::: ASTRONOMIA E PÁSCOA, TUDO A VER! :::

 

Por que a Páscoa cai num dia diferente a cada ano?

A resposta é simples: a data da Páscoa está amarrada ao ciclo lunar!

A festa da Páscoa cristã, segundo a religião católica, comemora a ressurreição de Cristo e, de acordo com decreto do Papa Gregório XIII, de 24/2/1582, a data da Páscoa será sempre o primeiro domingo depois da Lua Cheia que acontecer no dia 21 de março(*) ou depois dele.

Desta forma, a quarta-feira de cinzas acontece sempre 46 dias antes da Páscoa e, consequentemente, a terça-feira de carnaval será sempre 47 dias antes da Páscoa.

Usando conhecimentos astronômicos, é possível prever as fases da lua e calcular a data exata da Páscoa.

Veja abaixo um algoritmo(**) que nos permite "facilmente" encontrar a data da Páscoa:

  • a = ano
  • c = a/100
  • n = a - [19×(a/19)]
  • k = (c - 17)/25
  • i = c - c/4 - [(c-k)/3] +(19×n) + 15
  • i = i - [30×(i/30)]
  • i = i - {(i/28)×[1-(i/28)]×[29/(i+1)]×[(21-n)/11]}
  • j = a + a/4 + i + 2 -c + c/4
  • j = j - [7×(j/7)]
  • l = i - j
  • m = 3 + [(l+40)/44]
  • d = l + 28 - [31×(m/4)]

Neste algoritmo, todos os cálculos devem ser aproximados para o seu valor inteiro, desprezando-se sempre o que vier depois da vírgula.

A variável a é o ano, d é o dia do mês correspondente ao domingo de Páscoa e, por fim, m é o mês, que pode ser m = 3 (março) ou m = 4 (abril).

EXEMPLO: Vamos tomar 2005, ou seja, a = 2005, ratificando que todas as contas serão aproximadas para o seu valor inteiro, desprezando-se o que vier depois da vírgula, certo? Confira:

  • a = 2005
  • c = a/100 = 2005/100 = 20,05 = 20
  • n = a - [19×(a/19)] = 2005 - [19×(2005/19)] =
    = 2005 - [19×105] = 10
  • k = (c - 17)/25 = (20 - 17)/25 = 0
  • i = c - c/4 - [(c-k)/3] +(19×n) + 15 =
    = 20 - 20/4 - [(20 - 0)/3] +(19×10) + 15 =
    = 20 - 5 - [6] + 190 + 15 = 214
  • i = i - [30×(i/30)] = 214 - [30×(214/30)] =
    = 214 - [30×(7)] = 214 - 210 = 4
  • i = i - {(i/28)×[1-(i/28)]×[29/(i+1)]×[(21-n)/11]} =
    = 4 - {(4/28)×[1-(4/28)]×[29/(4+1)]×[(21-10)/11]} =
    = 4 - {(0)×[1-(4/28)]×[29/(4+1)]×[(21-10)/11]} = 4
  • j = a + a/4 + i + 2 -c + c/4 =
    = 2005 + 501 + 4 + 2 - 20 + 20/4 = 2497
  • j = j - [7×(j/7)] = 2497 - [7×(2497/7)] =
    = 2497 - [7×(2497/7)] =
    = 2497 - [7×356] = 2497 - 2492 = 5
  • l = i - j = 4 - 5 = - 1
  • m = 3 + [(l+40)/44] = 3 + [(-1+40)/44] =
    = 3 +[0] = 3
  • d = l + 28 - [31×(m/4)] = -1 + 28 - [31×(3/4)] =
    = -1 + 28 - [0] = 27

RESPOSTA: a Páscoa para o ano a = 2005 cai no dia d = 27 do mês m = 3, ou seja, 27 de março!

Hoje é Sábado de Aleluia, dia 26 de março, véspera da Páscoa. Amanhã é 27 de março, Domingo de Páscoa, confere?!

Antes que você diga que vai continuar olhando na folhinha que é bem mais fácil do que fazer as contas acima, observo que o algoritmo pode ser programado para rodar num computador que, em frações de segundo, dará a resposta, sem trabalho braçal nenhum!

