::: ESCOLA DE FÍSICA DO CERN 2012 :::


Minha visita à caverna do CMS, em 2010, a 100 m de profundidade, no anel do LHC

 

Escola de Física do CERN 2012 - Portuguese Language Teachers Programme. Este projeto é incrível! Vinte professores de ensino médio, de todo o território brasileiro, serão escolhidos a partir de projetos pessoais para um curso de capacitação em física de partículas lá no CERN - the European Organization for Nuclear Research (ou Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), o local mais importante nesta área de pesquisa no mundo e onde fica o LHC - Large Hadron collider, o acelerador/colisor de matéria que é o maior experimento científico de todos os tempos.

Aqui no Brasil o evento é organizado pela SBF - Sociedade Brasileira de Física e pelo CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. E o apoio financeiro vem do Departamento de Educação Básica da CAPES e do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCTI - Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.

As vinte vagas brasileiras são fruto da nossa parceria com o LIP - Laboratório de Integração e Física Experimental de Partículas de Portugal que é país membro do CERN e tem direito a 75 vagas nesta escola. Gentilmente, 25 vagas são cedidas sendo 20 para o Brasil e outras 5 para países africanos de lingua portuguesa.

Se você é professor do ensino médio, não perca esta oportunidade! Estive neste evento em 2010 (veja meu primeiro post de lá) e recomendo: nunca mais suas aulas serão as mesmas!

Confira aqui o programa do ano passado, com links para o material didático do curso, só para dar um gostinho! Veja abaixo a cobertura diária que fiz da Escola 2010 em parceria com o portal UOL.

A notícia oficial sobre este evento (versão 2012) você confere aqui, diretamente no site da SBF. E o hot link é este! Nele estão edital e toda a documentação para a concorrer a uma das vinte vagas!

Parabéns ao Prof. Dr. Nilson Marcos Dias Garcia (da SBF) que é o responsável pelas escolas do CERN aqui no Brasil e tem conseguido manter vivo este belíssimo projeto!


Visita ao LINAC 3, de onde partirão íons de chumbo para colisões no LHC


Já publicado aqui no Física na Veia

Confira aqui a palestra "LHC: Um passeio virtual pelo maior experimento de todos os tempos" que fiz na Campus Party em fevereiro de 2012 em São Paulo e tenho feito em escolas e diversas instituições falando sobre o LHC a partir da experiência que tive na Escola do CERN 2010.

Não deixe de conferir também o indíce especial de posts sobre o CERN e o LHC que mantenho aqui no Física na Veia!.





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h12





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  ::: OBA: PROVA RESOLVIDA :::

Na última sexta-feira, 11 de maio, aconteceu em todo o território nacional a prova da OBA - Olimpíada Brasileira e Astronomia e Astronáutica. 

Meus alunos fizeram a prova de nível IV (ensino médio). Os organizadores já disponibilizaram no site do evento tanto a prova (questões) bem como a resolução oficial (questões + respostas).

Para outros níveis (do ensino fundamental) o material pode ser baixado daqui onde você encontra também todas as provas de todos os níveis destes quinze anos de olimpíadas. É isso mesmo: a OBA em 2012 está completando quinze anos! E, pela sua qualidade e proposta bem sucedida de turbinar o ensino de Astronomia no Brasil, já pode ser considerada uma das mais importantes olimpíadas estudantis do país.  Vale lembrar que a Astronomia é uma ciência multidisciplinar e por isso acaba motivando os alunos a estudarem também outras disciplinas. No final, o saldo é bastante positivo!  

É importante destacar que várias questões desta prova abordavam temas que já foram publicados aqui no Física na Veia!. Confira:

 

  • Questão 1: Abordava o tamanho aparente dos astros, em particular o tamanho angular aparente da Lua, assunto que já discuti neste post.
  • Questão 3.a: O centro de massa do sistema Terra-Lua era o tema central. Abordei este assunto neste post.
  • Questão 3.b: Como "pesar" um astro (a rigor, como determinar a sua massa) a partir da Terceira Lei de Kepler. Este tema abordei neste post. E já foi cobrado em vários vestibulares. Veja: ITA | VUNESP
  • Questão 6: A questão aborda voos suborbitais de três foguetes. Tais órbitas são parábolas "desenhadas" pela gravidade. Este tipo de trajetória guarda semelhanças com voo de avião simulando a situação de "gravidade zero" que deve ser chamada de situação de imponderabilidade. Este tema abordei neste post
  • Questão 7.a: A excentridade orbital foi tema desta questão. Já falei sobre isso, com detalhes, neste post e também neste outro post

 

Se você, meu aluno ou não, fez esta prova, espero que tenha ido muito bem! De qualquer forma, parabéns! O mais importante agora é corrigir a prova, questão por questão, item por item, e aprender mais um pouco de Astronomia e Astronáutica. Lembre-se de que a proposta da OBA é esta!

Cumprimento ainda o prof. Dr. João Batista Garcia Canalle (UERJ), Coordenador Nacional da OBA, bem como toda a sua equipe, pelo brilhante trabalho de uma década e meia!

 

:: A espera de um campeão


Marx, medalhista na OBA 2011, esperando vaga na equipe olímpica brasileira

Meu aluno Marx Thezolin de Paula, atuamente cursando a terceira série do ensino médio no Anglo Sâo João (São João da Boa Vista, interior de São Paulo), fez no dia 28 de abril, a última prova seletiva para compor a equipe que defenderá o Brasil nas olimpíadas internacionais de Astronomia e Astrofísica. Em 2011 ele foi considerado um dos melhores estudantes participantes da OBA que, anualmente, faz a seleção dos melhores alunos de Astronomia do Brasil. Estes alunos são convidados pelos organizadores, astrônomos da SAB - Sociedade Astronômica Brasileira, para um curso de aprofundamento em Astronomia e Astrofísica.

Como são alunos espalhados por todo o território nacional, o curso acontece pela internet e os alunos vão passando por peneiras periódicas. Ao final, restam pouco mais de cem alunos de todo o Brasil. E aí eles fazem provas presenciais em sedes regionais. O Marx, por exemplo, fez esta prova no IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp, em Campinas, que foi sede regional no estado de São Paulo.

Aguardamos o resultado. Estou torcendo bastante pelo Marx que é um excelente aluno, muito estudioso, dedicado, e um se humano ímpar. Tomara que ele consiga uma vaga na equipe olímpica brasileira!


Já publicado aqui no Física na Veia!

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 11h03





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  ::: SUPER LUA CHEIA: VAMOS OBSERVAR? :::

Clique!
Lua nascendo ao cair da tarde (clique para ver em resolução maior)

 

Aqui está nublado, especialmente perto do horizonte. Mas, magicamente, peguei a Lua Cheia nascendo por uma frestinha entre as nuvens.

Abaixo outra foto, alguns segundos depois. Clique para ampliar. Um avião teco-teco passava sobre o disco lunar no momento da foto.

Clique!
Super Lua nascendo, numa frestinha entre as nuvens. Clique! 

 

A primeira foto, por volta das 17h30min.

Clique!
A primeira foto da Lua nascendo hoje, ainda com dia claro. Clique!

 

A Lua está quase cheia e quase no Perigeu. Linda! 

Previsão:

  • Perigeu: 0h33min ( (já no dia 6 de maio, domingo)
  • Lua Cheia: 0h35min 
Veja o post anterior para entender o fenômeno especial que está ocorrendo agora.


Por volta das 19h. Nuvens! 

Clique!)
Nuvens, muitas nuvens... Clique!


Clique!
A Lua brigando com as nuvens... Clique!


Por volta das 20h o céu abriu por uns segundos e fiz esta foto da Lua Cheia em close. As manchas mais escuras acima, à esquerda, são nuvens. Nada a ver com o relevo lunar, ok?

Clique!
Lua em close. Clique!

 

O luar está intenso, marcando bastante o perfil da serra.  Veja!

Clique!
Luar intenso, marcando o perfil da serra

 

Quase 23h. A Lua já está bem alta no céu. E parece um farol! Criei coragem, sai do meu apartamento e desci para fazer umas fotos ao ar livre. Clique nas imagens para abrir versão em maior resolução.

Clique! 
Lua no alto do céu, iluminando a lateral do meu prédio

Clique!
Lua: um farol entre os galhos da árvore

Clique!
Lua: um close há pouco mais de uma hora do perigeu

 


Superlua pelo Brasil e pelo Mundo





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h39





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  ::: SUPER LUA CHEIA NESTE SÁBADO :::

SpaceWeather.com (foto de Anthony Ayiomamitis)

Lua Cheia no perigeu fotografada em Atenas em janeiro de 2010

 

Amanhã (sábado, 5 de maio) teremos uma Lua Cheia "mais cheia" do que o normal. A Lua estará mais perto da Terra e, por conta disso, nos parecerá até cerca de 14% maior, o que pode provocar brilho até 30% superior ao usual médio ao qual estamos acostumados.

Conclusão: se o céu estiver limpo ( e tudo indica que por aqui estará!), teremos uma Super Lua Cheia, ocasião para reunir pessoas queridas e armar uma noite especial de observações astronômicas! Existe coisa mais legal do que observar o céu em boa companhia?

Vou esperar a a Lua Cheia com a câmera digital no tripé. Nosso satélite deve nascer por volta das 17h20min. Aqui em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, um pouquinhio mais tarde por causa das montanhas que roubam um pedaço do meu horizonte mas, em compensação, funcionam como uma moldura maravilhosa para a paisagem! Se conseguir bons resultados, publico em tempo real aqui no blog.

Desde já convido você para observar a Lua junto comigo. "Junto" no tempo. No espaço não importa. Esteja onde você estiver na superfície do globo terrestre, podemos observar a Super Lua Cheia simultaneamente. Combinado?

Aguardo você aqui no blog para comentar o fenômeno. 

 

:: Entenda o Fenômeno da Lua Cheia no Perigeu

Órbitas mantidas pela gravidade não costumam ser circunferências perfeitas e sim elipses. Isso porque, para ter órbita circular, um corpo deve ter um valor bem definido de velocidade. Mas, para ter órbita eliptica, ou seja, oval, há uma família de valores possíveis de velocidade.

Então é uma questão estatística: é muito mais provável encontrarmos órbitas elipticas do que órbitas perfeitamente circulares. Órbitas circulares são casos raríssimos! Por conta disso, os planetas do nosso Sistema Solar giram ao redor do Sol em órbitas elípticas. E a Lua, nosso satélite natural, também tem órbita elíptica ao redor da Terra, como podemos ver na ilustração abaixo.

