícil observação no Cinturão de Kuiper e até mesmo na Nuvem de Oort. Estes diminutos astros, chamados de objetos transnetunianos, são muito difíceis de serem observados pois, além de pequenos, estão muito longe. Desta forma, refletem pouca luz solar que, quando chega na Terra, já está bem fraca pois a intensidade da energia luminosa emitida por um objeto cai com o inverso do quadrado da distância do observador ao objeto. É provável que existam muitos objetos transnetunianos maiores do que Plutão que tem 2350 km(4) de diâmetro e é considerado hoje um tamanho mínimo para um objeto ser classificado como um planeta do Sistema Solar. Também devem existir muitos outros objetos transnetunianos menores do que Plutão, como Sedna, Quaoar e 2003 EL61, também descobertos pela equipe chefiada por Michael Brown (veja a figura abaixo que estabelece uma comparação de tamanhos).

Adaptação de Dulcidio Braz Jr sobre material original de M. Brown

Comparação de tamanhos em escala: Sedna e Quaoar foram representados
por imagens artísticas;Terra, Lua e Plutão por imagens reais e os novos objetos
apenas por discos sem detalhes.

Dentro deste critério de classificação de um astro em planeta, com a melhoria das técnicas de observação de objetos tênues e distantes, poderemos ter em breve alguns outros novos planetas descobertos e incorporados na família do Sistema Solar. Dá para perceber que já faz muito tempo que a ciência deixou de conceber o Sistema Solar apenas como uma estrela rodeada de nove planetas e já tem uma nova concepção de um novo sistema planetário? Fantástico tudo isso, não? 


(1) A IAU - União Astronômica Internacional é o orgão que agrega todos os astrônomos e instituições astronômicas do mundo e é responsável, dentre outras coisas, por homologar nomes de novos astros.
(2) O Cinturão de Kuiper tem esse nome em homenagem ao astrônomo Gerard Peter Kuiper (1905-1973) que sugeriu a sua existência. Estima-se que tenha raio de 30 UA até 100 UA aproximadamente (1 UA = 1 Unidade Astronômica = distância Sol-Terra, aproximadamente 150 milhões de km).
(3) A Nuvem de Oort tem esse nome em homenagem ao astrônomo Jan Hendrik Oort (1900-1992) que postulou a sua existência. Estima-se que tenha raio entre 30.000 UA e 1 ano-luz (distância que a luz percorre viajando durante um ano, com velocidade de 300.000 km/s, o que dá um valor aproximado de 9,4 trilhões de quilômetro ou cerca de 63 UA). 
(4) Note que Plutão é bem pequeno, menor até do que a Lua, nosso satélite natural, que tem 3476 km de diâmetro.


Já publicado aqui no Física na Veia!


Para Saber Mais

  • Página do Dr. Brown, onde você encontra Links para os artigos acadêmicos do Dr. Brown (disponíveis em PDF), dentre outras informações.




Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 11h50)



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  ::: GELO EM MARTE :::

ESA - Mars Express
Clique para ver imagem em alta resolução
Cratera com gelo em Marte em foto da Mars Express

A fantástica imagem acima, colorida artificialmente em computador, foi feita pela HRSC - High Resolution Stereo Camera (Câmera Estéreo de Alta Resolução) a bordo da sonda Mars Express da ESA - Agência Espacial Européia.

A cratera, que fica a uma latidue de 70,5o norte de Marte, bem próxima ao pólo norte do planeta, tem cerca de 35 km de diâmetro e profundidade máxima de 2 km.

A câmera é dita "estéreo" porque consegue capturar imagens duplas, de dois pontos de vista diferentes, como os olhos humanos. A partir desta informação dupla é possível gerar uma imagem 3D pelo processo anaglífico que, quando vista por óculos especiais (com uma lente azul e outra vermelha) dá ao observador detalhes tridimensionais do objeto.

Clique aqui para ver a imagem acima, colorida por computador, em alta resolução (1550 pixels X 1240 pixels ~ 419 kb) ou aqui para ver a imagem 3D anaglífica (900 pixels X 849 pixels ~ 282 kb). Mas só será possível ver detalhes em 3D nesta segunda imagem se você tiver os óculos especiais com lentes vermelha/azul(*), certo?


(*) Você encontra estes óculos à venda pela internet por menos de R$ 5,00. Pesquise no Google que vai achar, com certeza.


