Acontece hoje, 28 de julho, logo mais às 18h, na VIII Escola de Física do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Rio de Janeiro, o lançamento da Coleção CBPF - Tópicos de Física.
A coleção conta com 14 títulos imperdíveis (clique na imagem acima para ver todos eles).
Eu não resisti e, como você pode conferir na foto abaixo, mesmo antes do lançamento, já comprei (aqui, via internet) o volume 6 - Partículas Elementares no Ensino Médio - Uma abordagem a partir do LHC, boa fonte de ideias e inspiração para a cobertura em tempo real que farei em parceria com a Estação UOL Ciência e Saúde da Escola de Física no CERN 2010 em Genebra, Suíça, entre 5 e 10 de setembro.
Até praticamente o final de agosto você poderá ver a olho nu quatro planetas ao cair da tarde: Mercúrio, Vênus, Marte e Saturno. E em 12 e 13 de agosto a Lua entra na cena e aparece na mesma região do céu onde estarão os planetas logo no começo da noite!
Os astros vão aparecer sempre do lado oeste, onde o Sol se põe, e visualmente próximos, como se estivessem fazendo pose para foto. Eu vou aproveitar a oportunidade e tentar fazer alguns registros fotográficos. Se conseguir bom resultado, posto por aqui.
Você também pode observar/fotografar. Para ajudá-lo na localização dos astros, fiz a simulação acima (em Flash):
Clique nas setas amarelas nos cantos superiores esquerdo e direito para navegar para trás e para frente no tempo.
Confira as datas no rodapé da imagem (de 25/07 até 13/08).
A simulação é para a minha cidade (lat: ~ 23o S; long: ~ 47o O) mas vale para praticamente todo o território nacional com boa aproximação.
O horário da simulação é sempre 18h20min.
Você pode começar as observações assim que o Sol se esconder. Vênus, bem brilhante, vai aparecer primeiro, ainda sob luz solar. Por volta volta das 19h (um pouco mais ou menos, dependendo do seu horizonte local), Mercúrio, o planeta "mais baixo" no céu, se põe. Na sequência, um a um os planetas vão descendo por trás do horizonte por efeito da rotação da Terra. Saturno, o último da fila, estará visível até mais ou menos 21h até o dia 30 de julho. Depois, Marte troca de posição aparente com Saturno e passa a ser o planeta mais alto no céu, ou seja, o último a se esconder, também por volta das 21h.
Quando a Lua aparecer (nos dias 12 e 13 de agosto) ela não vai ofuscar a visão dos planetas pois estará minguante e "sobrando" praticamente só uma "casquinha", como pode ser visto na imagem (simulação) abaixo.
Não perca esta oportunidade! Afinal, não é sempre que planetas se agrupam no céu ou, tecnicamente falando, estão em conjunção. Ainda mais com o auxílio luxuoso da Lua!
:: Por que os planetas parecem estar tão próximos no céu nestes dias?
A ideia é simples: vistos daqui da Terra, nos próximos dias, Mercúrio, Vênus, Marte e Saturno estarão distribuídos ao redor de uma linha imginária (linha de visada) que sai da Terra e se extende pelo espaço. Assim, mesmo estando distantes um do outro, para um observador aqui da Terra eles parecem estar próximos. Veja na figura abaixo, propositalmente fora de esala, a posição real dos planetas para o dia 12 de agosto de 2010 e que deixa bastante claro o fenômeno.
Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e Saturno em 12/agosto/2010
:: Registros fotográficos (em atualização)
Clique nas fotos para ampliar.
27 de julho Não consegui registrar Mercúrio hoje. Tentarei novamente amanhã.
CBPF Papo com professores do PROFCEM no CBPF (clique para ampliar)
Na semana passada, mais precisamente em 20 de julho, estive no CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, participando da VIII Escola de Física (veja post anterior).
E tive o prazer de falar para colegas professores que participavam do PROFCEM - Programa de Formação Continuada de Professores do Ensino Médio.
Na verdade o que fizemos foi dar um passeio aqui pelo Física na Veia! mostrando a Física contextualizda, ou seja, ancorada na realidade das pessoas e nos mais diversos temas do cotidiano. Reproduzo abaixo alguns links (os mesmos que explorei na palestra) para que você leitor possa realizar o mesmo tour e entendewr o que fizemos por lá.
O que Física tem a ver com futebol? Link 1: O Futebol e a Física das Colisões Link 2: Neymar Cruza e faz o Gol: Realidade ou Montagem? Link 3: Fenômenos Link 4: Bola Cheia Link 5: Vai que é tua Galvão!
O que Física tem a ver com andar de ônibus? E a máquina de lavar roupas? E os acelerômetros? Link 6: Sentindo a inércia na própria pele Link 7: O Ônibus Espacial, a Máquina de Lavar Roupas e a Inércia Link 8: A "Força" G e a "Força" M Link 9: Acelerômetro de Pobre Link 10: Ainda Sobre os Acelerômetros Link 11: O Acidente de Felipe Massa e a "Força" G
O que Física tem a ver com a Páscoa? E com o Descobrimento do Brasil? Link 12: Por que a data da Páscoa Muda a Cada Ano? Link 13: Além do Horizonte Link 14: A Física Aplicada ao Descobrimento do Brasil
O que Mariah Carey tem a ver com Einstein? E Michael Jackson com o centro de massa? Link 15: O que Mariah Carey tem a ver com Einstein? Link 16: Michael Jackson Desafiou até a Gravidade
O que Física tem a ver com o dia da mentira? (em ação coletiva de blogs do UOL) Link 17: Sete Mentiras Disfarçadas de Ciência
O que Física tem a ver com o dia Nacional de Combate ao Fumo? (em ação coletiva de blogs do UOL) Link 18: A Física do Pulmão
O que Física tem a ver com Música? Link 19: Vuvuzela: o Som da Copa 2010 Link 20: Uakti: Encontro da Física com a Música Link 21: Cordas Vibrantes I - A Velocidade do Som Link 22: Cordas Vibrantes II - Material e Espessura Link 23: Cordas Vibrantes III - Os Harmônicos Link 24: Cordas Vibrantes IV - A Série Harmônica
A Física e a Astrofotografia Digital Amadora Link 25: Brincando de Galileu com uma Câmera Digital Link 26: Brincando de Galileu com uma Câmera Digital II Link 27: Cobertura do Eclipse Lunar em Tempor Real Link 28: O Eclipse Lunar em Tempor Real Link 29: Acho Que Peguei o Lulin Link 30: Cobertura do Trânsito de Mercúrio em Tempo Real Link 31: Emoticon Celeste Link 32: Star Party com os Alunos
É claro que inúmeros links ficaram de fora. O tempo era curto e a viagem aqui no Física na Veia! já vai passando de 5 anos. Em outubro o blog completará 6 anos de vida! Como o tempo voa!
Eu poderia ter citado, por exemplo, De Nariz Empinado que se desdobrou em Bate Blog e um Belo Paradoxo Físico com direito à citação do Marcelo Tas em seu blog e trata da distribuição de carga num avião assim como numa carroça. Tem também o postA Dilatação Térmica e "Outras Dilatações" que compara o aumento (ou dilatação) salarial dos nossos parlamentares em Brasília com o fenômeno físico da dilatação térmica. E Gelinho ou Gelão que calcula a porção submersa de uma pedra de gelo num copo com a fração submersa de um iceberg. Ou F1: O Que é Mais Importante, Velocidade ou Aceleração? que propõe uma "corrida diferente" entre um carro de passeio e um carro de F1 para entendermos a importância tanto da velocidade quanto da aceleração para o sucesso numa corrida automobilística. Ou ainda A Física do Curling I: Velocidade e Alcance inspirado em mais um erro físico cometido por um locutor esportivo de TV narrando uma partida de Curling nos Jogos de Inverno e que acabou se desdobrando em A Física do Curling II: Estimando o Coeficiente de Atrito. E ainda Hodômetro Para Terráqueos que dá uma interpretações física para o aniversário bem como Qual é o Seu Sígno que faz a mesma coisa e ainda discute a questão do décimo terceiro sígno, um probleminha astronômico que a Astrologia ignora. E, por falar em Astrologia, Quem Mexeu no meu Cometa?, um história real de uma astróloga que queri processar a NASA. E a coisa não tem fim! Percebe?
:: Gostaria de saber o que você pensa
Depois de passear por estes temas todos, devidamente emoldurados pela Física, deixe o seu comentário se concorda ou não com a minha afirmação de que a Física tem a ver com tudo! Comente ainda até que ponto é ou não exagero afirmar que A Física é pop(*)!
(*) Passei a usar o slogan "Aqui a Física é Pop" no blog em outubro de 2009 quando o contador virou 1 milhão de visitas. E a inspiração foi o post Físicos em Alta da jornalista Rosana Hermann que também tem formação e física e é autora do blog Querido Leitor.
arquivo pessoal Painel fotográfico na fachada do CBPF com o prof. Cesar Lattes(1)
Já que a CBF - Confederação Brasileira de Futebol nos decepcionou em 2010, ficamos com o CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Física e a VIII Escola de Física que já está a pleno vapor e promete só gol de placa!
arquivo pessoal VIII Escola do CBPF: mesa de abertura do evento
O evento começou nesta segunda-feira, 19 de julho, às 16h, no auditório Ministro João Alberto Lins de Barros com a cerimônia de entrega do Prêmio CBPF de Física 2010 para o prof. Dr. Vanderlei Bagnato, pesquisador do IFSC/USP - Instituto de Física de São Carlos, interior de São Paulo.
arquivo pessoal Prêmio CBPF 2010 para o prof. Vanderlei Bagnato
Eu estava lá, ao vivo, convidado pelo prof. Luiz Sampaio, coordenador da Escola, e posso garantir que foi emocionante! Prof. Bagnato fez palestra sobre a sua pesquisa original em "Turbulências Quânticas num Condensado de Bose-Einstein".
arquivo pessoal Slide inicial da palestra do prof. Bagnato
Mas antes falou de forma precisa da importância da Ciência nas nossas vidas e da relevância que a pesquisa científica tem para o crescimento de um país e seu posionamento no cenário mundial.
arquivo pessoal Prof. Bagnato em sua brilhante e emocionada palestra
Veja aqui um vídeo com a premiação e a palestra do prof. Bagnato (link original da matéria no CBPF). Vale a pena!
Na terça-feira, 20 de julho, por volta das 17h, o prof. Sebastião Alves Dias, coordenador do PROFCEM - Programa de Formação Continuada de Professores do Ensino Médio, gentilmente cedeu-me espaço para uma palestra para os colegas educadores do curso de capacitação. Passeando aqui pelo Física na Veia! num telão multimídia, falamos um pouco sobre Física contextualizada, a minha linha editorial no blog e que, na verdade, é como sinto que Física deve ser sempre vista e ensinada. Afinal, Física tem a ver com tudo. Certo?
Aproveitei que o PROFCEM contempla neste ano a Física Moderna para oferecer a cada um dos meus colegas professores um exemplar do livro Tópicos de Física Moderna, um projeto pioneiro de ensino de Relatividade, Quântica e Cosmologia para jovens do final do ensino médio e começo do ensino superior que publiquei em 2002 pela Editora Companhia da Escola. O papo com os professores estava muito bom! Mas teve de ser interrompido exatamente às 18h30min para, no Auditório Ministro João Alberto Lins de Barros, realizarmos a mesa redonda "A Prática da Divulgação Científica e as Novas Mídias Sociais" onde estive super bem acompanhado de dois blogueiros/amigos da pesada: Fernanda Poletto, farmacêutica doutoranda em nanobiotecnologia na UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mantenedora do blog Bala Mágica, e Leandro Tessler, pesquisador docente do IFGW - Instituto de Física Gleb Wataghin da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, responsável pelo Cultura Científica.
Fernanda Poletto Bala Mágica
Leandro Tessler Cultura Científica
A revista Ciência Hoje cobriu em tempo real o debate mediado pelo prof. Luiz Sampaio através do Twitter (confira aqui).
A VIII Escola de Física prossegue até o dia 30 de julho e promete ainda muita coisa bacana, especialmente para quem tem física nas veias.
:: O Rio de Janeiro Continua Lindo
arquivo pessoal Lindíssima vista do alto do Morro da Urca
Gilberto Gil tinha (e ainda tem) razão: o Rio de Janeiro continua lindo!
Aproveitei que estava lá em terras cariocas como convidado do CBPF para desfrutar (nas horas livres) das belezas naturais da cidade maravilhosa. A foto acima foi feita por mim lá do Morro da Urca. Já estou com saudades!