Repare bem que, por um capricho geométrico, imposto pela Lei da Gravidade, a Terra não é o centro da órbita. Sua posição é excêntrica, ou seja, ligeiramente afastada do centro geométrico da órbita. Este ponto é chamado de foco. A elípse (órbita) tem dois focos. E a Terra ocupa um deles. Assim, enquanto a Lua orbita a Terra, a distância Terra-Lua muda.

O ponto da órbita lunar mais perto da Terra é chamado de Perigeu. E o ponto mais afastado de Apogeu. 

A Lua Cheia, quando o nosso satélite tem a sua face 100% iluminada voltada para a Terra, pode acontecer em qualquer ponto da órbita lunar. Assim, a Lua Cheia pode ocorrer numa posição mais próxima ou mais distante da Terra. Mas quando a Lua Cheia acontece coincidentemente perto do Perigeu, nosso satélite está mais próximo da Terra e, portanto, para nós terá tamanho aparente ligeiramente maior no céu, os cerca de 14% que citei lá no começo do post. Ao contrário, Lua Cheia perto do Apogeu, mais longe da Terra, nos parecerá menor.

Conclusão: As possíveis Luas Cheias não são sempre iguais. Algumas são maiores e especialmente mais brilhantes! É o que teremos amanhã: Lua Cheia maior do que usual!

A Lua Cheia, quando o disco lunar estará 100 % iluminado, vai ocorrer exatamente aos 35 minutos da madrugada de domingo (horário de Brasília), somente cerca de dois minutos depois de passar pelo Perigeu! Quase teremos Lua Cheia exatamente no Perigeu!

Deu para entender o fenêmeno?

Aproveite o espetáculo! Espalhe a notícia.

E mais uma vez fica o convite: observe a Super Lua Cheia ao vivo e venha comentar aqui no Física na Veia! compartilhando as suas sensações com outros internautas!


Para ver

Vídeo do NASA Science Casts sobre o fenômeno (em inglês)


Já publicado aqui no Física na Veia!

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h26





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  ::: EVENTOS IMPERDÍVEIS NO IFGW/UNICAMP :::

Se você gosta de Física, aqui vão duas dicas de eventos bem bacanas organizados pelo IFGW - Instituto de Física "Gleb Wataghin" da Unicamp - Universidade Estadual de Campinas e que acontecem em breve.

 

:: XXIX Oficina de Física "Cesar Lates"

 

As oficinas de Física "Cesar Lattes", organizadas pelo IFGW, já são eventos tradicionais de atualização de conhecimento. E a marca registrada destes quase trinta eventos tem sido sempre a qualidade das palestras.

O tema principal desta vez é a Geofísica, que se desmembra em mudanças climáticas, meteorologia, sísmica e prospecção, datação e física nuclear. 

  • Quando: 19/maio/2012 - sábado
  • Inscrições: até 15/maio
  • Público-alvo: estudantes do ensino médio ou superior, professores de todos os níveis, profissionais liberais e demais interessados
  • Informações no site: 
    http://portal.ifi.unicamp.br/extoficinas


:: X FIFE - Física nas Férias



Outro evento tradicional do IFGW, organizado pelo capítulo de estudantes da Unicamp da OSA - Optical Society of America, chega em 2012 em sua décima edição, oferecendo para jovens estudantes a oportunidade de participar ao longo de uma semana, no período de férias escolares, de atividades teóricas e experimentais sobre problemas de Física Moderna selecionados pelos organizadores.
A ideia é, através de um clima amigável e descontraído, típico das férias, levar os jovens a uma ambiente de imersão na Física Moderna onde seja possível aprender e, ao mesmo tempo, se divertir.




Como chegar no IFGW/Unicamp




Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h50





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  ::: CÁLCULO DO IMC E A VERDADEIRA DIETA DA LUA :::

 

No post anterior falei sobre as diferenças entre massa (m) e peso (P). Para reforçá-las, repito acima a tabela que resume bem a comparação entre estas duas grandezas físicas. E evidenciei que é bastante comum, embora fisicamente errado, que as pessoas usem peso (P) no lugar de massa (m). 

Prova disso é o cálculo conhecido como IMC - Índice de Massa Corpórea. Note que, como o próprio nome sugere, trata-se de um índice para medir a massa distribuída no corpo. Não é IPC - Índice de Peso Corpóreo, é IMC - Índice de Massa Corpórea, certo? E a ideia, bastante usada por médicos e nutricionistas, é descobrir se uma pessoa tem muita massa corporal, ou seja, muita matéria acumulada no seu corpo, especialmente gordura, o que pode indicar obesidade, a porta de entrada para muitas doenças perigosas.

Mesmo assim, para calcular o IMC, a receita que encontramos em publicações impressas, em matérias de TV e até em sites, é sempre a mesma:

IMC = Peso / Altura²

A receita, sintetizada na expressão acima, diz: pegue o seu "peso" e divida pelo quadrado da sua altura (altura² = altura X altura). 

Para saber se uma pessoa tem ou não problemas de obesidade, existe uma escala de valores de IMC que segue a seguinte classificação:

  • Abaixo de 18,5: abaixo do "peso ideal", ou seja, magra demais
  • Entre 18,5 e 24,9: "peso ideal"
  • Entre 25 e 29,9: "sobrepeso"
  • Entre 30 e 34,9: obesidade grau 1
  • Entre 35 e 39,9:  obesidade grau 2
  • 40 ou mais:  obesidade grau 3
Usei os termos "peso" e "sobrepeso" (com aspas minhas), como aparecem nos sites que pesquisei, dentre eles este, do conhecido e conceituado Dr. Drauzio Varella. Note que, se é um índice de massa, então deveríamos declarar no cálculo a nossa massa e não o nosso peso. Concorda? E a calculadora deveria indicar se estamos abaixo da massa ideal, com a massa ideal, ou acima dela. E não abaixo do "peso" ou com "sobrepeso".

Entrei com meus dados pessoais na calculadora do site Dr. Drauzio. Tenho cerca de 85 kg (de massa, não peso) e 1,80 m de altura. Meu peso, considerando que a gravidade da Terra é em torno de g = 9,8 m/s², vale P = m.g = 85 kg x 9,8 m/s² = 833 N.

Seguindo a receita ao pé da letra, usei 833 N (já que pedem meu peso) e 1,80m de altura. Veja:




Apertei o botão calcular e o resultado foi assustador: obesidade grau 3 (IMC = 257), como pode ser visto na imagem a seguir:



Eu não sou o que se pode chamar de uma pessoa magra. Mas tento me cuidar, especialmente no tocante à alimentação. E estou bem longe de ser obeso. Mas a calculadora diz que sou obeso grau 3! Onde está o erro?

Não existe erro. É que, como físico, segui a receita e declarei meu peso (em N) quando o software que faz a conta esperava receber a minha massa (em kg). Então refiz o cálculo, tentando me esforçar para interpretar "peso" como "massa". Veja:

 
 

E recebi a resposta que agora imagino traga o valor correto do meu IMC = 26,2:  

"Sobrepeso". A rigor, sobremassa, um pouco mais de massa no meu corpo do que seria o ideal. Sim, é a barriguinha insistente! E perigosa, eu sei. Mas estou muito abaixo de obesidade grau 3. Ainda bem! 

Sendo bem rigoroso, como todo professor deve ser, a receita para calcular o IMC mais parece um IPC (Índice de Peso Corpóreo). Concorda?

Para não haver mais confusão, aproveitando para propagar os bons conceitos da Física, a calculadora de IMC poderia apresentar a seguinte tela inicial:

Veja que usei massa em vez de peso. E, para reforçar ainda mais a ideia, declarei as unidades de medida: kg (quilograma) para massa e m (metro) para altura.

Agora, como indivíduo (que se preocupa com a saúde) e como físico/professor (que se preocupa com o uso correto dos conceitos físicos) posso dormir tranquilo:

  1. Não estou obeso. 
  2. E estamos fazendo valer a boa Física. 

 

:: Perca Peso: a Verdadeira Dieta da Lua

arquivo pessoal

Lua Minguante em 13/setembro/2006 (foto que fiz com telescópio)

Se você fez o cálculo de IMC e constatou obesidade, pode (e deve) se preparar para uma boa dieta acompanhada de atividades físicas para queimar gordurinhas, o excesso de massa no seu corpo.

Mas, se em vez de procurar médico/nutricionista de confiança você foi direto pro Google e mandou ver no "perca peso, dietas, etc" é provável que tenha encontrado muitas receitas milagrosas, algumas gratuitas, outras pagas. Dentre elas, uma tal de "Dieta da Lua" que diz que se você passar 24h tomando apenas líquidos nas mudanças de fase da Lua certamente vai perder peso!

Em primeiro lugar, fases da Lua nada mais são do que etapas de aumento ou diminuição da área da Lua iluminada pelo Sol. Como você sabe, a Lua orbita a Terra que por sua vez orbita o Sol. E, sendo assim, a face da Lua que vemos pode estar iluminada desde 0% até 100%, dependendo do dia/hora, num ciclo de pouco menos de um mês. Então pergunto:

  1. No que o grau de iluminação do disco lunar aparente poderia influenciar o seu metabolismo a ponto de fazer você emagrecer?
    Não tenho resposta aceitável para esta pergunta.
  2. Existem apenas quatro fases da Lua?
    A resposta é não! A taxa de iluminação do disco lunar varia constantemente. Logo, a "fase" da Lua está mudando o tempo todo. O que chamamos de quatro fases são apenas quatro "momentos" específicos dentro desse quadro de evolução contínua da sombra/luz sobre a Lua. Sendo assim, em que dia exatamente teríamos que fazer esta dieta lunar (talvez lunática)?
Em segundo lugar, imagino que a ingestão de líquidos deve sim alterar o metabolismo humano e, momentaneamente, nas tais 24h da dieta, provocar uma ligeira alteração de massa (para menos). Mas é saudável viver 24h só com líquidos? Não arrisco chutar uma resposta. Deixo a resposta segura para os profissionais de saúde.

Mas existe sim uma boa receita para perder peso. E tem a ver com a Lua. Anote aí (e divulgue) a Verdadeira Dieta da Lua para Perder Peso:
  1. Pegue uma nave.
  2. Vá para a Lua.
  3. Na superfície lunar a gravidade mede cerca de 1/6 do valor da gravidade superficial na Terra, ou seja, aproximadamente 1,67 m/s².  Na Lua você com certeza "perde" peso. Garanto! 
    Exemplo: se fosse eu, que tenho 85 kg de massa na Terra tenho peso P = 833 N (calculado logo acima), na Lua teria apenas P = m x g = 85 kg x 1, 67 m/s² = 142 N. Viu? "Perdi" peso!