Prova disso é o script do site do US Naval Observatory, feito na linguagem Perl, que calcula o Domingo de Páscoa (Easter Sunday) e da quarta-feira de cinzas (Ash Wednesday).

Clique aqui e, na janela que vai se abrir, siga as instruções. A resposta vem num piscar de olhos. Se demorar, é lerdeza da internet porque, para o servidor (computador principal do site), é fichinha fazer estas continhas!

Tudo isso foi para ter um gancho para desejar a você,
visitante do Física na Veia!, uma EXCELENTE PÁSCOA!
E que a vida seja sempre doce, como o chocolate!
Mas, se ficar amarga de vez em quando, não tem
problema. Chocolate meio amargo é bom pra variar!


(*) 20 ou 21 de março (dependendo do ano) é o dia do equinócio de outono no hemisfério Sul, data em que o dia e noite tem duração igual pois o Sol está "passando" do hemisfério Sul para o hemisfério Norte, anunciando o inverno que vai chegar para nós daqui a alguns meses no hemisfério Sul.

(**) Algoritmo é o nome que se dá para uma seqüência lógica de passos. Todo programa de computador segue um algoritmo. O algoritmo aqui mostrado foi criado em 1940 por J.M. Oudin e está impresso no Explanatory Supplement to the Astronomical Almanac, ed. P.K. Seidelmann (1992), segundo o site http://astro.if.ufrgs.br, minha fonte de consulta para este post.





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 23h15)



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  ::: EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE O SISTEMA SOLAR :::


Capa da edição especial

A revista Scientific American Brasil está dando outro show de informações em sua recente edição especial Novas Luzes Sobre O Sistema Solar.

São 11 matérias assinadas por pesquisadores de destaque em sua área de atuação e que mostram um novo sistema solar que vai muito além de uma estrela e nove planetas (Clique aqui para ver o índice de matérias).

Mais uma vez sou obrigado a dizer: imperdível! Nas bancas por R$ 11,90.  


  • Site oficial da Scientific American Brasil:
    www.sciam.com.br
  • Clique aqui para ver outros especials da Scientific American Brasil




Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 11h29)



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  ::: PLANETAS EM OUTRAS ESTRELAS :::

NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC)

Concepção artística mostrando um suposto planeta extrasolar na fai-
xa visível (à esquerda) e no infravermelho (direita). No infravermelho 
o  brilho relativo planeta/estrela é maior, o que facilita a sua detecção
direta, com ganho de informações importantes.

Assim como a Terra e os outros oito planetas do Sistema Solar orbitam o Sol, que é uma estrela, todas as outras estrelas da nossa e de outras galáxias podem ter planetas girando ao seu redor. Se pensarmos em todo o Universo, isso pode significar a existência de uma infinidade de outros planetas.

Esta hipótese é bastante empolgante. Dentre outras coisas, nos faz pensar que, se existem outros planetas em outras estrelas, então podemos ter vida em outros pontos do Universo. Até mesmo vida inteligente passa a ser uma hipótese viável. Se a vida surgiu na Terra, pode ter surgido também em qualquer outro ponto do Universo. Ou será que a Terra é um ponto privilegiado em todo o Universo? Sinceramente, acho mais lógico pensar que a Terra seja um dos inúmeros pontos onde a vida simplesmente aconteceu.   

Já foram "observados" mais de uma centena de planetas extrasolares, ou seja, em outros sóis (ou estrelas). Justifico as aspas pelo fato de que, na verdade, as observações sempre foram indiretas.

Explicando um pouco melhor, planetas não têm luz própria e são muito pequenos quando comparados a uma estrela. Muito longe da Terra, são pontos minúsculos e quase sem brilho. Detectá-los pela radiação que emitem tem sido uma tarefa praticamente impossível. É mais ou menos como tentar ver um vaga-lume de dia passando na frente do Sol! O brilho intenso do Sol "apaga" o vagalume. O que normalmente os astrônomos fazem é:

  1. Medir o efeito gravitacional que o planeta provoca na estrela. Em outras palavras, detectar a perturbação na posição da estrela causada pela presença do planeta; ou
  2. Medir a diminuição da luminosidade da estrela quando o planeta (opaco) passa diante do disco luminoso estelar numa espécie de eclipse longínquo.