O CBPF fica no bairro da Urca(2), de onde podemos subir de bondinho até o Morro da Urca e, em seguida, até o Pão de Açucar, um dos mais famosos cartões postais do Rio de Janeiro.
arquivo pessoal Bondinho, do Morro da Urca para o Pão de Açucar
Na quarta-feira, depois do almoço, era hora de vir embora. Mas tive a honra pela manhã de ser convidado pelo prof. Dr. Ronald Cintra Shellard, diretor substituto do CBPF e vice-presidente da SBF - Sociedade Brasileira de Física, para uma conversa em sua sala de trabalho sobre Física, minhas atividades de professor/blogueiro/autor de material didático, a visita ao CERN/LHC, dentre outros. Além do bom papo e da companhia especial da caríssima Dayse Lima, analista em Ciência e Tecnologia Senior e que trabalha junto à diretoria do CBPF, a vista pela janela, mostrada na foto abaixo, ratificava a letra de "Aquele Abraço" composta por Gilberto Gil. Sim! Lá da janela da diretoria do CBPF a gente pode ver o Morro da Urca e os bondinhos do teleférico! Belíssimo!
Bondinhos vistos da janela da diretoria do CBPF
(1) Esta foto do prof. Cesar Lattes é bastante conhecida e mostra-o trabalhando em Chacaltaya, pico da Cordilheira dos Andes, na Bolívia, onde registrou através de emulsões fotográficas eventos que deram origem à descoberta do píon (detalhes aqui). (2) Associado ao nome Urca temos o "Efeito Urca" assim nomeado em alusão ao famoso Cassino da Urca, na cidade do Rio de Janeiro, onde o dinheiro "sumia" das mãos dos jogadores. O físico brasileiro Mario Schenberg (1914-1990), em colaboração com o russo George Gamow (1904-1968), sugeriu em 1940 que as estrelas deveriam perder energia através da produção de neutrinos. Em analogia, os neutrinos, que interagem muito pouco com a matéria, escapariam dos núcleos das estrelas "sumindo" com a energia como o dinheiro "sumia" no Cassino da Urca. No processo proposto, núcleos do interior de estrelas supermassivas absorviam elétrons gerando neutrinos. Em seguida, esses núcleos ‘ejetavam de volta a partícula absorvida, juntamente com um antineutrino.
Para ler/ver
Vídeo entrevista que dei para a revista Ciência Hoje logo depois da mesa redonda no CBPF inaugurando uma nova sessão no site.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 13h02)
::: ESCOLA DE FÍSICA NO CERN: PROFESSORES SELECIONADOS :::
A SBF - Sociedade Brasileira de Física divulgou hoje a lista dos professores brasileiros que vão participar da Escola de Física no CERN 2010.
Estou muito feliz! Meu projeto foi aprovado e sou um dos 20 brasileiros (de 206 inscritos) que estarão em Genebra, Suíça, entre os dias 5 e 10 de setembro.
Confira abaixo a lista completa dos selecionados (em ordem alfabética). E aqui a notícia oficial da SBF.
ADRIANA OLIVEIRA BERNARDES - Nova Friburgo - RJ
ALEXANDER MONTERO CUNHA - Campinas - SP
ALEXANDRE MAGNO MONTIBELLER - São Paulo - SP
ANA LUIZA DE AZEVEDO PIRES SÉRIO- São Paulo - SP
ANTÔNIO ARAÚJO SOBRINHO - Natal - RN
DULCIDIO BRAZ JÚNIOR - São João da Boa Vista - SP
EDI TEREZINHA DE OLIVEIRA GRINGS - Portão - RS
ELIKA TAKIMOTO - Rio de Janeiro - RJ
FÁBIO BRESIGHELLO BEIG - São Paulo - SP
FRANCISCO PAZZINI COUTO - Belo Horizonte - MG
GLÁUCIA GRÜNINGER GOMES COSTA - São Carlos - SP
IZABEL CRISTINA FREITAS DOS SANTOS - São Vicente do Sul - RS
JANCARLOS MENEZES LAPA - Salvador -BA
JOÃO PAULO CAMARGO DE LIMA - Toledo - PR
MÁRCIO NASSER MEDINA - Niterói - RJ
MARIA DA GLORIA DE ANDRADE MARTINI - São Paulo - SP
MARCOS FERNANDES SOBRINHO - Urutaí - GO
MARTA MAXIMO PEREIRA - Nova Iguaçu -RJ
QUEREM HAPUQUE FELIX REBELO - Manaus - AM
SORAIA RODRIGUES DE AZEREDO - Niterói - RJ
A boa notícia para você leitor do Física na Veia! é que levarei equipamento para uma cobertura do evento em tempo real em parceria com a Estação UOL Ciência e Saúde. É isso mesmo, você vai para o CERN e para o LHC de carona comigo! Combinado?
Upgrade [22/07/2010]:Nota de esclarecimento da SBF.Já publicado aqui no Física na Veia!
22 de junho! Chegou o grande dia! Foi essa a primeira coisa que me veio à cabeça quando acordei no quarto do My Poppelsdorf Hotel em Bonn.
Já era tarde. Aproveitamos para dormir um pouco mais para recuperar as energias gastas no dia anterior e também minimizar o descompasso do relógio biológico ainda confuso com + 5h de diferença no fuso horário.
Fomos para o café da manhã quase no limite de tempo do hotel.
MyPoppesldorf.com Restaurante do hotel, onde o dia sempre começava com bom papo
:: Global Media Forum e a Premiação do The BOBs
arquivo pessoal Saguão de entrada do World Conference Center em Bonn
Pegamos ônibus e metrô e chegamos no Global Media Forum já quase na hora do almoço.
arquivo pessoal Almoço no restaurante do World Conference Center
E o almoço foi uma grande confraternização!
arquivo pessoal Eu, Dani e Carlos, com os espanhóis Ricardo e Asun
À tarde acompanhei Bruno Rezende, brasileiro vencedor na categoria Climate Change com o Coluna Zero que, por ser blogueiro exatamente no tema do Global Media Forum, foi bastante (e merecidamente) assediado pela imprensa.
arquivo pessoal Bruno Rezende do 'Coluna Zero'
Bruno esteve numa coletiva de imprensa ao lado de Erik Hersman, americano e blogueiro profisional grande vencedor do The BOBs com o Ushahidi.
arquivo pessoal Erik e Bruno na coletiva de imprensa
arquivo pessoal Vista geral da sala de imprensa
Em seguida fomos todos para o ensaio geral para a cerimônia do The BOBs. O ensaio é ponto de honra para os alemães que são muito organizados.
arquivo pessoal Christian, Stefan e Erik no ensaio com a apresentadora Conny Czymoch
Depois do ensaio Bruno Rezende ainda tinha compromissos e participou do painel 'Mudanças Climáticas e Mídia' mediado pelo jornalista alemão Matthias Spielkamp ao lado do blogueiro Georg Hoffmann e da cientista Nina Heinze.
arquivo pessoal Painel: Nina, Mattias, Georg, Bruno e Carlos
17h:30min. Chegou o grande momento!
arquivo pessoal Encontro marcado
arquivo pessoal Gabriel Gonzalez-Zorrilla, coordenador do The BOBs, e Conny Czymoch
arquivo pessoal A premiação já vai começar...
arquivo pessoal Enorme emoção: o Física na Veia! sendo mostrado no telão do evento
arquivo pessoal E chegou a minha vez de receber o The BOBs e dar entrevista no palco
arquivo pessoal Bruno, eu e Vitor, os três brasileiros premiados, com Carlos ao fundo
arquivo pessoal Com Agnès Mailard do 'Le Monolecte' - Melhor Weblog em Francês
arquivo pessoal Com Ricardo e Maria do 'La Vuelta al Mundo' - Melhor Weblog em Espanhol
Veja abaixo o meu troféu. Lindo, não?
arquivo pessoal The BOBs 2010 - Deutsche Welle Blog Awards - Best Weblog Portuguese
Depois da premiação, festa na sede da Deutsche Welle.
arquivo pessoal Festa do The BOBs na sede da Deutsche Welle
Mais uma vez comida e bebida da melhor qualidade com papo bom, especialmente com os brasileiros que trabalham na Deutsche Welle e que foram muito carinhosos e atenciosos conosco.
arquivo pessoal Buffet típico alemão
Assim como no Boat Trip do dia anterior, música boa ao vivo!
arquivo pessoal Música instrumental ao vivo
E, como se não bastasse o maravilhoso buffet logo na entrada da Deutsche Welle, no andar de baixo, ao ar livre, churrasco típico alemão!
arquivo pessoal Tendas de churrasco típico alemão
Assim terminou o nosso segundo (e marcante) dia na Alemanha! Em Bonn, no verão, 22h ainda tem sol. Quando fomos embora para o hotel já estava escuro. Veja, como prova, o Post Tower, ao lado da sede da Deutsche Welle e perto do prédio da ONU, já todo iluminado!
arquivo pessoal Post Tower todo iluminado: já era tarde da noite
Nossos próximos dias na Alemanha foram só de belíssimos passeios. Mas isso fica para outro post.
Para ver
Pequeno trecho em vídeo da premiação do Física na Veia
fonte: www.a-t-s.net Bonn, Alemanha, com alguns pontos de interesse numerados (clique!)
Conforme prometido no post anterior, neste (e em outros posts) darei mais detalhes da minha ida até Bonn, Alemanha, para receber o prêmio de Melhor Weblog em Português no The BOBs - The Best of Blogs da Deutsche Welle dentro do Global Media Forum.
Ao longo do texto vou usar as marcações das regiões de 1 a 5 da foto acima para localizar onde estávamos.
:: 20/junho - desembarcamos na Alemanha
arquivo pessoal Frankfurt debaixo de nuvens
Chegamos (Daniela, minha esposa, Bruno Rezende Coluna Zero - prêmio Climate Change, Vitor Knijnik - Blogs do Além - prêmio Blogwurst, e eu) no aeroporto de Frankfurt por volta das 15h (horário local). Tempo nublado. Perspectiva de muito frio. Estávamos quebrados! 12h de voo na classe econômica não é para qualquer sardinha! Mas estávamos muito felizes! E pegamos o trem para Bonn. Por um lapso, compramos passagens "erradas" e, em vez do ICE (trem bala), fomos de trem "comum" e com uma conexão no meio do caminho. No final das contas, o errado acabou ficando mais do que certo: a viagem mais lenta, margeando o rio Reno, foi simplesmente linda! A paisagem e a arquitetura típica alemã, com direito a castelos pendurados nos montes vulcânicos na beira do rio, valeram a pena (região 5 na foto acima)!
arquivo pessoal Paisagem típica alemã na janela do trem viajando às margens do Reno
Descemos em Bonn HBF - Estação Central - e fomos rapidamente de taxi para o nosso hotel em Poppelsdorf. Foi o tempo certo de fazer checkin, subir pro quarto, abrir as malas, tomar um banho rápido e sair correndo para procurar um lugar para comer e ver o jogo Brasil X Costa do Marfim narrado em alemão.
arquivo pessoal Hino nacional na TV na parte externa do Rondo Bar, em Poppelsdorf
Vitor e Bruno, vestidos de seleção brasileira, já estavam no clima Copa do Mundo. Estava bem frio. Eu, afônico, recuperando-me de uma gripe chata, ainda não pude tomar a minha primeira cerveja alemã. Mas era por uma boa causa. Eu precisava da voz para a premiação dois dias adiante.
arquivo pessoal Vitor e Bruno vestidos de verde-amarelo, registrando tudo
Mesmo com os alemães da mesa ao lado (veja na foto acima) nos secando e tirando sarro a cada boa jogada do adversário, o Brasil venceu com certa folga a Costa do Marfim. No final da partida os alemães foram simpáticos e aplaudiram a nossa vitória. Nós, naquele momento, acreditávamos que o time do Brasil iria crescer durante a Copa... Conosco já estava Agnès Mailard, do Le Monolecte, Melhor Weblog em Francês, que encontramos hospedada no nosso hotel.
arquivo pessoal Dani e Agnès no Rondo Bar durante o jogo Brasil X Costa do Marfim
Depois do jogo, voltamos para o hotel para falar com a família no Brasil e tentar dormir contrariando o nosso relógio biológico. Na segunda-feira logo cedo tínhamos compromissos com a Deutsche Welle.