O único problema é que uma boa dieta não deveria ser para perder peso e sim para perder massa! Temos aqui novamente a confusão peso/massa tão comum e que aparece nos slogans para vender dietas que prometem o impossível ou cumprem a promessa com preço alto para a saúde!

Você percebeu que na Lua eu continuaria com meus 85 kg de massa inalterados, ou seja, com o meu IMC = 26,2 (sobrepeso), embora meu peso lá estivesse cortado para apenas 1/6 do seu valor terrestre. Eu perderia peso, mas não perderia o que seria preciso, a massa.





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 19h01





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  ::: O MARTELO E A PENA (OU O APAGADOR E A BOLINHA DE PAPEL) :::

Fonte: NASA

Um martelo e uma pena na Lua para homenagear Galileu

 

O vídeo acima mostra o astronauta David Scott, comandante da missão Apollo 15 (1971), realizando um experimento de queda livre em sua última caminhada lunar. Segurando uma pena de falcão na mão esquerda e um martelo de alumínio na mão direita, o astronauta deixou-os cair de uma altura aproximada de 1,6 m (pouco abaixo dos seus ombros). E os dois tocaram o solo lunar juntos! 

O martelo, todos sabemos, é bem mais pesado do que a pena. Segundo informações oficiais da NASA, o martelo tinha massa de 1,32 kg contra apenas 30 g da pena.  Este experimento foi uma homenagem ao italiano Galileu Galilei (1564-1642), citado pelo astronauta como alguém importante que estudou a queda dos corpos num campo gravitacional, o ponto de partida para entendermos o comportamento da gravidade. E ratifica " (...) uma das razões por termos chegado aqui (na Lua) foi a existência há muito tempo atrás de um homem chamado Galileu (...)".  

É importante salientar que a gravidade superficial lunar vale aproximadamente 1/6 da gravidade superficial terrestre (cerca de 1,67 N/kg ou 1,67 m/s²). Ela não é grande o suficiente para reter uma camada gasosa ao redor do nosso satélite. Sendo assim, na Lua, onde não há atmosfera, os corpos caem apenas ao sabor da gravidade. E Galileu havia previsto que, sem a presença do ar, corpos de massas diferentes (como um martelo e uma pena) soltos da mesma altura, simultaneamente, cairiam juntos, lado a lado, acelerando à mesma taxa. E, como afirma David Scott no vídeo, a Lua é um bom lugar para realizar este tipo de experimento, impraticável na época de Galileu, mas que hoje em dia pode ser realizado facilmente em laboratório usando bombas de vácuo que podem esvaziar um recipiente e simular a ausência de atmosfera para a queda (livre) dos corpos.

Hoje, numa turma de cursinho pré-vestibular (e há dois dias numa sala de terceiro ano do ensino médio), realizei o mesmo experimento, só que numa versão terrestre. Alguns alunos estavam no mundo da Lua, é fato. Mas a maioria esmagadora estava por aqui mesmo e ligada no assunto! Troquei o martelo por um apagador de madeira que peguei na lousa e a pena por uma folha de caderno gentilmente cedida (em ambas as turmas) por uma aluna da primeira fila.

Primeiro deixei cair a folha de caderno, solta da mesma altura que o apagador. O apagador foi direto ao chão. Mas a folha fez um "curioso bailado no ar" enquanto caia. Nesse "bailado" perdeu tempo, chegando ao chão bem depois do apagador. Em seguida, amassando a mesma folha de papel na forma de uma bolinha, repeti o experimento. Para a surpresa de alguns, os dois objetos foram direto para o chão. E chegaram juntos, pelo menos dentro da precisão do experimento que foi feito no "olhômetro".

Vale lembrar que a bolinha de papel nada mais é do que a própria folha de caderno. Logo, são as mesma moléculas e, portanto, a mesma massa. Só que aberta, a folha oferece maior área de contato com o ar e, portanto, fica sujeita a uma força de atrito aerodinâmico bem maior, não desprezível. Já no formato de bolinha, o atrito com o ar cai para valores não perceptíveis dentro das condições do experimento.  

Este ensaio muito simples, que qualquer pessoa pode fazer praticamente em qualquer lugar, nos mostra que:

  • Não é verdade que corpos mais pesados (ou com maior massa) sempre aceleram mais, ganhando maior velocidade e, portanto, chegando antes ao solo.
  • A presença (ou não) do atrito aerodinâmico (ou atrito com o ar) muda completamene o problema. 
Vamos aprofundar um pouco mais estas ideias a seguir.


:: Antes de mais nada, a importante diferença entre massa e peso

Pergunte a uma pessoa "qual o seu peso?" e ela certamente vai responder "x quilos ou x kg". É automático! Mas, se é em kg, não é peso, é massa! Peso teria que ser em N (newton) ou qualquer outra unidade de medida de força. Concorda?

No cotidiano é muito comum trocarmos peso por massa ou simplesmente ignorarmos a importante diferença entre eles. Mas na Física, não diferenciar peso de massa é cometer um erro grave.

A tabela a seguir estabelece as principais direrenças entre peso (P) e massa (m). 



Você até pode continuar trocando peso por massa no seu dia a dia. Mas dentro da Física, se o fizer, já era! Portanto, fique ligado para não fazer confusão!  



:: Chama o Newton pra explicar!

Voltando ao experimento (do astronauta David Scott e o meu "clone" feito aqui mesmo na Terra), a pergunta fundamental é: por que sem levar em conta o atrito aerodinâmico, corpos de massas diferentes caem com a mesma aceleração?

A resposta é simples e nos remete à Segunda Lei de Newton, a famosa "força é igual a massa X aceleração" que, com um pouco mais de rigor, deve ser escrita assim:



onde R é a força resultante sobre o corpo de massa m e a a aceleração que este corpo vai adquirir por ação das forças que dão a resultante R sobre ele.  

A figura a seguir nos mostra um corpo qualquer em queda livre, ou seja, caindo sem levarmos em conta o atrito com o ar. Este corpo pode ser o martelo ou a pena que viajaram para a Lua ou (aproximadamente) o apagador e a bolinha de papel que usei na sala de aula.



Note que a única força que atua sobre o corpo é a força da gravidade, ou seja, a força peso P. Logo, a força resultante R é o próprio peso P.

Já sabemos que peso é massa x gravidade (P = m.g) bem como a força resultante é a massa X aceleração (R = m.a). Assim, qualquer que seja a massa m do corpo, sempre teremos:





Percebeu como a massa m (que estava presente no primeiro e no segundo membros da equação acima) "some" do cálculo? Confiando no poder da linguagem lógica da Matemática, se a massa "desaparece" da conta é porque ela não é relevante para o problema analisado! Em outras palavras, a aceleração a de queda não depende da massa m do corpo. Seja o corpo um martelo de 1,32 kg (PMartelo = 1,32 x 1,67 = 2,20 N) ou uma pena de 0,030 kg ( PPena = 0,03 x 1,67 = 0,05 N ), a aceleração de queda na Lua será sempre a mesma e terá valor a = gLua = 1,67 m/s². Na Terra, que tem maior massa e portanto maior campo gravitacional, o puxão para baixo é maior e acelera mais os corpos em queda. A aceleração de queda é maior, mas tem valor igual em ambos os corpos. E continua a ter a mesma intensidade da aceleração g da gravidade que na superfície do nosso planeta é  gTerra  = 9,8 m/s². Aqui na Terra os corpos "ganham" velocidade na queda a uma taxa maior do que na Lua (9,8 m/s² > 1,67 m/s²). Mas continuam a acelerar juntos, mesmo tendo massas diferentes. 

Entendeu o espírito da coisa?

Agora você já sabe (e pode até mesmo experimentar na prática): corpos de massas diferentes, às vezes bem diferentes, caem com a mesma aceleração (ou ganham velocidade na mesma taxa) em situações em que o atrito com o ar inexiste ou pode ser desprezado. Esta é uma ideia física importantíssima, descoberta por Galileu, ratificada por Newton, e que já caminha para quatro séculos de existência! 

Fonte do vídeo

Já publicado aqui no Física na Veia!



Galileu e o Ano Mundial da Astronomia
O Física na Veia! foi blog oficial junto à SAB - Sociedade Astronômica Brasileira nas comemorações de 2009 - Ano Mundial da Astronomia, em homenagem ao Galileu. Confira este post que tem um índice completo para todos os textos especiais que escrevi ao longo de 2009.




Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h27





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  ::: REABERTA A 'TEMPORADA DE CAÇA' AO BÓSON DE HIGGS :::

Clique!
First stable beams of 2012 (ontem). Clique para ver maior.


O LHC - Large Hadron Collider, acelerador/colisor de prótons que fica na fronteira entre a França e a Suíça e é operado pelo CERN - Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, está funcionando novamente.

Depois de uma parada técnica desde o final do ano passado, o equipamento voltou a operar. No início da madrugada de ontem (5 de abril, horário de Genebra) o equipamento confirmou "first stable beams of 2012",  ou seja, os primeiros feixes estáveis do ano de 2012. E agora o equipamento opera com 4000 GeV de energia por próton (4.10GeV = 4.103.109 eV = 4.1012 eV = 4 TeV) . Embora tenha sido projetado para operar com energia cinética máxima de 7 TeV por próton, o acelerador até 2011 havia atingido somente 50% da sua capacidade.

A máquina gigante trabalha com dois feixes de prótons que poderão viajar a até 0,999999991c ou 99,9999991 % de c ( c é a velocidade da luz no vácuo). Os feixes viajam em sentidos opostos, dentro de um anel de quase 27 km de extensão e que fica encravado na rocha a 100 m de profundidade. Cada próton, de cada feixe, por enquanto vai viajar a uma velocidade ligeiramente mais baixa (pelo menos ao longo de 2012) carregando a energia de 4 TeV. Isso significa que em cada colisão teremos 4 + 4 = 8 TeV de energia, o que já é uma marca de energia nunca antes conseguida em nenhum outro experimento do gênero.

Os físicos acreditam que, com esta energia recorde, já em 2012 possa ser possível registrar uma enorme quantidade de eventos capazes de ratificar a existência do Bóson de Higgs, partícula responsável por conferir massa às outras partículas. O Bóson de Higgs, proposto nos anos 60 do século passado pelo inglês Peter Higgs, é única partícula que falta para ser confirmada de um total de 61 previstas pelo Standard Model ou Modelo Padrão de Partículas Elementares.

