::: É HOJE! :::


Einstein em 1905, um "moleque" cheio
de idéias que iriam revolucionar a Física
 

Hoje, 17 de março de 2005, é um dia muito especial. Exatamente há 100 anos Albert Einstein (1879-1955) postava para a revista Annalen der Physik o seu artigo sobre o Efeito Fotoelétrico. Era a sua estréia oficial no mundo científico.

O Efeito Fotoelétrico já era bastante conhecido dos físicos desde o século XIX. A luz incidente sobre uma placa metálica podia arrancar elétrons do metal. Mas isso só acontecia a partir de uma certa cor no final do espectro visível, próximo à faixa do ultravioleta. A cor da luz está ligada à freqüência da onda luminosa. Desta forma, o Efeito Fotoelétrico só era observado a partir de uma dada freqüência. Para freqüências menores, mesmo aumentando a intensidade da luz indefinidamente, nada acontecia. Não havia explicação clássica para o fenômeno que intrigava e muito os cientistas, embora fosse relativamente simples de realizar o experimento.

Einstein, então um mero "moleque" de 26 anos, desconhecido do mundo científico, e um simples funcionário do Departamento de Patentes, propôs um modelo que era capaz de reproduzir com muita perfeição o Efeito Fotoelétrico. Ele embarcou na idéia de Quantização de Energia proposta por Max Planck (1858-1957) em dezembro de 1900. Segundo Planck, a radiação térmica seria composta por "pacotes" discretos de energia E dada por E = h.f (h é uma constante física que chamamos de constante de Planck e f a freqüência da luz).

Einstein imaginou a luz como sendo composta por partículas, ou seja, trocou o bem sucedido caráter ondulatório da luz para assumir o inusitado caráter granular. Já temos aqui uma idéia no mínimo original pois a concepção de luz como onda eletromagnética era muito bem aceita pela comunidade científica.  E argumentou ainda que, para arrancar um elétron do metal, seria necessária uma energia mínima ou, como costumamos chamar em Física, um 'trabalho' mínimo, que repressentaremos aqui por Wmin. Cada uma destas partículas de luz deveria carregar uma energia mínima Emin que seria transferida ao elétron por colisão. Esta energia mínima deveria obedecer à quantização de Planck, ou seja, Emin = h.fmin. Em outras palavras, cada partícula de luz deveria ter uma freqüência mínima (fmin) para carregar uma energia mínima (Emin) suficiente para liberar um elétron de sua "prisão energética" numa pancada microscópica. Se houvesse mais energia que o mínimo necessário, não só o elétron seria liberado como deveria adquirir movimento, ou seja, teria uma energia cinética EC extra resultante da diferença entre a energia E = h.f que recebeu e a energia mínima Wmin necessária para ser liberto. Traduzindo esta idéia para o bom "matematiquês", primo direto do "fisiquês", podemos escrever:

EC = h.f - Wmin

 

Genial! Hoje sabemos que genial é a palavra exata para descrever a idéia de Einstein. Einstein não tinha medo de assumir novos paradigmas. É incrível como neste primeiro artigo está fortemente presente esta característica de não ter preconceito algum contra o desconhecido. Mas imagine você como naquela época tudo soava muito estranho! Einstein batia de frente com as idéias físicas vigentes. Nem mesmo Planck tinha ainda certeza de que a sua idéia de quantização estava correta e vem um jovem desconhecido, praticamente do nada, para usar uma idéia ainda em testes e tentar desatar um nó na Física?! Chocante! Mas o pior (ou será melhor?) é que o modelo do jovem Albert funcionava muito bem! 

Par que você tenha uma idéia da originalidade do trabalho de Einstein, somente em 1921 ele foi oficialmente reconhecido e laureado com o Nobel de Física. É uma prova histórica de que Einstein sempre esteve à frente do seu tempo.

Foi assim a estréia de Albert Eintein no cenário científico mundial, há exatamente 100 anos. Estava nascendo a Mecânica Quântica. E era só o começo de uma nova página na história da Física que nunca mais foi a mesma. Isso poderia passar em branco? 





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h47)



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  ::: RONALDO, SERÁ MESMO QUE NÃO DEU TEMPO ? :::


Ronaldo Marin e o prof. César Lattes, em maio de 2004

Ronaldo "Joule" Marin é artista plástico, diretor teatral e físico. Em breve estará recebendo título de mestre em Semiótica Aplicada à Inteligência Artificial pelo IA- UNICAMP. Mas, antes de títulos e da nossa grande amizade, vale dizer que é uma destas figuras raras que transitam pela arte e pela ciência sem preconceito algum. O prazer da criação vem antes de tudo!