:: 21/junho - Primeiro dia pra valer
9h em ponto e Carlos Albuquerque, brasileiro, redator na Deutsche Welle que ficou responsável por nos guiar em Bonn, nosso "anjo da guarda" mesmo antes da viagem e que à distância nos ajudou nos preparativos, nos encontrou sorridente e bem disposto no saguão do My Poppelsdorf Hotel.
fonte: www.flickr.com/photos/queridoleitor Carlos Albuquerque, nosso fiel "anjo da guarda"
Carlos nos ensinou a pegar ônibus e fazer conexão com trem para chegarmos no World Conference Center (região 1 na foto do topo do post), antigo parlamento alemão, onde aconteceria o Global Media Forum durante os dias 21, 22 e 23 de junho com premiação do The BOBs ao final do segundo dia.
arquivo pessoal Clássica foto na frente do WCC/Bonn, local do Global Media Forum
O prédio é simplesmente deslumbrante! Repare bem no detalhe da águia gigante e imponente na parede de fundo do palco central.
arquivo pessoal Palco no plenário do WCC
Com a credencial eu tinha acesso a qualquer área do Global Media Forum e passe livre em ônibus e trem/metrô dentro de Bonn nos três dias do evento. Organização alemã impecável!
arquivo pessoal Credencial
Depois de cumprirmos alguns compromissos burocráticos, fomos conhecer a sede da Deutsche Welle logo ao lado do World Conference Center (região 1), sempre guiados pelo Carlos.
fonte: bbr.bund.de Sede da Deutsche Welle em Bonn
arquivo pessoal Eu na seda de Deutsche Welle
Voltamos ao Global Media Forum para almoçar. O buffet era divino. E depois do almoço o Carlos tinha o compromisso de entrevistar a nós três brasileiros premiados no The BOBs para o site da Deutsche Welle. Mas antes que você pense que fomos para uma monótona salinha fechada, nosso "anjo da guarda" teve uma brilhante ideia e sugeriu: que tal fazermos as entrevistas andando pelo centro de Bonn? Topamos, claro! E lá fomos nós (regiões 2, 3 e 4)!
arquivo pessoal Toda a turma na frente da Catedral de Bonn
arquivo pessoal Igreja Catedral de Bonn (região 2)
Andamos muito pelo centro da cidade! E conhecemos a belíssima Universidade de Bonn (região 3), uma das muitas escolas de nível superior em Bonn.
arquivo pessoal Agnés e Dani no páteo da Universidade de Bonn
Vitor e Bruno fizeram as suas entrevistas no parque ao lado da Universidade. A minha entrevista (confira aqui), foi feita na frente da casa onde nasceu Ludwig van Beethoven (região 4). Logo eu que adoro música! Coincidência!
arquivo pessoal Diante da casa de Beethoven onde dei entrevista para o Carlos
Ao final da tarde, por volta das 18h, depois de andarmos bastante pelo centro da cidade, tomamos o metrô e voltamos ao World Conference Center.
fonte: Global Media Forum Foi então que encontrei o Marcelo Leite (foto), jornalista da Folha de São Paulo, responsável pelo Ciência em Dia, blog vizinho ao meu na Estação UOL Ciência e Saúde (confira aqui).
Apesar de estarmos bem perto no mundo real (vivemos a pouco mais de 200 km um do outro) e muito próximos no mundo virtual (onde estamos a poucos pixels), só fui conhecê-lo pessoalmente na Alemanha, a mais de 10000 km do Brasil!
Mas nem tivemos muito tempo para conversar. Já estávamos de saída para o Boat Trip, um mini cruzeiro à bordo do Rhein Energy, barco que nos levou a passear pelo Reno.
arquivo pessoal Embarcamos no Rhein Energy para o Boat Trip
Programa inesquecível, com música ao vivo! Chegamos no barco e tocava Tom Jobim. Deu até orgulho de ser brasileiro!
arquivo pessoal Banda de Jazz tocando ao vivo no barco
Havia gente de todo o canto do planeta, garantindo bom papo. E a paisagem à beira do Reno, a mesma que vimos do trem, agora de outro ponto de vista, se revelava ainda mais linda!
arquivo pessoal Gente de todos os cantos do mundo no convés admirando a paisagem
Repare nos castelos nos montes que margeiam o Reno!
arquivo pessoal Castelo de Drachenburg, no alto, à esquerda
arquivo pessoal Castelo de Drachenburg (1884) e ao alto ruínas de um castelo medieval
Muita mordomia à bordo do Rhein Energy. Comida e bebida à vontade. Advinha se eu não tomei a minha primeira bier tipicamente alemã?
arquivo pessoal Comida e bebida à vontade
Já com o dia escurecendo (em Bonn, nesta época de verão o sol se põe por volta das 22h), o barco virou e começamos a voltar.
arquivo pessoal Já ia escurecendo o dia quando o barco girou 180 graus e voltou
E a festa terminou com outra banda, agora tocando música dançante. O barco literalmente balançou! Deu para sentir o MHS(*) provocado pela galera animadíssima na pista!
arquivo pessoal Música dançante finalizando o Boat Trip
Atracamos. E era apenas o final do primeiro dia!
Quer saber mais? Impossível descrever todos os detalhes num único post. Aguarde o próximo...
(*) MHS - Movimento Harmônico Simples - Movimento oscilátório em que a aecleração é porporcional à posição do corpo 'a menos do sinal'. É o movimento típico oscilatório de corpos que flutuam sob ação das forças peso e empuxo (desprezando-se atritos) mas têm a sua posição de equilíbrio perturbada. Já publicado aqui no Física na Veia
arquivo pessoal Entrevista na premiação, já com o The BOBs nas mãos
Acabou ontem o Global Media Forum, evento internacional dentro do qual ocorreu a premiação de The BOBs. E foi tudo uma delícia!
E, já que peguei 12h de voo e pouco mais de 1h de trem, ainda estou na Alemanha dando uma deliciosa esticadinha.
Quando eu voltar ao Brasil, conto mais detalhes. Aguarde.
arquivo pessoal Momento delicioso: todos os premiados juntos
Saiba mais
Entrevistapara o Carlos Albuquerque da Deutsche Welle (Tudo registrado enquanto caminhávamos pelas ruas centrais de Bonn. Quer modo mais gostoso e descontraído de ser entrevistado?)
Se você, como eu, não aguenta mais o som das Vuvuzelas nos jogos da Copa do Mundo de futebol na África do Sul, saiba que existe uma maneira de "desligar" o som destas malditas cornetas na transmissão de TV!
Não estou falando dos protetores auriculaes (como os da foto acima) ou de abafadores. Estes cortam todos os sons que entram nos seus ouvidos. Aí seria melhor abaixar o som da TV. Refiro-me a um processo "seletivo" capaz de eliminar certas frequências sonoras. Quer saber como? Acompanhe o texto abaixo.
:: Equalizador: o que e o que faz?
Como visto no post do dia 13/junho (veja logo abaixo), as Vuvuzelas têm harmônicos que partem de aproximadamente f1 = 250Hz e vão evoluindo para f2 = 2f1 = 500Hz, f3 = 3f1 = 750Hz, e assim por diante. Para atenuar o som das Vuvuzelas na TV basta usar um equalizador, um dispositivo que permite aumentar ou diminuir o volume do som (a rigor a amplitude da onda sonora) por faixas específicas de frequências.
O equalizador pode ser um hardware (um equipamento dedicado), como o Alesis MEQ 230 da foto abaixo, igual ao meu aqui em casa e que é parte do equipamento que sobrou da época em que eu tinha uma pequena produtora de audio. Neste equipamento profissional, na faixa audível do ser humano, entre 25Hz e 20 kHz, há 30 faixas pré-programadas (por canal) com precisão de 1/3 de oitava. Dá para "brincar" bastante!
Um equalizador também pode vir incorporado nas TVs e nos aparelhos de som. Aposto que na sua TV tem um. Mas nos casos mais comuns, mais simples, estes dispositivos acertam apenas três faixas: graves, médios e agudos. Aí não há precisão para "cortar" os harmônicos específicos das Vuvuzelas sem cortar parte importante do audio desejável, como a voz dos locutores e comentaristas, por exemplo. Com equalizadores com mais faixas podemos literalmente "matar" de forma certeira os harmônicos que não queremos preservando o resto do audio intacto.
Quem não possui um equalizador (hardware) mas tem computador pode fazer o som da TV passar pela placa de som. Com um software de tratamento de audio em tempo real é possível usar equalizadores paramétricos (plugins), como o da imagem abaixo. E aí a precisão é fantástica! É que no equalizador paramétrico é você que calibra o parâmetro do botão controlador, ou seja, escolhe a(s) frequência(s) exata(s) que deseja atenuar ou realçar. Assim, você mesmo pode, por tentativa e erro, achar os valores dos harmônicos da corneta e atenuá-los, diminuindo os volumes sonoros específicos sem alterar a parte desejável do audio durante a transmissão de TV. Você faz uma faxina manual só na parte indesejável. Entendeu?
Die Surfpoeten (www.surfpoeten.de) - Tobias Herre Equalizador paramétrico (software) atenuando 235Hz e 465 Hz
Tobias Herre do blog Die Surfpoeten "desligou" as Vuvuzelas da sua TV usando um software com plugin de equalização paramétrica. Um bar em Nova York, segundo o Gizmodo, acoplou um equalizador (harware) na TV com a mesma função.
Fica aqui a ideia. Quando eu voltar da Alemanha, vou testar com calma. E espero que em jogos do Brasil, se é que você me entende!
Fonte: matéria da Folha.com (Dica do conterrâneo Luciano Sturaro que é leitor aqui do Física na Veia!) Já publicado aqui no Fìsica na Veia!
Aproveitando o "clima LHC"do post anterior, você gostaria de passar uma semana em Genebra, na Suíça, fazendo um curso de capacitação no CERN exatamente onde fica o LHC?
Se você é professor de Física no ensino médio em qualquer escola particular ou pública no Brasil saiba que isso está mais fácil do que parece!
É que estão abertas, até o dia 21 de junho, as inscrições para o processo seletivo do projeto que vai levar 20 professores brasileiros para o CERN para um curso entre 5 e 10 de setembro ao lado de 50 professores portugueses. A iniciativa provém de negociações por parte de pesquisadores brasileiros do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da diretoria da SBF- Sociedade Brasileira de Física visando ampliação da cooperação do CERN com Portugal.
Está uma correria aqui com os preparativos para viajar para a Alemanha neste próximo final de semana. Lembra que vou para Bonn participar do Global Media Forum para receber o prêmio de Melhor Weblog em Português no The BOBs - The Best of Blogs da Deutsche Welle? Mesmo assim, vou tentar conseguir toda a documentação e me inscrever antes de viajar! Eu quero muito estar lá no CERN!
Faça a sua inscrição também professor! Boa sorte para você! Boa sorte para mim! Tomara que a gente se encontre lá em Genebra em setembro para um super curso de Física de Partículas na Veia!
Ah.. sim... o link com o edital e todas as informações sobre o curso e o processo seletivo é este(no site da SBF - Sociedade Brasileira de Física)!
E, se der certo, você leitor do Física na Veia! vai de carona comigo já que pretendo cobrir o evento em real time blogando diariamente de lá com todas as novidades. Très chic!!!
::: LHC NO VESTIBULAR DE MEIO DO ANO DA PUC-SP :::
O anel do LHC escondido 100 m abaixo da superfície
Aconteceu ontem o vestibular de inverno da PUC-SP. E, de cinco questões de Física, três usaram o LHC - Large Hadron Collider como pano de fundo.
Confira as questões (enunciado e resolução) logo abaixo.
Fonte: UOL Vestibular
17.
GENEBRA - O Grande Colisor de Hádrons (LHC) bateu um novo recorde nesta terça-feira. O acelerador de partículas conseguiu produzir a colisão de dois feixes de prótons a 7 tera-elétron-volt, criando uma explosão que os cientistas estão chamando de "um Big Bang em miniatura". A unidade elétron-volt, citada na matéria de O Globo, refere-se à unidade de medida da grandeza física:
a) corrente b) tensão c) potência d) energia e) carga elétrica
Resolução
Elétron-volt é unidade de energia e equivale a energia de uma partícula de carga elementar 1,6.10-19 C colocada num ponto de um campo elétrico de potencial 1V.
Resposta: alternativa "D"
Observação: o recorde de 7TeV foi noticiado aqui no Física na Veia! (veja neste post onde explico como chegar no valor 7TeV de energia de cada próton acelerado)
Fonte: UOL Vestibular
18. No LHC - Grande Colisor de Hádrons, as partículas vão correr umas contra as outras em um túnel de 27 km de extensão, que tem algumas partes resfriadas a - 271,25oC. Os resultados oriundos dessas colisões, entretanto, vão seguir pelo mundo todo. A grade do LHC terá 60 mil computadores. O objetivo da construção do complexo franco-suíço, que custou US$ 10 bilhões e é administrado pelo Cern (Organização Européia de Pesquisa Nuclear, na sigla em francês), é revolucionar a forma de se enxergar o Universo.