Se o Bóson de Higgs for detectado, será  a última tacada de um jogo incrível de sucesso que já dura algumas décadas. Mas, se os físicos não encontrarem a partícula de Higgs, a Física estará numa boa encrenca pois terá que resolver o problema da massa por um outro mecanismo. Se der a segunda opção, nem por isso vamos associar fracasso ao episódio e sim encarar os fatos como apenas uma etapa a ser vencida na pesquisa. Trabalhar com ciência é sempre assim: está dando certo, vamos em frente; não está dando mais certo, mudamos o rumo, e vamos em frente. O importante é sempre caminhar adiante!

Mas o clima de positivismo impera entre os pesquisadores que acreditam que 2012 tenha tudo para entrar para a história  da física de partículas como o ano de Higgs. Vamos aguardar, acompanhando tudo em tempo real! O Fìsica na Veia estará ligado aos experimentos do LHC e documentando tudo o que puder aparecer de novidade. 

 

:: O Complexo de Aceleradores do CERN


LINAC 2, onde os prótons começam a ser acelerados


LHC é o quinto e último estágio de aceleração dos prótons que faz parte de um complexo maior de aceleradores do CERN que pode ser vista na imagem abaixo.

Clique!
Complexo de aceleradores do CERN. Clique para abrir versão maior.

 

A sequência dos quatro aceleradores até chegar no LHC (quinto estágio) é a seguinte:

  1. Tudo começa no LINAC 2, o único acelerador linear do sistema que tira os prótons do repouso e os leva a 0,314c (ou 31,4% de c).
    Observação: Estes prótons são obtidos pela ionização de hidrogênio que perde seu único elétron depois de levar um "choque elétrico".
  2. Em seguida os prótons são injetados no Booster, um acelerador circular pequeno (157 m de diâmetro) onde vão adquirir velocidade de 0,916c (ou 91,6% de c) . 
  3. O terceiro estágio, que recebe os prótons vindos do Booster, é o PS, também circular e maior (630 m de circunferência). Nesta etapa os prótons são levados a 0,9993c (ou 99,93% de c). 
  4. E mais uma vez os prótons trocam de acelerador para ganhar mais energia passando para o SPS, outro estágio circular, agora bem maior (6,9 km), onde chegam a 0,999998c (ou 99,9998% de c). 
  5. Depois de divididos em dois feixes os prótons são injetados no LHC, o estágio final, com 27 km de circunferência, que poderá (quando estiver operando com sua máxima capacidade) levar os prótons até a incrível velocidade de 0,999999991c (ou 99,9999991% de c). 

Com se pode notar nos números acima, quanto mais perto de c (velocidade da luz no vácuo) chegam os prótons, mais difícil vai ficando de acelerá-los. Isso se deve ao fato de que, pela Relatividade Restrita de Einstein, a inércia de um corpo (no caso dos prótons) aumenta com a sua velocidade. Por isso, quanto maior a velocidade do próton, maior a sua massa inercial e, portanto, mais energia é necessária para continuar acelerando-o.

Se o próton (ou qualquer corpo dotado de massa) chegar à velocidade da luz no vácuo, sua inércia será infinita! E por isso mesmo não poderá mais ser acelerado! É esse "freio" natural relativístico que impede que qualquer corpo dotado de massa possa ultrapassar a velocidade c da luz no vácuo! É por isso que fala-se tanto que a velocidade da luz no vácuo é um limite superior de velocidade para qualquer corpo massivo no Universo! Entendeu?

Podemos estimar a energia de cada próton em cada um dos cinco estágios de aceleração acima descritos usando Relatividade Restrita de Einstein.

Para Einstein, qualquer corpo, mesmo parado, encerra uma quantidade de energia chamada energia de repouso E0. Esta energia de repouso está relacionada à massa de respouso mque é a massa do corpo quando ele ainda está parado. Veja:

Mas, se o corpo for acelerado e atingir velocidade v não deprezível em relação à c (velocidade da luz no vácuo), sua massa inercial crescerá e passará a ter um valor m que é maior do que m0 por um fator γ conhecido como Fator de Lorentz:

onde

A nova energia do corpo (agora com movimento) será:

Note que esta nova energia E é a energia que o corpo já tinha (E0) acrescida da energia que ganhou por adquirir movimento, ou seja, da energia cinética ( EC).

Podemos, pela expressão acima, calcular o valor da energia cinética relativística EC  explicitando os valores de E e  E0 em função das massas inerciais (m e  m0) e da velocidade c da luz. Veja:

Reescrevendo a expressão acima, substituindo m em função de γ e de  m0 teremos:

Colocando  m0.c² em evidência chegamos finalmente a:

 

que nos dá a expressão para a energia cinética relativísitica Ede um corpo qualquer. No nosso caso estamos falando de prótons acelerados que, quando em repouso, possuem m= 0,938 GeV/c². 

Conhecendo a velocidade destes prótons ao final de cada estágio acelerador, podemos estimar o valor de γ. Veja:

... e assim por diante!

Preenchemos a tabela a seguir com os valores de γ calculados segundo a lógica acima.

Tendo os valores de γ calculados e tabelados, agora é só usar a expressão de  EC obtida e teremos a energia cinética relativística de cada próton ao final de cada estágio. Confira:


.... e assim por diante.

 

Agora podemos preencher a coluna de energia (cinética) da tabela.

 

É curioso notar que cada novo estágio acelerador do CERN foi construído com a intenção de dar mais energia às partículas já aceleradas. Cada novo estágio é um upgrade no que já existia anteriormente! E essa mania de querer cada vez mais energia deve-se ao fato de que num acelerador de partículas, quanto mais energia, menor é o tamanho da partícula que pode ser produzida. Em outras palavras, com mais energia, podemos "observar" uma escala de tamanho ainda menor. A tabela abaixo mostra a evolução temporal da energia dos aceleradores e o correspondente fator de escala do comprimento "observável" das patículas oriundas das colisões.

Com valores recorde de energia cinética das partículas nunca antes conseguidos em aceleradores, o LHC é uma promessa de "enxergar" mais a fundo as entranhas da matéria! Deu para entender?

Não deixe de ver o vídeo abaixo que é bastante didático e ilustra o processo de cinco estágios de aceleração com as energias que calculamos logo acima. 


Monitore o LHC em tempo real

 

  • Você pode acompanhar as atividades do  LHC em tempo real através da Web Tools. Experimente!

 

Já publicado aqui no Física na Veia!


Veja também:

  • Cobertura em tempo real da minha participação na Escola de Física do CERN em 2010 direto de Genebra. Tive o privilégio de conhecer o LHC de perto e aprender um pouco mais sobre a Física das partículas elementares lá no CERN.
  • Índice especial de posts sobre o CERN e o LHC

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 16h58





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  ::: FÍSICA MODERNA NO AVA DA EFAP :::


Entrevista com a apresentadora Bete Correia sobre Física Moderna 

Gravei hoje, em São Paulo, entrevista para o AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem da EFAP - Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores do Estado de São Paulo "Paulo Renato Costa Souza", sistema que a Secretaria de Estado da Educação do Governo de São Paulo utiliza para capacitar à distância os professores da rede pública.

O programa foi sobre Física Moderna, a Física do século 20.  Pudemos falar desde como começou a Física Moderna até sobre como ensiná-la para jovens nas salas de ensino médio. E de quebra ainda contei um pouco sobre a minha participação na Escola de Física do CERN, em 2010, em Genebra, Suíça, com bolsa da CAPES/MCTI para conhecer de perto o que existe de mais moderno na Física de Partículas e em especial o LHC - Large Hadron Collider, o maior experimento científico de todos os tempos.

O convite veio pelo fato de que em 2012 o meu livro Tópicos de Física Moderna, projeto pioneiro no Brasil de ensino de Física Moderna para jovens, completa 10 anos de lançamento.  e Há cerca de dois anos a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo comprou cerca de 3600 exemplares deste meu trabalho para municiar as bibliotecas de escolas públicas de São Paulo e servir de subsídio teórico para os professores que ensinam Física Moderna nas terceiras séries do ensino médio.  


Página sobre Relatividade Restrita do "Tópicos de Física Moderna" 

A entrevista foi feita na EEPG Brasílio Machado, em Pinheiros, na capital paulista, debaixo de uma linda e enorme árvore (centenária, imagino). Clique aqui para abrir foto que fiz desta raridade enquanto a equipe da produra Canal Azul, dirigida por Jaime Queiroz, afinava o equipamento! 


Gravação ambientada na EEPG Brasílio Machado, São Paulo

Como você pode ver, minha proposta pessoal de tirar 100 anos de atraso no ensino de Física Moderna continua. E correndo contra o tempo!   


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 22h04





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  ::: PROGRAMA PAIDEIA NA RÁDIO UFSCAR :::

Toda terça-feira, das 18h às 19h, vai ao ar na Radio UFSCar o Programa Paideia que aborda temas atuais de Astronomia e Ciência em geral. 

O programa de divulgação científica é produzido pelo Laboratório Aberto de Interatividade para a Disseminação do Conhecimento Científico e Tecnológico (LAbI) da UFSCar e conta sempre com a participação do prof. Adilson de Oliveira (físico) e do Gustavo Rojas (astrônomo), ambos da UFSCar.

Sempre que posso eu ouço e dou meus pitacos via Twitter (@ProgramaPaideia).

Na semana passada, no dia 13 de março de 2012, entrei ao vivo e dei uma entrevista surpresa (até mesmo para mim!) por telefone. Sim, nem eu sabia que iria entrar ao ar! O pessoal me ligou e batemos um papo descontraído e de improviso sobre Ciência e Educação. Foi bem bacana!

Você (que como eu) está longe de São Carlos, São Paulo, e não consegue sintonizar a Radio UFSCar FM, pode ouvir o programa via web pelo endereço www.radio.ufscar.br.  

E em www.radio.ufscar.br/programapaideia você pode ouvir via streaming todos os programas que ficam gravados e entram numa timeline poucos minutos depois do término do programa ao vivo.

Recomendo! O programa equivale a um upgrade semanal nas atualidades ligadas à Ciência e Astronomia. 

 


 

Vale a pena ler/ver

 

  • O professor Adilson Oliveira é editor e colunista da Revista Digital Click Ciência e também escreve a coluna Física Sem Mistério na Revista Ciência Hoje.
  • O astrônomo Gustavo Rojas apresenta o videocast Céu da Semana com dicas de observações astronômicas que ele aprofunda às terças ao vivo no Paideia.