Entre o final de 2003 e o começo de 2004 (não sei precisar a data certa), ele me procurou para revelar a idéia de um novíssimo projeto teatral. A contar pelo brilho nos seus olhos e o entusiasmo em suas palavras, vi que era coisa séria e apaixonada. A intenção era escrever uma peça teatral sobre a vida do prof. César Lattes. Achei bárbaro!

Ronaldo pretendia homenagear o prof. Lattes em vida. E nada melhor do que o clima de festa do Ano Mundial da Física para fazer isso.

Em maio de 2004 (veja foto acima), Ronaldo entrevistou o prof. Lattes que aprovou a idéia de uma peça teatral contando a sua vida pessoal e, especialmente, científica. O material em audio foi registrado em fitas minicassete e começava ali um trabalho minucioso de pesquisa histórica. Estava nascendo o espetáculo César Lattes – Um 'Nobel' Brasileiro.

Ronaldo convidou-me para participar do projeto e, sabedor das minhas origens musicais e de uma certa experiência com trilhas para rádio, TV e teatro, sugeriu que eu fizesse a trilha sonora da peça. Fiquei muito feliz com o convite, apesar de duvidar da minha capacidade de criar obra de tamanha grandeza. Eu já tive estúdio e trabalhei na área um bom tempo. Atualmente estou um pouco afastado da música e com os dois pés fincados na educação. Mas confesso que a tentação foi grande. Eu não havia respondido nem que sim e nem que não. Mas dia desses eu estava cotando o preço de importação de uma nova placa de som USB para turbinar meu micro e retomar estudos musicais. Ato falho?

Infelizmente, exatamente há uma semana, o próprio Ronaldo trouxe-me a notícia do falecimento do prof. Lattes, como já citei num post anterior. Não vi mais nos olhos do grande amigo aquele brilho que vi da primeira vez quando conheci o projeto. Ao contrário, ele disse-me com muita certeza "Acabou. Eu queria que o texto da peça fosse aprovado pelo Lattes. E queria que ele estivesse presente na estréia da peça. Já era."

Sei o quanto era desejo do Ronaldo e de sua esposa Zeza, fiel parceira na vida e na arte, realizar este projeto com o prof. Lattes vivo. Por isso mesmo entendo a posição radical do Ronaldo. Além do mais, é óbvio que uma peça sobre Lattes, no Ano Mundial da Física, com a sua morte recente, pode soar como uma jogada de marketing barato ou dar a oportunidade para que alguém venha a dizer "é sempre assim, só lembram das pessoas depois que morrem".

Por isso quero deixar aqui registrada esta história e a verdade dos fatos. Espero que o casal Marin não desista do projeto, apesar da partida do prof. Lattes. E lembro Fernando Pessoa na frase que para mim resume bem o ato da criação, científica ou artística: "Deus quer, o homem sonha e a obra nasce". O Universo sempre conspira a favor de quem quer criar. Já houve muito sonho. Agora ficarei feliz se esta obra nascer.  

Aliás, já nasceu. Eu ainda não vi o texto mas sei que ele está "quase" pronto. O Ronaldo deveria encontrar-se com o prof. Lattes entre esta e a próxima semana para apresentar o texto na forma atual e fazer os ajustes finais. Não deu tempo. 

Estava pensando aqui ... o prof. Lattes "quase" pegou um avião que caiu. Se não me engano, este era o gancho para o começo do espetáculo teatral:Lattes descendo do outro avião, o que felizmente chegou ao seu destino trazendo o prof. Lattes de volta ao Brasil. E Lattes "quase" ganhou o Nobel de Física (e por duas vezes!). A vida dele parece estar repleta de bifurcações. Isso mais parece a Teoria do Caos!

E justamente agora Ronaldo, quando você ia contar esta incrível história, será que ela vai parar no "quase"? Quase? Outra vez?

Está nas suas mãos, amigo! Só você pode mudar esta rotina viciosa dos "quase" do prof. Lattes!  





Um grande abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 17h35)



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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor


BRASIL, Sudeste, SAO JOAO DA BOA VISTA, Homem, de 36 a 45 anos

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