A temperatura citada no texto, expressa nas escalas fahrenheit e kelvin, equivale, respectivamente, aos valores aproximados:
a) -456 e 544 b) - 456 e 2 c) 520 e 544 d) 520 e 2 e) -456 e -2
Resolução
As temperaturas escalas celsius (θC), fahrenheit (θF) e kelvin (T) relacionam-se da seguinte forma:
De celsius para fahrenheit temos:
E de celsius para kelvin:
Resposta: Alternativa "B"
Observação: a relação apresentada acima entre as escalas celsius, fahrenheit e kelvin foi deduzida por mim nestepostescrito durante a Copa do Muindo de Futebol de 2006.
Fonte: UOL Vestibular
19. O Solenóide de Múon Compacto (do inglês CMS - Compact Muon Solenoid) é um dos detectores de partículas construídos no GRande Colisor de Hádrons, que irá colidir prótons no CERN, na suíça. O CMS é um detector de uso geral, capaz de estudar múltiplos aspectos das colisões de prótons a 14 TeV, a energia média do LHC. Contém sistemas para medir a energia e a quantidade de movimento de fótons, elétrons, múons e outras partículas resultantes das colisões. A camada detectora interior é um semicondutor de silício. Ao seu redor, um calorímetro eletromagnético de cristais centelhadores é rodeado por um calorímetro de amostragem de hádrons. O rastreador e o calorímetro são suficientemente compactados para que possam ficar entre o imã e solenoidal do CMS, que gera um campo magnético de 4 teslas.
No exterior do imã situam-se os detectores de múons.
Considerando que o campo magnético terrestre sobre a maior parte da América do Sul é da ordem de 30 microteslas (0,3 gauss), o campo magnético gerado pelo CMS é maior do que dessa região da Terra, aproximadamente,
Dado: 1 microtesla = 1,T = 1.10-6T
a) 133.333 vezes b) 1.333 vezes c) 10.000 vezes d) 0,01 vezes e) 100 vezes
Resolução
O que se pede nada mais é do que a razão R entre a intensidade do campo magnético no CMS (BCMS) e do campo magnético da Terra (BTerra), ou seja:
Resposta: alternativa "A"
Observação: nestepost eu comento sobre o CMS e os outros experimentos montados ao longo do anel do LHC.
Achei muito bacana a iniciativa da PUC-SP de abordar um tema tão importante e recente na sua prova de vestibular com questões informativas, ou seja, ao mesmo tempo em cobram, também ensinam! Parabéns à banca examinadora!
E os leitores do Física na Veia! que prestaram este vestibular devem ter achado moleza, não? Pelo menos nesta parte do LHC estava tudo bem encaminhado, não estava? Afinal, estamos todos de olho no LHC, o maior e mais importante experimento já construído pelo homem!
::: OUTRA NA MOSCA: 'ACELERÔMETRO DE POBRE' CAIU NA VUNESP :::
unesp.br
Aconteceu hoje a prova de conhecimentos gerais da Vunesp, vestibular para ingresso na Unesp - Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho.
E o Física na Veia! "matou" uma questão deste importante vestibular. Confira:
Fonte: UOL Vestibular
Num jato que se desloca sobre uma pista horizontal, em movimento retilíneo uniformemente acelerado, um passageiro decide estimar a aceleração do avião. Para isto, improvisa um pêndulo que, quando suspenso, seu fio fica aproximadamente estável, formando um ângulo θ= 25o com a vertical e em repouso em relação ao avião. Considere que o valor da aceleração da gravidade no local vale 10 m/s², e que sen 25o = 0,42; cos 25o = 0,90; tan 25o = 0,47. Das alternativas, qual fornece o módulo aproximado da aceleração do avião e melhor representa a inclinação do pêndulo?
Resolução
Quando o avião acelera para frente, por inércia, o corpo pendurado no fio tende a ficar parado em relação à pista e, portanto, vai para trás em relação ao avião. O fio inclina-se para a esquerda.
A aceleração do avião será dada por:
a = g.tan 25o = 10.0,47 = 4,7 m/s²
Resposta: a alternativa que concorda com o raciocínio acima é "A"
Simples assim? Sim! E o desenvolvimento teórico para se chegar na equação usada na resolução da questão você encontra neste post de 17/02/2008 que ensina os leitores do blog a fazerem um "acelerômetro de pobre" usando justamente um pêndulo!
Mais uma questão de vestibular na mosca! Veja na lista abaixo exemplos de algumas outras questões de vestibular que o Física na Veia! já acertou!
UOL Copa do Mundo 2010 - Fotos Garoto uruguaio tocando sua Vuvuzela na partida Uruguai X França
A trilha sonora da Copa do Mundo de Futebol 2010 na África do Sul já está irremediavelmente definida: Vuvuzelas em coro! Nenhum outro som será mais marcante do que esta sinfonia de zumbidos nos estádios!
A gente assiste a uma partida na TV e, mesmo depois que o jogo termina, aquele maldito "som de abelhas" ainda fica ecoando nas nossas cabeças! Dizem que tem gente assistindo às partidas no estádio com tampão de ouvido porque o som ao vivo é insuportável.
A Vuvuzela é uma espécie de corneta tradicional na África e que em sua versão atual, modernizada, é feita de plástico. Não tem nada de sofisticado. Trata-se de um tubo vazado que deve ser excitado por um sopro forte e contínuo numa de suas extremidades.
Os tubos que podem vibrar e emitor sons são chamados em Física de tubo sonoros e são classificados em abertos ou fechados. O aberto é vazado, ou seja, tem as suas duas extremidades abertas. O fechado tem uma extremidade aberta e a outra fechada. É o que nos mostra a figura abaixo.
A Vuvuzela é um tubo do tipo aberto (tem ambas as extremidades abertas).
Os tubos sonoros não podem produzir qualquer som. As condições de contorno do sistema (extremidade aberta ou fechada) forçam o aparecimento de apenas alguns sons "permitidos" chamados de harmônicos e que correspondem a modos de vibração bem específicos. Isso ocorre porque na prática, quando um som viaja dentro do tubo, pode sofrer reflexões e refrações. Assim, temos sons indo e vindo dentro do tubo, viajando na mesma direção mas em sentidos opostos. Quando estes sons se encontram, ocorrem superposições e formam-se estacionárias que são figuras que mapeiam a interferência sonora ao longo do tubo. Em certos casos, a superposição acontece com sons em fase e há uma intereferência do tipo construtiva pois os dois sons se somam, "construindo" um som mais forte (ponto de reforço). Noutros casos ocorre o oposto, com intereferência destrutiva, pois os dois sons se cancelam ou "destroem-se" (ponto de atenuação). Onde a interferência é construtiva dizemos que forma-se um ventre e onde a intereferência é destrutiva um nó.
Nas extremidades abertas dos tubos sempre temos ventres (IC = interferência construtiva) enquanto que nas extremidades fechadas temos nós (ID = interferência destrutiva). Confira na figura abaixo os perfils das onda sestacionárias mais simples formadas nos tubos abertos e fechados:
Os harmônicos (ou modos de vibração) que vão se formar numa Vuvuzela (tubo aberto) serão:
Note que L é o comprimento do tubo enquanto que λ é o comprimento de onda da onda sonora que se propaga dentro deste tubo. Note ainda que, pelas condições de contorno (ambas as extremidades abertas), os sons "permitidos" (ou harmônicos) na Vuvuzela devem ter ao longo da extensão L um número inteiro (1, 2, 3, 4, 5, ...) de semiondas, ou seja, 1λ/2, 2λ/2, 3λ/2, 4λ/2, 5λ/2, e assim por diante. Logo, a Série Harmônica (ou sequência de sons "permitidos") dentro da Vuvuzela será:
n = 1 - Primeiro harmônico:
n = 2 - Segundo harmônico
n = 3 - Terceiro harmônico
... e assim por diante.
Podemos generalizar a formação dos harmônicos através da série matemática abaixo onde n = 1, 2, 3, 4, 5,.., N é o que chamaremos de número de ordem do harmônico:
Note que podemos generalizar ainda mais a Série Harmônica escrevendo que para o harmônico de ordem N vale λN = λ1/Nenquanto que fN = N.f1. Desta forma, se conhecermos os valores de comprimento de onda e frequência do primeiro harmônico podemos facilmente encontrar os valores de comprimento de onda e frequência de todos os outros harmônicos, como nos mostra a tabela abaixo:
Harmônico
λ
f
1
λ1/1
1f1
2
λ1/2
2f1
3
λ1/3
3f1
4
λ1/4
4f1
5
λ1/5
51
6
λ1/6
6f1
7
λ1/7
7f1
8
λ1/8
8f1
9
λ1/9
9f1
10
λ1/10
10f1
...
...
...
Uma Vuvuzela típica tem comprimento aproximado L = 68 cm = 0,68 m. Dentro dela o som se propaga com velocidade próxima a V = 340 m/s. Podemos estimar o valor da frequência f1 para n = 1, o primeiro harmônico que se forma na coluna de ar no interior da Vuvuzela:
f1 = V/2L = 340 / 2 x 0,68 = 340 / 1,36 = 250Hz
O primeiro harmônico (ou fundamental) é grave, compatível com a sonoridade de "zumbido" da Vuvuzela. Mas ela não emite só este harmônico. O seu timbre característico corresponde à superposição de outros harmômicos. E agora, de posse do valor da frequência f1 podemos encontrar todos os outros valores de frequência (f2, f3, f4, ...) dos próximos harmônicos. Isso já está feito na tabela abaixo usando a ideia fN = N.f1 desenvolvida acima.
Harmônico
f (Hz)
1
250
2
500
3
750
4
1000
5
1250
6
1500
7
1750
8
2000
9
2250
10
2500
...
...
Observação: A cada vez que a frequência sonora dobra dizemos que subimos uma oitava. Assim, o harmônico n = 2 é a oitava do harmônico n = 1 (pois f2 = 2f1 ) assim como o harmônico n = 4 é a oitava do harmônico n = 2 (pois f4 = 2f2) e assim por diante. Assim, a Série Harmônica vai reproduzindo a cada harmônico novas notas musicais, cada vez mais agudas, ou seja, com frequências mais altas. Mas nem todos os harmônicos (ou notas) têm a mesma intensidade (ou volume). Desta mistura de diferentes notas (harmônicos) em diferentes intensidades (volumes) é que temos o timbre, o perfil de onda inconfundível da Vuvuzela.
:: Som Literalmente Ensurdecedor
A tabela acima contém dados reais de um experimento realizado pelo SAMJ - South African Medical Journal que mediu níveis de intensidade sonora média (N) de diversos harmônicos de uma Vuvuzela típica em quatro pontos diferentes: na orelha do tocador da Vuvuzela, na saída da corneta, a 1m e também a 2m desta saída.
Para você ter uma ideia quantitativa, o limiar da audição humana corresponde ao nível de 0 dB (zero decibéis). Uma conversa normal chega a 60 dB. Um aspirador de pós a 70 dB. A buzina de um automóvel bem com uma sirene pode chegar a 110 dB, mais ou menos o mesmo nível sonoro de um show de rock. Com 120 dB vibrações intensas no tímpano já podem produzir dor e desconforto. É o que chamamos de limiar da dor. Uma turbina de avião ultrapassa esse limite pode gerar ruídos de mais de 120 dB nas suas proximidades. Note que, para alguns harmônicos, em certas frequências, uma Vuvuzela não fica muito atrás de uma turbina de avião quando se trata de nível de intensidade sonora! Não é pouco!
Um som contínuo acima de 85 db já pode provocar danos auditívos. Por isso, pessoas que trabalham expostas a ruídos intensos e por muito tempo devem usar protetores (ou abafadores) auriculares. E, com eu disse acima, muita gente tem feito uso de abafadores sonoros nos ouvidos para poderem assistir aos jogos da Copa do Mundo 2010 nos estádios com um mínimo de conforto.
Não foi por acaso que o SAMJ publicou artigo com as medições de níveis de intensidade sonora dos harmônicos da Vuvuzela. A ideia era alertar a todos de que as Vuvuzelas podem , de fato, fazer mal para a boa audição!
:: Observação Importante sobre Intensidade Sonora
A escala de nível de intensidade sonora N não é linear, é logaritmica, como a escala Richter usada para medir abalos sísmicos (veja aquie também aqui).
No caso da intensidade sonora, seu valor em dB (decibéis) é sempre encontrado fazendo-se o seguinte cálculo:
onde I é a intensidade sonora do som aferido e I0 = 10-12 W/m² a menor intensidade do som que uma pessoa com audição saudável pode ouvir.
Para que este post não fique enorme, vou deixar para discutir detalhes deste cálculo noutra oportunidade.