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h40





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  ::: AURORA AUSTRAL FOTOGRAFADA DO ESPAÇO :::

NASA/Andre Kuipers
Clique para abrir versão em maior resolução
Aurora Austral entre a Austrália e a Antartida fotografada da ISS

 

O Sol, em 2012, está passando por um período de máxima atividade. Isso acontece a cada onze anos. 

Por conta disso, quase todo dia temos tido registros de explosões solares que lançam para o espaço inúmeras partículas carregadas e também radiação de amplo espectro que vai desde as ondas de rádio até os raios gama, passando pelos raios X. Estas partículas com carga elétrica, quando atingem o nosso planeta, são desviadas pelo campo magnético terrestre que literalmente funciona como um escuto protetor. Em baixas latitudes as partículas não conseguem penetrar na atmosfera. Mas em regiões mais próximas dos pólos magnéticos da Terra (próximos aos pólos geográficos do planeta) as linhas do campo estão entrando ou saindo, o que gera uma "vulnerabilidade" magnética que facilita a entrada destas partículas que acabam chocando-se com partículas da alta atmosfera provocando ionização com emissão de luz, o que provoca o brilho característico das Auroras (boreais no hemisfério norte e austrais no hemisfério sul). 

No último dia 10, quando a ISS passava sobre a região circumpolar sul, o astronauta Andre Kuipers fotografou uma incrível aurora austral. A foto acima mostra o belíssimo registro feito por um observador privilegiado, ou seja, em pleno espaço. 

Eu nunca vi um aurora ao vivo. É um sonho que ainda pretendo realizar. Mas observar uma aurora do espaço seria a realização de um sonho duplo: o de ver o fenômeno ao vivo e ainda estar no espaço! Eu chego lá! 


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 19h59





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  ::: PALESTRA: FÍSICA DAS ALTAS ENERGIAS :::

APOD/NASA

Chuveiros de partículas na atmosfera da Terra


O IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP, Polo Ribeirão Preto, em parceria com o Departamento de Física (FFCLRP/USP), realizará a palestra "Física das Altas Energias."

Neste colóquio serão examinados os problemas em aberto sobre a estrutura fundamental da matéria e as ferramentas usadas para investigá-los.

O Modelo Padrão (Standard Model) é, sem dúvida, um dos grandes feitos intelectuais da ciência moderna. E descreve a natureza numa vasta escala de energias. No entanto, este modelo tem limitações que colocam novos desafios para suplantá-los, nas questões como a origem da massa, a natureza das famílias de quarks e léptons e os indícios de uma estrutura unificada por trás das partículas.

Será discutido ainda o uso das partículas como instrumentos de prova dos eventos cataclísmicos que ocorrem no universo. Os estudos de partículas cósmicas com altíssimas energias trazem, também, informações sobre a física das partículas em escalas além das que é possível produzir em laboratórios.

Olhando para o futuro, alguns dos aceleradores que estão em gestação serão visitados e, também, os observatórios de partículas cósmicas que estão em planejamento.


Palestrante: Prof. Dr. Ronald Cintra Shellard - Pesquisador do CBPF 

Onde: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto - CIRP/USP  (veja localização aqui)

Quando: 21/03/2012 (quarta-feira) - 14:00h

Observação: A palestra é gratuita. Para maiores informações e declarações de presença: iearp@usp.br ou (16) 3602-0368


Sobre Ronald Shellard 


Graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1970), mestrado em Física pelo Instituto de Física Teórica (1973) e doutorado em Física pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (1978).

Atualmente é pesquisador titular do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.

Faz parte da colaboracão que opera o Observatório Pierre Auger, na Argentina, dedicado ao estudo dos raios cósmicos de energia ultra-alta.

Tem seu nome associado a mais de 270 trabalhos publicados em revistas científicas, com um número de citações maior do que 7500.

É, atualmente, vice-presidente da SBF - Sociedade Brasileira de Física. 

 


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 19h38





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  ::: AGORA: MARTE EM APROXIMAÇÃO COM A TERRA :::

Clique para abrir versão em maior resolução

Marte nascendo por trás da serra (hoje, 5/março/2012, 19h10min)


Marte acaba de nascer. Veja foto acima (ISO 1250, f2.8, 1s de exposição, com tripé). Clique na própria foto para abrir versão em maior resolução.

No meio da tarde de hoje Marte atingiu o ponto de máxima aproximação com a Terra, situação em que Marte, Terra e Sol ficam alinhados(1), estando a Terra no centro e Marte do lado oposto ao Sol. Por isso mesmo esta configuração é chamada pelos astrônomos de oposição. 

Veja, na ilustração abaixo, que o planeta Marte e a Terra estão do mesmo lado em relação ao Sol, o que justifica a menor distância entre eles.


Órbitas da Terra (azul) e Marte (vermelho)

 

No desenho acima, o Sol é a bolinha amarela, Marte a bolinha vermelha e a Terra a bolinha azul. A órbita de Marte foi desenhada em vermelho e a da Terra em azul. 

Observe que as órbitas dos planetas ao redor do Sol não são circulares. São ligeiramente ovaladas ou, como costumamos dizer, elípticas. Assim, o Sol não está no centro das órbitas. Consequentemente, enquanto completam a sua órbita ao redor do Sol os planetas podem estar mais perto do Sol (periélio) ou mais afastado do Sol (afélio). No desenho acima destaquei em verdo os pontos PM  (periélio de Marte) e AM  (afélio de Marte).

A Terra demora 1 ano para dar uma volta completa no Sol. Marte demora 1,9 anos proximadamente. Assim, por aproximação, enquanto a Terra dá uma volta no Sol, Marte dá meia. Ou, quando Marte der uma volta no Sol, a Terra terá dado duas. Logo, se num ano Terra e Marte estão mais próximos (do mesmo lado em relação ao Sol), no ano seguinte estarão mais afastados (em lados opostos do Sol).

E quando ocorre oposição de Marte num ponto da órbita próximo do seu periélio, ou seja, quando Marte está mais próximo do Sol, a aproximação Terra-Marte é acentuada. Em agosto de 2003 tivemos uma oposição de Marte nesta situação (veja ilustração acima) e Marte ficou a uma distância D2 da Terra de "apenas" 55 milhões de quilômetros. Foi uma aproximação incrível e rara(2)!

Hoje Marte está mais perto da Terra, mas nem tanto. A distância  D1  entre os dois planetas é de aproximadamente 101 milhões de quilômetros.  Mesmo assim, estando mais perto da Terra, Marte nos parece mais brilhante. É uma boa oportunidade para observação do planeta vermelho.

Se em 2012 Marte está mais perto da Terra, em 2013 Marte estará mais longe. Em 2014 volta a ficar mais perto. E assim por diante. Mas só voltará a ficar bem perto da Terra quando a oposição ocorrer novamente próxima do PM  (periélio de Marte), o que é bastante raro. Quem viu o que aconteceu em 2003 sabe que foi um show  à parte!

Aproveite para observar Marte hoje e ao longo desta semana. Marte vai nascer logo no começo da noite e aparecerá no céu a leste, do lado oposto (claro!) ao que o Sol se escondeu ao cair da tarde. É fácil reconher Marte: um ponto bem brilhante e bem alaranjado no céu. Quanto menos poluição luminosa tiver no local de observação, melhor! 

Deixe comentário dizendo se conseguiu observar Marte (mesmo que tenha sido a olho nu) e conte-nos como foi esta experiência. Boas observações! 


(1) As órbitas não estão exatamente no mesmo plano. Logo, não existe, de fato, um alinhamento real dos planetas.
(2) A aproximação foi tão incrível que alguns engraçadinhos espalharam pela web que Marte iria aparecer do tamanho da Lua cheia. O hoax pegou e perdurou durante muitos anos. Veja os links para diversos posts logo abaixo para aprofundar o tema e saber mais detalhes desta "pegadinha" sobre Marte.


[Upgrade: 6 de março de 2012 ~19h43min]

Clique!
Lua, bem brilhante, e Marte, alaranjado, mais abaixo


Como eu disse no post de ontem, Marte ainda estará em aproximação com a Terra e, portanto, bom de observar, por alguns dias.

Fiz outras fotos hoje. Marte está mais "perto" da Lua no céu. O resultado está logo acima. Clique na foto para abrir versão maior.


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Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 19h26





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  ::: ACHO QUE OS APRESSADINHOS NÃO ERAM OS NEUTRINOS! :::

 

Em setembro do ano passado, uma notícia sacudiu a mídia: neutrinos, no experimento do Gran Sasso, teriam viajado os 730 km entre os dois laboratórios (na Suíça e na Itália) com velocidade superior à velocidade da luz no vácuo.

O barulho todo se deve ao fato de que a Teoria da Relatividade Restrita (ou Especial) de Einstein está ancorada em dois postulados, um dos quais afirma categoricamente que "a velocidade da luz é sempre a mesma para qualquer observador". Como decorrência destes postulados, tentando "salvar" a Mecânica Clássica e compatibilizando-a com o Eletromagnetismo, Einstein chegou à conclusão de que a inércia de um corpo depende da sua velocidade de onde concluiu que "a velocidade da luz no vácuo, c, é o limite superior de rapidez de qualquer corpo". Explico detalhes neste post. E, só para lembrar, o valor aproximado da velocidade da luz no vácuo é c = 300000 km/s = 1080000000 km/h = 1,08.109 km/h).

Mas de ontem para hoje surgiram notícias (e até uma matéria na Revista Science) que nos levam a acreditar que a aparente velocidade superluminal dos neutrinos parece ter sido mesmo um erro experimental, uma medida mal feita por conta de uma conexão entre o GPS e o equipamento computacional.

Eu já apostava num erro experimental sistemático quando escrevi Imagino que, apesar dos extremos cuidados nas medidas, há alguma falha no delicado processo de medir o curtissimo tempo que os neutrinos levam para perfazer os 730 km (medidos com margem de erro de apenas 20 cm!) entre os dois laboratórios (...) (confira neste post de setembro de 2011).

Mas, particularmente, bem lá no fundo, embora não acreditasse no resultado do experimento do Gran Sasso, queria que ele se confirmasse. Sem dúvida seria muito mais divertido, não? Para entender a razão disso, teríamos que repensar a Relatividade Restrita de Einstein e fazer correções na teoria que já atravessou um século mostrando muita consistência até então. Ou talvez fosse o indício de novas ideias, quem sabe a real possibilidade de atalhos no espaço-tempo e até a existência de novas dimensões. Seria uma excelente explicação das tantas canetas Bic (vermelhas que uso para corrigir provas) que sumiram da minha mesa sem deixar vestígio! Provavelmente elas teriam pego um atalho dimensional, como os neutrinos. Mas, ao contrário destes que voltaram, as canetas (por alguma razão ainda a ser pesquisada) teriam maior probabilidade de se perderem noutra dimensão, talvez por alguma quebra de simetria... 