Mas uma recente notícia indica que o rumo desta pesquisa de procurar planetas distantes pode mudar bastante. Dois grupos de cientistas americanos, usando o telescópio espacial Spitzer da NASA, conseguiram detectar dois planetas diferentes, em estrelas diferentes, detectando a energia eletromagnética da estrela e do planeta e comparando com a mesma energia quando o planeta está passando atrás da estrela. É o oposto do que acontece no método "2" descrito acima. Agora é a estrela quem obstrui o brilho do planeta e não o contrário. A vantagem neste caso é que, luz visível e outras faixas do espectro eletromagnético refletidas pelo planeta podem ser coletadas diretamente. Como esta radiação eletromagnética transporta informações sobre os elementos químicos presentes no objeto emissor, com este novo método será possível obter detalhes sobre a composição do planeta e sua atmosfera e não apenas detectar a sua presença e estimar parâmetros orbitais e de massa.

O novo método parece ser um degrau acima nesta linha de pesquisa. O sucesso na utilização do telescópio espacial Spitzer deve-se ao fato de que ele trabalha na faixa do infravermelho, região em que o brilho do planeta chega a 0,25% do brilho total da estrela. Na faixa visível o planeta é muito mais apagado em comparação com a estrela e seu brilho relativo fica em torno de apenas 0,01%.

Os dois planetas recém descobertos e catalogados como HD 209458b e TrES-1 são gigantes gasosos, semelhantes ao planeta Júpiter do nosso sistema solar. O primeiro tem diâmetro 70% maior que o diâmetro de Júpiter. O segundo, diâmetro 16% maior que o de Júpiter. Ambos realizam suas órbitas muito perto de suas estrelas e, por isso, têm temperaturas altas, em torno de 800oC. Outro efeito interessante das suas órbitas com raio pequeno é a grande velocidade orbital que faz com que eles dêem volta ao redor das suas estrelas em aproximadamente 3 dias terrestres. Em outras palavras, o ano destes planetas dura algo em torno de 72h!

Procurar planetas extrasolares é como procurar uma agulha num palheiro. Mas, de alguma forma, os astrônomos conseguiram uma nova maneira de procurar "agulhas" mais brilhantes, na faixa do infravermelho. Isso é fantástico! Vamos esperar os próximos capítulos desta história empolgante que, provavelmente, vai nos mostrar que o Universo deve ser povoado de muitos outros planetas.


Para saber mais





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 14h24)



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  ::: ENCONTRO DE PROFESSORES DE FÍSICA EM MG:::


A primeira e a última foto de Albert Einstein

Hoje tive o prazer de falar para um grupo de professores de Física num encontro regional de docentes da rede pública na sede da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais) em Poços de Caldas MG. O convite para o evento veio da diretoria do Colégio Integral de Poços, usuário do material didático da Editora Companhia da Escola para a qual trabalho como autor.

Aproveitando o clima de Ano Mundial da Física, falei sobre Einstein. Fiz uma introdução na forma de time line, pinçando detalhes curiosos da vida pessoal e científica desta grande figura do mundo científico. Em seguida, focalizei o ano de 1905, o Ano Milagroso, e dissecamos o Efeito Fotoelétrico, a Relatividade Restrita e a Equivalência Massa-Energia. Irresistivelmente, demos uma passadinha em 1916 para abordar a Relatividade Geral, incluindo a gravidade no "kit Relatividade".

Foi muito divertido, pelo menos para mim. Em duas horas e meia, usando data-show, viajamos no tempo. O Tópicos de Física Moderna(*), livro de minha autoria que aborda Relatividade, Quântica e Cosmologia numa linguagem acessível para jovens estudantes de ensino médio e início do ensino superior, serviu de fio condutor para as deduções e apresentações teóricas.  

Foi a estréia deste novo formato de palestra que espero repetir em outras oportunidades, para outros professores e alunos, ao longo de 2005, um ano inteirinho para falarmos de Física e, especialmente, Einstein.

Para ficar ainda melhor, encontrei duas ex-alunas, uma de cursinho e outra de faculdade, que passaram para o lado de cá, o lado de professor, e tornaram-se colegas de trabalho.   


(*) Para conhecer o Tópicos de Física Moderna, clique aqui.





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 19h07)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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