O que eu queria mesmo era abordar a acústica da Vuvuzela para mostrar como ela "grita" forte. E acho que isso ficou claro. Não?
E fica aqui uma dica para os vestibulandos: a acústica das Vuvuzelas é tema "quente" para os próximos vestibulares!
::: PROFCEM: CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO NO CBPF :::
Vídeo com o prof. Sebastião Alves Dias, coordenador do PROFCEM
De 19 a 30 de julho de 2010 acontece a VIII Escola do CBPF. E entre 12 e 23 de julho, como evento satélite, o PROFCEM - Programa de Formação Continuada de Professores do ensino médio.
A formação e o aperfeiçoamento de professores de Física que atuam no ensino médio deveria ser uma preocupação constante das instituições de ensino superior e de pesquisa. Pesquisadores e professores do CBPF mostram através desta iniciativa que estão focados nesta nobre proposta de colaboração permanente para a melhoria do ensino de Física no país, especialmente em relação aos conteúdos de Física Moderna – um ponto ainda deficiente na formação para Licenciatura em Física.
Segundo o professor Sebastião Alves Dias, coordenador do PROFCEM, "... a Física Moderna revolucionou o conhecimento científico e alterou drasticamente a compreensão de conceitos-chave para o entendimento das relações no universo, como tempo e espaço. Graças aos princípios e aplicações da Mecânica Quântica, da Relatividade Geral e Especial e de inúmeras tecnologias - como as que permitem o uso do GPS, do laser, do transistor e da tomografia - foram desenvolvidas e fazem parte do nosso cotidiano. Apesar disso, as bases da Física Moderna e o seu papel na compreensão dos fenômenos naturais e das aplicações tecnológicas não são, ainda hoje, parte regular do programa de Física no ensino médio".
Esta fantástica iniciativa do CBPF vem ao encontro do tema central do postanterior. Afinal, hoje arrastamos um atraso de mais de cem anos no currículo de Física do ensino médio!
O PROFCEM vai selecionar 24 professores que em duas turmas de 12 farão o curso presencial de 60 horas que prevê atividades teóricas e experimentais.
Ficou interessado? As inscrições (gratuitas) vão até 30 de junho. Mão no mouse e:
::: ENSINO DE FÍSICA MODERNA: 'SÓ' 100 ANOS DE ATRASO :::
Lord Kelvin: "há duas pequenas nuvens no horizonte da Física"
Você sabe o que é Física Moderna? Não se trata de um modo "moderninho" de ensinar Física mas sim de toda a Física desenvolvida no século 20. Antes dela, do século 19 para trás, temos a Física Clássica que vai da Mecânica de Newton até o Eletromagnetismo de Maxwell passando pela Óptica, pela Termodinâmica e pela Ondulatória. Para saber um pouco mais em que contexto nasceu a Física Moderna, acompanhe o texto a seguir.
:: As duas Nuvens de Lord Kelvin(*)
No começo do século 19 havia um grande otimismo por parte da humanidade em razão do enorme sucesso alcançado pela Física e os desenvolvimentos tecnológicos provenientes da teoria já desenvolvida.
Em 1900 alguns cientistas acreditavam que a Física estava praticamente completa e tudo o que se tinha para descobrir já havia sido descoberto. William Thomson (1824-1907), mais conhecido com o Lord Kelvin, era um desses cientistas. Segundo ele, faltava apenas melhorar algumas medidas e acertar um ou outro detalhe. Ele chegou mesmo a aconselhar os jovens estudantes da época a não se dedicarem à Física, por uma simples questão de mercado de trabalho. Já que a Física estava para acabar, tornar-se físico seria uma grande roubada!
Mas havia duas questões no ar, dois problemas ainda não resolvidos ou, como ele mesmo disse, duas "pequenas nuvens" no horizonte da Física.
As duas questões (ou nuvens) eram as seguintes:
Assim como o som (ou qualquer outra onda mecânica) se propaga na presença de meio material, os cientistas acreditavam que a luz e as ondas eletromagnéticas também deveriam se propagar em algum meio ainda desconhecido que passaram a chamar de Éter. Era possível (e muito simples), por exemplo, produzir vácuo num tubo, a partir da descida parcial do mercúrio no experimento de Torricelli. Em seguida, seria igualmente simples fazer a luz atravessar o vácuo dentro desse tubo. Mas os cientistas à época acreditavam que ali, na porção evacuada do tubo, deveria ter "sobrado" o Éter por onde a luz se propagava. Era inaceitável que a luz (onda) viajasse no vazio. Da mesma forma, o Éter deveria preencher todo o espaço entre os planetas e as estrelas, permeando tudo e evitando o vazio que inviabilizaria a propagação luminosa. Um procedimento experimental importante, conhecido como experimento de Michelson-Morley, tentou sem sucesso aparente, detectar a presença do Éter. Mesmo assim a ideia da existência do Éter sobrevivia porque era inconcebível uma onda sem um meio para se ondular e se propagar.
Já se sabia que um corpo aquecido emite radiação eletromagnética. Mas não era possível descrever teoricamente a distribuição de energia de um corpo radiador ideal (chamado de corpo negro ideal). A radiação do corpo negro era um outro "nó" na Física Clássica, a segunda "nuvem" de Lord Kelvin.
Na verdade, esses dois problemas ainda não explicados pela Física Clássica ao final do século 19 deram origem à duas novas teorias que mudaram a nossa maneira de ver o mundo a partir do século 20:
Da primeira "nuvem" de Kelvin nasceu a Relatividade Restrita de Albert Einstein (1879-1955) numa tentativa de unificar a Mecânica e o Eletromagnetismo.
Da segunda "nuvem" de Kelvin surgiu a Física Quântica, noutra empreitada unificadora, agora da Termodinâmica com o Eletromagnetismo. O primeiro passo foi dado em dezembro de 1900 com o trabalho de Max Planck (1858-1947) sobre a Quantização da Radiação Térmica.
As previsões de Kelvin, para a nossa sorte, estavam erradas. A Física Clássica estava, de fato, terminando. Mas estava entrando em cena a Física Moderna, uma nova era de descobertas incríveis na Física e que já tem mais de 100 anos de idade!
:: Por que as escolas de Ensino Médio não trabalham a Física Moderna?
Eu gostaria de ter esta resposta. Mas é fato que na maioria das escolas de Ensino Médio aqui no Brasil a Física Moderna fica de fora. E já viramos a página para o século 21. E incorporamos em nossas vidas equipamentos que fazem uso de tecnologia nascida a partir da Física Moderna! Mas tudo isso está fora do currículo escolar da maioria dos jovens. Estranho, não? E todo esse conhecimento vai sendo adiado e fica somente para as aulas do curso superior nas carreiras de exatas. Uma pena! E assim, sem explicações convincentes, vamos carregando um atraso que já é de pouco mais de 100 anos!
Tentei dar a minha contribuição pessoal e minimizar o problema dentro do meu pequeno alcance. Em 2002 lancei pela Editora Companhia da Escola o livro Tópicos de Física Moderna, trabalho pioneiro de ensino de Relatividade, Quântica e Cosmologia para jovens estudantes do final do ensino médio e início do curso superior. De lá para cá, dentro das escolas atendidas por esta editora, mais de 10.000 jovens tiveram a oportunidade de ter um primeiro contato com as novas ideias da nova Física do século 20.
No Sistema Anglo de Ensino também escrevi algumas aulas de Física Moderna para o TOF - Treinamento para as Olimpíadas de Física. Pesquei mais alguns jovens!
Mas a minha rede é pequena, quase desprezível frente a tantas escolas que empurram o ensino da Física Moderna para debaixo do tapete! Infelizmente ainda são poucas as instituições de ensino que trabalham tópicos de Física Moderna com seus jovens estudantes de nível médio. Mesmo grandes vestibulares nacionais como a Fuvest e a Unicamp ainda não tiveram a coragem de incorporar oficialmente a Física Moderna no seu programa. Já cobraram questões do tipo "auto instrutivas" de assuntos de Física Moderna, especialmente no ano de 2005 que foi Ano Mundial da Física em homenagem a Einstein. Mas nada convincente. Estou pagando para ver o dia em que teremos no edital destes grandes vestibulares a Física Moderna oficializada! Enquanto isso, algumas universidades federais já cobram Física Moderna há anos nos seus processos seletivos. Mas a coisa ainda está pulverizada em ações aqui e ali.
Neste sentido, o Governo do Estado de São Paulo deu um grande passo e já há alguns anos edita o seu próprio material didático que incluiu, na terceira série do Ensino Médio, assuntos de Física Moderna. Fantástico!
E. para a minha felicidade, a Secretaria Estadual da Educação do Estado de São Paulo acaba de adquirir pouco mais de 3600 exemplares do Tópicos de Física Moderna para equipar as bibliotecas de suas escolas estaduais de Ensino Médio. Não bastasse o reconhecimento do meu trabalho pioneiro no ensino de Física Moderna, esta ação fez minha rede de pescar alunos crescer mais um pouco!
Páginas do "Tópicos de Física Moderna" com a Relatividade Restrita
Páginas de "Cosmologia" no Tópicos de Física Moderna
Mas ainda é pouco! A Física Moderna merece mais atenção!
Escolas, professores, acordem! É preciso rever o currículo de Física do Ensino Médio para incorporar a Física Moderna sem medo e com muita certeza de resultados positivos! Eu garanto!
(*) Adaptado da introdução do "Tópicos de Física Moderna" - Dulcidio Braz Jr - Editora Cia da Escola (2002)
"Qual a área da região hachurada?" Um dos inúmeros problemas propostos.
Dia desses, numa conversa informal de sala de professores na escola em que leciono e sou coordenador, meu amigo Lucas Otávio de Souza, Engenheiro Civil pela USP (campus de São Carlos/SP) e Professor de Geometria, comentou que havia feito nas férias uma apostila de Geometria Plana que seria usada num curso numa das escolas em que trabalha. E, já que o material estava pronto, iria deixá-lo disponível para download na sala virtual do nosso site para os nossos alunos.
Fui ver o material e achei muito bacana! Bem cuidado e completo! E aí veio a ideia: já que o Lucas é altruísta e quer compartilhar o seu material com o máximo possível de pessoas, por que não publicá-lo aqui no Física na Veia? Consultei o Jeca, como ele gosta de ser chamado, e ele topou prontamente a proposta de compartilhar o material com meus leitores do blog.
"Criador e criatura"
Clique aqui para baixar o material em PDF (158 páginas; 1,26 Mb). Lembro que o uso comercial deste material não está, obviamente, permitido. Mas, segundo o próprio Lucas, "cursinhos comunitários podem usar esta apostila livremente com os seus alunos".
Vale lembrar que Geometria Plana é uma importante área da Matemática e cujo conhecimento pode ajudar bastante em alguns problemas em várias áreas da Física.
O que está esperando? Baixe já o material. Indique para seus amigos, especialmente estudantes de Ensino Médio e Pré-vestibular. Depois deixe um comentário aqui e não se esqueça de mandar um alô para o Lucas. Na apostila tem o e-mail de contato dele.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 18h09)
A exposição "Einstein" veio de Nova York e passou por São Paulo no segundo semestre de 2008 (leia post). Na capital paulista, durante o período da exposição, aconteceu um ciclo paralelo de palestras que ficou documentado neste link pela Revista Pesquisa Fapesp.
Neste momento, até o dia 6 de junho, "Einstein" está no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional que fica na Praça Marechal Ancora, s/n - Centro (terça a sexta, das 9h às 18h, e sábado, domingo e feriados, das 14h às 18h).
No último dia 12, em evento paralelo à versão carioca da exposição, aconteceu o lançamento do livro "Einstein - Muito Além da Relatividade" que apresenta diferentes abordagens sobre o cientista, desde sua contribuição à Física, passando por sua biografia até o impacto que gerou em outras áreas do conhecimento, como a Antropologia, a História e a Educação. Organizada por Marcelo Knobel e Peter Schulz, docentes do IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp, a obra é fruto do ciclo de palestras acima citado e que aconteceu paralelamente à mostra "Einstein" em São Paulo.
"Na perspectiva científica, seus trabalhos viraram os conceitos de espaço e tempo ao avesso (...) por outro lado, sua intensa atuação política, suas viagens e entrevistas, suas conversas e cartas mudaram o modo de a sociedade encarar a ciência. Einstein conseguiu colocar em pauta temas fundamentais e diversos tabus", afirmam Knobel e Schulz. No livro, os pesquisadores – Carmen Pimentel Prado (USP), Roberto de Andrade Martins (Unicamp), Carlos Alberto dos Santos (UFRS), Pablo Rubén Mariconda (USP), Edgar Salvadori de Decca (Unicamp), Mauro W. B. de Almeida (Unicamp) e Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) – por ordem de aparição, discorrem, de maneira clara e acessível, sobre o mito, o cientista e o homem Albert Einstein.