Vamos aguardar. Eu acho que este assunto ainda tem fôlego para render mais. A coisa não vai parar por aí! Vai? 

De qualquer forma, quero ratificar que achei louvável a atitude dos cientistas do Gran Sasso que resolveram abrir o resultado paradoxal do experimento para a comunidade científica. Isso aconteceu porque:

  1. Tinham certeza de que o experimento estava bem cercado de cuidados. Logo, os riscos acadêmicos de um mico internacional estavam bem calculados. E pediram que a comunidade científica os ajudasse a resolver o problema que mostrou-se não ser nada simples e botou uma multidão de cientistas para estudar o caso com cuidado.
  2. Sabiam que, de uma forma ou de outra, confirmado ou não o resultado, toda a história seria interessante para a boa ciência. E está sendo!
Só que a mídia sensacionalista não pensou duas vezes. Talvez nem tenha pensado uma vez sequer. Publicou logo manchetes afirmando "Einstein errou"(*). E conseguiram fazer barulho fácil. Se soubessem da importância científica do que estava  (ou ainda está) em jogo no experimento do Gran Sasso, poderiam ter feito barulho equivalente, mas muito mais elegante. É uma pena que os textos jornalísticos - em especial na área científica - cada vez mais abram mão da elegância em favor do barulho e da audiência rápida!  

Encerro este meu texto deixando para você uma pergunta: neste experimento que já ficou pra história da ciência, quem foram os apressadinhos de fato? Os neutrinos? Ou muitos jornalistas que apostaram na rapidez da notícia fácil? A pergunta fica para você. Minha reposta já dei lá no topo, no título do post! 

(*) Para não poluir o texto principal e correr o risco de perder o foco, trago aqui para o rodapé uma segunda discussão que também é relevante nesta história: Einstein não errava? Será mesmo que nunca errou? Gênios não erram? Não podemos ser ingênuos a tal ponto! Certamente gênios erram. Erram especialmente porque ousam. Mas não se abalam com erros. Aprendem rápido e corrigem o curso. E continuam ousando, ou seja, rompendo fronteiras e correndo riscos de errar outra vez mas igual risco de escolher a direção certa. Talvez aí esteja o grande diferencial entre alguém chamado de gênio e outro dito "normal". E ressalto ainda que a maioria das pessoas arrastam uma visão distorcida da ciência. Como sempre digo para meus alunos, em ciência não temos certo ou errado. Não é tão simples e bipolarizado assim.  Para os cientistas há o funciona ou não funciona. E funciona é sempre dentro de certas condições de contorno, sob rigoroso controle. Por isso não podemos simplificar e apenas polarizar as coisas! Para o cientista, se algo que estava indo bem deixa de funcionar, encontra-se um upgrade no modelo e  bola pra frente. Aliás, é bom que se diga que é exatamente o que aconteceu com a Mecânica de Newton (seculo 17) que pelas mãos de Einstein (século 20) sofreu um upgrade para compatibilizar-se com as novidades do Eletromagnetismo (século 19). Dentro das condições de contorno em que Newton construiu suas ideias, ele estava corretíssimo! Mas bastou pensar em velocidades enormes, não mais depreziveis em relação à velocidade da luz no vácuo, que a teoria clássica teve que sofrer ajustes. Pensando assim, Newton estava certo ou errado? Percebe que a resposta não é simples? Mas é assim que tudo funciona na ciência.

Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 12h41





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  ::: POR QUE A DATA DO CARNAVAL MUDA A CADA ANO? :::

 

A tabela abaixo mostra as datas da terça-feira de Carnaval entre 2000 e 2020.

anodia
20007/março
200127/fevereiro
200212/fevereiro
20034/março
200424/fevereiro
20058/fevereiro
200628/fevereiro
200720/fevereiro
20085/fevereiro
200924/fevereiro
201016/fevereiro
20118/março
201221/fevereiro
201312/fevereiro
20144/março
201517/fevereiro
20169/fevereiro
201728/fevereiro
201813/fevereiro
20195/março
202025/fevereiro

Olhando a tabela acima, a única coisa que podemos afirmar é que a terça-feira de Carnaval cai sempre numa... terça-feira!!! Bobo 

Mas dia e o mês mudam. E isso também acontece com outras datas cristãs móveis. 

Há uma explicação atronômica pra isso. Partimos sempre da data da Páscoa, definida como "o primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia(1) que ocorre após equinócio(2) de primavera no hemisfério norte ou outono no hemisfério sul".

Tendo a data da Páscoa calculada, a quarta-feira de cinzas acontece sempre 46 dias antes da Páscoa e, consequentemente, a terça-feira de carnaval será sempre 47 dias antes da Páscoa. Encontramos as outras datas religiosas móveis seguindo o que se vê na próxima tabela.

Comemorações religiosas com datas móveis

NomeData
Domingo de Carnaval49 dias antes da Páscoa
Terça-feira de Carnaval47 dias antes da Páscoa
Quarta-feira de Cinzas46 dias antes da Páscoa
Domingo de Ramos7 dias antes da Páscoa
Sexta-feira da Paixão2 dias antes da Páscoa
Domingo do Espírito Santo49 dias após da Páscoa
Santíssima Trindade56 dias após da Páscoa
Corpus Christi60 dias após da Páscoa

 

Dentre vários algoritmos para calcular a data da Páscoa, destaco abaixo um que é de J. M. Oldin (1940) bastante confiável. Neste algoritmo, "d" é o dia e "m" é o mês para cada ano "a". 

  • a = ano
  • c = a/100
  • n = a - [19×(a/19)]
  • k = (c - 17)/25
  • i = c - c/4 - [(c-k)/3] +(19×n) + 15
  • i = i - [30×(i/30)]
  • i = i - {(i/28)×[1-(i/28)]×[29/(i+1)]×[(21-n)/11]}
  • j = a + a/4 + i + 2 -c + c/4
  • j = j - [7×(j/7)]
  • l = i - j
  • m = 3 + [(l+40)/44]
  • d = l + 28 - [31×(m/4)]

 

Mas, para facilitar, você pode usar esta Calculadora On Line que faz todo o trabalho braçal e fornece, para cada ano digitado, as datas do Carnaval, da Páscoa e de Corpus Christi.


(1) Para facilitar os cálculos, os astrônomos propuseram a utilização de um movimento "médio" e não do movimento real da Lua. Por conta disso, no calendário Gregoriano, utilizado por nós ainda hoje, a Lua Cheia "média" pode cair num dia diferente da Lua Cheia real. Isso quer dizer que, se você seguir a regra para o cálculo da data da Páscoa com base em critérios rigorosamente astronômicos, não vai obter sucesso sempre. Com este acerto “médio” a Páscoa nunca ocorre antes de 22 de março nem depois de 25 de abril. 
(2) No equinócio, dia e noite têm igual duração (~12h). Isso porque o Sol está cruzando o equador celeste. Há dois equinócios no ano: I) 20 ou 21 de março (equinócio de primavera no hemisfério norte e de outono no hemisfério sul) e II) 22 ou 23 de setembro (equinócio de outono no hemisfério norte ou de primavera no hemisfério sul).


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 12h09





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  ::: THE BOBs 2012 :::

 

Carlos Albuquerque da Deutche Welle avisou-me ontem por e-mail: o The BOBs - The Best of Blogs está de volta em sua oitava edição! Em 2012 o tema é Blogando pelo direito À educação.

Desde ontem, e até 13 de março, internautas de todo o mundo poderão sugerir websites de excelente qualidade em seis categorias internacionais e 11 categorias por idioma.

Quem quiser participar poderá obter todas as informações necessárias em www.thebobs.com.

O "Prêmio Tópico Especial" deste ano dá destaque à cultura e educação, que também são os tópicos de destaque do Deutsche Welle Global Media Forum, a se realizar no final de junho em Bonn. Na ocasião, os vencedores das categorias internacionais do The BOBs irão receber seus prêmios.

Para o "Prêmio Tópico Especial", a DW está procurando blogs, portais e formatos de vídeo que tratam do direito à educação, de projetos educativos e do diálogo intercultural. Pela segunda vez, procura-se a Melhor Campanha de "Ativismo Social". E o "Prêmio Repórteres Sem Fronteiras" irá novamente para um blog que transmita de maneira particular para o público os temas da liberdade de imprensa, democracia e direitos humanos.

Além disso, serão indicados os melhores blogs da atualidade nas 11 línguas do concurso – essa parte da competição não é ligada a um tema específico.

O concurso da DW The BOBs conseguiu se estabelecer como o mais importante prêmio internacional de weblogs. Trata-se da única competição do gênero a ser realizada em 11 línguas. "O prêmio se destina a incentivar todos aqueles que, apesar das restrições e intimidações, se engajam na web pela liberdade de expressão e pelo acesso livre à educação – e isso no mundo todo", diz a editora-chefe Ute Schaeffer. "A internet oferece uma riqueza de oportunidades, tornando acessíveis programas educativos e promovendo o intercâmbio."

 

:: Votação através das redes sociais

Internautas poderão enviar suas sugestões de candidatos através do Facebook e do Twitter.

Além disso, é possível participar do concurso através de redes sociais como a chinesa Sina Weibo ou a russa VKontakte. Assim poderão participar do The BOBs pessoas em cujos países outras redes sociais são mais comuns.

 

:: Juri internacional de altíssimo nível

Neste ano, entre os membros do júri internacional está o renomado fotógrafo Shahidul Alam, de Bangladesh. Alam já recebeu vários prêmios pelo seu trabalho. Entre outros, ele é um dos cofundadores da "Learn Foundation", que oferece treinamentos baseados na internet para comunidades rurais.

Entre os jurados também está o conhecido blogueiro e jornalista russo Alexander Pushev, como também Isaac Mao, um dos organizadores da "Chinese Blogger Conference".

A representante brasileira, jurada para a língua portuguesa, é a blogueira e jornalista brasileira Rosana Hermann do blog Querido Leitor.