Para saber mais

  • Site oficial da sonda Mars Express 
  • Site oficial da ESA - Agência Espacial Européia


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h41)



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  ::: PARA CIMA OU PARA BAIXO ? :::

NASA
Clique na imagem para abrir um gif animado
imagem de computador simulando o novo braço scanner

A imagem acima foi retirada de uma animação da NASA - Agência Espacial Americana e  mostra o novo braço scanner do ônibus espacial que tem 15 m e é capaz de varrer a estrutura da nave em busca de possíveis danos na estrutura ocorridos no lançamento.

Dano estrutural no lançamento é a maior preocupação da NASA neste tipo de missão tripulada pois foi exatamente o que aconteceu no trágico vôo do Columbia em fevereiro de 2003. Um pedaço do tanque principal soltou-se com a intensa vibração durante o lançamento e atingiu a cobertura protetora de calor da nave. No retorno, na reentrada na atmosfera, o "buraco" na proteção foi um ponto vulnerável por onde entrou excesso de calor que provocou a explosão da nave que desintegrou-se matando todos os sete tripulantes.

Desde lá houve um intenso trabalho de melhorias no projeto e o tanque principal de combustível foi modificado, novas câmeras foram instaladas para filmar o lançamento em busca de possíveis problemas e várias outras significativas alterações no projeto original do ônibus espacial foram feitas para maximizar a segurança neste tipo de missão espacial. Para ver uma lista com 10 itens modificados no projeto, clique aqui. É um material muito bacana em fotos e textos da BBC Brasil.

 

::: A NAVE ESTÁ DE PONTA-CABEÇA? :::

E, antes que você pergunte "o que tem a ver o título deste post" com o seu conteúdo, explico. Achei curiosa a imagem original da NASA onde vemos a Discovery aparentemente "de ponta-cabeça".

Só que no espaço não faz sentido esta noção de lado de cima ou lado de baixo. Esta noção é terrestre, ou seja, só é válida para observadores na Terra.

Para ilustrar como é isso, eu fiz um gif animado (~100kb) que gira a imagem original em 180 graus. Do nada a nave parece ficar "em pé"! Quer testar você mesmo? Então clique aqui ou na foto acima.

Depois me conta o que achou disso em comentário. E aproveito para propor uma outra questão famosa em Física: por que dentro da Discovery ou em qualquer nave em órbita ao redor da Terra os astronautas e todos os objetos "flutuam"? Não vale dizer que é "ausência de gravidade" porque está erradíssimo! A gravidade existe sim. É menor do que na superfície da Terra mas não é nula onde a nave está. E é justamente a gravidade quem "prende" a nave na Terra, puxando-a para o centro do movimento orbital, certo? Sem gravidade a nave deveria seguir em linha reta, na direção e sentido do seu vetor velocidade, escapando para o espaço. Sem gravidade não existiria órbita!


Para saber mais

  • Conheça o site Spaceflight Now com muitas informações sobre astronáutica (em inglês)






Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 12h16)



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  ::: RETURN TO FLIGHT EM VÍDEO :::

Para quem não viu o lançamento da Discovery pela TV ou viu mas sabe que vale a pena ver de novo, é só abrir os arquivos de vídeo da NASA TV, compactados em Real Video. É um show de imagens e uma prova de como a Física funciona na prática!


O lançamento da Discovery, sempre um espetáculo.
 
Depois de 2 min, a 45 km de altitude, os dois foguetes auxiliares soltam-se da nave e caem no oceano.
 
8min40s depois do lançamento, a nave solta-se do tanque principal de combustível que será destruído por aquecimento causado pelo atrito com as partículas da atmosfera.
 
  • Clique aqui para ver outros vídeos e material multimídia sobre a Discovery 
  • Clique aqui para ver os vídeos preflight com animações (MPEG) do que vai acontecer nesta missão espacial




Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 14h23)



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  ::: 4, 3, 2, 1, LITOFF :::

NASA

lançamento do ônibus espacial Discovery em 26/07/2005

Acabo de assistir ao vivo pela CNN (11h39min, horário de Brasilia) ao lançamento do ônibus espacial Discovery que marca o retorno das missões espaciais tripuladas da NASA - Agência Espacial Americana depois do acidente com a nave Columbia em fevereiro de 2003.