Para quem gosta de Física e, consequentemente, admira o trabalho fantástico de Einstein, ainda dá tempo de visitar a exposição no Rio de Janeiro. O acervo de palestras é muito bacana. Clique no link e viaje! E o livro, que já estou providenciando para a minha biblioteca pessoal, parece ser imperdível!
Ficam aqui as minhas dicas!
Para ver
Galeria de imagens da exposição Einstein no Rio de Janeiro (UOL Ciência & Saúde)
... o prof. Dr. Vanderlei Bagnato que é pesquisador do Instituto de Física de São Carlos / USP com algumas centenas de artigos publicados em periódicos especializados e inúmeras colaborações científicas na área de Física Atômica.
O resultado foi divulgado ontem pela Comissão Julgadora do Prêmio que indicou Bagnato pelo trabalho que demonstrou pela primeira vez o fenômeno de turbulência em um condensado de Bose-Einstein(*) e revelou as condições em que tal turbulência pode ser controlada.
A ata da Comissão Julgadora do Prêmio destacou a técnica elegante e eficiente utilizada por Bagnato e sua equipe na demonstração do fenômeno, frisando que o "trabalho apresenta claramente as características indicativas de uma contribuição científica seminal para investigações futuras de fluidos quânticos."
Parabéns ao CBPF pela iniciativa. Parabéns ao prof. Bagnato pelo trabalho sério em Física de ponta! Para nós que temos Física nas veias é muito bom saber que temos brasileiros envolvidos com trabalhos de alto nível!
(*) O condensado de Bose-Einstein é um estado da matéria no qual, abaixo de uma temperaturas baixíssima chamada de Temperatura Crítica (TC), próxima do zero absoluto (0K), todos os átomos se precipitam para um estado de mais baixa energia passando a ter as mesmas características quânticas comportando-se como se fossem juntos um único átomo gigante. Este estado da matéria foi previsto pelos físicos Satyendra Nath Bose e Albert Einstein (foto ao lado) em 1924. A primeira observação de um condensado de Bose-Einstein ocorreu em 1995 num trabalho que rendeu a Eric Cornell, Wolfgang Ketterle e Carl Wieman o Prémio Nobel em 2001.
No próximo dia 29 de maio acontece a XXVI Oficina de Física "Cesar Lattes" do IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, interior de São Paulo. O tema desta vez é A Física Experimental.
Confira abaixo a programação:
8:30 - 8:45
Abertura
8:45 - 9:45
Eduardo Granado Fazendo ciência experimental com luz, matéria, e suas interações
9:45 - 10:00
Perguntas e discussões
10:00 - 10:30
Intervalo / Café
10:30 - 11:30
Mônica Alonso Cotta Entendendo a nanoescala: novos materiais e biossistemas
11:30 - 11:45
Perguntas e discussões
11:45 - 13:00
Intervalo / Almoço
13:00 - 14:00
Cristiano Monteiro de Barros Cordeiro Manipulando a luz com fibras ópticas micro-estruturadas
14:00 - 14:15
Perguntas e discussões
14:15 - 14:45
Intervalo / Café
14:45 - 15:45
Ernerto Kemp Explorando as Maiores Estrelas e Explosões do Universo com suas Menores Partículas
15:45 - 16:00
Perguntas e discussões
16:00
Encerramento
Mais informações no site do evento. Valores e inscrições (até 25/maio) aqui.
Fui na primeira oficina do IFGW e nas 24 edições seguintes estive presente em muitas delas. Já perdi a conta! O evento é bem bacana e uma oportunidade para fazer upgrade no conhecimento além de reencontrar bons amigos e fazer novos contatos com pessoas que têm Física na veia!
Vou ver se consigo arrumar a minha agenda para estar presente nesta XXVI oficina que promete ser divertida e repleta de informações práticas.
Recebi via Twitter (da @sibelefausto) uma dica bem legal: o SPRACE - São Paulo Regional Analysis Center, grupo brasileiro de pesquisa na área de Física Experimental de Altas Energias ligado à UNESP - Universidade Estadual Paulista acaba de lançar o SPRACE Game, um jogo freeware de computador que pretende ensinar os conceitos Básicos da Física das Partículas Subatômicas.
"Durante o último século, as experiências realizadas em diversos aceleradores de partículas foram capazes de ampliar e aprofundar nossa visão sobre o interior da matéria. Hoje sabemos que prótons e nêutrons, que compõem o núcleo atômico, são partículas compostas de quarks, constituintes ainda mais fundamentais. Seis quarks (up, down, strange, charm, bottom, top), seis léptons (elétron, múon, tau e seus três respectivos neutrinos), além das partículas responsáveis pelas interações forte, fraca e eletromagnética (glúon, W, Z e fóton), formam o quadro atual das partículas subatômicas (Veja cartaz abaixo. Clique nele para ampliar).
Esse cenário é muito distinto daquele ensinado hoje em dia nas escolas do ensino médio. A visão que os estudantes possuem da estrutura da matéria permanece estagnada no conceito atômico do início do século passado.
Diminuir essa defasagem de quase um século de conhecimento é uma das tarefas a que se propõe o SPRACE segundo o press release divulgado pela equipe de cientistas que criou o jogo no qual uma espaçonave de tamanho subatômico tem a missão de capturar partículas, identificá-las e com elas montar estruturas atômicas em outro planeta. Com um visual bem bacana, o game pretende ser mais instrumento bastante atrativo do SPRACE para auxiliar alunos e professores nesta tarefa de fazer um upgrade no conhecimento acerca do mundo subatômico.
Em tempos de LHC, com experimentos que podem validar o Modelo Padrão de Partículas e nos mostrar mais um pouco dos segredos das entranhas da matéria, o game tem tudo para fazer sucesso e cumprir a sua função didática além de divertir os interessados dos 8 aos 80 anos.
O executável tem apenas 7,21 Mb e roda em Java, o que garante compatibilidade com praticamente qualquer sistema operacional. Uma versão em inglês já está sendo providenciada para que outras pessoas pelo mundo também possam brincar e aprender.
Veja abaixo três vídeos do game em ação.
Achei a ideia fantástica! já baixei e vou aprender a jogar! E indicar para os meus alunos e outros colegas professores. Mas, desde já, fica aqui a dica!
Para jogar
Download do arquivo "spracegame.jar". Não precisa instalar. Se já tiver a plataforma Java instalada no seu computador, basta clicar no arquivo .jar baixado que o game inicia automaticamente. As instruções vão aparecer na tela.
Se você ainda não tiver a plataforma Java instalada no seu computador, clique aqui para acessar a página de download gratuito.
::: F1: O QUE É MAIS IMPORTANTE, VELOCIDADE OU ACELERAÇÃO? :::
UOL Esporte (by Gustau Nacarino) Largada do Grande Prêmio da Espanha (9/maio/2010)
Estava vendo o Grande Prêmio de F1 da Espanha na TV e lembrei-me de que nesta semana que passou conversei com meus alunos sobre a importância que a velocidade e a aceleração(1) têm numa corrida de carros.
As opiniões, inicialmente, estavam divididas. Depois chegamos a uma conclusão técnica. E você, o que acha? Na corrida, é mais importante a velocidade ou a aceleração?
Para responder a esta pergunta, precisamos antes de tudo definir o que é velocidade e o que é aceleração.
:: Definições
Velocidade - é a taxa de variação do espaço no tempo.
Em outras palavras, é a grandeza física que mede a rapidez com que um corpo se desloca, ou seja, quão rapidamente o corpo muda de lugar.
Aceleração - é a taxa de variação da velocidade no tempo.
Em outras palavras, é a grandeza física que mede a rapidez com que a velocidade de um corpo varia.
:: Análise com um exemplo esclarecedor
Todo carro de corrida deve ir no limite de velocidade permitido pelas regras da competição, ou seja, deve ser o mais veloz possível. Na F1 este valor limite de velocidade está atualmente um pouco acima de 300 km/h (cerca de 90 m/s).
Mas, se demorar muito para atingir a velocidade máxima, perde tempo. E, ao perder tempo, fica para trás pois também perde em deslocamento. Logo, ter uma aceleração alta também parece ser fundamental para um bom desempenho na corrida, certo?.
Para começar, vamos tentar estimar a aceleração escalar média de um carro de passeio e um carro de F1.
Carro de passeio
Na prática um carro de passeio vai de 0,0 km/h (0 m/s) até 108 km/h (30 m/s) em 15s. Assim, sua aceleração escalar média será de:
a = ΔV/Δt = (30 - 0) / 15 = 2 m/s²
Carro de F1
Um carro de F1, para atingir os mesmos 108 km/h (30 m/s), partindo do repouso, leva cerca de 2s. Sua aceleração(2) escalar média será de:
a = ΔV/Δt = (30 - 0) / 2 = 15 m/s²
Para termos uma ideia quantitativa da importância da aceleração numa corrida, vamos imaginar uma disputa entre um carro de F1 e um carro de passeio numa reta de apenas 500 m (0,5 km). O que vai acontecer se os dois largarem juntos, em t = 0s, do repouso (V = 0)?
Carros emparelhados na largada (t = 0 s, V = 0 m/s)
Antes que você me diga que o carro de passeio vai perder feio porque mal chega aos 150 km/h contra cerca de 300 km/h do F1, vamos equilibrar um pouco as coisas instalando nos dois veículos um limitador eletrônico de velocidade em 108 km/h (30 m/s). Assim impedimos o F1 de atingir os pouco mais 300 km/h (cerca de 90 m/s) deixando o carro de passeio bem lá para trás. Agora os dois carros podem atingir velocidade máxima idêntica de apenas 108 km/h (30 m/s).
Note que limitamos a velocidade dos dois carros. Mas não limitamos as suas acelerações que permanecem, respectivamente, 2 m/s² e 15 m/s². Certo?
Será que, mesmo limitados a uma velocidade máxima idêntica, haverá um ganhador nesta corrida? Acompanhe o raciocínio abaixo para respondermos a esta pergunta.
Carro de passeio
Supondo aceleração constante de 2 m/s², a velocidade cresce linearmente com o tempo. Para atingir a velocidade máxima limitada em 108 km/h (30 m/s) ele vai demorar 15s e depois, nos próximos instantes, vai manter velocidade constante por causa do limitador eletrônico. O gráfico abaixo, de velocidade (V) X tempo (t), nos mostra exatamente o que acontece com a velocidade do carro de passeio no decorrer do tempo:
Carro de F1
Da mesma forma, considerando que o carro de F1 acelera a uma taxa constante de 15 m/s², para atingir a velocidade máxima limitada em 108 km/h (30 m/s) ele vai demorar apenas 2s. Depois, nos próximos instantes, tal como o carro de passeio, manterá velocidade constante de 108 km/h (30 m/s) limitada pelo dispositivo eletrônico.
Também é conveniente construir o o gráfico da velocidade (V) X tempo (t) para o carro de F1. Veja:
Importante: De cara, comparando os dois gráficos V X t acima, chama-nos a atenção o fato de que o carro de F1 chega muito rapidamente à velocidade limite de 108 km/h (30 m/s) enquanto que o carro de passeio demora bem mais tempo para atingir a máxima rapidez de seu movimento. Esta diferença para chegar à velocidade final, partindo do repouso, é justamente o que medimos como acelerações diferentes para cada um dos carros (2 m/s² para o carro de passeio e 15 m/s² para o carro de F1). A taxa de variação da velocidade no tempo (aceleração) do carro de F1 é 7,5 (15/2) vezes maior que a do carro de passeio. E, quem chega antes numa velocidade alta, tem uma enorme vantagem: mais tempo de sobra para, com velocidade maior, percorrer uma distância também maior e se distanciar do seu opononente. Para visualizarmos isso que estou afirmando, basta lembrar de uma propriedade importante que diz que que no gráfico de velocidade (V) X tempo (t) a área nos dá o deslocamento escalar ΔS (neste caso coincidente com a distância percorrida d(3)). Mais uma vez vamos comparar os dois carros. Vamos aproveitar os mesmos gráficos acima já construídos, apenas destacando a área citada cujo valor equivale ao ΔS.
Carro de passeio
Em 15s de disputa o carro de passeio terá percorrido uma distância igual à área do gráfico. Veja:
Esta área correponde a um triângulo de base B = 15 e altura h = 30 que pode ser facilmente calculada por:
Área = B.h/2 = 15.30/2 = 225 m.