 

:: As categorias principais (Prêmio do público e Prêmio do Júri)

  • Melhor Blog
  • Melhor Uso da Tecnologia para o Bem Social
  • Melhor Campanha de Ativismo Social
  • Prêmio Repórteres Sem Fronteiras
  • Prêmio Tópico Especial
  • Melhor Canal de Vídeo 

 

:: As 11 categorias por idioma (Prêmio do Público):

  • Melhor Blog / Árabe
  • Melhor Blog / Bengali
  • Melhor Blog / Chinês
  • Melhor Blog / Alemão
  • Melhor Blog / Inglês
  • Melhor Blog / Francês
  • Melhor Blog / Indonésio
  • Melhor Blog / Persa
  • Melhor Blog / Português
  • Melhor Blog / Russo
  • Melhor Blog / Espanhol 

 

:: As datas

  • A fase de inscrições termina em 13 de março. Então os finalistas serão escolhidos pelo júri internacional.  
  • Os vencedores serão escolhidos entre 2 de abril e 2 de maio. Por um lado, há o voto do júri, pelo outro – em resultado independente – a votação online.  
  • Todos os vencedores serão anunciados em 2 de maio. No dia 30 de abril, alguns jurados irão falar, em coletiva de imprensa em Berlim, sobre blogs e mídia social em seus países.  
  • Os vencedores do júri nas categorias internacionais irão receber seus prêmios no Deutsche Welle Global Media Forum, no dia 26 de junho em Bonn. O tema da conferência de três dias será: "Cultura. Educação. Mídia – Construindo um futuro digno" 

 

:: Os parceiros

Parceiros especiais são Repórteres Sem Fronteiras e a conferência re:publica. Parceiros da mídia são: Jetzt.de, Arabic Media Internet Network, Somewhere in…, Bdnews.com, iSUN TV, Global Voices, Categorynet, TV5 Monde, Gooya, Terra e Lenta.ru.


Recordando momentos incríveis

O Física na Veia! recebeu o prêmio de Melhor Blog em Português 2009/2010 pelo The BOBs (veja selo lá no topo do blog).

Confira abaixo os vídeos da divulgação dos vencedores e da premiação em Bonn, Alemanha, durante o Global Media Forum 2010


Divulgação oficial dos vencedores do The BOBs 2009/2010 pela web



Pequeno trecho em vídeo da premiação do Física na Veia

 

Abaixo três posts quando da minha ida à premiação do The BOBs.


E ainda:

  • Entrevista concedida para Carlos Albuquerque (da Deutsche Welle), durante minha ida a Bonn, Alemanha, sobre o meu trabalho de professor/blogueiro

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h34





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  ::: CURIOSIDADE SOBRE OS RAIOS SOLARES :::

UOL Ciência/Stephen Alvarez/National Geographic Stock/Caters News

Majlis al Jin, no Omã

A bela foto acima, publicada hoje no UOL - Ciência e Saúde (clique aqui para vê-la em seu local e tamanho originais) nos revela uma incrível curiosidade sobre os raios solares que atingem a Terra: eles são praticamente paralelos! Em outras palavras, caminham lado a lado e, com muito boa aproximação, não convergem nem divergem. É exatamente o que vemos através das partículas em suspensão no ar dentro da caverna que, ao serem atingidas pelos raios solares, brilham e nos revelam o formato praticamente cilíndrico do feixe de luz solar que atravessou o buraco na superfície da Terra e mergulhou para dentro da cavidade. Para ajudar no entendimento desta ideia, veja a figura abaixo onde desenhei três (dos infinitos) raios de luz que penetram na caverna.

 
Raios solares praticamente paralelos entram na caverna

Se você medir com cuidado na figura acima, verá que os raios desenhados sobre a foto não estão perfeitamente paralelos. Mas isso é um efeito de perspectiva porque o fotógrafo está no fundo da caverna, um tanto quanto distante do buraco no topo da cavidade. A perspectiva atrapalha um pouco e mascara a nossa percepção do paralelismo aproximado dos raios. Mas, mesmo assim, é notável que feixe de luz é muito mais cilíndrico (raios paralelos) do que cônico (raios divergentes). Se os raios  fossem divergentes, veríamos algo mais ou menos como está na imagem abaixo onde, notavelmente, os raios não "batem" com o feixe de luz que está entrando pelo buraco.


Como seria o feixe de luz solar se os raios não fossem paralelos

 

:: Aprofundando um pouco o nosso raciocínio para entender bem o fenômeno

É fato que os raios de luz solar, quando deixam a nossa estrela, espalham-se de forma homogênea, em todas as direções, ao redor da esfera solar. Logo, é bem razoável consideramos que os raios solares que deixam o Sol divergem e, portanto, não são paralelos.

Mas apenas uma minúscula porção de toda esta energia luminosa que deixou o Sol chega a atingir o nosso planeta. A maior parte desta luz espalha-se pelo espaço e não passa nem perto da Terra. A imagem abaixo nos dá uma ideia do fato.

Raios solares que deixam o Sol e atingem a Terra (fora de escala)

Na imagem acima podemos ver dois raios de luz que, partindo de pontos quase diametralmente opostos do Sol, atingem a Terra. Na prática, apenas a porção de luz delimitada por estes dois raios (marcada em azul) chega na Terra. Todo o resto vai pro espaço. Note que estes raios estão inclinados em θ graus, ou seja, temos um cone de luz de abertura θ graus.

Esta figura está propositalmente fora de escala. O Sol, na prática, não está assim tão perto da Terra. Quanto mais distantes estiverem Sol e Terra, menor será o ângulo θ. Confira na imagem abaixo. 


Raios solares que deixam o Sol e atingem a Terra (ainda fora de escala)

Mas a figura acima ainda está fora da realidade. Se colocarmos o Sol no seu devido lugar (cerca de 149,6 milhões de quilômetros do olho do observador), mantendo a proporção real de tamanhos (diâmetros do Sol e da Terra), ângulo θ diminui drasticamente. Dá para imaginar como seria isso?  

Não é difícil calcular o valor deste ângulo θ (abertura do cone de luz que deixou o Sol e atinge a Terra). Já fiz este cálculo aqui no Física na Veia! e obtive um valor de praticamente 0,5o (meio grau).  Confira os cálculos neste post. E meio grau é muito pouco! É praticamente zero. Portanto, podemos afirmar que na prática os raios solares que chegam na Terra são praticamente paralelos. Em outras palavras, o feixe de luz é cilíndrico. 

Muito cuidado! Entenda bem o fenômeno:

  1. Os raios de luz quando deixam o Sol não são paralelos, pois divergem.
  2. Mas os raios solares quando chegam na Terra (apenas uma pequena porção do todo) são praticamente paralelos (a rigor têm inclinação θ = 0,5o). Isso porque a Terra está suficientemente afastada do Sol para tornar o ângulo θ quase nulo. É uma questão geométrica. 
Deu para entender o espírito da coisa?

Agora pare e pense: por causa deste paralelismo aproximado dos raios solares, a sombra de uma avião que voa horizontalmente, projetada no solo (horizontal), terá sempre praticamente o mesmo tamanho do avião, independente da altitude H de voo.

Visualizou o que eu disse? As figuras abaixo ajudam a entender esta curiosidade sobre os raios solares.

 


Sombra do avião voando mais alto, por volta do meio dia


Sombra do avião voando mais baixo, por volta do meio dia


Sombra do avião voando mais alto, no meio da manhã ou da tarde


Sombra do avião voando mais baixo, no meio da manhã ou da tarde

Repare, nas quatro imagens imediatamente acima, que a sombra do avião projetada no solo horizontal tem sempre praticamente o mesmo tamanho do avião. Se os raios solares que atingem a Terra não fossem praticamente paralelos, a divergência entre eles afetaria o resultado deste experimento tal que a sombra do avião:

  1. não mais teria o mesmo tamanho do avião.
  2. teria um tamanho diferente para cada altitude de voo do avião.
As duas figuras logo abaixo ilustram os efeitos 1 e 2 apontados acima que ocorreriam caso os raios solares que chegam na Terra não fossem praticamente paralelos. 

Sombra não tem mais o tamanho do avião e depende da altura de voo


Sombra não tem mais o tamanho do avião e depende da altura de voo

Como escrevi nas duas figuras acima, para não induzir ninguém ao erro, na prática não é isso o que acontece. Com muito boa aproximação podemos considerar que os raios solares que chegam na Terra são praticamente paralelos pois estão inclinados em apenas 0,5o (meio grau).

Por fim, aproveito esta ideia descrita aqui neste post para mostrar "como funciona a cabeça de um físico". Se você fizer a mesma pergunta para aguém que não é físico e para alguém que é, poderá se surpreender com repostas diferentes, aparentemente antagônicas. Mas ambas podem estar corretas, ou pelo menos aceitáveis pelas suas justificativas lógicas. Veja:


Os raios de luz que deixam o Sol são paralelos?Os raios de luz solar que chegam na Terra são paralelos?
Não físico  Não, pois divergem bastante.Não, pois divergem em meio grau.
Físico  Não, pois divergem bastante.Sim, com muito boa aproximação, pois divergem em apenas meio grau (quase zero)

A tabela acima mostra que é prática comum do físico idealizar as situações, ou seja, assumir aproximações que são no fundo erros sob controle, minimizados, e que no final das contas não afetam de forma significativa o resultado, mas simplificam bastante o tratamento, o que chamamos de modelo. A sombra do avião no chão não tem exatamente o mesmo tamanho do avião. Mas tem quase o mesmo tamanho do avião. O erro está sob controle. E é mínimo. Nós físicos somos práticos! E quem quer aprender física precisa começar a pensar assim! 


Já publicado aqui no Física na Veia!





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h05





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  ::: MINHAS PALESTRAS NA #CPBR5 :::


Equipamento pronto para a palestra multimídia

 

Participei ontem da quinta edição brasileira da Campus Party na área de Ciência - Astronomia e Espaço. Foi muito bacana! 

E, conforme prometi aos participantes, estou disponibilizando aqui neste post uma boa parte do material que utilizei nas palestras.

Desta forma, quem estava lá pode guardar em seu arquivo pessoal este material que em boa parte é didático e pode ser útil mais adiante para novos estudos ou aprofundamento. E, para quem não esteve presente, dá uma ideia do que fizemos por lá e cumpre o papel de divulgação cientifica, o que era a proposta principal das palestras. 

 

:: Palestra 1 - Um passeio virtual pelo LHC


Slide de abertura desta palestra

Aproveitando que em 2010 estive no CERN - The European Organization for Nuclear Research (confira aqui) fazendo um curso de capacitação em Física de Partículas(1),  fizemos um passeio virtual pelo LHC - Large Hadron Collider, o maior experimento científico de todos os tempos.