Por questões de segurança, o lançamento que estava agendado para 13 de julho foi adiado para hoje e já pode ser considerado um sucesso.

O evento, em cabo Canaveral, Flórida, foi um espetáculo de tecnologia. E um show de imagens. Uma câmera no tanque principal da Discovery foi mostrando detalhes do chão e víamos a Terra ficando cada vez mais distante. Quando já dava para ver a curvatura do planeta azul ao longe, aconteceu o desprendimento do tanque principal. A câmera, no referencial do tanque, mostrou a nave afastando-se. Foi simplesmente maravilhoso.

::: CRONOGRAMA DO QUE ACONTECEU :::

  • Os três motores do ônibus espacial começam a funcionar 6 segundos antes do lançamento.
  • Em 8 segundos a nave atinge a velocidade de 160 km/h e, em menos de um minuto, já está voando a 1.600 km/h.
  • Em 2 minutos, a 45 km de altitude e velocidade de cerca de 4.800 km/h, os dois foguetes auxiliares de combustível desprendem-se e caem no Atlântico.
  • Em 8 min e 40 s, com velocidade de 28.968 km/h (~ 8km/s), o tanque principal (laranja) se desprende da nave e cai na atmosfera, desintegrando-se sobre o oceano
  • Em aproximadamente 43 min dois pequenos motores da parte de trás da nave serão ligados para as manobras em órbita durante 3 min e a Discovery segue para a sua órbita definitiva.

::: A MISSÃO :::

Além de recuperar a auto-estima da NASA neste tipo de missão, a Discovery, comandada pela astronauta Eileen Collins, experiente piloto da aeronáutica de 48 de idade, vai acoplar-se na ISS - Estação Espacial Internacional. A missão leva peças e suprimentos para a ISS e vai testar novos equipamentos, como um braço robótico de 15 m.

O retorno está previsto para o dia 7 de agosto.


::: Upgrade 1: 28/07 (~12h) - A NASA cancelou provisoriamente os futuros vôos tripulados com ônibus espaciais. O motivo é que foi filmado um pedaço do tanque principal que se desprendeu com a intensa vibração durante o lançamento da Discovery. Tudo indica que o pedaço não atingiu a nave mas foi exatamente assim que o escudo protetor de calor da Columbia foi danificado em 2003 causando a desintegração da nave na reentrada na atmosfera.


::: Upgrade 2: 28/07 (~17h) - Hoje de manhã (8h18min, horário de Brasília) a Discovery acoplou-se na ISS - Estação Espacial Internacional e, durante as manobras, astronautas a bordo da ISS filmaram a Discovery para buscar mais detalhes sobre a integridade do escudo protetor de calor. Os sete integrantes da tripulação da Discovery já se encontram dentro da ISS onde passarão os próximos oito dias. Dois astronautas da Discovery deverão sair para o espaço e, dentre outras coisas, vão observar o estado da nave em busca de danos na proteção térmica.


Para saber mais

  • Visite o site da missão Return To Flight (NASA).
  • Visite o site do Centro Espacial Kennedy.


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 10h52)



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  ::: A DANÇA DO UNIVERSO :::

www.arteciencianopalco.com.br

Espetáculo teatral "A Dança do Universo"


Estréia no próximo dia 6 de agosto o espetáculo "A Dança do Universo", nona montagem do genial Projeto Arte Ciência No Palco que até junho de 2005 já recebeu perto de 600 mil espectadores em todo o seu repertório que traz a ciência para o palco. 

Segundo o ator Oswaldo Mendes, "espetáculo foi criado para celebrar o Ano Mundial da Física, em que trazemos à lembrança alguns personagens como Mário Schenberg, ao lado de Kepler, Galileu, Newton, Einstein e outros."

Coincidentemente, a estréia deste espetáculo será no mesmo dia do Seminário Sobre O Ensino de Física, promovido pela APROFI - Associação Paulista dos Professores de Física e pelo CEU - Centro de Extensão Universitária.

É uma oportunidade única de participar de palestras sobre física durante o dia e assistir à noite ao mais recente espetáculo deste surpreendente projeto teatral. É Física na Veia!, com certeza!


Espetáculo "A Dança do Universo"

  • 6 de agosto de 2005
  • 21 h
  • Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, Vila Mariana, São Paulo/SP)
  • Mais informações em Arte Ciência No Palco 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h56)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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