Conclusão: o carro de passeio, em 15s, atinge a velocidade máxima limitada em 108 km/h (30 m/s) percorrendo uma distância total dpasseio = ΔSpasseio = 225 m.
Carro de F1
Ao final de dos mesmos 15s o F1 terá percorrido uma distância igual à área do gráfico abaixo:
Esta área coreponde a um trapézio de base maior B = 15, base menor b = 13, e altura h = 30 que pode ser facilmente calculada por:
Área = (B + b)h/2 = (15 + 13)30/2 = 420 m.
Conclusão: o carro de F1, em 2s, atinge a velocidade máxima limitada a 108 km/h (30 m/s). Depois, por mais 13s, viaja com velocidade constante. Assim, em 15s percorre uma distância total dF1 = ΔSF1 = 420 m.
A ilustração a seguir resume nossos cálculos de distância percorrida para cada um dos carros entre t = 0s e t = 15s.
Mas, olhando atentamente os dois gráficos acima, nem seria necessário calcular as duas áreas (como já fizemos). Dá para ver facilmente que a área do gráfico do carro de F1 (trapézio amarelo) é significativamente maior do que a área do gráfico do carro de passeio (triângulo triângulo). Para visualizarmos esse detalhe de forma ainda melhor, podemos fazer um outro gráfico destacando em vermelho a diferença das áreas (triângular e trapezoidal) que corresponde exatamente a quanto o carro de F1 andou a mais em relação ao carro de passeio nestes primeiros 15s de disputa. Confira:
No gráfico acima também fica bem evidente que nos mesmos 15s o carro de F1 andou ΔSF1- ΔSpasseio = 420 - 225 = 195 m a mais do que o carro de passeio (exatamente o valor correspondente à área destacada em vermelho no gráfico acima) e, portanto, em t = 15s, está vencendo a disputa! Concorda?
E a partir deste instante, momento em que os dois carros igualaram as suas velocidades, a distância entre eles, então de 195 m, não muda mais. O carro de passeio ficou irremediavelmente para trás e não terá como descontar esta desvantagem. Portanto, o carro de F1 que está na frente vai cruzar a linha de chegada antes do oponente e vencerá a disputa!
É certeza que o F1 cruzará a linha de chegada antes do carro de passeio
Note que, mesmo limitados à mesma velocidade máxima, houve um vencedor, justamente o carro de F1, aquele que tem maior aceleração.
Percebeu o efeito prático da aceleração na corrida? Quem tem maior aceleração acaba tendo também uma grande vantagem na disputa!
:: Afinal, quem é mais importante: velocidade ou aceleração?
Fisicamente, a melhor resposta é admitir que um bom carro de corrida deve atingir a máxima velocidade possível no menor tempo que conseguir, ou seja, deve ter velocidade máxima bem alta e também grande aceleração. É a conjugação dos dois fatores (velocidade e aceleração) que vai tornar o carro mais competitivo.
Deu para entender?
(1) Neste artigo, para simplificar, vou apenas abordar aspectos escalares da velocidade e da aceleração. Por isso mesmo vou imaginar uma corrida em linha reta, evitando as curvas e as complicações vetoriais que isso acarretaria no problema. (2) Quanto maior a velocidade, maior o valor do atrito aerodinâmico sobre o carro. Para ir de 0,0 km/h a 108 km/h um carro de F1 demora cerca de 2s, o que dá uma aceleração escalar média de cerca de 15 m/s² conforme calculamos. Mas, se refirzermos este cálculo entre 0,0 km/h e 324 km /h, com o triplo da velocidade final, teremos um atrito nove vezes maior. Na medida em que a velocidade do carro vai aumentando, o atrito vai crescendo com o quadrado da velocidade, o que torna to processo de acelerar o carro cada vez mais difícil pois, para a mesma força do motor, temos um atrito contrário maior e, portanto, uma força resultante menor. E não podemos nos esquecer do Princípio Fundamental da Dinâmica (ou Segunda Lei de Newton, como queira), que nos diz que R = m.a onde "R" é a resultante, "m" é a massa do corpo e "a" a sua aceleração. (3) Deslocamento escalar não é a mesma coisa que distância percorrida. Mas, quando o movimento acontece numa mesma direção e num mesmo sentido e este sentido é adotado como positivo, os dois valores coincidem. É o caso. Já publicado aqui no Física na Veia!
::: PROGRAMÃO DE FÍSICA PARA AQUECER AS FÉRIAS DE JULHO :::
Cartaz do evento (clique para ampliar)
Se você é aluno do ensino médio ou de cursinho pré-vestibular e está pensando no que vai fazer de bom nas férias de julho, seus problemas acabaram!
Entre os dias 19 a 24 de Julho o IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp vai promover o VIII Física nas Férias e a VI Escola Avançada de Física, eventos formatados para promoverem o contato dos jovens estudantse com a teoria e a prática da Física Moderna, a Física do século XX.
Os participantes serão divididos em grupos para estudarem, utilizando metodologia científica, um dos problemas propostos pelos organizadores tais como:
Supercondutividade
Como medir a velocidade da luz?
O que existe além de prótons, elétrons e nêutrons?
A luz é uma onda ou uma partícula? e Como funciona uma rede de comunicação óptica
No último dia do evento os grupos apresentam seus resultados e assim, uns sabem das realizações dos outros.
O evento já se tornou tradição e Diogo Almeida, um dos organizadores, comentou que "... os estudantes se entusiasmam muito porque aprendem conceitos da Física Moderna que tradicionalmente não é vista nas escolas apesar de serem ideias muito importantes no desenvolvimento da Física. E têm, como temas comuns para todos os grupos, uma introdução à análise e ao tratamento de dados”.
Para a edição de 2010 estão programadas visitas ao LNLS - Laboratório Nacional de Luz Síncroton e ao OMC - Observatório Municipal de Campinas "Jean Nicolini".
O Museu Exploratório de Ciências da Unicamp participa oferecendo um problema a ser resolvido na Oficina Desafio. O Capítulo de Estudantes da OSA - Sociedade Americana de Óptica na Unicamp e a Coordenadoria de Extensão do IFGW realizam o evento com apoio do CePOF - Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, do Fotonicom - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Fotônica para Comunicações Ópticas da Unicamp.
As inscrições vão até o dia 11/06. Os alunos secionados pagarão uma taxa simbólica de R$ 150,00 (alunos de escolas particulares) e R$ 30,00 (alunos de escolas públicas).
Mas informações no site oficial do evento ou pelo telefone (19) 3521.5286 (com Viviane).
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 16h11)
NASA Terra, esférica, vista da Lua numa das missões Apollo
Eratóstenes (século III a.C.), quando foi diretor da Biblioteca de Alexandria, descobriu por um papiro que em Siena, ao meio-dia do dia 21 de junho, varetas retas e verticais não produziam sombra da mesma forma que as colunas dos templos ou qualquer outra edificação vertical.
Eratóstenes conclui que a ausência de sombra significava que o Sol neste dia, nesta hora, e nesta cidade, só poderia estar a pino. E aí pensou: será que quando o Sol está a pino num lugar necessariamente também deve estar a pino em qualquer outro lugar do planeta naquela mesma hora?
Para decifrar o enigma, Eratóstenes resolveu conferir. Aguardou o dia 21 de junho e em Alexandria, exatamente ao meio-dia, constatou que uma vareta vertical tinha sombra!
Pensando mais um pouco Eratóstenes concluiu que isso só poderia ser efeito da curvatura do nosso planeta concluindo que a Terra não poderia ser plana! Confira a ideia na imagem abaixo onde S e A representam Siena e Alexandria.
A história completa deste grande feito de Eratóstenes você pode ler aqui neste post onde mostro como ele conseguiu com este experimento simples e algumas noções básicas de geometria e trigonometria medir a circunferência da Terra. É simplesmente genial!
:: Projeto Eratóstenes na América - 2010
O Projeto Eratóstenes na América é uma proposta interdisciplinar do Departamento de Física da Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires, Argentina, do Laboratório Pierre Auger, da Universidade Tecnológica Nacional Regional Mendoza, Argentina, e da Associação Física Argentina. Ele pretende envolver professores e alunos de diversas escolas espalhadas pelas cidades das Américas para que reproduzam o experimento das varetas de Eratóstenes com os seguintes objetivos:
Descrever a geometria da incidência dos raios do Sol na Terra em diferentes latitudes;
Fazer uma abordagem histórica de como a circunferência da Terra foi medida pela primeira vez há milhares de anos atrás;
Determinar o momento real do meio dia solar da localidade onde se encontra o aluno;
Medir o ângulo entre os raios solares incidentes na Terra e a vertical do local;
Medir o raio do nosso planeta;
O projeto também pretende socializar resultados obtidos entre comunidades escolares distintas e distantes entre si através da utilização das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), como a internet. E mobilizar professores e alunos de áreas distintas como Geografia, História, Artes, Física, Matemática e Geometria.
Existe uma sugestão de utilização de instrumentos como fio de prumo, nível de bolha, metro de carpinteiro, fios de nylon, esquadro, compasso, fita adesiva, relógio (ou cronômetro), percevejos, estacas, folhas de cartolina, placas de isopor ou madeira, folhas de papel em branco, lápis, dentre outros. Mas o ingrediente principal é a imaginação! Não há roteiros experimentais oficiais e prontos. Faz parte do projeto que o professor use a sua autonomia, liberdade e imaginação para, junto com os alunos, discutir e produzir um experimento viável para realizar as medições necessárias.
As inscrições, que foram abertas em 1 de abril e vão até 10 de junho, podem ser feitas no site http://difusion.df.uba.ar/Erat/eratPort.htm que já está em português. Para a inscrição é necessário fornecer os valores de latitude e longitude do local (escola) onde as medidas serão realizadas.
Aqui no Brasil o Projeto Eratóstenes na América tem apoio oficial da OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.
Eu vou participar com meus alunos pois é imperdível esta chance de brincarmos de Eratóstenes em parceria com professores e alunos de outros pontos distantes do continente americano!
Home do site oficial da Escola (clique na imagem para acessar)
Acontece, de 19 a 30 de julho, no Rio de Janeiro/RJ, a VIII Escola do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas que tem como objetivo principal contribuir para a difusão do conhecimento científico e para o aperfeiçoamento da formação dos estudantes de graduação e pós-graduação em Física, Astronomia, Engenharia, Química, Matemática, Computação e áreas correlatas, provenientes de todas as regiões do Brasil e também de países latino-americanos.
A Escola acontece a cada dois anos e abriga centenas de estudantes que prestigiam um dos mais importantes eventos do país voltados para o ensino de Física onde acontecem cursos em temas consagrados e em tópicos de fronteira no cenário contemporâneo da Física, além de palestras de divulgação científica abertas ao público e voltadas para os diversos aspectos das ciências físicas e de seus impactos na sociedade.
Além das atividades tradicionais, esta VIII Escola "traz muitas novidades e se prepara para ampliar seu âmbito de ação", afirma Luiz Sampaio, pesquisador do CBPF responsável pela coordenação da Escola. Agregando eventos satélites à sua programação principal - entre eles, o Programa de Formação Continuada em Física (PROFCEM) e a edição especial Nanociência e Nanotecnologia, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém - "esta Escola dará também atenção especial à formação extensiva de professores de Física de ensino médio e à formação de físicos que deverão atuar em outras regiões do país", continua Sampaio.
Ainda com o mesmo espírito de ampliar suas fronteiras, a oitava edição da Escola abre espaço para a realização do I Encontro Nacional dos Estudantes de Pós-graduação em Física (ENAF), evento organizado pelos alunos do CBPF para promover o intercâmbio de experiências entre pós-graduandos de Física em todo o país. "A ideia é que esta iniciativa frutifique e siga o calendário da Escola, ocorrendo também a cada dois anos", declara o pesquisador.
Uma última novidade é a cerimônia de entrega do Prêmio CBPF de Física durante a abertura oficial da programação da Escola, no dia 19 de julho. Criado no ano passado como reconhecimento à excelência de trabalho científico desenvolvido no país, o prêmio, cujo resultado deverá ser anunciado em maio, será oferecido a cada dois anos, passando a fazer parte do calendário do evento.
Eu estarei por lá! Tive a honra de ser convidado para participar da mesa redonda "A prática da divulgação científica e as novas mídias sociais" (confira aqui).
As inscrições começam em 3 de maio. Mais informações você encontra em www.cbpf.br/e2010.
Para navegar
Acompanhe notícias da VIII Escola do CBPF em tempo real pelo blogoficial do evento.