Palco de Astronomia e Espaço na Campus Party

 

O LHC é uma máquina incrível! Parti de um vídeo do CERN que destaca cinco aspectos notáveis do acelerador/colisor que no decorrer da palestra fui detalhando:

  1. O lugar mais frio da galáxia 
  2. Um dos lugares mais quentes do Universo
  3. Mais vazio que o espaço exterior
  4. O maior número de eletroimãs high tech já construídos
  5. O maior e mais complexo instrumento eletrônico do planeta

Demos uma passadinha pelo filme "Anjos e Demônios", cuja ação principal da trama começa com suposta criação de antimatéria no LHC. E ao longo da palestra, costurando ideias e imagens com uma boa pitada de Física Clássica e Moderna, procurei mostrar como funciona o acelerador, o colisor, e seus detectores (os quatro grandes olhos da máquina). E finalizamos mostrando o que os cientistas procuram e especulamos até o que podem encontrar e não procuram. Em alguns momentos fomos pra internet, aproveitando a conexão rapidíssima de 20 Gb/s disponibilizada no evento.

E no final uma surpresa: a participação ao vivo, via Skype, da minha ex-aluna Flavia de Almeida Dias, direto do CERN em Genebra, na Suíça. Ela é graduada em Física pelo IF/USP e atual doutoranda no CERN pelo IFT/Unesp. Ela, que trabalha no LHC, no experimento CMS, nos contou como é o seu cotidiano de estudante e pesquisadora e interagiu com a platéia respondendo perguntas dos participantes. A meu pedido, ela falou sobre o experimento do Gran Sasso em que neutrinos provenientes do CERN aparentemente superaram a velocidade da luz no vácuo, algo impossível de acordo com a Teoria da Relatividade Restrita de Einstein. Foi sensacional! Mais uma vez a conexão turbinada de 20 Gb/s deu show! Vimos/ouvimos a Flavinha perfeitamente bem! Aproveitei para matar saudades desta super aluna, agora super cientista, e que um dia frequentou minhas aulas! 



Flavinha no telão, via Skype, direto de Genebra 

 

Confira logo abaixo o material da palestra. Alguns recursos nem deu para usar no evento porque o tempo era curto. Mas estão todos aí. Divirta-se!

  • Slides mais relevantes da palestra. Eliminei os que tinham cálculos e mais alguns outros. (PDF, 6,3 Mb)
  • Arquivo do Google Earth (formato KMZ) que permite "voar" sobre Genebra e visualizar o anel do LHC e três (dos seus quatro) principais experimentos
  • Filme 1: Os cinco estágios dos aceleradores
  • Filme 2: Montagem do ATLAS em 1 minuto
  • Filme 3: As "camadas" de detectores do ATLAS
  • Web Tools do LHC (páginas na internet que mostram telas de controle do LHC)
  • Peter McCready Virtual Reality (Várias imagens 3D, dentre as quais, algumas são dos detectores do LHC. Atenção: na coleção há imagens de outros lugares que nada tem a ver com o LHC)
  • Imagens 3D do experimento LHCb: imagem do etector, outra imagem do detector, imagem do tunel (próximo ao detector), outra imagem do tunel (próximo ao detector)
  • Três câmeras transmitindo ao vivo do CMS: webcam 1 (sala de controle de superfície), webcam 2  (sala de controle de superfície) e webcam 3 (janela com a paisagem francesa, o CMS está no lado francês do anel) - imagens atualizadas a cada 5 minutos
Aproveite o embalo e confira também meu índice de posts sobre o CERN e o LHC. Nele estão os links (sempre atualizados) do que escrevo neste assunto.

Não deixe de visitar os sites oficiais do LHC e seus experimentos, fonte constante de informações e imagens (muitas das quais utilizei na palestra):


:: Palestra 2 - Ficção Científica X Ciência


Slide de abertura desta palestra

Falei sobre inúmeras coisas que eram apenas ficção científica, coisa de cinema, mas que viraram realidade. Ilustrei com trechos de filmes(2). Outras tantas ainda continuam apenas no campo dos sonhos. Mas um dia podem ser palpáveis. 

Esta palestra foi transmitida ao vivo e o arquivo está disponível. Clique aqui e assista via streaming. Você precisa estar logado no sistema com senha de campuseiro ou fazer login via Twitter ou Facebook.


(1) Vale lembrar que a Escola de Física - Teacher Programme é um evento oficial do CERN para professores de Ensino Médio dos países membros. O Brasil coopera com o CERN mas (ainda) não é membro. Nós brasileiros entramos na cota dos portugueses que gentilmente nos abriram espaço por iniciativa do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas. A organização do grupo foi coordenada pela Secretaria para Assuntos de Ensino da SBF - Sociedade Brasileira de Física da qual o prof. Nilson Marcos Dias Garcia, docente da UTFPR, é secretário. Ele também foi nosso guia desde a organização do evento, ainda no Brasil, até as atividades em Genebra. O CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas também esteve na organização do evento. Contamos com apoio financeiro do Departamento de Educação Básica da CAPES (através do prof. João Teatini) e do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia (através do prof. Ildeu de Castro Moreira).
(2) Usei até o brasileiro "O Homem do Futuro", lançado em 2011, que tem Wagner Moura no papel principal e a participação da Marcella Marin e do Gabriel Marin, dois ex-alunos que aparecem na "cena da festa à fantasia". Eu tenho ex-aluno em tudo o que é lugar. Até em filme! E por falar nisso, na Campus Partu reencontrei outros tantos caros ex-alunos. Isso é uma evidência experimental de que estou ficando velho, não é? 

[Upgrade - 13/fevereiro/2012]

Mesa Redonda - Blogs Científicos com Jovens Nerds

No sábado, 11 de fevereiro, encerrando as atividades do palco Ciência - Astronomia e Espaço, participei de uma mesa redonda que discutiu os rumos dos blogs científicos no Brasil. O evento foi mediado por Atila Iamarino e teve a participação mais do que especial dos Jovens Nerds.


Kentaro, Rafael,  Atila, Caio, Alexandre, Dulcidio e Deive

Veja abaixo o vídeo deste debate que foi transmitido pelo live streaming da Campus Party. Infelizmente, no início (e bem na minha fala inicial, que está cortada) houve um problema técnico com a captação de audio. Mas no decorrer do debate o som melhora bastante.





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 17h41





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  ::: CAMPUS PARTY 2012: EU VOU :::


Página da Campus Party, área de Ciência - Astronomia e Espaço

 

Já está acontecendo desde ontem, em São Paulo, a quinta edição da Campus Party Brasil, o maior acontecimento de tecnologia e internet do mundo que oferece o que há de mais recente nas áreas da inovação, ciência, cultura e entretenimento digital dentro dos 76 mil m² do Anhembi Parque.

Nesta quarta-feira, dia 8, eu participo do evento com duas palestras:

  1. Uma Passeio Virtual Pelo LHC
    [10h - 11h]
    Acelerar prótons e íons até quase a velocidade da luz no vácuo num anel subterrâneo de 27 km? Provocar colisões destas partículas? Para que? Tudo isso parece ficção. Mas é realidade, é ciência de ponta! Faça um passeio virtual pelo LHC, o acelerador de partículas que fica no CERN em Genebra, na Suíça.
     
  2. Ficção Científica X Ciência
    [16h - 17h]
    Sabe aquelas cenas espetaculares de filmes de ficção científica que você vê no cinema? Nem todas são possíveis. Apesar disso, a ciência às vezes pode ser mais espetacular do que os filmes nos mostram.

E no sábado, dia 11:
  • Participo de uma mesa redonda [16h45min] com blogueiros científicos

Minhas palestras e a mesa redonda pertencem à área (verde) de Ciência - Astronomia e Espaço.

Se você estiver por lá, apareça para trocarmos boas ideias! 

Fique ligado!




Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 18h32





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  ::: JOGUINHO DA NASA NO FACEBOOK :::


Tela principal do jogo mostrando os três competidores

 

A NASA lançou o game Space Race Blast Off no Facebook, rede social que conquista cada vez mais usuários no mundo todo e, especialmente, no Brasil.

Acabei de testá-lo. É divertido. Você entra na página do aplicativo, faz as autorizações e escolhe um avatar (dentre algumas opções) com um nome de usuário (que você mesmo digita). Se ninguém cadastrou este nome antes, ele é seu. E você estará pronto para começar a competição. É tudo bastante intuitivo.

O game escolhe mais dois usuários do sistema aleatoriamente e que vão jogar contra você. Conforme os jogadores vão ganhando pontos, seus avatares vão subindo em torres (veja imagem no topo do post). Ao final do jogo, quem tiver mais pontos e, portanto, estiver mais alto na torre, vence.  

O princípio do jogo é simples: perguntas de múltipla escolha (em inglês) vão sendo propostas e os três jogadores (você e mais dois) têm um reloginho em contagem regressiva marcando um período em que devem ler e responder à pergunta. Os temas variam de conhecimentos gerais sobre a NASA até naves e sondas espaciais passando por química, matemática, física, história, cultura pop e até o reconhecimento de astronautas por fotos, dentre outros. 


Uma pergunta proposta 

Cada resposta certa (antes do cronômetro zerar) vale 100 pontos. E quem responder corretamente e em primeiro lugar dentre os três competidores ganha um bônus de 20 pontos.  

Quem vence a competição tem direito a uma rodada extra e, no estilo Silvio Santos, pode girar uma roleta que vai escolher o tema da pergunta-bônus.


Rodada extra

 

Clicando no botão "Lobby" acima, à direita, você acessa uma página (imagem abaixo) que tem um menu geral que permite revisar seus pontos acumulados, estatísticas, dentre outros. Clique e descubra o que há por trás de cada botão.


Página com um menu geral

 

Na página "Awards" você pode usar seus pontos acumulados para "comprar" selos virtuais da NASA e ir montando uma coleção.


"Compra" de selos comemorativos usando os pontos acumulados

 

Eu curti. E seu que muita gente dos 8 aos 80 anos também vai gostar. Experimente! Fique atento porque algumas perguntas voltam em rodadas futuras. Se você errou, pode aprender com o erro e ir melhorando a sua performance.

Depois deixe um comentário contando o que achou do game. 


Já publicado aqui no Física na Veia!

 





Um forte abraço. E Física na Veia!
prof. Dulcidio Braz Júnior (@Dulcidio)
às 19h37





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Dulcidio Braz Jr
Físico/Professor, 47 anos

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