Antes que você me pergunte por que razão passei o cadeado nos comentários do Física na Veia!, ou seja, por que eles não estão mais entrando no ar automaticamente sem a minha permissão, explico:
Fiz um teste e descobri que fica muito mais fácil pelo sistema de edição do UOL Blogs localizar os comentários distribuídos em diversos posts se os deixar sob moderação. O próprio sistema lista os comentários pelo critério "não avaliados" pela data de publicação do post e pela data de publicação do comentário. Isso facilita também a minha leitura e resposta dos diversos comentários que chegam por aqui. Às vezes descubro comentários interessantes com perguntas bacanas em posts antigos (publicados há mais de um ano) e que eu não li e, portanto, não respondi. Agora creio que este problema estará resolvido ou, pelo menos, minimizado;
Já fui aconselhado por vários amigos blogueiros experientes a implantar essa função pois, como dono do blog, sou responsável por tudo o que se publica por aqui, por mim ou por visitantes. Embora nestes cinco anos e meio de trabalho nada grave tenha acontecido, não deixa de ser uma atitude sensata.
No fundo, esta atitude aparentemente antipática de "trancar a porta" tem como proposta melhorar a minha relação com você leitor que sempre merece a máxima atenção nos comentários. O Física na Veia! continua sendo uma espaço democrático para trocarmos ideias sobre a boa Física! A porta agora está trancada. Mas é só bater que atendo, com o maior prazer. Entendeu?
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h26)
Quando vi/ouvi pela internet, ao vivo, o tempo parou! Demorou alguns segundos para cair a ficha! Mas caiu: o Física na Veia! é o Melhor Weblog em Português 09/10 no The BOBs - The Best of Blogs da alemã Deutsche Welle (confira aqui). Recebi por e-mail de Carlos Albuquerque, representante brasileiro na empresa alemã, a comunicação oficial e convite para a premiação em Bonn, Alemanha, durante o Global Media Forum da Deutsche Welle de 21 a 23 de junho.
Já achei fantástico há um mês atrás um blog científico estar na short list deste importantíssimo prêmio (veja post aqui). Isso, por si só, já era um prêmio! Ontem, quando saiu o resultado da votação popular, eu já estava muito feliz pelo terceiro lugar obtido por votação na internet logo atrás do Pergunte ao Urso (do Marcelo Vitorino), segundo colocado, e do Digital Drops (do Nick Ellis), primeiro colocado votadíssimo! Agora, com o primeiro lugar pelo juri técnico, estou simplesmente sem palavras!
Mas, mesmo sem a matéria prima do blog, as palavras, agradeço a todos os que votaram no Física na Veia! e propagaram o link para votação. Vocês me ajudaram muito nesta corrida disputadíssima com blogueiros de peso!
Divido este prêmio super especial do juri com todos os meus leitores que sempre, com palavras carinhosas sobre o meu trabalho e perguntas instigantes, há cinco anos e meio, me empurram para frente fazendo-me acreditar que blogar vale a pena e que, de fato, A FÍSICA PODE SER POP!!!
Ah... sim... o selo, orgulhosamente, já está lá no topo do blog!!! Ficou lindo!!!
Vídeo oficial da Deutsche Welle com o anuncio da Melhor Weblog em Português!
Presente carinhoso (via e-mail) do Bruno Rezende (@ColunaZero) que também é brasileiro e vencedor do The BOBs 2010 na categoria Mudanças Climáticas com o blog Coluna Zero.
O trecho acima tem apenas a divulgação oficial do Melhor Weblog em Português. O vídeo completo, com todas as categorias, está aqui.
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 15h52)
::: OLIMPÍADA BRASILEIRA DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE :::
Apesar de já estar na sua 5a edição, eu ainda não conhecia a OBSMA - Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, evento estudantil organizado pela FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz, e que pretende "... contribuir para a formação de cidadãos conscientes, capazes de refletir sobre as condições ambientais e de saúde no Brasil, além de aproximar estas questões do cotidiano escolar."
Soube da OBSMA através de comunicação do prof. Dr. João Batista Canalle, coordenador nacional da OBA - Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica da qual já sou fã e participante (com meus alunos) há muito anos!
Adoro olimpíadas estudantis! Vou agitar meus alunos. Se você é professor, agite os seus! Se é aluno, participe delas também. As olimpíadas estudantis são oportunidades incríveis de fazermos um upgrade no conhecimento! Independente de medalhas e certificados, esse é sempre o maior prêmio!
::: PÓS GRADUAÇÃO EM FÍSICA NO RJ: EXAME UNIFICADO :::
Tela inicial do PORTAL UNIPOSRIO - Física
A partir de agora, para habilitar-se aos principais programas de pós-graduação em Física do Rio de Janeiro, o interessado deverá participar UNIPOSRIO-FÍSICA, um processo de seleção unificado coordenado pelo CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFF- Universidade Federal Fluminense, UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro e PUC-Rio - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
A ideia é bem interessante pois o UNIPOSRIO-FÍSICA vai permitir que um único exame escrito, preparado em conjunto, sirva aos processos seletivos das cinco instituições.
"A proposta de um exame unificado para a pós-graduação em Física partiu da necessidade de otimizar a distribuição dos estudantes nos diferentes programas, e caminha na direção de estabelecer, a médio prazo, uma maior integração entre todos os cursos", afirma Ivan Oliveira, coordenador da pós-graduação do CBPF. Para Ivan, a iniciativa também simplificará enormemente a logística para seleção de novos alunos, uma vez que os candidatos a uma pós-graduação em Física no Rio terão que fazer uma única prova escrita, que será validada por todos os programas engajados no UNIPOSRIO-FÍSICA. "Esse processo não deverá, entretanto, inibir a autonomia de cada instituição quanto à escolha de seus alunos", acredita o físico, "já que o peso da prova escrita no processo específico (mestrado ou doutorado) ou no conjunto das outras avaliações (entrevista e análise de currículo) será determinado pelo edital de cada programa".
Elaborada por uma comissão com representantes das cinco instituições, o exame escrito deste ano está marcado para o dia de 10 de junho, no CBPF, e contempla oito questões, seis delas centradas no conteúdo de física básica e as duas outras sobre física moderna e mecânica quântica.
Para participar do processo de seleção unificado, o candidato deverá fazer sua inscrição no período de 15 de abril a 25 de maio, através do site da UNIPOSRIO-FÍSICA, e confirmar a inscrição nos programas de seu interesse. O exame unificado também será aplicado, em datas e locais determinados pelo comitê organizador do UNIPOSRIO-FÍSICA, a candidatos que residam fora do Rio de Janeiro e desejem ingressar em um dos programas oferecidos pelas instituições conveniadas.
::: INPE: CURSO DE SENSORIAMENTO REMOTO PARA PROFESSORES
Pesquisadores do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos/SP, vão ministrar entre os dias 19 a 23 de julho de 2010, período de férias escolares, o curso Uso Escolar do Sensoriamento Remoto no Estudo do Meio Ambiente.
Com 40 horas de duração, o curso tem como público alvo professores da rede pública ou privada de ensino fundamental ou médio. E vai trabalhar, através de atividades teóricas e práticas, diversos aspectos sobre Sensoriamento Remoto que podem ser aplicados para formação de alunos nas mais diversas áreas.
São apenas 50 vagas e as inscrições se encerram no dia 10 de junho de 2010.
Maiores informações você encontra aqui. Neste mesmo link estão disponíveis apostilas em PDF sobre o assunto.
Vale a pena baixar o material de apoio do curso. E, para quem é professor, aproveitar as férias de inverno para fazer um upgrade no conhecimento sobre um assunto de ponta!
Um forte abraço de 14TeV. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (às 18h23)
UOL Ciência e Saúde (AFP/Fabrice Coffrini) Tela do computador no CERN mostrando registros do experimento
Hoje é um dia histórico para a Física de partículas: o LHC - Large Hadron Collider, o maior acelerador de partículas de todos os tempos, funciona perfeitamente bem e bateu recorde de energia(1)!
Os cientistas do CERN - Organização Européia para Pesquisa Nuclear conseguiram acelerar prótons até a velocidade v = 0,999999964c onde c é a velocidade da luz no vácuo. Na prática, dentro do anel são acelerados dois feixes de prótons em sentidos opostos, cada qual com velocidade v, quando então são alinhados para entrar em colisão, um processo delicado que, segundo Steve Myers, diretor de aceleradores e tecnologia do CERN, "É como disparar agulhas dos dois lados do Atlântico e esperar que elas colidam de frente no meio do caminho".
Nesta velocidade v = 0,999999964c a energia de cada próton chegou a 3500 GeV(2) (como pode ser visto abaixo na imagem que mostra a tela capturada de um dos computadores que controlam o experimento CMS).
CERN/LHC/CMS Tela do computador mostrando o valor de energia de 3500 GeV ou 3,5 TeV
O valor 3500 GeV também pode ser escrito como 3500 x 1.109 eV ou 3,5.1012 eV. O número 1012 = 1.000.000.000.000 (o algarismo 1 seguido de 12 zeros, que equivale a um trilhão) é representado pelo prefixo T (que se lê Tera). Então podemos dizer que a energia recorde dos prótons em cada feixe atingiu hoje a marca de 3,5 TeV. E, portanto, cada colisão envolveu uma energia de 3,5 TeV + 3,5 TeV = 7,0 TeV.
:: Qual é o limite energético do LHC?
O projeto do LHC prevê que os prótons possam ser acelerados até uma velocidade v = 0,999999991c. Vamos calcular qual é a energia de cada próton nesta velocidade?
De acordo com a Teoria da Relatividade Restrita de Esintein, o fator gama (γ) de correção relativística (ou fator de Lorentz) para um próton viajando com velocidade v = 0,999999991c valerá:
Com o valor do Fator de Lorentz nas mãos podemos estimar a energia cinética EC relativística que cada próton carrega. O cálculo não é complicado e se baseia na ideia de equivalência massa-energia de Einstein resumida na famosa expressão E = m.c² que prevê que, mesmo parado, o próton tem uma energia, chamada energia de repouso E0, dada por:
Se estiver em movimento, como dentro do anel do LHC, cada próton terá uma energia total relativística E dada por:
Esta energia total E que corresponde à energia que o próton já tinha quando parado (energia de repouso E0)acrescida da energia de movimento (energia cinética EC), a energia "extra" que o próton tem por estar se movendo. Em outras palavras, E = E0 + EC.
E m é a massa inercial relativística do próton já em movimento que difere da massa de repouso m0 pelo fator γ, ou seja, m = γ.m0. Pode parecer estranho, especialmente para quem tem os dois pés na Física Clássica, mas a Teoria da Relatividade Restrita de Esintein prevê que a massa inercial de um corpo depende da sua velocidade! Então:
Como E = E0 + EC, então EC = E - E0. Logo:
Simplficando a expressão acima encontramos uma maneira de calcular a energia cinética relativística EC:
Lembrando que a massa de repouso do próton é m0 = 1,67.10-27 kg = 0,938 GeV/c2 =0,938.109 eV/c2e usando o fator de Lorentz γ = 7453 que calculamos acima chegaremos em:
Temos, portanto, uma energia de praticamente 7 TeV para cada próton ou 7TeV + 7TeV = 14TeV para a colisão. Hoje o LHC demonstrou seu poder de fogo, cravou a marca recorde de 7TeV por colisão, mas ainda está na metade de sua capacidade energética máxima que é de 14TeV.
Quando chegar ao seu limite máximo, o que deve acontecer dentro de dois ou três anos, talvez seja possível "ver" migalhas da matéria nunca antes observadas, ou seja, descobrir novas partículas, como o Bóson de Higgs que foi previsto teoricamente, mas nunca detectado.
Com o LHC funcionando, estável, e resistindo bravamente aos experimentos com energia cada vez maiores, vem outra fase: aprender a usar a máquina. É preciso aprender na prática a lidar com ruídos e imperfeições intrínsecas do sistema para "separar o joio do trigo" a ponto de confiar nas medidas feitas. A brincadeira vai longe. Mas hoje podemos marcar no calendário da história da humanidade: o primeiro passo para uma nova era de novas energias foi definitivamente dado! Esperamos novidades!
Saiba mais sobre o LHC através dos links abaixo.
(1) Eu havia publicado originalmente que o LHC havia conseguido atingir o seu limite máximo de energia. Na verdade ele bateu o recorde de energia em aceleradores de partículas mas chegou a 50% da sua capacidade energéitca. O texto foi corrigido. (2) A unidade eV, elétron-volt, corresponde à energia que uma partícula de carga elementar e = 1,6.10-19 C adquire ao ser acelerada numa diferença de potencial de 1V e que, no Sistema Internacional (S.I.), corresponde a 1,6.10-19 J. Para ver
Galeria de imagens do experimento histórico realizado hoje - UOL Ciência e Saúde